sábado, 4 de julho de 2009

Norte

Fui ontem à cinemateca de Oslo ver o filme "Norte", uma sessão especial com legendas em inglês.
Gostei imenso.
O argumento é do Erlend Loe, autor que tem traduzido em português o livro "Naif. Super.", e mais uma vez conta uma história de um homem deprimido e em crise existencial e de como a ultrapassa.
Na noruega, o filme é uma comédia. Fora daqui não sei se o público se irá rebolar a rir porque a maioria das piadas são baseadas na cultura local, mas a história tem um apelo muito universal e não tenho dúvidas de que toda a gente sai da sala com a alma mais leve.
Dizem-me que irá estrear em Portugal. Se puderem, vejam. Recomendo vivamente.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

O mesmo dia

Noruega, Portugal. Os jornais diários que mais vendem.


No Verdens Gang (a vez do mundo) o cabeçalhos eram: "Puhhh, agora estão 33º", "Os melhores e mais baratos bronzeadores", "Chegam a Joaninhas gigantes".
Aqui na noruega não conheço ninguém que saiba quem é a Pina Bausch... Excepto o Børge, que arrastei uma vez ao teatro Camões.

domingo, 21 de junho de 2009

Dirty Projectors

Mais um grande album para um ano cheio de maravilhas musicais: "Bitte Orca" pelos Dirty Projectors

sábado, 20 de junho de 2009

Wrangler man

Ontem fui ver este documentário à cinemateca de Oslo. Foi interessante e um bocadito comovente.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Canopus em Argos

Estou a reler "As experienências Sirianas" de Doris Lessing. Já me tinha esquecido do quão verdadeiramente genial esse livro é.
Não percebo porque é que as Publicações Europa-Améria não aproveitaram a boleia do Nobel para reeditar toda a série de novelas "Canopus em Argos".

sexta-feira, 5 de junho de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

:-)

Às vezes não é preciso grande coisa. Um trabalho que fiz chegou da gráfica. Está tão porreiro que passei a tarde a olhar para ele e a sentir-me o maior.
Isto passa...

...mas porra, foram 3 meses de suor! Valeu a pena!

domingo, 31 de maio de 2009

Eu quero! Agora! Já!!!

Depois de "Ico" e "Shadow of the colossus" sem dúvida que esta será mais uma obra-prima.

Vida em Veneza (O Segredo)



Voltei de uma semana de férias em Veneza.
A editora do B tem lá um apartamento à disposição dos escritores, basta reservar. (Sim, grátis! O contraste com as editoras portuguesas dá vontade de rir!)

Só tinha estado em Veneza durante um dia de inverno. O impacto com a grande máquina húmida de turismo deixou-me um bocadito desapontado mas uma semana de alojamento grátis, no verão, num dos sítios mais espectaculares do mundo não se recusa, e assim lá fomos nós.

Agora, do cimo da minha colina de conhecimento e sólida experiencia adquirida durante uma semana posso-vos garantir uma coisa: Veneza é sem dúvida o PIOR sítio do mundo para ser turista.
No entanto há um grande segredo, que vos vou revelar aqui (só porque sou simpático e mete-nojo): Veneza é também o MELHOR sítio do mundo para ser turista. E para poder usufruir desse previlégio basta um pequeno truque: fingir que se mora lá.

Para se apreciar Veneza é preciso perceber a sua dualidade e aprender a viver com ela. Como qualquer dama misteriosa, seduz todos, mas só se dá a quem se esforça. (ou, em termos mais rudes: não é uma puta barata (embora muitos esperam que seja)

Tudo o que um turista normal faz em Veneza é caro e mau:
- Os hotéis cobram um balúrdio por um quartinho húmido.

- Os restaurantes são TODOS -MAS ABSOLUTAMENTE TODOS- maus. E caros. E quando não são assim tão maus, são caríssimos, o que é o mesmo que mau.

- Os museus metem dó. Ver obras primas da pintura enegrecidas, sem ar condicionado, frente a janelas abertas para vielas poeirentas entre uma torrente de japoneses (foto=flash!), americanos ("vamos falar de outras coisas como se não estivessemos aqui") e espanhóis (deixa raspar a ver se é mesmo tinta...), tira a qualquer um a esperança na humanidade.

- Os vaporettos são caros e incómodos e a cidade é um labirinto onde não tem piada perder-se quando se quer chegar rápido a qualquer sítio.

Portanto o truque é alugar um apartamento (ou arranjar amigos que tenham um para emprestar - na era da internet, tudo é possível). A partir do momento em que se finge que se mora lá, Veneza abre-se como se fosse um segredo que é só para nós. Há uma enorme diferença entre um Verdadeiro-turista e um Falso-veneziano.

Verdadeiros-turistas fazem coisas que não fariam em casa.

A primeira surpresa quando se passa a agir como Falso-veneziano é descobrir que o melhor da cidade ou é grátis ou é barato:
A partir do momento em que se percebe que as lojas só vendem tralha inútil/pirosa ou itens de luxo a preços hilariantes (sandálias lindas = 300 euros) Veneza transforma-se no melhor museu aberto do mundo. As ruas são lindas, os canais são lindos e todas as lojas fazem parte do grande museu do extremo kitsch ou do extremo bom gosto.

Dispensar restaurantes significa cozinhar em casa. Nada nos faz entrar melhor no espirito de uma cidade do que acordar de manhãzinha para ir à padaria, depois ao talho, depois à mercearia, depois à frutaria, depois à loja da pasta fresca, etc... Até esperar 15 minutos para pagar o papel higiénico na drogaria (porque o dono tem muito para explicar ao cliente anterior sobre pregos e parafusos) tem o seu charme.
Também há uns supermercados-oásis, mas saber onde são é para um nivel acima dos venezianos iniciados (leva mais de uma semana para os cartografar).

Descobrir as frutarias-barco é o mais pitoresco e o que destingue o verdadeiro-turista do falso-veneziano. Que verdadeiro-turista compra meio quilo de cebolas, cabeças de alho e um vasinho de manjericão? É bom atendimento garantido. E pode dar direito ao piscar de olho do homem da frutaria que nos garante que estamos a partilhar o mesmo segredo exclusivo: que estamos no paraíso (tomates tão deliciosamente maduros devem ter sido beijados por anjos) e todos os turistas à nossa volta estão no inferno (as piores pizzas do mundo comem-se aqui).

Veneza em pura dualidade: Notem a gondola para verdadeiros-turistas ao lado da barca da fruta para verdadeiros e falsos-venezianos

Passar uma longa temporada em casa própria também permite um outro tipo de vivência, essencial à sanidade mental, que é o horário-finta-turistas. Ou seja, usar a cidade nas horas em que os turistas estão distraídos.

Exemplo prático: Acordar tarde e comprar comida no bairro onde se mora. Apreciar o olhar esgazeado e os movimentos de barata-tonta-com-mapa dos recém-chegados à cidade do interior plácido da frutaria. Voltar a casa e tomar um looongo pequeno-almoço sem pressas, saindo por volta do meio-dia. Entrar no palácio dos dogues entre o meio-dia e meia e a uma (não há fila porque todos os turistas estão a almoçar).

Saindo de lá duas horas depois e gastando mais uma hora para atravessar nas calmas a cidade até à Academia, dá direito a entrada quase directa num dos museus mais visitados do mundo. Pelas 4 da tarde, quase todos os turistas estão KO e no fim da sua maratona histérica (não adivinham que quase todos os museus estão abertos até às 19h). O falso-veneziano ainda está fresco e pode abancar frente à "Tempestade" de Giorgione o tempo que quiser sem vivalma lhe passar pela frente.

O regresso a casa faz-se num sentido contrário ao de uma cidade que se esvazia da população temporária. Compra-se um tiramisú inteiro numa pastelaria. Serve de sobremesa para 2 pessoas durante 4 dias.

Depois do jantar, volta-se a sair de casa. É escolher entre conviver com outros falsos-venezianos numa esplanada, ou simplesmente sentar numa praça e ver as crianças a jogar à bola, os cãezinhos que saem a cagar e os velhotes que apanham o fresco. Tudo isto no mais extraordinário cenário do mundo.

Só um veneziano consegue atravessar a praça de São Marco em serenissima passada contemplativa. Note-se neste caso como o Børge (falso-veneziano) consegue elaborar virtuosamente um ornamento gay à sereníssima passada.

Agora que vos revelei O SEGREDO (o verdadeiro, melhor que o daquele livro), ide. Arranjem uma casita (ou um palazzo, porque não) e sejam Falsos-venezianos (uma semana é o mínimo tempo requerido para o título). Aprendam a ignorar os turistas e até, quem sabe, a divertir-se com eles enquanto vivem o previlégio de estar num dos sítios mais extraordinários do mundo.

Praça de São Marco: incontornável para toda a gente. Mas o falso-veneziano, depois de lá estar, marca com uma cruz: been there, done that.


MAIS DICAS:

- Comprar um bilhete semanal do vaporetto são 50€ muito bem investidos.

- Santa Helena é um bairro tão à ponta da ilha que a maioria dos turistas nunca lá vai. Ao domingo, com as lojas fechadas e à hora da sesta é como uma cidade fantasma.

- A melhor arte não está nos museus, está nas igrejas. Vale a pena meter o nariz em todas: nunca se sabe o que está lá dentro. Além de serem grátis, pode-se passar o tempo que se quiser lá dentro e dá para sentar.

- Ao fim de 3 ou 4 dias é importante sair da cidade e ir a terra firme (Vicenza, Verona ou Pádua recomendam-se). O regresso a Veneza volta a lembrar-nos quão fabulosa a cidade é e que ser um Falso-Veneziano é um previlegio.

sábado, 30 de maio de 2009

domingo, 17 de maio de 2009

Noruega ganha eurovisão!

Hoje foi divertido andar nas ruas de Oslo. O dia da independencia nacional antecedido por uma vitória na eurovisão, mais o sol radiante criou uma atmosfera próxima de carnaval no Rio (só que com maior percentagem de lã no vestuário).
Quanto à canção que ganhou, aqui fica um bonito video do youtube, capaz de nos fazer reflectir sobre a perenidade das coisas:

terça-feira, 12 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

Do começo ao fim

Trailer curioso. Este quero ver.

sábado, 9 de maio de 2009

Arco iris avistado do comboio


O melhor da primavera na Noruega são os arco-íris.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Shearwater

Ontem à noite fui ao concerto dos Shearwater aqui em Oslo. Foi excelente. Não só o técnico de som sabia o que estava a fazer —som cristalino com todos os inúmeros instrumentos no volume correcto — mas também os músicos estavam no máximo da sua competência. São raras as bandas capazes de gerir tão bem o ruído e o silêncio e as formidáveis canções de "Rooks" revelaram-se ainda mais eficazes ao vivo. As duas novas canções apresentadas prometem um próximo album ao mesmo nível.
Houve momentos com piscar de olhos aos Talking heads, outros aos Supertramp e até um toque Dead Can Dance quando o baterista se revelou muito competente a tocar saltério (e, noutras canções, xilofone). Aliás, cada membro da banda tocou pelo menos 4 instrumentos diferentes.
Concerto inspirado e inspirador. Que mais se pode pedir?

E agora, para arrefecer a o nojo que estive a meter:

sábado, 2 de maio de 2009

Limb's Theorem

Vi esta coreografia de William Forsythe o ano passado na ópera de Oslo. Já me tinha esquecido do espectacular que isto é. Obrigado, Youtube.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Kylie Minogue em Lisboa a 4 de julho!!!

Estava eu a fazer os meus planos de férias para Julho quando descubro que a Kylie vai dar um concerto em Lisboa dia 4. Raios!! Querem ver que vou ter de ir de férias para Portugal?

O Bill Callahan, os Odawas e o Bonnie "prince" Billy fazem grande música, mas concertos, é com a Kylie!!!

terça-feira, 28 de abril de 2009

O amigo Bill


Bill Callahan (aka "Smog") continua a superar-se a si mesmo. Ainda há heróis! O album novo, "Sometimes I wish we were an eagle" é um clássico instantâneo.


Jim Cain - Bill Callahan

segunda-feira, 27 de abril de 2009

visions of china

Nunca tinha voltado de uma viagem com tão poucas e tão más fotografias. Xangai é um assalto aos sentidos e parar para tirar fotos é um desperdicio de tempo. Quando parava era para me concentrar no que era estar ali, naquele momento, nos sons, no cheiro, na luz. Voltei com muitas memórias, sensações que ainda vou destilar. Nunca uma viagem me tinha ensinado tanto sobre o mundo. Mais que do que ver com uma máquina, é bom ver as realidades com os nossos próprios olhos, e deixar abrir todos os sentidos. Principalmente, o pensamento e a imaginação.