quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Richard Jobson

Graças à minha nova e super-rápida ligação à internet, inscrevi-me finalmente na loja do iTunes onde consegui desencantar esta pérola de album que procurava em vão há mais de 15 anos.



Durante pouco mais de um ano tive este album gravado numa cassete até que, num trágico dia, a fita deve ter parecido muito apetitosa a um gravador que a mordiscou sem piedade.
A cassete provinha de um vinil duplo editado pela disques du crépuscule, há muito esgotado, pertença de um primo que vejo muito pouco. Durante anos procurei-o em todos os países que visitei e, se alguma vez passou a formato CD, deve ter sido recentemente. Há coisa de dois anos, quando me voltei a lembrar de o procurar, avistei o vinil num leilão do e-bay e, apesar do preço escandaloso, quase me desgracei (mesmo não tendo já um gira-discos...)

Hoje, estes belíssimos momentos de música-literatura regressam aos meus ouvidos e a magia que me encantou quando o descobri em 1992 (o disco é de 1982!) ainda lá está.
É um disco estranho, em que Richard Jobson, mais declamador que cantor, se socorre de personagens de Marguerite Duras, melodias de Eric Satie ou rendilhados da guitarras de Durutti Collumn, para nos levar a um sítio onde o tempo, as histórias e as emoções convergem sob a forma de palavras-som.
Ouve-se como se lê um romance. É hipnótico mas exigente para o ouvinte. A mim, marcou-me para sempre e é daquelas coisas que sinto que formou a minha identidade. Passou quase a fazer parte da minha personalidade

É recomendável para snobs culturais com um mínimo de bom gosto e para fãs incondicionais de Marguerite Duras.

Sem comentários: