segunda-feira, 31 de julho de 2006

Pure Listening Pleasure

Andava pela FNAC avec Nú-nô quando ele aponta para este CD
(Camille - "Le fil")
e diz: Este é o melhor disco francês deste ano (ou algo parecido). E eu comprei-o sem pensar duas vezes.
Ele tinha razão. É certo que eu não ouvi mais nenhum disco francês este ano mas isto podia ser um dos melhores discos do ano em qualquer ano em qualquer país. É um daqueles albuns-OVNI que são perfeitos do princípio ao fim e parecem existir só porque alguém gosta MESMO de fazer A SUA música. Vem da mesma solitária dimensão fora do tempo e espaço que "Spirit of Eden" dos Talk Talk ou "Dinamyte" de Stina Nordenstam.
O album chama-se "Le fil" e é claro que o fio condutor de todas as canções (que se estão um bocado nas tintas para encaixarem num formato que se possa chamar mesmo "canção") é a voz de Camille, no sentido literal em que uma nota é mantida do princípio ao fim do disco, como um fio onde as canções se vão enfiando como contas num colar. Mas também os ritmos, os ambientes são quase todos criados com a própria voz e só de vez em quando aparece um intrumento convidado. Um tambor ou um trompete. E quando apetece batem-se palmas. É uma maravilhosa espontâniedade. É claro que se pode referir as influências de Bobby Mcferrin, Laurie Anderson ou a Bjork do último album. Ou da Soul e da música africana. Mas não vale a pena. Camille vale por si mesma como alguém que lhe canta (e fala, e grita e discute, e pensa em voz alta) porque lhe apetece. E é por isso que apetece ouvi-la, uma, duas, três, trezentas vezes. Ouçam-na também assim que puderem.

PS- Merci Nú-nô

3 comentários:

serrano disse...

e o Nú-nô tem toda a razão... ouvi-o massivamente quando saiu... já n me lembro, mas esse album tem o dedo mágico de Benjamin Biolay, ou estarei a fazer confusão?

Daniel J. Skråmestø disse...

acho que estás a fazer confusão

Nuno Pires disse...

De nada, Daniel ;)
Por acaso a tua compra deu-me vontade hoje de o voltar a ouvir, no autocarro. Adoro este disco, e posso te dizer que, ao vivo, a mulher é um fenómeno.
Serrano, estás enganado. Benjamin Biolay não tem nada a ver com Camille, mas sim com os dois primeiros discos de Keren Ann (mas aconselho mais de ouvir o seu terceiro, "Nolita", de uma beleza absoluta).
De uma qualidade tão grande, e tão experimental como "Le Fil", aconselho também de ouvir o secundo disco de Emilie Simon, "Végétal". (Daniel, está no teu iPod também)
Bonne écoute!