sábado, 6 de janeiro de 2007

Regra do bom vendedor

Ontem fui apanhado no meio de uma reunião para onde não era chamado. Um vendedor tentava vender um serviço a um colega meu. Como não tinha o mínimo interesse no produto nem na conversa fiquei atento às expressões corporais do vendedor (que era giraço). Foi o suficiente para perceber que ele não acreditava em nada do que estava a dizer.Era um mau vendedor. Apesar do seu discurso entusiasmado, o corpo traía-o. As mãos pegavam nas brochuras mas desistiam, o pé batia com impaciencia e, em geral, via-se que não queria estar ali.
Eu acho piada a vendedores, mas divirto-me mais quando são daqueles que acreditam piamente no que estão a vender, que se acham capazes de nos mudar a vida. É um entusiasmo artificial mas torna-se quase legítimo.

Em tempos morei com um amigo que, entre empregos dignos desse nome, teve de andar a vender enciclopédias. Todos os dias chegava de rastos a casa por se sentir mal a tentar impingir livros inúteis a gente que mal sabia ler e que mal tinha dinheiro para comer. Nas primeiras semanas ele ainda conseguia ter um mínimo de entusiasmo, e achava as enciclopédias lindas, com as suas capas de couro com letras douradas e ilustrações multicoloridas. Depois, cometeu o erro de as ler. Não tardou a despedir-se.

Sempre tive a impressão de que uma boa venda é feita com base numa verdadeira fé. É por isso que a maioria dos padres não me convence. Por outro lado, não há nada mais impressionante do que encontrar um que acredita piamente na infinita bondade de Deus. É contagiante. Infelizmente, a fé postiça só dura enquanto estamos ao pé deles. É por isso que um bom vendedor nunca deve dar a impressão de que se quer ir embora.

2 comentários:

pinguim disse...

De uma forma muito pessoal, achei este édito muito interessante, pois as minhas actividades profissionais sempre estiveram ligados às vendas, incluindo os meus anos de ensino, pois leccionar é de alguma forma, "vender" cultura.
E concordo em absoluto quando dizes que só acreditando realmente naquilo que queremos transmitir, o possamos fazer com sucesso.

Daniel J. Skråmestø disse...

Os melhores professores que tive eram os que acreditavam no que ensinavam, sem dúvida.