terça-feira, 8 de maio de 2007

Memorias de Istanbul


- O momento em que, em todas as mesquitas da cidade, os altifalantes começam a chamar para a oração. Volume no máximo com a qualidade de rádio a pilhas e tudo desincronizados a dar um efeito de fuga ou motete.

- Gatos em todo o lado. Se eu fosse gato queria morar em Istanbul numa loja de tapetes.


- O caos. A mistura de gente e culturas.

- As lojas que vendem joysticks para playstation, leitores de DVDs e pistolas (das verdadeiras)


- Os pescadores na ponte Galata a apanhar um peixinho de vez em quando. Um pescador numa aldeia do Bósforo que tinha vários anzóis na linha e enquanto dava duas passas no cigarro apanhava 6 peixes. Um cigarro deu para cerca de 15 peixes.


- Os dervishes rodopiantes. Alguns são dotados e elegantes, outros têm a graciosidade do Corcunda de Notre-Dame. Quando parados não dá para adivinhar quem rodopia bem ou mal. Há dervishes muito sexy. Toda a cerimónia é de facto religiosa e não tem especial característica de espectáculo. É incómodo observar pessoas em transe.

- Um kebap bem feito pode ser uma obra de arte culinária.

- Fazer compras no bazar das especiarias logo de manhãzinha enquanto os turistas ainda estão a ver museus.


- Compreender que qualquer nacionalidade, quando representada por um grupo excursionista, só tem defeitos e nenhuma virtude.

- O Bazar do livros onde o Corão é vendido entre manuais de linguagens de programação informática


- O tráfego de ferries e barcos no bósforo, quase tão caótico como o das ruas da cidade

- Os milhares de cafés e restaurantes, muitos em terraços com vista

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Relatorio IndieLisboa 6

27 de abril
BIG BANG LOVE, JUVENILE A de Miike Takashi

A banhada do ano. 2 horas da minha vida completamente perdidas.
Enfim, acontece...

- E o senhor, o que vai tomar?
-Era uma amnésia, se faz favor!

Melhor "boca" do IndieLisboa

Ouvido numa sala de cinema antes do filme começar:
"O Electroma dos Daft Punk é assim como que uma mistura do Blade Runner com o "Olhó Robot" da Lena d'àgua"

relatorio IndieLisboa 5

26 de Abril
LA ANTENA de Esteban Sapir

É refrescante quando um filme nos surpreende por conseguir homenagear visualmente dezenas de outros filmes ao mesmo tempo que consegue manter uma unidade visual única, inventiva, e belíssima. Junte-se a isso uma fábula de um onirismo inteligente e de intervenção politica e... que mais se pode pedir de um filme?
É uma homenagem aos clássicos que consegue ser quase um clássico instantâneo por si só. A verdadeira arte é isto: artificialismo total com humanismo tocante e inteligencia provocadora.
Imperdível!
(volta a passar sábado 28 pelas 15h15 no King 3)

quinta-feira, 26 de abril de 2007

relatorio IndieLisboa 4

25 de Abril
THE HOTTEST STATE de Ethan Hawke + ANALOG DAYS de Mike Ott

Uma tarde passada na América profunda. Ethan Hawke a passear-se por Nova Iorque, Texas e México (sim, o México dos Americanos - e eu tenho esta teoria de que o verdadeiro sonho americano é assaltar um banco e fugir para o México...). Mike Ott a fixar o olhar sobre uma cidadezinha cujo nome não me lembro mas também não interessa.
A virtude dos americanos é que conseguem quase sempre fazer filmes competentes sem tédio visual. O seu grande defeito é que tendem quase sempre a deixar-nos uma sensação de inconsequência descartável. Nem Hawke nem Ott nos dizem nada que não soubessemos já acerca da america e dos americanos, ou dos homens e das mulheres, dos adolescentes e das adolescentas.

Hawke pareceu-me apaixonado demais pela sua própria história (é uma adaptação do seu romance) e o filme podia beneficiar bastante de um corte de 15 minutos. Mas tem bons diálogos a balançar entre o pseudo-erudito e a psicologia-farinha-amparo sem nunca se comprometer. E uma luminosa Laura Linney a dar credibilidade a diálogos que podiam ser o calcanhar de Aquiles do filme mas que acabam por se transformar nos seus momentos de maior frescura e luz.
É um filme de gaja (ai a nossa relação, como foi, como é como vai ser. Eu amo-te, tu não me amas, afinal amamo-nos mas não fomos feitos para ficar juntos....aaaaaaaarrrrrgggghhhh!!!), com todos o ingredientes para poder ser um desastre (a banda sonora deve ser um horror ouvida fora de contexto) mas que, milagrosamente, funciona bem. Mas é como aquelas piscinas rasas que parecem muito fundas. Ok para nadar, mas desapontante para quem quiser dar mergulhos.

Quanto a Analog Days, descreve bem a vida de quatro adolescentes angustiados por viverem na America profunda e terem um bocadito de cérebro. Mas o filme não vai a lado nenhum porque as personagens são realisticamente apáticas. Dentro do género, Ghost World conseguia muito mais,embora eu continua a achar que aquele autocarro não devia ter vindo... Nesse aspecto talvez seja mais interessante o final de Analog days, com o seu corte face ao semáforo. Filme morno do princípio ao fim, com boa musica e cores curiosas. Realizador promissor (e muito simpático). O seu semáforo está verde, senhor Ott. Faça favor de avançar.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Relatorio IndieLisboa 3

FAY GRIM, de Hal Hartley - A sessão ajudou para perceber que tenho mesmo uma grande identificação com o senhor Hal Hartley. Se me pedissem para falar a um São Jorge cheio de fãs (e salpicado de artistas) provavelmente também diria apenas meia dúzia de generalidades atrapalhadas com uma tentativa de piada coxa pelo meio.
Quanto ao filme... não é bom. Mas também não é mau. Se fosse de outro autor provavelmente ficaria na total indiferença, assim, serviu apenas para matar saudades. Vá fazer outro filme, senhor Hartley, e depois logo falamos.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Erik Enocksson - a banda sonora de Falkenberg Farewell

Um filme excelente pode dever bastante a uma excelente banda sonora. É o caso de Falkenberg Farewell. Erik Enockson fez um trabalho musical notável que apetece comprar em http://www.kningdisk.com (apenas 999 cópias feitas à mão)

Prevejo que daqui a uns meses toda a fauna jovem indie deprimida ande a ouvir isto enquanto espera por um novo album dos Sigur Rós. Mas cliquem no titulo deste post para se adiantarem à onda e ajudar ao inevitável hype: o compositor deixa baixar gratuitamente três musiquinhas na sua página do myspace. Bendito seja, ainda há gente a merecer o céu!

Adios!

Tinha 1m de diâmetro. Foi viver para Espanha.
O único consolo de vender os filhos é saber que ficam nas mãos de quem também os ama.

Relatorio IndieLisboa 2

Sessões de domingo 22

A SCANNER DARKLY de Richard Linklater é uma experiencia curiosa de adaptação para cinema de uma novela de Philip K. Dick em que a transformação de imagem real em animação faz todo o sentido. Ainda assim, mesmo sem ter lido o livro, fico com a certeza que só pode ser melhor que o filme.

FALKEBERG FAREWELL, de Jesper Ganslandt, foi a revelação de uma pequena obra-prima. Uma pérola de sensibilidade e ousadia cinematográfica. Por mim, pode já ganhar os prémios todos do festival. Ponham louros na cabeça do realizador, chamem as atiradoras de pétalas de rosa e estendam-lhe a passadeira para o pódium.
Oh, que maravilha de filme!!!

Volta a passar terça 24 às 18h45 no São Jorge. (E, se houver justiça, no dia dos filmes premiados!)

domingo, 22 de abril de 2007

relatorio indie 1

Ao fim do terceiro dia de indie, ainda com pouca coisa vista, posso opinar que:
O filme de abertura, LIFE IN LOOPS, desiludiu-me bastante, talvez porque estava à espera de algo cinematograficamente mais radical. Mas afinal o realizador deixa-se levar pela força emotiva e narrativa das imagens originais de Michael Glawogger e mostra-se incapaz de as "quebrar" para as transformar em algo novo e seu.

a Sessão 1 de curtas metragens do Observatório foi bastante equilibrada na qualidade. Destaque para o delicioso "The saddest boy in the world" e para a perturbação psicológica de "Five more minutes" (dêm dinheiro a estas realizadoras para comprarem um bom equipamento de captação sonora, sff!)

V.O., de William E. Jones foi uma boa surpresa. O filme mistura imagens de filmes porno gay pré 1985 com diálogos de clássicos do cinema e suponho que só pode ser completamente apreciado se se perceber um pouco do submundo da pornografia gay e da história do cinema. Mas ver um tipo saído de um desenho do Tom of Finland, a fazer as malas (com as suas camisas de flanela e poppers) para deixar o seu amante ao som de um monologo tirado de "Amor de Perdição" de Manoel de Oliveira é hilariante, comovente e imperdível. Claro que em vez de uma hora de filme, 30 minutos teriam sido mais que suficientes para um exercício sem dúvida interessante mas com resultados de qualidade muito flutuante.

Angel, de François Ozon foi ao mesmo tempo uma divertida surpresa e uma previsível decepção. É uma pomposa e delicodoce adaptação de um romance escrito por Elisabeth Taylor (não a actriz!) e a sua grande ironia consiste em não ser irónico.
É talvez o equivalente cinematográfico às estátuas de porcelana de Jeff Koons. É raro ver coisas más tão bem feitas.
A maioria dos artistas fascinados pelo kitsch prefere recorrer a um distanciamento cool e fazer uso de material ready-made. Mas quando mergulham na fonte tão decididamente e, a partir do barro primordial da fuleirice, usam as suas talentosas mãos para criar um virtuoso mas absolutamente inútil bibelot biscuit... é assustador!
O filme atira-nos à cara o "feminino" no que pode ter de mais castrador e é capaz de provocar ataques de misoginia ao espectador incauto. Fica-se indeciso se o filme é de romance ou de terror. Um filme destes vindo de outra pessoa que não Ozon seria sem hesitação classificado como "uma grande bosta cor de rosa". Mas o "bom nome" do senhor Ozon leva-nos a pensar que se calhar isto é uma das obras de arte mais brilhantemente fechadas dentro do seu próprio universo, como uma pescadinha (de porcelana) que se comesse a si mesma pelo rabo (enquanto caga em cor-de-rosa).

domingo, 15 de abril de 2007

Aperitivos para o IndieLisboa - 13

Floripes de Miguel Gonçalves Mendes
25 Abril, 22h15, Fórum Lisboa ● 27 Abril, 21h15, Londres 2
Acho que vou ver este filme só para ouvir "olhanense"...
Môços e môças: vaiam a ver este filme que é de almariar!

terça-feira, 10 de abril de 2007

o que ha de gay no indielisboa?

LE DERNIER DES FOUS
Laurent Achard, fic., França, 2006, 96’
20, sexta, 22h00, King 1 • 22, domingo, 17h45, King 3 • 26, quinta, 16h00, King 1
Achard transporta-nos para a vida de uma família na sua quinta em decadência, à semelhança da própria estrutura familiar. Martin, um rapaz de 11 anos, assiste impotente à falência da família. Separada do mundo que a rodeia, a mãe vive fechada no quarto. O irmão mais velho, que ele adora, afoga as mágoas em álcool. O pai, é um espectador impotente do declínio da família. Nenhum dos membros parece “tecnicamente” louco, mas anos de desespero e o vazio existencial levam-nos à verdadeira tragédia da decadência desta família: a sua incapacidade de comunicar. Uma brilhante viagem pelo caminho sem retorno que esta família percorre num trágico e quente Verão.

Competição Curtas 6 89’
24, TERÇA, 18H15, KING 2 • 27, SEXTA, 00H15, KING 2
BUGCRUSH: Ben, que vive numa pequena cidade, começa a descobrir a sexualidade, mas esse não se revela um caminho fácil. Até ao dia em que conhece Grant, um rapaz fascinante que o vai conduzir até um mundo onde a alucinação se mistura com o sexo...

BIG BANG LOVE, JUVENILE A
Miike Takashi, fic., Japão, 2006, 85’
27, Sexta, 19h15, São Jorge 1
Ousado e profundamente emotivo, este filme irá certamente surpreender os fãs do trabalho de Takashi Miike e prender a atenção de todos os que procuram novas e introspectivas formas de contar histórias. Apesar da sua já vasta filmografia, o realizador continua a surpreender-nos. Mais uma vez actores e audiência são guiados através do labirinto da sua filosofia visionária. Enigmático e visualmente hipnotizante, BIG BANG LOVE, JUVENILE A capta a essência do universo moral de Takashi Miike como uma espécie de pedra preciosa rara, que brilha com uma intensidade ofuscante.

SHORTBUS
John Cameron Mitchell, fic., EUA, 2006, 102’
26, Quinta, 21h45, São Jorge 1
Várias personagens com algo em comum: uma vida emocional e sexual insatisfatória. Uma viagem, ao mesmo tempo trágica e cómica, pelos meandros de um bar especial. Uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo, uma dominadora que não consegue manter relacionamentos, um casal gay que tenta decidir se deve ou não manter uma relação mais liberal, e as pessoas que entram e saem nas suas vidas. John Cameron Mitchell junta-os numa festa semanal chamada Shortbus, uma louca mistura de arte, música, política e de diversos desejos e fantasias sexuais. Um filme que aborda, com uma espantosa frontalidade, as novas formas de conciliar o racional com os prazeres da carne e as necessidades imperativas do coração. Uma interessante e franca abordagem à psique humana das novas gerações, no contexto das grandes cidades.

Observatório Curtas 3 87’
21, Sábado, 21h45, KING 2 • 23, Segunda, 15h30, KING 2
I JUST WANTED TO BE SOMEBODY responde-nos à pergunta: o que é que o direito religioso e o movimento de liberdade gay têm em comum? Ambos foram fortalecidos pelos esforços de uma mulher: Anita Bryant.

DESTRICTED
Sam Taylor-Wood, Richard Prince, Larry Clark, Matthew Barney, Marco Brambilla, Gaspar Noe, Marina Abramovic exp., Reino Unido/EUA, 2006, 115’
20, Sexta, 22h15, Fórum Lisboa • 28, Sábado, 22h15, Fórum Lisboa
Sete notáveis e aclamados artistas foram convidados a realizar curtas-metragens que espelhassem as suas visões sobre sexo e pornografia. O resultado é uma colecção de argumentos estimulantes e provocadores, livres de censura, com humor e apelo sexual. • Sync (Marco Brambilla) mostra um frenético exercício de montagem que alinha imagens de diversos filmes pornográficos, ao ritmo de um solo de bateria. • Death Valley (Sam Taylor-Wood) é a curta aparentemente mais simples, mas a sua crueza convida a diversas reflexões. • House Call (Richard Prince) transporta-nos para os anos dourados dos vídeos pornográficos, numa altura em que a pornografia no cinema ainda era tabu. • Balkan Erotic Epic (Marina Abramovic) relata com um humor desarmante os mitos sobre a fertilidade e a virilidade nos Balcãs. • Hoist (Matthew Barney) começa com um tractor transformado em carro alegórico para o Carnaval da Baía. Debaixo do tractor içado, um homem com o corpo repleto do que parecem ser pinturas tribais “lubrifica” o eixo com o seu próprio pénis. • We Fuck Alone (Gaspar Noé) : uma rapariga e um rapaz, em quartos diferentes, assistem ao mesmo filme pornográfico enquanto se masturbam. A abordagem quase iconoclasta faz com este acto tanto pareça sadio (rapariga) como doentio (rapaz). • Impaled (Larry Clark) faz um relato semi-documental de como o acesso fácil à pornografia determina os desejos da geração dos anos 80. Vários jovens entre os 19 e os 23 anos são convidados a falarem da sua experiência com a pornografia e das suas fantasias sexuais.

VIVA
Anna Biller, fic., EUA, 2007, 120’
21, Sábado, 00h30, KING 1 • 25, Quarta, 21h45, São Jorge 1
Viva conta as aventuras de uma dona de casa entediada que vai viver a revolução sexual que acontece na Califórnia, por volta de 1970. O filme tem muitas qualidades e encantos, que derivam em grande parte da forma exótica como foi pensado, com grande atenção aos detalhes (repare-se nos décors ultra coloridos, nos penteados e roupas). A realizadora passou alguns anos a coleccionar as roupas e adereços mais bizarros que encontrava. Os corpos dos actores fogem aos padrões actuais de beleza, também eles são exuberantes nas formas. Recriando o look dos filmes eróticos dos anos 70, Biller recorre a uma original e divertida forma para nos mostrar como tem sido retratada, ao longo dos últimos quarenta anos, a moralidade sexual e a liberdade feminina, pelos media, pela arte e pelo cinema. Irresistivelmente kitsch e camp, VIVA é merecedor do culto prestado aos mais loucos filmes de Russ Meyer e de John Waters.

V. O.
William E. Jones, exp., EUA, 2006, 59’
21, Sábado, 18h45, São Jorge 3 • 24, Terça, 23h30, São Jorge 3
V.O. combina imagens de filmes pornográficos homossexuais produzidos antes de 1985 com os diálogos de grandes clássicos da história do cinema, tais como “La Chienne” de Jean Renoir, “Los Olvidados” de Luis Buñuel, “Society of Spectacle” de Guy Debord e “Amor de Perdição” de Manoel de Oliveira. As colisões resultantes - por vezes cómicas, normalmente melancólicas - prestam tributo a uma época passada, não apenas da vida “gay”, mas também da cinefilia.

I DON’T WANT TO SLEEP ALONE
Tsai Ming-Liang, fic., Taiwan/França, 2006, 118’
26, Quinta, 19h00, Fórum Lisboa
Tsai Ming-liang, um dos mais conceituados realizadores de Taiwan, filmou este seu último filme na Malásia, país onde estão as suas origens. Rodado em diversos locais de Kuala Lumpur, a história centra-se nas divisões étnicas que existem naquela sociedade. A lembrar um pouco a história do “bom samaritano”, a personagem principal é um emigrante do Bangladesh, que vive miseravelmente mas mesmo assim compadece-se de um chinês que foi espancado e abandonado no meio da rua, e cuida dele. Quando este está praticamente recuperado conhece uma empregada de mesa, e a sua relação com o homem que cuidou dele vai ser posta à prova... Uma história sombria e carregada de desejos perversos que, apesar da sua quase dantesca abordagem, tem como base e fio condutor a emigração e a segregação a que os imigrantes estão sujeitos.

domingo, 1 de abril de 2007

Aperitivos para o IndieLisboa - 12

O trailer da coisa em si

aperitivos para o IndieLisboa - 11

ANGEL, de François Ozon
21 de Abril, Sábado, 21h45, São Jorge 1

Odawas - "Raven and the white night"

Mais um lindo ovni musical em 2007

quarta-feira, 28 de março de 2007

Aperitivos para o IndieLisboa - 10

A PERVERT'S GUIDE TO CINEMA de Sophie Fiennes
19 de Abril, 21h45 Londres1
26 de Abril, 15h45 Londres1

Aperitivos para o IndieLisboa - 9

BIG BANG LOVE JUVENILE A de Miike Takashi
27 de Abril, 19h15, São Jorge 1

Aperitivos para o IndieLisboa - 8

ELECTROMA de Daft Punk
23 de Abril, 21h45 São jorge 1
26 de Abril, 21h00 São Jorge 3

Aperitivos para o IndieLisboa - 7

"Old Joy" de Kelly Reichardt - com Will Oldham (mais conhecido como Bonnie Prince Billy)
20 de Abril, 21h30 King 3
24 de Abril, 22h00, King 1
28 de Abril, 00h30, King 1

Aperitivos para o IndieLisboa - 6

"Princess" de Anders Morgenthaler
27 de Abril, 00h30 King 1
23 de Abril, 22h15 Fórum Lisboa

Aperitivos para o IndieLisboa - 5

"Death of a president" - filme de encerramento

Aperitivos para o IndieLisboa - 4

"Life in Loops- a Megacities remix" filme de abertura do festival

sábado, 24 de março de 2007

Aperitivos para o IndieLisboa - 3

SHORTBUS de John Cameron Mitchell
23 de Abril, 21h45, São Jorge 1

Aperitivos para o IndieLisboa - 2

A SCANNER DARKLY de Richard Linklater
19 de Abril, 22h15 Fórum Lisboa
22 de Abril, 16h00 Fórum Lisboa

Aperitivos para o IndieLisboa - 1

"Viva" de Anna Biller



segunda-feira, 19 de março de 2007

www.indielisboa.com

A lista dos filmes já está online. Horários, só para a semana.
Os bilhetes estão à venda a partir de 5 de Abril.

sábado, 17 de março de 2007

A maravilhosa internet

Onde se podem ver todos os episódios das fabulosas séries Weeds, Entourage, Frisky Dingo, Robot Chicken e South Park completamente à la borliú?
Aqui: http://video.glath.com/

quarta-feira, 14 de março de 2007

A arte da vinheta de abertura

4 genéricos de abertura de séries televisivas que são pequenos triunfos artísticos por si só.







terça-feira, 13 de março de 2007

Bleak House - Casa Sombria



Eu já tinha aqui glorificado esta excelente e imperdível adaptação do romance de Charles Dickens pela BBC, mas agora há umas datas a divulgar:
Dia 16 de Março à venda em DVD
Estreia na televisão dia 19 às 22h30 na RTP 2

domingo, 4 de março de 2007

Grande pequeno video

Uma das minhas bandas favoritas num video tocante e inteligente. The White Birch - "Seer believer"
Ai as saudades da noruega....

Quando os bailarinos nadam, os cantores dançam e os músicos passeiam descalços pelo palco

A ópera "Dido e Aeneas" de Purcell, re-inventada pela coreógrafa Sasha Waltz. Foi no CCB e foi absolutamente fabuloso. Quando Wagner falava da ópera como obra de arte total estava a falar disto e nem sabia...
(Carregando no link do titulo deste post podem ver mais fotos e videos do espectáculo)

sábado, 3 de março de 2007

Soldado da Nevoa regressa



Depois de uma pausa de mais de uma década, Gene Wolfe (vénia) escreveu finalmente uma terceira história contada por Latro, o mercenário romano amnésico que, depois de deambular pela grécia clássica, faz agora uma incursão no Egipto, velejando Nilo acima em direcção à Etiópia.
Embora tendo lido apenas metade, posso já fazer o meu comentário do costume: Gene Wolfe é um escritor de génio.

O primeiro livro desta série, "Soldado da névoa", foi em tempos editado em Portugal pela Europa-América, na sequencia dos 5 volumes do "livro do novo sol", essa grande, soberba e magnífica obra-prima da fantasia e ficção científica das últimas décadas. Mas, por motivos desconhecidos, nunca mais se editou nada deste autor em Portugal. Estarão todos os editores a dormir?! A resposta é: Sim, sem dúvida nenhuma.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Noite de oscares


Vou estar a torcer pela maravilha que é curta-metragem de animação norueguesa "the danish poet" (que também já ganhou o prémio do Cinanima para melhor curta-metragem).

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

Grime

Parece que há um tipo de música chamado grime... mas vim só dizer que estou apaixonado por este disco:

Muito com pouco (e por pouco!)


É um facto já indiscutível que alguma da ficção mais interessante que se produz actualmente acontece no formato série de televisão. Uma das vantagens deste formato é a possibilidade que oferece aos actores de desenvolverem as suas personagens mesmo quando lhes cabem papéis mais secundários. Exemplo marcante é a série "Socorro" (no original, "Rescue me", que suponho era muito dfícil de traduzir por "Salva-me"...), criada, escrita e interpretada por Denis Leary.
A série retrata as vidas dos bombeiros de um quartel em Nova Iorque ainda assombrados (literalmente) pelos fantasmas do 11 de Setembro.
Embora a principio a série ainda se cole demasiado ao formato "os mortos falam comigo" herdado de séries como Sete Palmos de Terra, a partir da segunda metade da primeira temporada a coisa entra nos eixos e a Segunda Temporada é uma absoluta maravilha no modo como o argumento serve as representações dos actores e vice versa. Denis Leary sabe o que escreve e para quem o escreve. E nem está com falsas modéstias, dá a si próprio ocasiões para brilhar enquanto actor e levar a sua própria personagem a extremos com que nenhum simples argumentista se atreveria a sonhar. Felizmente, não é egoísta e distribui pérolas de diálogo a todo o elenco.
Não estamos no domínio das grandes linhas narrativas. Aqui pouca coisa acontece. Mas é o grande retrato da pequenez humana que torna esta série absolutamente notável.

Por motivos que escapam à compreensão, a SIC comprou esta série para depois a enterrar num horário indeciso entre a sexta à noite e o sábado de manhã. Felizmente, já se podem comprar as duas primeiras temporadas em DVD, o que é muito melhor para poder ver uma mão-cheia de episódios de seguida. (27,5 euros, preço fnac)

PS - Também não é por acaso que a série tem uma boa banda sonora - Denis Leary já foi estrela do Rock n' Roll
PS2 - Tem gajos giros e muita piada gay.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Senhores de Barbas


Hoje, sabe deus porquê, andei o dia inteiro com a palavra "Garibaldi" a rebolar nos pensamentos, como às vezes acontece com canções. Em situações destas não há como um bom exorcismo e então lá fui à wikipédia para saber mais coisas sobre o senhor (só me lembrava que era um capitão italiano). Afinal eu sabia nada sobre tão estupenda figura. Mas mais do que a vida dele, marcou-me esta foto do lado esquerdo onde ele faz um curioso fashion statement (argentino?).
Depois as barbas lembraram-me o senhor da direita, que também cultivava o pêlo facial enquanto escrevia poemas bonitos. Acho o Garibaldi capaz de gostar deste:

O Captain! my Captain! our fearful trip is done,
The ship has weather'd every rack, the prize we sought is won,
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring;
But O heart! heart! heart!
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Oceanario

As minhas sobrinhas norueguesas foram ao oceanário pela primeira vez e a minha nova máquina fotográfica também.
A antiga não fazia proezas destas!





Mata e Esfola em: "Maravilhas da Natureza"

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Vou ali, ja volto


Causa da diminuição de frequência de posts.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Jeff VanderMeer



Depois de aguardar a sua vez à beira da cama, li finalmente "A transformação de Martin Lake" de Jeff VanderMeer.
Estou abismado. É genial!
São perfeitamente legítimas as comparações com Borges e Italo Calvino, mas isso serve só para situar a obra de um (por enquanto) autor desconhecido. Não tenho dúvidas de que este senhor VanderMeer passará ele próprio a ser referência para outros no futuro.
Vénia profunda.

PS: Excelente tradução e edição da Livros de Areia, mas porquê cópias limitadas? Corram a comprá-lo. (Na Bertrand do Chiado havia alguns o mês passado.)

Estou feliz, fui ao IKEA

É verdade. Nada como umas boas pechinchas e uma mudança de cenário para re-animar.
Hoje, escrevo-vos de uma nova secretária, rabinho sentado em cadeira fofa e pézinhos a acariciar um tapete multicolorido. É outra coisa! Além de que montar móveis do IKEA faz-me sempre sentir inteligente e másculo...pena essa sensação não durar mais do que um dia...

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Buracos legais

Hoje, ao ler o Blog do Luís e do Gonçalo lembrei-me que ainda não tinha postado aqui um paradoxo legal interessante:

Sabiam que dois homens portugueses podem ter uma relação de facto reconhecida pelo estado português mas que se um deles tiver nacionalidade estrangeira já não podem ter?

Mas, por outro lado, se um homem português se casar com um homem norueguês na Noruega, o estado português (graças a alguns acordos internacionais) é obrigado a reconhecer a esse casal em Portugal todos os direitos que esse casal tem na Noruega? (que são muitos mais dos que os da união de facto portuga)

E não é inconstitucional dar a alguns cidadãos mais direitos civis do que a outros?

Sejamos coerentes. Das duas, uma: Ou um português que se case com um norueguês do mesmo sexo perde o seu direito à nacionalidade portuguesa ou então todos os portugueses deviam poder ter casamentos do mesmo sexo iguais aos da Noruega.

PS - Não sei como é que isto funciona com outros países como a Espanha, Dinamarca, Suécia ou Reino Unido...

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

4


Hoje, graças a uma alma generosa (obrigado senhor C!) descobri o album "4" do grupo brasileiro "Los Hermanos".
São pérolas como esta que me garantem que não há formulas musicais gastas nem restritas a culturas. É rock independente e é ao mesmo tempo intrinsecamente brasileiro.
O disco é de 2005 mas é o meu primeiro amor musical de 2007.

http://www2.uol.com.br/loshermanos/

dias de pintura


Tem 90 centimetros de diâmetro e juntamente com outros dois da mesma dimensão tem-me ocupado nos últimos dias.

domingo, 21 de janeiro de 2007

25 anos de "Little, big"

O genial Sr. John Crowley (vénia rastejante) juntou-se a um editor inteligente e a um ilustrador talentoso para fazer uma edição comemorativa dos 25 anos da sua obra prima, o romance "Little, big"

"Little, big" provavelmente nunca será traduzido para português mas, mesmo que seja, a sua leitura será sempre melhor no original inglês porque a riqueza da imaginação do Sr. Crowley (vénia) só é ultrapassada pela riqueza da sua linguagem. Recomendo sem reservas.

No site http://www.littlebig25.com/ conta-nos todos os promenores do projecto editorial e pode-se fazer uma pre-encomenda.


PS: O senhor Crowley (vénia) também tem um blog, mas eu acho que blogs de escritores são uma seca.

sábado, 20 de janeiro de 2007

Maquinas da minha vida

(por ordem de apego sentimental)

iPod
Computador
Disco rígido
Máquina de fazer pão
Televisão
Moinho de café
Frigorífico
Impressora
Playstation
Escova de dentes electrica
Forno Eléctrico
Telemóvel
Leitor de CDs
Máquina de barbear
Desumificador
Aquecedor
Chaleira electrica
Máquina de lavar roupa
Termo acumulador
Varinha mágica
Torradeira
Prensa de waffles
Micro-ondas

Ainda uma palavra de agradecimento a todos os candeeiros e demais dispositivos electricos.
E a todos os electrões que com os seus pulos contribuem para fazer a minha vida melhor: Deus vos abençoe!

É uma coisa estranha. Utilizo estas máquinas todas na minha vida diária mas na realidade não sei o que as faz funcionar. Sou incapaz de consertar qualquer uma delas em caso de avaria. Também nunca consegui (ou tentei) perceber o que é a electricidade.

Analisando a lista, tem-se uma visão bastante clara do top 3 da minha vida:
ouvir música
trabalho
comida

Em quarto lugar viria "dormir" mas, felizmente, isso ainda faço sem ajuda de uma máquina.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

livros de areia

Ontem entrei numa livraria e em vez de me limitar a olhar para as capas dei por mim a abrir os cordões à bolsa para comprar o exemplar nr.89 da edição numerada de "A transformação de Martin Lake..." de Jeff Vandermeer.
Foi a ocasião de descobrir a editora Livros de Areia que, para além uma muito interessante lista de livros publicados e excelente qualidade gráfica, arrebatou imediatamente o título de "melhor site de uma editora portuguesa". É certo que não tem grande competição, os sites de editores portugueses são quase todos maus e deprimentes, mas precisamente por isso é que vale a pena dar o destaque.
Vejam
http://www.livrosdeareia.com/

sábado, 13 de janeiro de 2007

Pullman ao cinema


É inevitável ficar ao mesmo tempo excitado e de pé atrás quando um dos nossos livros favoritos é adaptado ao cinema. Agora é, sem grande surpresa, a vez da trilogia "His dark materials" de Philip Pullman passar às telas, começando no Natal de 2007 com "The Golden Compass".

Este livro em português foi traduzido com o título "Os reinos do norte" e apesar de mais algumas atrocidades da pouco cuidada edição é uma leitura que eu recomendo sem reservas, juntamente com "Paraíso Perdido" de John Milton que é o nervo filosófico em que esta trilogia se baseia. Sim, um livro para crianças com um nervo filosófico em que se fala da morte de Deus e do destino das almas humanas. É outra coisa quando a fantasia e a inteligência dão as mãos.

Quanto ao filme, quero acreditar que Nicole Kidman e Daniel Craig (o novo 007) ajudarão a dar a substância necessária ao material. Mas infelizmente, nestas coisas, nunca se sabe. Mais "Senhor dos anéis" e menos "Harry Potter", sff!

http://www.goldencompassmovie.com/

domingo, 7 de janeiro de 2007

Parabens


Ao senhor Bowie, que passa a ser o meu sexagenário favorito.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Regra do bom vendedor

Ontem fui apanhado no meio de uma reunião para onde não era chamado. Um vendedor tentava vender um serviço a um colega meu. Como não tinha o mínimo interesse no produto nem na conversa fiquei atento às expressões corporais do vendedor (que era giraço). Foi o suficiente para perceber que ele não acreditava em nada do que estava a dizer.Era um mau vendedor. Apesar do seu discurso entusiasmado, o corpo traía-o. As mãos pegavam nas brochuras mas desistiam, o pé batia com impaciencia e, em geral, via-se que não queria estar ali.
Eu acho piada a vendedores, mas divirto-me mais quando são daqueles que acreditam piamente no que estão a vender, que se acham capazes de nos mudar a vida. É um entusiasmo artificial mas torna-se quase legítimo.

Em tempos morei com um amigo que, entre empregos dignos desse nome, teve de andar a vender enciclopédias. Todos os dias chegava de rastos a casa por se sentir mal a tentar impingir livros inúteis a gente que mal sabia ler e que mal tinha dinheiro para comer. Nas primeiras semanas ele ainda conseguia ter um mínimo de entusiasmo, e achava as enciclopédias lindas, com as suas capas de couro com letras douradas e ilustrações multicoloridas. Depois, cometeu o erro de as ler. Não tardou a despedir-se.

Sempre tive a impressão de que uma boa venda é feita com base numa verdadeira fé. É por isso que a maioria dos padres não me convence. Por outro lado, não há nada mais impressionante do que encontrar um que acredita piamente na infinita bondade de Deus. É contagiante. Infelizmente, a fé postiça só dura enquanto estamos ao pé deles. É por isso que um bom vendedor nunca deve dar a impressão de que se quer ir embora.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Sonho

Às vezes tenho sonhos esquisitos, mas o desta noite bateu um recorde qualquer.
Aqui vai, em poucas palavras:

Estava em casa de um tio meu, que morava numa ilha, numa grande mansão com um enorme terreno de cultivo à volta. O meu tio explicava-me que tinha descoberto uma nova religião e que as pessoas da ilha estavam a aderir ao culto que ele tinha inventado para prestar homenagem às entidades sagradas que tinham começado a aparecer num dos seus campos de batatas.
Consistia o culto em fazer-se enterrar-se vivo com dinheiro ou jóias durante a noite. A certa altura, as entidades sagradas emergiam do chão e levavam consigo as riquezas, deixando os fiéis purificados.
Eu ri-me disso mas o meu tio obrigou-me a ir para o campo e eu passei muito tempo a tirar terra de uma sepultura já muito usada pelos fiéis para me poder enterrar. Quando finalmente me deitei lá, já era de noite, eu estava cansado e adormeci. Depois de muito tempo no escuro, é-me apontada uma forte luz branca à cara e começo a sentir um zumbido nos ouvidos que cresce até se tornar absolutamente insuportável ao ponto de parecer que me vou derreter como se fosse feito de cera. A única fuga possível é pensar que isto é apenas um sonho e tentar acordar. Tento acordar mas não consigo. Tento gritar mas tenho a boca cheia de terra.
No momento em que julgo que me vou mesmo derreter porque não é possível aguentar mais, a luz e o som param e à minha frente vejo vários homens com lanternas e instrumentos estranhos. Explicam-me que são eles o responsáveis por aquele culto e religião, que é tudo uma fraude para tirar dinheiro a velhinhas. Estão admirados porque sou a primeira pessoa a ir para ali sem nada para lhes dar. Por isso resolvem que eu posso continuar vivo. Desaparecem por um túnel escavado por baixo do campo de batatas e eu resolvo segui-los para tentar recuperar o ouro que roubaram à velhinhas. O túnel leva-me a longos corredores de azulejo em xadrês, grandes salões com candelabros de cristal onde não se vê ninguém. Cada vez que ouço um ruído, escondo-me. A certa altura começo a flutuar incontrolavelmente e só consigo seguir em frente agarrando-me ao tecto e ganhando balanço para deslizar em frente.
Chego finalmente a uma gruta onde os deuses/ladrões estão todos reunidos a dançar em volta do ouro que roubaram. Não me vêm porque eu estou no tecto. Eu olho para o ouro e tenho a impressão de que afinal são só batatas. Nesse momento os ladrões percebem o mesmo e vão-se embora muito desiludidos porque não gostam de batatas. Eu volto a ser vítima da gravidade e caio no meio das batatas que gostam daquele sítio e por isso já estão a grelar. Depois acordo.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

O inverno

Este Sol de Inverno em Lisboa é simpático mas hoje tenho passado o dia com saudades do gelo. Não tanto da neve, que também a tenho, mas hoje lembrei-me do lagos gelados, do fjord gelado, do rio gelado, em Oslo.
Dos patos no Akerselva (o rio que atravessa Oslo) muito quietos no gelo enquanto outros nadam freneticamente mesmo ao lado, na água que ainda não gelou.
Do gelo fenomenal tipo queijo suiço na cascata do Akerselva formado por salpicos de água gelados em pleno ar.

Fui procurar uma imagem do Akerselva gelado mas acabei por encontrar esta, tirada nos anos 30, do exacto sitio onde eu começava a minha caminhada diária para o emprego. Para matar saudades também serve. Este sitio era mesmo atrás da minha casa e ainda tem o mesmo aspecto, com a diferença de que, naquele banquinho agora sentam-se uns drogaditos a xutar para a veia.

Cinco manias

Como se já não bastassem os emails em cadeia agora fazem-me "postar" em cadeia... seja! Mas mantenho a minha regra de não passar estas coisas a ninguém.

Então aqui ficam cinco exemplos do meu comportamento maníaco-obssessivo, provavelmente coisas que toda a gente passaria melhor sem saber:

1- Espremer borbulhas (esta nem me dou ao trabalho de explicar)

2- Manter as prateleiras sempre organizadas (Arrumo os CD´s e os livros nas prateleira por temas, depois por ordem alfabética de autores e, dentro de cada letra, por espectro cromático.)

3- Comprar apenas roupa iconoclasta (ou seja, evitar tudo o que tenha desenhos, letras ou padrões)

4- Dar classificação por estrelinhas a todas as canções do meu iPod (é mais difícil do que parece)

5- Ler revistas na casa de banho (normalmente a agenda cultural ou a programação da cinemateca, para saber tudo o que não vou fazer)

domingo, 31 de dezembro de 2006

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

Colheita 2006

Para os clientes do costume, aqui fica a lista das canções que mais me animaram os ouvidos no ano que passou (com uns salpicos ainda de 2005...)

Quanto à categoria Melhor Album, a lista resume-se a:

1 - TV on the Radio - "Return to Cookie Mountain"
2 - Camille - "Le Fil"
3 - Bonnie Prince Billy - "The Letting go"
4 - Merz - "Loveheart"

sexta-feira, 22 de dezembro de 2006

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Catalogo



É verdade, aqui está outro livro da minha autoria! (e sim, este mês tenho tido pouco para fazer)
Desta vez é um pequeno catálogo com 40 imagens do meu trabalho artístico. As que podem ser vistas em www.danieljskramesto.com e mais algumas.
Assim já podem mostrar a minha ouvre aos amigos (ou à vossa senhora da limpeza) sem terem de ligar a internet.

segunda-feira, 18 de dezembro de 2006

O reverso da medalha

A propósito dos dois ultimos posts:
Ontem fui a uma festa em casa de uns amigos que têm um quadro meu. É pequenino, está colocado no quarto deles de maneira que só se vê do interior quando a porta está fechada e mostra apenas as costas de dois homens abraçados (não há rabos nem pirilaus).
Um dos convidados da festa, gay e avançado na idade, embora aparentemente tenha gostado do quadro, à minha frente só se lembrou de dizer: - É uma pouca vergonha! o que é que a mulher da limpeza vai pensar?
Passaram-me pela cabeça uma data de comentários menos simpáticos que podia fazer mas preferi ficar calado. É que já é suficientemente triste perceber que há pessoas que nunca vão dar a si mesmas uma hipótese de serem genuinamente felizes.


PS - Quanto à senhora da limpeza dos meus amigos, por coincidência é a mesma que limpa a minha casa, pelo que está perfeitamente habituada a ver rabos e pirilaus nas paredes. ...e nunca se queixou, antes pelo contrário.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Titulo



É uma das minhas imagens novas e não tem título. Aceitam-se sugestões.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Felicidade

Felizmente, 99% das vezes, a felicidade alheia é contagiante.

Esta semana vi três homens gay no metro, todos com mais de 55 anos. Eram daqueles que, em separado, conseguem passar por taxistas, contabilistas ou funcionários de repartições públicas.
Tinham ido às compras juntos e conversavam sobre o que iam fazer para o jantar. Algo de perfeitamente banal, mas eles estavam tão felizes, alegres e despreocupados que era contagiante. Dava gosto olhar para eles e fiquei a pensar que quero ser (ainda) assim quando passar dos 55.

Pergunto-me porque é que não vejo disto mais vezes? Gente publicamente feliz e despreocupada com mais de 55 anos só costumava ver na Noruega. Aqui em Portugal é raríssimo, ainda por cima se forem gays.

Contei isto como o meu milagre de Natal (A minha nova ligação de internet funcionando não conta porque paguei por ela, apesar de tudo).

PS- Como é que tenho a certeza que eram gays? Quando se levantaram para sair do metro, um deles beliscou os outros dois no rabo.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Jeans team



Faz tão bem ouvir boa música pop em lingua que não o inglês...
Visitem http://www.myspace.com/jeansteam e ouçam a canção "Koenigin"

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

Richard Jobson

Graças à minha nova e super-rápida ligação à internet, inscrevi-me finalmente na loja do iTunes onde consegui desencantar esta pérola de album que procurava em vão há mais de 15 anos.



Durante pouco mais de um ano tive este album gravado numa cassete até que, num trágico dia, a fita deve ter parecido muito apetitosa a um gravador que a mordiscou sem piedade.
A cassete provinha de um vinil duplo editado pela disques du crépuscule, há muito esgotado, pertença de um primo que vejo muito pouco. Durante anos procurei-o em todos os países que visitei e, se alguma vez passou a formato CD, deve ter sido recentemente. Há coisa de dois anos, quando me voltei a lembrar de o procurar, avistei o vinil num leilão do e-bay e, apesar do preço escandaloso, quase me desgracei (mesmo não tendo já um gira-discos...)

Hoje, estes belíssimos momentos de música-literatura regressam aos meus ouvidos e a magia que me encantou quando o descobri em 1992 (o disco é de 1982!) ainda lá está.
É um disco estranho, em que Richard Jobson, mais declamador que cantor, se socorre de personagens de Marguerite Duras, melodias de Eric Satie ou rendilhados da guitarras de Durutti Collumn, para nos levar a um sítio onde o tempo, as histórias e as emoções convergem sob a forma de palavras-som.
Ouve-se como se lê um romance. É hipnótico mas exigente para o ouvinte. A mim, marcou-me para sempre e é daquelas coisas que sinto que formou a minha identidade. Passou quase a fazer parte da minha personalidade

É recomendável para snobs culturais com um mínimo de bom gosto e para fãs incondicionais de Marguerite Duras.

Finalmente!

Depois de 3 meses de espera, eis que uma decente ligação de internet ADSL me chega ao lar/escritório!
É como deixar de olhar pela fechadura para passar a estar sempre de porta aberta.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Ediçao Especial

Depois de me chegarem à mão os primeiros exemplares de "Pequenas histórias de amor e sexo" achei que valia a pena publicar também uma outra versão do livro, mais próxima da que eu tinha idealizado inicialmente e que juntava aos textos algumas imagens do meu trabalho de pintura.
É claro que esta nova versão é num formato maior, tem muito mais imagens e são 160 páginas a cores. Daí que a primeira versão simples custe 7.33 euros e esta custe 26 euros... Enfim, a escolha é do freguês.

http://www.lulu.com/content/562863

domingo, 3 de dezembro de 2006

Inesperadamente, Africa

Esta Sexta-feira o meu diafragma (músculo entre os pulmões e estômago) resolveu ter uma contracção e deixar-se ficar (contraído). Provavelmente nunca vos aconteceu uma destas, mas posso relatar que não é uma coisa nada agradável. Não se consegue encher os pulmões por completo porque cada inspiração provoca dores excruciantes.
Como mal me podia mexer resolvi ficar na cama sossegadinho a ler (devorar), primeiro " A agencia de mulheres detectives número 1" e depois "As lágrimas da girafa", os dois primeiros volumes da excelente série de livros escritos por Alexander McCall Smith sobre Mma Ramotswe, a primeira mulher detective do Botswana.

http://www.randomhouse.com/features/mccallsmith/books.html

No Sábado fui finalmente visto por duas médicas, ambas simpáticas angolanas que fizeram o favor de me apalpar, radiografar e espetar seringas no rabo. E, enquanto esperava que os músculos relaxassem, descobri no meu iPod o delicioso album "Dimanche à Bamako" do duo do Mali, Amadou & Mariam e tenho-o ouvido até à exaustão (merci Nu-nô!).

http://www.amadou-mariam.com/

O Domingo levou-me um pouco mais para o norte de Àfrica. A semana passada comprámos uma máquina de fazer pão e eu resolvi experimentar fazer um pão com Kamut, um cereal utilizado pelos antigos egípcios mas que tinha caído em desuso durante milhares de anos até que alguns grãos encontrados num túmulo egipcio por volta de 1949 germinaram e hoje já se planta um pouco por todo o mundo. Veredicto: o pão dos faraós era bastante bom.

www.kamut.com

quinta-feira, 23 de novembro de 2006

Adeus e obrigado

Duas palavrinhas para o realizador Robert Altman, um dos grandes cineastas que já nos deixou. Bem haja.

Mata e Esfola em: "Depois do Jantar"

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

Diamanda Galas


Magnífico concerto de Diamanda Galás ontem à noite no CCB. É muito higiénico ir a concertos capazes de nos limpar a alma de modo tão eficiente.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

Fast tv food

Já há muito tempo que não postava uma receita. Aqui vai uma das minhas favoritas para consumir com o rabo sentado no sofá frente à televisão (usar tijela funda).

Sopa de frango com leite de côco

2 peitos de frango
1 caldo knorr
1 lima
1 lata de leite de côco
1 lata de grão
Coentros
Caril

Cozer os peitos de frango num litro de água com o caldo knorr, o sumo da lima e um pouco de caril.
Quando estiverem cozidos, desfiar a carne e juntar o leite de côco e o grão. Deixar ferver mais um pouco e servir com coentro picado por cima.

Nham Nham!

e como foi o teu fim-de-semana?

Este fim de semana baldei-me ao trabalho e saí de casa para respirar um arzinho cultural.

A tarde de sábado foi passada na FNAC para assistir ao lançamento de "Rio da Glória", o novo romance de Possidónio Cachapa.
(já li metade mas guardo comentários para quando o acabar)
Graças a uma boa recomendação, saí de lá também com "Salazar, agora na hora da sua morte" de João Paulo Cotrim e Miguel Rocha, uma banda desenhada que mergulha na figura do ditador e na iconografia portuguesa da altura com uma destreza e ousadia impressionante. É imprescindível ler (e ver). Corram a comprá-lo.

Domingo fui meter-me noutro buraco escuro, desta vez a Culturgest, para a sessão de filmes premiados do Cinenima. Foi bom para os olhos e para o cérebro. Destaque para a curta metragem "The Danish poet", cheia de piadas escandinavas e com a soberba (e muito irónica) narração feita por Liv Ullman.

As noites foram passadas em frente à tv, viciado na série "Prison Break" (que é indiferente ao cérebro, mas tem uns rapazitos que alegram os olhos).

E tenho saudades de apanhar ar fresco... Mas, se serve de desculpa, tenho andado constipado.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

Cotao nos cantos do mundo


Hoje estou a rebentar de contente. O meu livro infantil "Cotãozinho e os seus irmãos" (ver link no título do post) que tinha sido aceite na International Children's Digital Library o ano passado (http://www.childrenslibrary.org/) foi agora escolhido para ser um dos títulos de livros infantis a figurar no protótipo do OLPC (http://www.laptop.org/)

O projecto One Laptop per Child criou um novo computador desenhado por especialistas para um projecto humanitário que pretende proporcionar uma poderosa ferramenta de aprendizagem criada especialmente para as crianças mais pobres que vivem nos lugares mais remotos do mundo. O resultado é uma harmonia singular de forma e função; uma máquina flexível, de custo ultra-baixo, energeticamente eficiente, responsiva e durável, com o qual muitas nações do mundo emergente podem saltar décadas de desenvolvimento—transformando imediatamente o conteúdo e a qualidade do aprendizado de suas crianças.

A International Children's Digital Library disponibiliza livros infantis de todo o mundo para visualização e leitura gratuita via internet. É um dos provedores de conteúdos para o protótipo do OLPC.

domingo, 12 de novembro de 2006

O meu novo livro


Era uma vez um escritor que tinha sete contos guardados numa gaveta. Uns eram grandes, outros pequenos, mas todos tinham sido escritos com a liberdade que se encontra nas mais escuras horas da noite.

Durante dois anos os contos esperaram para sair da gaveta, o seu destino posto pelo escritor nas mãos de editores que, quando os liam, imaginavam que aquelas palavras seriam capazes de lhes trazer ruína financeira ou eterna vergonha. Assim, preferiam remeter-se ao silêncio e fingir que não sabiam da sua existência.

Mas os sete contos, como fantasmas, assombravam o escritor que constantemente se via obrigado a tomar conta deles, lendo-os vezes sem conta e mudando uma vírgula aqui, um ponto ali, e às vezes descobrindo sinónimos para substituir palavras que pareciam murchar com o tempo.
O escritor sabia que a única maneira de exorcizar os contos era cristalizá-los em páginas impressas, pois quando as histórias chegam às mãos dos leitores, passam a habitar dentro deles e deixam o escritor em paz.

Assim foi que, num dia em que navegava na internet, o escritor descobriu um sítio para a gaveta dos sete contos. Ordenou-os num livro a que chamou “Pequenas Histórias de Amor e Sexo” e deixou-o onde qualquer leitor o poderia descobrir.
Despedindo-se dos sete contos, o escritor olhou um pouco desconsolado para a sua gaveta vazia de histórias. Felizmente, ele sabia de algumas que, com tempo e paciência, a poderiam voltar a encher…

"Pequenas histórias de Amor e Sexo" está exclusivamente disponível em:
http://www.lulu.com/content/501977
Pode ser comprado em versão impressa ou em download de PDF.
(No preview podem ser lidas várias páginas do conteúdo)

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Uma vida real

Conheci o meu amigo R. há 7 anos no chat room de um site gay. Na altura ele tinha 50 anos e preparava-se para ganhar coragem e contar à mulher e filhos que era homossexual. Foi difícil. Seguiu-se o divórcio e tempos difíceis em que ele tentava explicar aos 2 filhos, uma rapariga de 17 e um rapaz de 23, já casado e com filhos, o que se passava e porque é que tinha tomado tal decisão naquele momento da sua vida. A rapariga acabou por aceitar, o rapaz cortou relações com o pai.

Entretanto o R. conheceu o T. e começaram uma relação que durou 3 anos. Passaram a viver juntos e de cada vez que eu encontrava o R. online ele contava-me com alegria deslumbrada a descoberta de uma vida sexual e afectiva que nunca julgara possível. Aos 52 anos descobria que gostava de piercings, cabedal negro e tatuagens. Investiu nos 3. E inscreveu-se com o namorado num ginásio.

Finalmente, o tímido bancário era feliz e ia-me enviando fotos do namorado, do piercing no mamilo, da tatuagem no ombro e dos músculos que surgiam do nada.

Depois, de repente, durante quase um ano o R. sumiu-se da net e o seu nome deixou de aparecer no meu messenger. Quando voltou fiquei a saber que o seu filho se tinha suicidado porque não conseguia viver sabendo que tinha um pai homossexual (deixou isso escrito na nota de suicídio). Isso levou a que o R. mergulhasse numa depressão que acabou por minar a relaçao que tinha com o T. Agora são só amigos.

O R. já não é o mesmo. Vive sózinho e cada vez que troco algumas palavras com ele, onde antes achava uma alegria contagiante, passou a haver uma grande grande escuridão.

Hoje, enviou-me uma foto da sua tatuagem mais recente. É a foto do filho com as datas de nascimento e morte. Tatuou-a no braço. Depois disse-me "Agora já posso ter o meu filho comigo para sempre".
E eu fiquei sem palavras durante vários minutos.

Aviso aos amigos Brasileiros no Brasil


O excelente documentário realizado pelo meu amigo Kenneth vai passar no Festival Mix Brasil na próxima semana. Não percam! (Em Portugal espero que passe no festival gay e lésbico do próximo ano...)


Festival Mix Brasil 2006
http://www.mixbrasil.org.br/f_panorama_raballder.shtml


Raballder / Hullabaloo
(Kenneth Elvebakk, 2006, Noruega, 52 min.)
Como diz Henning Nygard, 25 anos, "não se vêem atletas abertamente gays na Noruega; acho que é por causa dos vestiários, e o fato de que 'homo' ainda é usado como insulto, nos esportes".
O documentário, do mesmo diretor de “O Clube Secreto” (eleito pelo público o melhor documentário do Festival Mix Brasil 2004), entra no mundo do time de handball gay Raballder ("hullabaloo"), formado por jogadores cheios de humor, vulnerabilidade, esperteza, resistência e afetuosidade. Eles jogam na 4ª divisão, enfrentando times caretas, e o fascínio que exercem se explica por alguns deles se transformarem de bibas estereotípicas em atletas agressivos quando saem em campo, desafiando expectativas de gênero e sexualidade. Alguns desses atletas têm por ídolos célebres jogadoras escandinavas de handball. O filme mostra, também, as famílias e os amigos dos jogadores, seus trabalhos, férias e festas. E, é claro, jogos e torneios.
 
Onde e quando assistir:

SP
UNIBANCO 1 - 13 NOV (SEG) 20H
RJ
CCBBcin - 24 NOV (SEX) 15H
CCBBcin - 29 NOV (QUA) 19H
DF
CCBB - 3 NOV (DOM) 19H

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

Correndo sobre o vazio

É um bocado difícil uma pessoa concentrar-se e sair-se com trabalho ou conversa inteligente quando só se pensa em dinheiro.
Tenho passado as últimas semanas ao telefone armado em cobrador. Olho para a colecção de facturas que não me pagam desde Julho e acho que posso vir a ficar rico. Olho para o meu extracto bancário e acho que os meus últimos tostões deviam ser investidos na compra de um taco de basebol a utilizar nos clientes como se usa nas pinhatas.
O pior é que isto não é só comigo, é com Portugal inteiro. Como é que eu posso exigir que alguém que não tem dinheiro (porque, por sua vez, também não lhe pagam) me pague a mim?
Num universo económico em que os pagamentos que legalmente deviam ser feitos a 30 dias são logo à partida verbalizados para 60, desculpados para 90 e desavergonhadamente adiados para 120, onde fica o limite que rebenta a corda?
Só alguém muito desfasado da realidade é que se surpreenderá quando houver um colapso económico no País. Portugal continua a existir por pura boa vontade de quem trabalha e de quem se acomoda.
Da minha parte, estou mesmo disposto a comprar o taco de basebol (embora provavelmente vá acabar por ter de recorrer à vassoura que já há cá em casa)

terça-feira, 7 de novembro de 2006

na paz das estrelas

10 da manhã de terça-feira.
Apenas meia dúzia de almas penadas se babavam frente aos adereços, desenhos, fatos e parafernália diversa da magnífica
exposição da Guerra das Estrelas no museu da electricidade.
Ide, que vale a pena, principalmente em horários inóspitos.



Aproveitei para tirar fotografias até ficar sem memória (na máquina).

sábado, 4 de novembro de 2006

(in)Cultura visual


Pelas mais diversas razões, eu não gosto de logotipos. Quanto mais não seja, porque são uma das maiores fontes de poluição visual no trabalho do designer gráfico (é o feitiço contra o feiticeiro).
Recentemente passei a receber no meu email a newsletter do Bloco de Esquerda (pelo mesmo motivo que recebo a da Sociedade Protectora dos Animais e a da Galeria Zé dos Bois: sabe Deus porquê). Raramente a leio porque só de olhar para o logotipo no cabeçalho fico irritado. Tal como a suástica (que era um símbolo simpático na origem) nunca mais se vai conseguir limpar das conotações nazis, eu não consigo olhar para o símbolo do Bloco de Esquerda sem me lembrar de iogurtes e de gente burra.

cockspotting


A vantagem do Galo de Barcelos sobre a nossa senhora de Fátima é que as suas aparições têm tendencia para ser muito mais surpreendentes. Desta vez avistei-o na segunda temporada da série televisiva Weeds (que continua bastante recomendável). ...Qualquer dia chega às páginas da Wallpaper como must-have-ethnic-bibelot!

terça-feira, 31 de outubro de 2006

domingo, 29 de outubro de 2006

Deadwood em DVD

Eu sei que já escrevi muito sobre a série Deadwood neste blog, mas agora é só para avisar que a primeira temporada foi finalmente editada em DVD em Portugal.
Já podem correr à FNAC para comprar a melhor série de televisão jamais feita.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Hong Kong Editiong


A minha primeira compra no ebay chegou hoje no correio. Já percebi porque foi tão barato...

sábado, 21 de outubro de 2006

The Glass Books of the Dream Eaters



E se Júlio Verne tivesse visto os filmes do Matrix e o Eyes Wide Shut?
Fosse esse o caso e era bem provável que se tivesse saido com qualquer coisa parecida com "The Glass Books of the Dream Eaters", o primeiro romance de Gordon Dahlquist. Um história em formato de folhetim rocambolesco que, ou muito me engano em breve tornará o seu autor milionário com o dinheiro que vai ganhar com as vendas do livro, os direitos para cinema, os jogos de computador e as figurinhas de plástico.

Estou há duas semanas a devorar as mais de 750 páginas, tão lentamente quanto a minha voracidade permite, para que não acabe logo. É bom que ainda haja livros capazes de me fazer sentir como se tivesse 12 anos outra vez... Passagens secretas, principes raptados, máquinas estranhas, assassinos com escrúpulos, cabalas e rituais misteriosos, sexo lésbico e do outro, senhoras desmaiadas, monóculos, comboios a vapor, dirigíveis, veludo, sangue, pistolas, punhais, sabres... que mais se pode pedir? Está lá tudo! (ok, não tem vampiros, nem dragões... mas nem fazem falta!)

Fica na prateleira ao lado do Tolkien, J.K Rowling, Phillip Pullman, e Susanna Clarke.

domingo, 15 de outubro de 2006

Fotografar a Arquitectura

O silêncio da semana passada deveu-se à viagem de comemoração dos meus 33 outonos.

Eis um dos momentos altos da viagem em imagens:



(e agora sim, publicando finalmente imagens de um gato, este é um blog digno desse nome)

domingo, 1 de outubro de 2006

Nip Tuck - temporada 4


Ver a série de televisão Nip tuck é um dos meus prazeres culpados. É uma mistura telenovelesca de carros, mamas, rabos, lençois de cetim e cirurgia plástica capaz de satisfazer a Paris Hilton que vive dentro de todos nós.

Infelizmente, a primeira temporada era relativamente boa, mas a segunda foi o barco a afundar-se e, na terceira, a qualidade entrou num submarino e foi explorar as profundezas do oceano. O ultimo episódio dessa temporada foi mesmo uma ode ao mau gosto e um insulto à inteligência.

Ainda assim, por mera curiosidade, resolvi ver os primeiros episódios da quarta temporada. Ao que parece, os argumentistas devem ter levado nas orelhas e a coisa está mais recomposta. Devem-se também ter feito umas análises à audiencia e passaram a mostrar mais nudez masculina e acrescentaram um pouco de te(n)são gay entre os protagonistas (só lhes fica bem!).
Ok, ainda não está redimida mas vai por um caminho mais interessante...