quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Kafka, Steinbeck e Huxley



É sempre tão giro ver o meu trabalho nos expositores! Estou especialmente satisfeito com a capa do Kafka.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Vendido!


Hoje estou contente, vendi um quadro. Melhor ainda quando sei que fica em boas mãos.

PS - Afinal não passei à fase seguinte do concurso Rotschild. Ainda vais a tempo, Carlitos!

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

a barrinha azul da censura


O novo disco da Joni Mitchell (bastante bom, por acaso) é vendido com uma larga barra azul. É uma pena porque esconde uma serie de rabos bem feitos. Este sim, valia a pena comprar em vinyl!
Contra a censura disparatada, eis a imagem:




Exorcismo do homem com a criança nos olhos

Há dois dias que andava com esta canção na cabeça. Tive de a exorcizar ouvindo-a umas 3 vezes de seguida e pesquisando o video no youtube.

Nunca tinha visto isto. Com tão poucos elementos visuais consegue sintetizar quase toda a iconografia de uma época. Só aquelas cores tornam qualquer um gay (acho que o Figo nunca viu este video, infelizmente). E é extraordinário como ainda há qualquer coisa na Kate Bush que nunca a deixa cair no ridículo mesmo que ela dance audaciosamente à beira do precipício. Provavelmente a franqueza com que ela enfrenta a câmara e olha para nós.
Depois, a curiosidade de ver outro video do tempo em que, para mim, televisão ainda era só a Rua Sésamo. Mais uma vez o choque daqueles olhos apontados a nós com mais violência que as metralhadoras.

E as árvores deste "Army Dreamers", lembraram-me as árvores desse outro video que já me apanhou em cheio na adolescência e tornou a Kate Bush icónica para mim:

Ok, este video do "The Sensual World" vai para a mesma categoria que o "Let me know" da Roisín Murphy. Etiqueta: "Mulheres estupendas em fatos e danças divinamente ridículas". Mas eu percebo a Kate tão bem... Quem é que não gostaria de andar vestido de princesa abanando os ombos na floresta? (hummm...talvez o Durão Barroso)

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

correio dos leitores 2

Cara Sónia

Obrigado pela resposta simpatica ao meu mail impulsivo.
Conhecendo bem os guias e as revistas TimeOut sei o desfazamento entre a mensagem que a campanha passa e os vossos conteúdos (aliás, parabéns pelo primeiro número que estava bastante bom).
Não se trata exactamente de não aceitar uma piada, é mais a questão de que as piadas devem ter o timing e a audiência certa. Há uma responsabilidade cívica quando se colocam imagens na rua e se comunica com a população.
Eu nem sequer sou um activista de direitos LGBT. O que me entristeceu na campanha foi ver um produto e uma marca que gosto e respeito, associada a piadas "fáceis" que funcionam pelo lado negativo da opressão, escárnio e preconceito, promovendo e prepetuando intolerância.
Além disso, nem o payoff é correcto: vocês têm criticas de DVD e Livros e programação de televisão, actividades que eu faço em casa. Aliás, a vossa revista leio-a e guardo-a na casa de banho com a melhor das intenções :-) Isso é verdadeiramente deixar a TimeOut entrar no cerne do lar.

Abraço para vocês e puxão de orelhas à vossa agencia de publicidade e a quem aprovou a campanha.
Atentamente,
Daniel

Resposta

Hoje recebi esta resposta da Time Out:

Caro Daniel,
Postas as coisas tal como as põe… somos obrigados a dar-lhe razão. Mas, depois de muito nos pôr a reflectir, também pensámos que aquele casal não é gay… aquele casal está vestido e pintado de uma forma exagerada (ridícula?) e que, por isso, também não pretende ser um espelho dos gays, que são pessoas como as outras, e não gente que se pinta daquele modo ou que veste combinações. Mas, sim, não temos nada contra homens que se maquilham ou que vestem o que lhes dá na gana! E, sim, a leitura pode ser essa. E não é bom que seja. E não era essa a intenção. Que diabo, se há gente que luta contra o preconceito somos nós, acredite!

Posto isto, dizer-lhe que nos deixou a pensar. E abriu a discussão na redacção. Houve quem dissesse que “há sempre quem não tenha sentido de humor, há sempre quem recrimine uma piada feita aos judeus por causa do holocausto, uma piada feita aos deficientes porque é de mau gosto, uma piada feita aos gays porque são minorias sempre discriminadas”. Mas também houve quem levantasse a voz para dizer que sim, juntar um homem que faz sexo com animais e um serial killer com a outra fotografia pode ter uma má leitura.

Daniel, o que lhe posso dizer? Pedir-lhe desculpa, em nome da agência que fez a campanha. Que terá pensado no efeito “forte” que aquelas imagens iriam provocar e não terá querido, certamente, ferir susceptibilidades.

Peço desculpa se ferimos a sua. E agradecemos a sua reflexão. E sim, ajudou-nos a acordar.

Aceite um abraço,
Sónia Morais Santos
Editora Executiva

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Correio dos leitores

Hoje enviei o seguinte email:

Cara Time Out de Lisboa.
Fiquei contente de saber que Lisboa ia ter uma revista Time Out. Há muitos anos que compro os guias Time Out, especialmente porque sendo gay, interessa-me essa secção dos guias de viagem e os da Time Out são sempre bastante completos e descomplexados.
Fiquei por isso um pouco surpreendido com a vossa campanha, que mostra um homem que faz sexo com animais, um assassino psicopata e um casal gay com o slogan ‘O que fazes dentro de casa é contigo, o que fazes fora de casa é com a Time Out'. Que leitura é suposto que se faça disso? Que homens que gostam de dormir juntos ou de pôr maquiagem na cara devem ficar em casa? Devem ter vergonha de sair à rua?
Mesmo que a campanha só tivesse a ovelha e o assassino seria um bocado infeliz. Juntar o casal gay à sordidez só agrava a coisa porque demonstra que não é uma campanha bem pensada e se baseia apenas no choque e piada fácil.
Não peçam às pessoas para acordar. Acordem vocês também.
Atentamente,
Daniel

sábado, 29 de setembro de 2007

Freedom in meu coração


Derreto-me todo quando o Devendra canta em português.

E gosto das fotografias dele.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Inacreditável experiência audiovisual


Juro-vos que não tomo drogas, mas esta canção foi feita por mim. E sim, sou eu a cantar!
A ilustrações são da Carla Pott que anda a experimentar animações em Flash e precisava de uma banda sonora.
Se isto alguma vez render dinheiro, será doado a um fundo de ajuda a vítimas de poluição sonora.

Pequenas alegrias


Hoje fiquei a saber que este meu quadro foi seleccionado para competir no Prémio de Pintura Ariane de Rothschild.
Tenho a certeza absoluta que não vou ganhar nada, mas, como qualquer bom nomeado a Óscar® diria: só ser nomeado já é uma honra.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Valor icónico


Serei o único a pensar que o verdadeiro motivo que leva a que, de repente, a situação na Birmânia tenha direito a tanto destaque nos media tem a ver com o facto de tantos monjes vestidos de cor de laranja ficarem bem em fotografias?

Para todas as gerações que não viveram o 25 de Abril, que herança visual há para além do cravo?

Teriamos menos medo da bomba atómica se não houvesse cogumelo de fumo?

Porque é que nunca ninguém se lembra da Restauração mas Aljubarrota resiste graças ao Mosteiro da Batalha e a Implantação da República graças à senhora de mamas à vela?

Foi a Segunda Guerra mundial mais horrível do que a Primeira graças à cruz nazi?

Como raio é que o galo de barcelos se tornou num símbolo geral de portugalidade?

A nossa senhora de Fátima reflecte verdadeiramente a moda do vestuário do céu ou será só mais uma daquelas primeiras damas sem fashion-sense?

Warszawa


O 80's revival anda a bater muito forte na escandinávia. Depois dos The Mary Onettes da Suécia, eis os Superfamily, banda norueguesa, aqui com um teledisco idiota (mas que podia ter passado para o lado Arte-Pop se eles se levassem a sério como os Pet Shop Boys ou a Roisín). A canção, no entanto, é genial. Um verdadeiro pop hit de 1984, feito em 2007, ou, um sonho da música dos anos 80 como ela deveria ter ter sido. Esqueçam o video, ouçam a música.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Mini expo


Amanhã às 21h30 dá-se por inaugurada a minha pequena mostra de quadros no bar "o bico" (rua de Santa Catarina, 28, Lisboa - perto do miradouro do Adamastor). Durante um mês podem passar por lá, todos os dias das 19h00 às 01h00.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

A olhar para o meu umbigo


Estou distraído. E no entanto esta semana tenho que olhar para as minhas coisinhas, os meu quadrinhos, escolher os que vale a pena mostrar.
O Eduardo, do bar O Bico (Rua de Santa Catarina, 28, Lisboa, strip às terças), convidou-me para pôr alguns nas paredes dele durante um mês, a partir de dia 26.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Pérolas

A propósito de grandes senhoras, para além da Roisin, nutro uma grande admiração pela Joanna Lumley (vulgo Patsy do AbFab).
Uma das grandes pérolas de sempre da ficção televisiva é a série "Up in town", de 2002, que não faço idéia se alguma vez chegou a passar em Portugal, mas que, actualmente, está disponível na íntegra no You tube. São apenas 6 episódios de 10 minutos. Monólogos ao espelho de uma viúva solitária. Excelência de escrita, realização e interpretação. Absoluta delícia e maravilha.
Fica aqui o primeiro episódio, mas, se tiverem tempo, vejam também os outros. É uma hora bem passada na net.

Ah, tinha-me esquecido de dizer: isto era por causa do DVD que comprei com a série Sensitive Skin, a mais recente colaboração do Hugo Blick (o mesmo escritor/realizador de "Up in Town) com a Joanna Lumley, desta vez com um leque de actores mais alargado e episódios mais longos (20 minutos!). A excelência é a mesma. Ver excerto aqui.

PS: Embora estas coisas estejam todas disponíveis no You Tube (não me estou a queixar) vale a pena largar dinheiro no DVD para ver a imagem como deve ser. São as pequenas nuances de expressão que melhor mostram a grande actriz.

domingo, 16 de setembro de 2007

...and the winner is:

Primeiro que tudo, um sentido agradecimento a todos os que participaram. Todos tinham boas razões para levar o livro, quanto mais não fosse a simples vontade de o querer, o que para mim já me comove bastante. Obrigado, obrigado, obrigado!

Mas depois de considerar tudo o que se disse (e até o que não se disse) o livro vai ter de ir para a Lis por 3 razões e meia:

1 - É uma gaja. Imaginá-la a ler as minhas histórias de sexo entre homens, titila-me.

2 - Ela prometeu (mundo, toma nota!) que me oferecia um exemplar autografado do seu primeiro livro. Eu quero cobrar!

3 - Ela não sabe, mas eu tenho um contador que me mostra quantas vezes ela rondou aqui o blog durante esta semana.

e a meia razão foi o comentário que ela pôs num post aqui há tempos e depois, envergonhada, apagou. Mal sabia ela que todos os comentários vão parar à minha caixa de correio...

Por isso, Lis envia-me um email para danieljskramesto@yahoo.no com a tua morada.
:-)

sábado, 15 de setembro de 2007

Na próxima encarnação eu quero ser a Roisin Murphy


Este deve ser um dos videos mais idiotas de todos os tempos. Mas é lindo!
Eu quero ser ela! Eu sou ela, algures num cantinho do meu coração!
Oh, divina arte da Pop!

O grande concurso - deadline

Só para recordar que a "linha da morte" para o grande concurso (ver lá mais para baixo) é até amanhã à hora a que eu acordar e ligar o computador. Por isso ainda vão a tempo de se habilitarem a um bonito exemplar do meu livro, autografado e abençoado.

Subtilmente Queer


A escolha de "A casa de Alice" como filme de abertura do festival Queer Lisboa pareceu estranha a muita gente, ontem à noite.É afinal um filme onde, de homosexualidade, há apenas algumas vagas sugestões.

No entanto, a meu ver, foi a escolha certa para marcar um novo rumo para o festival. Longe de lantejoulas ou de erotismo de pacote, "A casa de Alice" é um filme que transpira sexo por todos os poros. É um filme, que sem nunca se tornar gráfico, questiona, sem nunca fazer directamente a pergunta, o papel do sexo no núcleo familiar. E é afinal de contas, de sexo que se fala, quando se fala de homosexualidade, mesmo que, para isso seja preciso enfrentar o sexo hetero.

O sexo é o grande papão da homosexualidade, é a parte que mete medo a toda a gente (inclusivé a jornalistas que acham que sexualidade fora da norma não é bom tema para um festival de cinema e por isso o ignoram). Fazer por isso um festival destes é, à partida, estar a pregar aos convertidos e podia não passar de uma ocasião de servir bolo a gulosos.

Felizmente, finalmente, à sua 11ª edição, nota-se claramente na escolha dos filmes programados uma vontade de mudar o rumo do festival. A mudança do nome do festival, de "gay e lésbico" para "queer", serve como assinatura (pouco "popular", mas que se há-de fazer, tendo em conta a falta de vocabulário português capaz de ser tão abarcante).

Por isso, integrar no festival, na competição, um filme como "A casa de Alice" e escolhê-lo para a sessão de abertura, abanando-o como bandeira é um acto a louvar. É prova de inteligência.

Este filme brasileiro, dotado de um excelente elenco serve como peephole para observar um núcleo familiar - Pai, Mãe, três filhos e avó - e deixa-nos à vontade para olhar em redor e construir histórias, tirar conclusões. O seu realismo, mais do que das situações que mostra, vem da sua pouco apertada malha ficcional (que, verdade seja dita, aborrece aqui e ali). Não é filme para perguiçosos. Servi-lo a uma audiência de um festival como este é lançar um desafio ousado, que, espero venha a ser aceite.

Numa altura em que qualquer paneleirice pode ser baixada da net é precisamente para isso que precisamos de festivais e (principalmente) programadores. Uma programação, mais que um filtro, é uma escolha, logo, também uma mensagem, um discurso. Assumir que um festival não é só festa e entretenimento mas também espaço de reflexão e descoberta é uma atitude que merece o nosso reconhecimento.
Obrigado então a toda a gente que se dispôs a repensar este festival, para que nós pensemos também.



"A casa de alice" volta a passar amanhã, Domingo às 16h
Programação do festival, Aqui
http://queerlisboa.blogspot.com/

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

A Noruega em norueguês


Hoje deu-me um ataque de saudades da Noruega (bastou ver os pilares de uma estação de metro de Oslo num video dos Flunk) por isso apeteceu-me ouvir musica norueguesa cantada em norueguês (existe!). Daí surgiu esta pequena colecção.

A primeira canção "Pille", é dos Folk & Røvere - Corria o ano de 1999 e esta canção abria o album "Oslo", o primeiro que comprei de uma banda norueguesa. A letra pode resumir-se a algo como "Estou deprimido, preciso de um comprimido". Mais norueguês não podia ser.

Seguem-se os Kaizers Orchestra cujas letras me passam completamente ao lado mas que têm um som do caraças.

Em "Helt Perfect" percebe-se como é que os Folk & Røvere se transformaram nos Flunk. A unica diferença é que passaram a cantar em inglês.

"Summarnatta" é uma canção "tradicional" norueguesa, aqui vestida com arranjos invulgarmente glamourosos na voz da Herborg Kråkevik (a Dulce Pontes da Noruega). A letra diz algo como "Não iremos desperdiçar esta noite de Verão a dormir". Pois claro que não, noites de verão tão luminosas como as da Noruega são para passear debaixo das árvores.

"Little Fuglen" é folclore norueguês (tipo "oliveirinha da serra") e é a história de um passarinho que cantava muito bem. Acordeão genial.

"Ladonia" é a grande batota desta lista porque é cantada em alemão, mas como não achei a Anneli Drecker a cantar em norueguês isto teve de servir. E lista de música norueguesa sem ela não vale nada. Além de que esta canção é tão deliciosamente épico-kitsch que tem de ser ouvida quando se tem a lagrimita ao canto do olho por saudades de um país longínquo.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

O Prémio


O prémio do concurso (ver mais abaixo) passa a ser este. (o livro apenas, a minha mão não está incluída).

Interludio cultural

Enquanto o meu ego se alimenta do "Fan Power" do concurso aqui por baixo, eis um video instrutivo sobre fãs fora de controle:

(Os outros da mesma série tb valem a pena)

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Director's Cut

Manhã desperdiçada em viagens de metro, autocarro e contacto com portugueses daqueles que proferem frases dignas de sketches do gato fedorento:
"Essa rua não sei onde é mas é ali para cima."
"Se eu que sou o segurança não sei, então na secretaria também não devem saber"
"São só 11h mas a minha colega já saiu para almoçar e só ela é que recebe esses impressos. Pode ser que volte às 14h. Quer esperar?"

Se quando morremos temos de ver o filme das nossas vidas, será que não se pode ver uma versão editada e deixar de fora todas as horas desperdiçadas à espera de transportes, na casa de banho e a aturar gente burra?
Ou seja, em termos mais filosóficos, para o Além Divino, será que o tempo tem todo o mesmo valor ou é subjectivo como para nós?

sábado, 8 de setembro de 2007

Grande Concurso!


COMPRA-ME!!!

Tenho para oferecer um exemplar do meu livrito "Pequenas histórias de Amor e Sexo". Quem o quiser pode deixar um comentário a esta mensagem explicando porque é que o merece ganhar. No próximo fim de semana eu decido quem leva o brinde.

Uma pérola da minha estante

Em 1886, o Editor David Corazi da empreza Horas Românticas (premiada com medalha de ouro na exposição do Rio de Janeiro, sede na Rua da Atalaya, Lisboa), trazia a lume a grande obra ilustrada em 6 volumes "Os Invisíveis de Lisboa" de Gervasio Lobato e Jayme Victor.

Eu comprei os 3 primeiros volumes num bar do bairro alto (o saudoso Gironte) corria o ano de 1998. Estas pequenas amostras das ilustrações e do texto explicam porque paguei 3 contos de réis por eles na altura. Ainda salta com frequencia da estante para ser folheado e hoje apeteceu-me partilhar.


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

shaun the sheep


Materialismo e desmaterialização

É a natureza humana e não vale a pena negar: há objectos que me titilam.

O lançamento dos novos iPods provocou obviamente umas ondas de histeria aqui em casa. Não vale a pena sequer explicar porquê (se não foram ainda espreitar a página da apple... vaiam!) mas o que me parece digno de comentar é o facto de o novo iPod Touch fazer muito mais sentido que o iPhone no aspecto em que, se vamos estar online, para que queremos nós um telefone? Bem podemos falar com quem quisermos via skype ou algo assim (e se não repararam que o iPod Touch tem um microfone...bem, é porque definitivamente não estão interessados). Outra coisa que parece um contrasenso mas vendo bem não é, é o facto de os discos rigidos dos iPod Touch serem tão pequenos. Mais uma vez: se vamos estar online, para que precisamos de ter as músicas e os videos armazenados no nosso disco?
Como é possível esta magia de ter tudo, aqui e agora na palma da mão?! Oh como eu adoro a tecnologia! Quem não acha estas coisas sexys só pode estar morto para o mundo.


Entretanto chega-me a Newsletter da Editora Incunabula anunciando que a edição do 25º aniversário do Little, Big vai finalmente ficar pronta em Outubro.
A carta que o editor escreve aos fanáticos que há mais de ano já pagaram pelo seu exemplarzito (eu inclusivé) é a minha idéia perfeita do futuro do negócio editorial. Ele explica-nos em deliciosa prosa todos os pormenores do processo de edição, da escolha das ilustrações, do papel, da escolha da tinta para impressão, da revisão do texto, etc, etc.
Isto tudo para garantir que um livro tão bem amado pelos seus leitores lhes chegue às mãos numa encarnação capaz de exponenciar o fetiche e reverencia.
Agradam-me especialmente as ilustrações de Peter Milton que, pela imaterialidade das suas figuras, são perfeitas para este livro. A capa vai ser esta:

(carreguem nela para ver em grande)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Epifania

Estava eu ainda a tentar compreender o motivo para a histeria dos media noruegueses sobre esta historia das rezas no vazio da Madre Teresa quando me ocorreu que a outra grande história do verão norueguês foi quando a princesa Martha Louise anunciou que consegue ver anjos e que, por alguns milhares de coroas, pode dar uns cursos de três anos, ao fim dos quais qualquer pessoa talvez os consiga ver também.
Ok! Histeria explicada.
Não é tão giro com famílias reais?

domingo, 2 de setembro de 2007

Madre Teresa - 10 anos sobre a sua morte


“If I ever become a Saint—I will surely be one of “darkness.” I will continually be absent from Heaven—to lit the light of those in darkness on earth .”
—Mother Teresa of Calcutta

Enquanto os jornais noruegueses fazem um estralhadaço descabido sobre este livro, os media portugueses, sempre tão atentos a irrelevantes escândalos internacionais andam incompreensivelmente a ignorar a coisa (ou talvez não seja assim tão incompreensível - o que não se sabe não se discute).
Neste livro, Brian Kolodiejchuk, que trabalha no processo de santificaçao de Madre Teresa, reuniu um conjunto de cartas escritas por ela aos seus orientadores espirituais. A causa do "escândalo" reside no facto de em muitas delas ela referir que, quando reza sente apenas escuridão e um grande vazio e solidão, como se deus não a ouvisse, facto que a levou muitas vezes a duvidar da sua existência.
A mim, saber destas coisas só me faz ter ainda maior admiração pela senhora. Para gente que acha que a religião é um fogo de artificio de milagres, visões, segredos crípticos e stigmatas é claro que soa a heresia, como gritar "o rei vai nu".
Cá por mim, depois disto fico-me pela minha síntese da vida e obra da Madre Teresa para adicionar aos mantras de uma boa vida espiritual: "Menos reza, mais trabalho!"

terça-feira, 28 de agosto de 2007

o talento dos amigos (...e o meu, já agora)

O Kenneth Elvebakk afinal já não vem a Lisboa ao Festival Queer (vamos lá dar uma forçinha a ver se o nome pega) apresentar o seu documentário "Hullabaloo", o tal sobre a equipa gay de andebol. É uma pena, mas tem a boa desculpa de ter começado a filmar um novo documentário, desta vez sobre os Drag Kings da Noruega.





O Rahman Milani ganhou o prémio de melhor primeiro filme no festival gay e lésbico de Dublin com a sua longa metragem "Seahorses" de que já tinha falado aqui ha algum tempo.






Entretanto, os The Guys from the Caravan estão quase a acabar de gravar o primeiro album (produzido pelo Flak dos Rádio Macau) e o que já me mostraram deixou-me orgulhoso e motivado: viva a plasticina! A demo gratuita continua a poder ser baixada aqui.






Por enquanto, o filme do Antonio e do Gabriel, "Clandestinos", um thriller-drama-comédia, ainda não tem estreia marcada em Espanha. Mas pode ser que o recente cessar fogo da ETA e seus alugueres de carros em Portugal faça com que a estreia aconteça mais rapidamente. É que o filme é sobre terroristas da ETA... gays! Não é exactamente o Brokeback Mountain com terroristas em vez de caubóis, mas é refrescante ver a homosexualidade retratada fora dos clichés habituais.

Quanto a mim, para além de plasticina nas unhas, tenho verniz e tinta nas mãos e ando a brincar com Barbies...

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Festival Queer Lisboa - The Bubble


Sábado, dia 15 de Setembro - São Jorge 1, 22h00
Terça-feira, dia 18 de Setembro - São Jorge 1, 16h30

Hymn For the Fallen

Para o rapazito que disse que gostava de Dead Can Dance (e para outros maluquinhos 4AD que passam por aqui), a canção inédita que encerrava os concertos da digressão de 2005.

domingo, 26 de agosto de 2007

Eduardo Prado Coelho 1944-2007

É curioso pensar nos papéis que as pessoas representam nas nossas vidas. O Eduardo Prado Coelho era uma pessoa que eu não conhecia de todo e no entanto teve a grande gentileza de aparecer como guest star num episódio importante da minha vida.

Quando em 2003 a Dom Quixote se preparava para editar o "Olhos de cão" perguntaram-me quem é que eu gostaria que apresentasse o livro na sessão de lançamento. Como eu tinha estado a viver 4 anos fora de Portugal e também não conhecia ninguém ligado à intelectualia literária portuguesa (que aliás continuo a não conhecer, tirando talvez o Possidónio Cachapa que, curiosamente, me foi apresentado nessa altura por um amigo, precisamente como candidato à apresentação do livro) não me ocorreu qualquer nome. Foi aí que o Nelson de Matos, na altura director da Dom Quixote, sugeriu o Eduardo Prado Coelho. E eu lembro-me de pensar para com os meus botões: "Quem?!". Mas como o nome foi proferido com tanta reverência e até me soava vagamente famoso resolvi alinhar e deixar seguir o convite.
Nas semanas seguintes, cada vez que referia o seu nome aos meus amigos menos despassarados do que eu, fazia-se um pequeno silêncio reverencial antes de um "Ena pá!" impressionado.

Até hoje continuo sem ter a completa noção da influência e qualidades deste senhor (só li meia dúzia das suas crónicas) mas nunca o esquecerei e estarei sempre em dívida para com ele.

O nosso contacto verbal limitou-se a uns "boa-tarde" e "Adeus, muito obrigado" acompanhados de apertos de mão. No entanto, a apresentação crítica que fez do meu livro foi mais perfeita e precisa do que se eu tivesse escrito uma nota de intenções. Se o objectivo de um escritor é encontrar um leitor, naquele momento eu fiquei a saber que o Eduardo Prado Coelho tinha lido precisamente o mesmo livro que eu escrevi (ou quis escrever). Analisou a história e a estrutura ao pormenor e pôs os dedos em todas as minhas feridas. Até hoje é a única análise extensivamente lúcida do meu livro (para além da carta de rejeição que a Oficina do Livro me enviou).

Encontrar um leitor assim, capaz de analisar e compreender a nossa obra com tanta minúcia e inteligência e capaz também de verbalizar esse entendimento, é a maior dádiva que um escritor pode esperar.

Só voltei a cruzar-me com o Eduardo Prado Coelho passado um ano dessa apresentação, uma vez na rua. Disse-lhe boa tarde. Ele não me reconheceu e não respondeu. Não importa. Estou-lhe eternamente grato porque sei que contei todos os meus pecados a um sacerdote da letras portuguesas e fui absolvido.
Descanse em paz esteja onde estiver.

sábado, 25 de agosto de 2007

Olhos de cão - A banda sonora!



Graças a todos estes novos gadjets internetico-bloguianos, eis a oportunidade de vos brindar com uma colecção de canções citadas directa ou indirectamente no livro "Olhos de cão". Olhando para isto até me assusto com o poder que a pimbalhada tem sobre o meu imaginário...
O meu especial destaque vai para "Rosa enjeitada" que é um faducho do melhorio (aqui na voz da formidável Hermínia Silva) e que qualquer português devia saber cantar tão bem como o hino nacional.
"Dom de iludir" não consegui arranjar na versão da Gal Costa, que é a que cito no livro, mas esta não está nada mal.
Não me consegui lembrar de qual é a canção da Marisa Monte em que ela canta a frase "O meu coração é um músculo involuntário e ele bate por você"... De qualquer maneira, ela aparece duas vezes no livro (a garganeira!) e por isso ficou bem representada na mesma.
Divirtam-se!

Sortelha 2 - É uma casa portuguesa com certeza


Um São José de azulejos
....
Uma promessa de beijos

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sortelha


Fundos comunitários bem empregues e ninguém a ver.
Ide à Sortelha, boa gente!!

Foz Coa


...mas ainda mais impressionante que as gravuras e a sua localização é a estupidez das pessoas que acharam que era boa ideia pô-las debaixo de água. Tenho a certeza que a sua tacanhice ficará resgistada para a posteridade para que as suas gerações vindouras possam continuar a sentir vergonha.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Penedo Durao




Um dos sítios mais espantosos de Portugal é também um dos mais difíceis de achar. Não aparece em mapas e só há uma setinha a apontar para ele num cruzamento perdido nos confins da serra. Mas se forem a Freixo de Espada à Cinta perguntem pelo miradouro (onde literalmente se mira o Douro) do Penedo Durão e vão ver os grifos a voar.
(agradecimento especial ao César pela dica)

sábado, 18 de agosto de 2007

o aniversario

Ontem celebraram-se os 25 anos do CD. Os meus, coitadinhos, já passaram o aniversário no sotão.
Isso lembrou-me que todos os meus discos de vinil ainda estão "guardados" em casa de uma amiga ha quase 10 anos, desde o tempo da minha mudança para a Noruega. Sinto talvez saudades da capa do "Gone to Earth" do David Sylvian e de ouvir o primeiro disco da Pilar (que acho que nunca foi editado em CD) mas, em geral, não lhes sinto a falta. A música vive bem sem corpo e eu dispenso rituais.
Dos meus CDs, o que se tornará memorável? Talvez o que está autografado pelos Morphine, a edição limitada do concerto dos Dead Can Dance e a caixinha termo-sensivel dos Massive Attack. Mas são relíquias de memórias ligadas a pessoas e a momentos da minha vida. As outras boas memórias da música não estão ligadas ao seu suporte físico.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Gloomy Sunday on a Wednesday

Hoje ao fazer limpezas ao iPod descobri que tinha o "Gloomy Sunday" cantado pela Billie Holiday, Bjork, Sinead O´connor e Diamanda Galas.
Em valor depressivo acrescentado pela interpretação ganha a senhora Galas, obviamente. No fim da canção imagino a Billie Holiday a fumar um cigarro, a Bjork sentada à janela a olhar para a neve durante 3 horas, a Sinead a emborcar uma garrafa de bourbon e a Diamanda a cortar os pulsos.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Revoluçao tecnologica no lar


Há já algum tempo que tinhamos este plano: comprar um amplificador para o iPod e atirar com todos os CDs para o sotão.
Foi preciso cair uma nódoa no sofá, que fez com que as forras fossem a lavar, que fez com que encolhessem, que fez com que não servissem, que fez com que eu encomendasse umas novas noutra cor, que fez com que eu olhasse para a sala recomposta e decidisse que agora é que eu limpava a estante dos milhares de CDs e a passaria a usar para livros.
Assim foi.
Agora a sala até parece que pertence a gente intelectual e há menos cabos e plástico.
Depois de 5 anos a viver com o iPod, já estava na hora. Adeus CDs!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Trabalho de Fim de Semana



Sabado e Domingo divertido com a plasticina. Estas são duas das ilustrações que fiz para um folheto da ILGA sobre o teste do VIH.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Sugestao de Leitura


Foi finalmente editado em português (pela sempre atenta Saída de Emergência) o livro "As fogueiras de Deus" de Patrícia Anthony. Não se percebe como leva dez anos a chegar ao mercado português, mas enfim... mais vale tarde que nunca.
A capa e resumo da edição portuguesa parecem querer atirá-lo para o canto da ficção historica. A edição americana que tenho atira-o para a ficção científica com homenzinhos verdes (ou, neste caso, cinzentos). Cada editor lá sabe do seu mercado e ao fim e ao cabo esta história é quase daqueles monstros de sete cabeças e nenhum cavaleiro do marketing deve saber por onde lhe pegar.
Imaginem que no Portugal do séc. XVII, um padre da inquisição se vê confrontado com a queda de um ovni numa aldeola e que os dois extraterrestres sobreviventes dividem a opinião do povo. Serão anjos ou demónios? Devem ser reverenciados ou queimados na fogueira?
Com este insólito ponto de partida, que ao princípio é quase um episodio dos ficheiros secretos no séc XVII, a autora consegue uma bela fábula sobre a fé, a tolerância e o dever, e também uma crítica mordaz aos limites do conhecimento e à ilimitada estupidez humana.
Devia ser leitura obrigatória em aulas de escrita criativa em Portugal como exemplo de como construir uma história sólida e inteligente a partir de uma ideia improvável e quase ridícula.
E filme, ninguém faz?!

domingo, 5 de agosto de 2007

Uma Lady na mesa (de cabeceira)

Confesso que nunca tinha tido curiosidade de ler D. H. Lawrence até hoje ter posto as mãos nesta fenomenal edição da Penguin. A capa é um mimo e a introdução de Doris Lessing (uma das minhas Grandes-Referências-Literárias-Com-Vénia) é de uma lucidez entusiasmante. O osso da coisa será roído nos próximos dias.

sábado, 4 de agosto de 2007

As cadelas lesbicas

Um mini filme do meu amigo Kenneth, feito só porque sim.

(o documentário do Kenneth sobre uma equipa gay de andebol, "Hulabaloo", vai passar no festival gay e lésbico deste ano (14 a 22 de setembro, cinema São Jorge))

tropa, futebol e talhos

Ontem devo ter tropeçado numa musa: a história que ando a escrever há um ano lá deu mais um solavanco em frente. Dou por mim a escrever sobre tropa, futebol e talhos. Acho que teria mais legitimidade para escrever sobre a vida em Marte... Oh musa traiçoeira!

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Mais um pensamento de Verao

No verão, os pensamentos são visuais porque as palavras custam muito:

E para que não se contenta com o que a natureza dá:

DAIQUIRI DE MELANCIA
10 Cubos de melancia congelada (5cm de lado +-)
100 ml de Bacardi lemon (bacardi normal também resulta)
sumo de 1 lima
1 colher de chá de açucar em pó
Atirar para dentro da misturadora e dar ao botão até obter ambrósia divina.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Lokrum, Lopud e Mljet

3 ilhas da Croácia

Lokrum


Lopud

Mljet. (A sereia sou eu)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Dubrovnik





O Vítor recomendou-nos tão vivamente a Croácia que lá fomos nós. E de facto, aquele mar não se explica. Fazendo fintas às hordas de turistas ainda conseguimos uns dias de paraíso.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Musica Gratis


Os gajos da caravana puseram a sua primeira demo disponivel para download gratuito. Como bonus há a capa com uma linda ilustração feita por mim pronta a imprimir,cortar e montar.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Sim, eu ja li o Harry Potter

Tendo acabado de ler o último Harry Potter (que no fim, casa, tem muitos filhos e vive feliz para sempre) o que me parece mais interessante no livro é o facto de ter uma estrutura completamente diferente dos outros 6 anteriores. Em vez da tradicional sequencia Dursleys/viagem para Hogwarts/ano lectivo/confronto final/adeus até pró ano, este último livro organiza-se num crescendo de ...hum... missões que terminam no grande confronto com vocês-adivinham-quem. A história é uma perfeita sequência de níveis, cada um num cenário diferente, tornando este livro no mais adaptavel a jogo de computador que alguma vez li. Não estou com isto a dizer que seja mau (muito pelo contrário), mas é curioso ver como os livros que mais foram forçados a uma adaptação a outros meios agora absorvem um esqueleto alheio e se atrevem a dançar com ele no próprio funeral.
Um grande Olé para si, senhora Rowling. Fintou o touro e espetou-lhe a bandarilha.

Munique

Não foi intencional, mas os desencontros de horários das companhias aéreas baratuchas fizeram com que, a caminho da Croácia, passasse 4 dias em Munique. Afinal acabou por ser uma excelente oportunidade para conhecer uma cidade rica, linda e simpática e percebi perfeitamente porque é que a revista Monocle (monoclemagazine.com) a elegeu recentemente como a melhor cidade do mundo para viver. Para ser sincero, eu mudava-me já amanhã. E nem precisaria de melhor desculpa que as padarias alemãs...





Foi ocasião para conhecer a fabulosa Pinacoteca que tem quadros mais ao meu gosto que muitos outros grande museus que já visitei. Vi finalmente o "monge à beira mar" de Caspar David Friedrich que é daquelas obras que em qualquer reprodução passa despercebida mas ao vivo nos esmaga com o génio.
Também me empanturrei de boa comida alemã, especialmente no restaurante Pfistermuhle, e no Augustiner biergarten. Grandes dias.

Voltei de ferias


O meu cérebro ainda não está reactivado, mas posso deixar uma foto para a inveja.