domingo, 23 de julho de 2006

adulto

Já sou um homenzinho. De agora em diante passo a ter barba. Comprei finalmente uma daquelas maquinetas de cortar cabelo. Há mais de uma década que sofria com uma barba miserável e mal semeada que não se podia mostrar crescida e que quando usava a gillette me dava borbulhas para vários dias. Mas finalmente posso ter a barba sempre com este aspecto másculo (I want to believe) dos pelinhos uniformemente aparados a 3mm. O meu bigode quase se une ao resto da barba e quase consigo ter patilhas. Isto vai no bom caminho. Já era tempo de deixar de invejar o meu primo que começou logo a fazer a barba aos 11 anos e que, embora a faça todas as manhãs, ao meio-dia já consegue lixar a tinta das paredes.

São curiosas estas mudanças fisiológicas no corpo que envelhece. Felizmente, por enquanto só as vou notando ao nível piloso (de pêlo). As minhas entradas, que se começaram a manifestar logo aos 30, já vão por aqui adentro, criando uma linda península de cabelo ao cimo da testa que se ameaça tornar numa ilhota. É o meu maior terror. Eu não me importava de ser careca. Não tenho nada contra. Até acho sexy nos outros. Mas estes tufos que vão ficando para nos lembrar que a maré está irremediavelmente a descer são ridículos. Daí eu achar que a compra da maquineta de cortar cabelo foi um investimento para o futuro. As ilhotas só se safam com as palmeiras cortadas. No futuro, vejo-me com a barba a ligar ao cabelo nuns uniformes 3mm. A orla marítima é que é capaz de ter um desenho complexo.

Entretanto, parece que a falta de cabelo nas têmporas se deve à sua emigração para outro lado. Nomeadamente para as narinas, orelhas, peito, ombros e costas. Exacto! Aí mesmo onde faz imensa falta. Mas tudo bem, pinça eu já tinha para impedir as sobrancelhas de andarem de mãos dadas.

E depois... os cabelos brancos! São fascinantes e cheios de personalidade. Não lhes basta terem uma cor diferente do outros. Mesmo depois de dois esfreganços com gel na cabeleira, continuam em pé só para chamarem a atenção. Coitadinhos. Por enquanto ainda se sentem muito isolados. Um aqui, outro ali. É por isso que ainda faço uns desvios com a pinça no caminho entre a sobrancelha e a orelha.

É muito cansativo, isto de ser adulto.
Mas podia ser pior. Eu podia ser um wookie.


Moral da história: Olhar sempre para o lado luminoso da vida e continuar a brilhar como um diamante maluco.

2 comentários:

serrano disse...

Agradeço-te o sorriso! Sim tens razão qdo disses que podias ser o wookie. Eu não sou, mas ando lá perto. Até descobrir a bear scene - a estrangeira, obvio, que a bear scene portuguesa é uma anedota - tantas foram as vezes que amaldiçoei a minha mãe ter feito amor com o meu pai (que n tem um pêlo, com excepção para as pestanas, sobrancelhas e pubis) a pensar no Tony Ramos!

Bad Girl disse...

Pois eu de pelos percebo pouco (quer dizer, experimenta lá arrancá-los com cera!). Mas sei que isto de ser adulto não é dificil: só não se pode é levar a vida muito a sério...