segunda-feira, 11 de junho de 2007

A magia das cidades vazias

Lisboa
num fim de semana entre feriados. Sábado de manhã. Apenas os pássaros a gritarem para as pedras das calçadas antigas do bairro do castelo. Uma aragem fresca antes de um dia ardente como quem suspirasse antes de voltar a uma resignação antiga.

Berlim
a altas horas da noite num dia de semana. As largas avenidas mal iluminadas de tão largas que são. A sensação de que talvez nunca ninguém voltará a acordar, nem sequer o sol. E de que isso não importa lá muito.

Oslo
a primeira neve do ano a cobrir os passeios e as ruas, intocada por pneus ou sapatos. A noite transformada num grande segredo branco. O mais precioso e absoluto silêncio.

Oaxaca
o sol implacável do meio dia num rua lateral e proletária que parece não ir terminar nunca nem ter transversais. Seguir os cães na esperança de encontrar gente. Saber que não se pertence mas ser dono de tudo.

...

É bem provavel que só se conheça a verdadeira natureza de uma cidade quando a vemos despida dos seus habitantes.

1 comentário:

Nuno Pires disse...

Post muito inspirado :)