sábado, 8 de setembro de 2007

Uma pérola da minha estante

Em 1886, o Editor David Corazi da empreza Horas Românticas (premiada com medalha de ouro na exposição do Rio de Janeiro, sede na Rua da Atalaya, Lisboa), trazia a lume a grande obra ilustrada em 6 volumes "Os Invisíveis de Lisboa" de Gervasio Lobato e Jayme Victor.

Eu comprei os 3 primeiros volumes num bar do bairro alto (o saudoso Gironte) corria o ano de 1998. Estas pequenas amostras das ilustrações e do texto explicam porque paguei 3 contos de réis por eles na altura. Ainda salta com frequencia da estante para ser folheado e hoje apeteceu-me partilhar.


sexta-feira, 7 de setembro de 2007

shaun the sheep


Materialismo e desmaterialização

É a natureza humana e não vale a pena negar: há objectos que me titilam.

O lançamento dos novos iPods provocou obviamente umas ondas de histeria aqui em casa. Não vale a pena sequer explicar porquê (se não foram ainda espreitar a página da apple... vaiam!) mas o que me parece digno de comentar é o facto de o novo iPod Touch fazer muito mais sentido que o iPhone no aspecto em que, se vamos estar online, para que queremos nós um telefone? Bem podemos falar com quem quisermos via skype ou algo assim (e se não repararam que o iPod Touch tem um microfone...bem, é porque definitivamente não estão interessados). Outra coisa que parece um contrasenso mas vendo bem não é, é o facto de os discos rigidos dos iPod Touch serem tão pequenos. Mais uma vez: se vamos estar online, para que precisamos de ter as músicas e os videos armazenados no nosso disco?
Como é possível esta magia de ter tudo, aqui e agora na palma da mão?! Oh como eu adoro a tecnologia! Quem não acha estas coisas sexys só pode estar morto para o mundo.


Entretanto chega-me a Newsletter da Editora Incunabula anunciando que a edição do 25º aniversário do Little, Big vai finalmente ficar pronta em Outubro.
A carta que o editor escreve aos fanáticos que há mais de ano já pagaram pelo seu exemplarzito (eu inclusivé) é a minha idéia perfeita do futuro do negócio editorial. Ele explica-nos em deliciosa prosa todos os pormenores do processo de edição, da escolha das ilustrações, do papel, da escolha da tinta para impressão, da revisão do texto, etc, etc.
Isto tudo para garantir que um livro tão bem amado pelos seus leitores lhes chegue às mãos numa encarnação capaz de exponenciar o fetiche e reverencia.
Agradam-me especialmente as ilustrações de Peter Milton que, pela imaterialidade das suas figuras, são perfeitas para este livro. A capa vai ser esta:

(carreguem nela para ver em grande)

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Epifania

Estava eu ainda a tentar compreender o motivo para a histeria dos media noruegueses sobre esta historia das rezas no vazio da Madre Teresa quando me ocorreu que a outra grande história do verão norueguês foi quando a princesa Martha Louise anunciou que consegue ver anjos e que, por alguns milhares de coroas, pode dar uns cursos de três anos, ao fim dos quais qualquer pessoa talvez os consiga ver também.
Ok! Histeria explicada.
Não é tão giro com famílias reais?

domingo, 2 de setembro de 2007

Madre Teresa - 10 anos sobre a sua morte


“If I ever become a Saint—I will surely be one of “darkness.” I will continually be absent from Heaven—to lit the light of those in darkness on earth .”
—Mother Teresa of Calcutta

Enquanto os jornais noruegueses fazem um estralhadaço descabido sobre este livro, os media portugueses, sempre tão atentos a irrelevantes escândalos internacionais andam incompreensivelmente a ignorar a coisa (ou talvez não seja assim tão incompreensível - o que não se sabe não se discute).
Neste livro, Brian Kolodiejchuk, que trabalha no processo de santificaçao de Madre Teresa, reuniu um conjunto de cartas escritas por ela aos seus orientadores espirituais. A causa do "escândalo" reside no facto de em muitas delas ela referir que, quando reza sente apenas escuridão e um grande vazio e solidão, como se deus não a ouvisse, facto que a levou muitas vezes a duvidar da sua existência.
A mim, saber destas coisas só me faz ter ainda maior admiração pela senhora. Para gente que acha que a religião é um fogo de artificio de milagres, visões, segredos crípticos e stigmatas é claro que soa a heresia, como gritar "o rei vai nu".
Cá por mim, depois disto fico-me pela minha síntese da vida e obra da Madre Teresa para adicionar aos mantras de uma boa vida espiritual: "Menos reza, mais trabalho!"

terça-feira, 28 de agosto de 2007

o talento dos amigos (...e o meu, já agora)

O Kenneth Elvebakk afinal já não vem a Lisboa ao Festival Queer (vamos lá dar uma forçinha a ver se o nome pega) apresentar o seu documentário "Hullabaloo", o tal sobre a equipa gay de andebol. É uma pena, mas tem a boa desculpa de ter começado a filmar um novo documentário, desta vez sobre os Drag Kings da Noruega.





O Rahman Milani ganhou o prémio de melhor primeiro filme no festival gay e lésbico de Dublin com a sua longa metragem "Seahorses" de que já tinha falado aqui ha algum tempo.






Entretanto, os The Guys from the Caravan estão quase a acabar de gravar o primeiro album (produzido pelo Flak dos Rádio Macau) e o que já me mostraram deixou-me orgulhoso e motivado: viva a plasticina! A demo gratuita continua a poder ser baixada aqui.






Por enquanto, o filme do Antonio e do Gabriel, "Clandestinos", um thriller-drama-comédia, ainda não tem estreia marcada em Espanha. Mas pode ser que o recente cessar fogo da ETA e seus alugueres de carros em Portugal faça com que a estreia aconteça mais rapidamente. É que o filme é sobre terroristas da ETA... gays! Não é exactamente o Brokeback Mountain com terroristas em vez de caubóis, mas é refrescante ver a homosexualidade retratada fora dos clichés habituais.

Quanto a mim, para além de plasticina nas unhas, tenho verniz e tinta nas mãos e ando a brincar com Barbies...

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Festival Queer Lisboa - The Bubble


Sábado, dia 15 de Setembro - São Jorge 1, 22h00
Terça-feira, dia 18 de Setembro - São Jorge 1, 16h30

Hymn For the Fallen

Para o rapazito que disse que gostava de Dead Can Dance (e para outros maluquinhos 4AD que passam por aqui), a canção inédita que encerrava os concertos da digressão de 2005.

domingo, 26 de agosto de 2007

Eduardo Prado Coelho 1944-2007

É curioso pensar nos papéis que as pessoas representam nas nossas vidas. O Eduardo Prado Coelho era uma pessoa que eu não conhecia de todo e no entanto teve a grande gentileza de aparecer como guest star num episódio importante da minha vida.

Quando em 2003 a Dom Quixote se preparava para editar o "Olhos de cão" perguntaram-me quem é que eu gostaria que apresentasse o livro na sessão de lançamento. Como eu tinha estado a viver 4 anos fora de Portugal e também não conhecia ninguém ligado à intelectualia literária portuguesa (que aliás continuo a não conhecer, tirando talvez o Possidónio Cachapa que, curiosamente, me foi apresentado nessa altura por um amigo, precisamente como candidato à apresentação do livro) não me ocorreu qualquer nome. Foi aí que o Nelson de Matos, na altura director da Dom Quixote, sugeriu o Eduardo Prado Coelho. E eu lembro-me de pensar para com os meus botões: "Quem?!". Mas como o nome foi proferido com tanta reverência e até me soava vagamente famoso resolvi alinhar e deixar seguir o convite.
Nas semanas seguintes, cada vez que referia o seu nome aos meus amigos menos despassarados do que eu, fazia-se um pequeno silêncio reverencial antes de um "Ena pá!" impressionado.

Até hoje continuo sem ter a completa noção da influência e qualidades deste senhor (só li meia dúzia das suas crónicas) mas nunca o esquecerei e estarei sempre em dívida para com ele.

O nosso contacto verbal limitou-se a uns "boa-tarde" e "Adeus, muito obrigado" acompanhados de apertos de mão. No entanto, a apresentação crítica que fez do meu livro foi mais perfeita e precisa do que se eu tivesse escrito uma nota de intenções. Se o objectivo de um escritor é encontrar um leitor, naquele momento eu fiquei a saber que o Eduardo Prado Coelho tinha lido precisamente o mesmo livro que eu escrevi (ou quis escrever). Analisou a história e a estrutura ao pormenor e pôs os dedos em todas as minhas feridas. Até hoje é a única análise extensivamente lúcida do meu livro (para além da carta de rejeição que a Oficina do Livro me enviou).

Encontrar um leitor assim, capaz de analisar e compreender a nossa obra com tanta minúcia e inteligência e capaz também de verbalizar esse entendimento, é a maior dádiva que um escritor pode esperar.

Só voltei a cruzar-me com o Eduardo Prado Coelho passado um ano dessa apresentação, uma vez na rua. Disse-lhe boa tarde. Ele não me reconheceu e não respondeu. Não importa. Estou-lhe eternamente grato porque sei que contei todos os meus pecados a um sacerdote da letras portuguesas e fui absolvido.
Descanse em paz esteja onde estiver.

sábado, 25 de agosto de 2007

Olhos de cão - A banda sonora!



Graças a todos estes novos gadjets internetico-bloguianos, eis a oportunidade de vos brindar com uma colecção de canções citadas directa ou indirectamente no livro "Olhos de cão". Olhando para isto até me assusto com o poder que a pimbalhada tem sobre o meu imaginário...
O meu especial destaque vai para "Rosa enjeitada" que é um faducho do melhorio (aqui na voz da formidável Hermínia Silva) e que qualquer português devia saber cantar tão bem como o hino nacional.
"Dom de iludir" não consegui arranjar na versão da Gal Costa, que é a que cito no livro, mas esta não está nada mal.
Não me consegui lembrar de qual é a canção da Marisa Monte em que ela canta a frase "O meu coração é um músculo involuntário e ele bate por você"... De qualquer maneira, ela aparece duas vezes no livro (a garganeira!) e por isso ficou bem representada na mesma.
Divirtam-se!

Sortelha 2 - É uma casa portuguesa com certeza


Um São José de azulejos
....
Uma promessa de beijos

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Sortelha


Fundos comunitários bem empregues e ninguém a ver.
Ide à Sortelha, boa gente!!

Foz Coa


...mas ainda mais impressionante que as gravuras e a sua localização é a estupidez das pessoas que acharam que era boa ideia pô-las debaixo de água. Tenho a certeza que a sua tacanhice ficará resgistada para a posteridade para que as suas gerações vindouras possam continuar a sentir vergonha.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Penedo Durao




Um dos sítios mais espantosos de Portugal é também um dos mais difíceis de achar. Não aparece em mapas e só há uma setinha a apontar para ele num cruzamento perdido nos confins da serra. Mas se forem a Freixo de Espada à Cinta perguntem pelo miradouro (onde literalmente se mira o Douro) do Penedo Durão e vão ver os grifos a voar.
(agradecimento especial ao César pela dica)

sábado, 18 de agosto de 2007

o aniversario

Ontem celebraram-se os 25 anos do CD. Os meus, coitadinhos, já passaram o aniversário no sotão.
Isso lembrou-me que todos os meus discos de vinil ainda estão "guardados" em casa de uma amiga ha quase 10 anos, desde o tempo da minha mudança para a Noruega. Sinto talvez saudades da capa do "Gone to Earth" do David Sylvian e de ouvir o primeiro disco da Pilar (que acho que nunca foi editado em CD) mas, em geral, não lhes sinto a falta. A música vive bem sem corpo e eu dispenso rituais.
Dos meus CDs, o que se tornará memorável? Talvez o que está autografado pelos Morphine, a edição limitada do concerto dos Dead Can Dance e a caixinha termo-sensivel dos Massive Attack. Mas são relíquias de memórias ligadas a pessoas e a momentos da minha vida. As outras boas memórias da música não estão ligadas ao seu suporte físico.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

Gloomy Sunday on a Wednesday

Hoje ao fazer limpezas ao iPod descobri que tinha o "Gloomy Sunday" cantado pela Billie Holiday, Bjork, Sinead O´connor e Diamanda Galas.
Em valor depressivo acrescentado pela interpretação ganha a senhora Galas, obviamente. No fim da canção imagino a Billie Holiday a fumar um cigarro, a Bjork sentada à janela a olhar para a neve durante 3 horas, a Sinead a emborcar uma garrafa de bourbon e a Diamanda a cortar os pulsos.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Revoluçao tecnologica no lar


Há já algum tempo que tinhamos este plano: comprar um amplificador para o iPod e atirar com todos os CDs para o sotão.
Foi preciso cair uma nódoa no sofá, que fez com que as forras fossem a lavar, que fez com que encolhessem, que fez com que não servissem, que fez com que eu encomendasse umas novas noutra cor, que fez com que eu olhasse para a sala recomposta e decidisse que agora é que eu limpava a estante dos milhares de CDs e a passaria a usar para livros.
Assim foi.
Agora a sala até parece que pertence a gente intelectual e há menos cabos e plástico.
Depois de 5 anos a viver com o iPod, já estava na hora. Adeus CDs!

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Trabalho de Fim de Semana



Sabado e Domingo divertido com a plasticina. Estas são duas das ilustrações que fiz para um folheto da ILGA sobre o teste do VIH.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Sugestao de Leitura


Foi finalmente editado em português (pela sempre atenta Saída de Emergência) o livro "As fogueiras de Deus" de Patrícia Anthony. Não se percebe como leva dez anos a chegar ao mercado português, mas enfim... mais vale tarde que nunca.
A capa e resumo da edição portuguesa parecem querer atirá-lo para o canto da ficção historica. A edição americana que tenho atira-o para a ficção científica com homenzinhos verdes (ou, neste caso, cinzentos). Cada editor lá sabe do seu mercado e ao fim e ao cabo esta história é quase daqueles monstros de sete cabeças e nenhum cavaleiro do marketing deve saber por onde lhe pegar.
Imaginem que no Portugal do séc. XVII, um padre da inquisição se vê confrontado com a queda de um ovni numa aldeola e que os dois extraterrestres sobreviventes dividem a opinião do povo. Serão anjos ou demónios? Devem ser reverenciados ou queimados na fogueira?
Com este insólito ponto de partida, que ao princípio é quase um episodio dos ficheiros secretos no séc XVII, a autora consegue uma bela fábula sobre a fé, a tolerância e o dever, e também uma crítica mordaz aos limites do conhecimento e à ilimitada estupidez humana.
Devia ser leitura obrigatória em aulas de escrita criativa em Portugal como exemplo de como construir uma história sólida e inteligente a partir de uma ideia improvável e quase ridícula.
E filme, ninguém faz?!

domingo, 5 de agosto de 2007

Uma Lady na mesa (de cabeceira)

Confesso que nunca tinha tido curiosidade de ler D. H. Lawrence até hoje ter posto as mãos nesta fenomenal edição da Penguin. A capa é um mimo e a introdução de Doris Lessing (uma das minhas Grandes-Referências-Literárias-Com-Vénia) é de uma lucidez entusiasmante. O osso da coisa será roído nos próximos dias.

sábado, 4 de agosto de 2007

As cadelas lesbicas

Um mini filme do meu amigo Kenneth, feito só porque sim.

(o documentário do Kenneth sobre uma equipa gay de andebol, "Hulabaloo", vai passar no festival gay e lésbico deste ano (14 a 22 de setembro, cinema São Jorge))

tropa, futebol e talhos

Ontem devo ter tropeçado numa musa: a história que ando a escrever há um ano lá deu mais um solavanco em frente. Dou por mim a escrever sobre tropa, futebol e talhos. Acho que teria mais legitimidade para escrever sobre a vida em Marte... Oh musa traiçoeira!

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Mais um pensamento de Verao

No verão, os pensamentos são visuais porque as palavras custam muito:

E para que não se contenta com o que a natureza dá:

DAIQUIRI DE MELANCIA
10 Cubos de melancia congelada (5cm de lado +-)
100 ml de Bacardi lemon (bacardi normal também resulta)
sumo de 1 lima
1 colher de chá de açucar em pó
Atirar para dentro da misturadora e dar ao botão até obter ambrósia divina.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Lokrum, Lopud e Mljet

3 ilhas da Croácia

Lokrum


Lopud

Mljet. (A sereia sou eu)

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Dubrovnik





O Vítor recomendou-nos tão vivamente a Croácia que lá fomos nós. E de facto, aquele mar não se explica. Fazendo fintas às hordas de turistas ainda conseguimos uns dias de paraíso.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Musica Gratis


Os gajos da caravana puseram a sua primeira demo disponivel para download gratuito. Como bonus há a capa com uma linda ilustração feita por mim pronta a imprimir,cortar e montar.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Sim, eu ja li o Harry Potter

Tendo acabado de ler o último Harry Potter (que no fim, casa, tem muitos filhos e vive feliz para sempre) o que me parece mais interessante no livro é o facto de ter uma estrutura completamente diferente dos outros 6 anteriores. Em vez da tradicional sequencia Dursleys/viagem para Hogwarts/ano lectivo/confronto final/adeus até pró ano, este último livro organiza-se num crescendo de ...hum... missões que terminam no grande confronto com vocês-adivinham-quem. A história é uma perfeita sequência de níveis, cada um num cenário diferente, tornando este livro no mais adaptavel a jogo de computador que alguma vez li. Não estou com isto a dizer que seja mau (muito pelo contrário), mas é curioso ver como os livros que mais foram forçados a uma adaptação a outros meios agora absorvem um esqueleto alheio e se atrevem a dançar com ele no próprio funeral.
Um grande Olé para si, senhora Rowling. Fintou o touro e espetou-lhe a bandarilha.

Munique

Não foi intencional, mas os desencontros de horários das companhias aéreas baratuchas fizeram com que, a caminho da Croácia, passasse 4 dias em Munique. Afinal acabou por ser uma excelente oportunidade para conhecer uma cidade rica, linda e simpática e percebi perfeitamente porque é que a revista Monocle (monoclemagazine.com) a elegeu recentemente como a melhor cidade do mundo para viver. Para ser sincero, eu mudava-me já amanhã. E nem precisaria de melhor desculpa que as padarias alemãs...





Foi ocasião para conhecer a fabulosa Pinacoteca que tem quadros mais ao meu gosto que muitos outros grande museus que já visitei. Vi finalmente o "monge à beira mar" de Caspar David Friedrich que é daquelas obras que em qualquer reprodução passa despercebida mas ao vivo nos esmaga com o génio.
Também me empanturrei de boa comida alemã, especialmente no restaurante Pfistermuhle, e no Augustiner biergarten. Grandes dias.

Voltei de ferias


O meu cérebro ainda não está reactivado, mas posso deixar uma foto para a inveja.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Passeio de Domingo


Money, money, money

Não é costume eu pôr-me a citar e comentar notícias aqui no blog porque as minhas opiniões levam muito tempo a formar-se e, na sua maioria, não me parece que deva estar a chatear os outros com elas. Mas esta notícia no DN de hoje chamou-me a atenção:

"As 508 pessoas que apresentaram queixa por abuso sexual contra padres da diocese de Los Angeles vão receber cada uma 1,3 milhões de dólares de indemnização. [...] Para pagar uma indemnização de 774 milhões de dólares (660 milhões acordados agora e 114 milhões que já prometera pagar), a diocese de Los Angeles anunciou que terá de vender parte das suas propriedades. [...] Para David Clohessy, director de uma associação que representa as vítimas de abusos sexuais praticados por padres dos Estados Unidos, o dinheiro não é o objectivo: "As vítimas querem antes prevenção e a responsabilização dos culpados".

Ok, eu sei que a missão da igreja católica na Terra não tem muito a ver com dinheiro, mas, se conseguem reunir este dinheiro todo a mando de um tribunal, não podiam usá-lo para causas beneméritas por espontânea vontade? Aqui em Portugal, por exemplo, não podiam vender qualquer coisa para ajudar os clubes de futebol a pagarem as dívidas à Segurança Social?

sábado, 14 de julho de 2007

Rasputina

A propos aquecimento global e idades do gelo, fica bem destacar a letra de "1816, the year without a summer" a primeira canção do novo album das Rasputina (e quem não sabe quem elas são não tem a veia gótica bem alimentada).

In the Spring of 1315 there began an era of unpredictable weather,
It did not lift until 1851. You remember 1816 as the year without a summer.
June 1816, a sudden snowstorm blankets all the countryside,
So Mary Shelley had to stay inside and she wrote Frankenstein,
Oh, 1816 was the year without a summer.

Grain couldn't ripen under these conditions,
It was brought indoors in urns and pots.
It'd go from ninety-five degrees to freezing within hours,
A brutal struggle for the people and the starving livestock.

During the most severe years of this little ice age
We looked for scapegoats to blame.
Many people tried to blame it all on a vast free-Mason conspiracy,
Or Benjamin Franklin and his experiments with electricity.

The eruption of the volcano Tambora
Blanketed the earth with ash.
That was a real cause discovered by some explorer
Years later, looking back at the past.

I will give you my red colour
To take away your sickly pallor.
For you are so very choleric of complexion,
Please beware the mounting sun and all dejection.

1816 was the year without a summer.

citaçao

In his annual report on 1928, when the regime still looked shaky, [british] Ambassador Barclay wondered “whether the decline of Portugal is an inevitable consequence of racial inferiority”. Citing the prevalence of tuberculosis and syphilis (80 per cent) and high levels of illiteracy (60 per cent), and declaring the Portuguese “almost all incurably emotional, volatile, incapable of sustained effort or logical thought”, he opined that this was all the result of racial mixing and the climate having made the nation “physically, mentally and morally degenerate”.

Pelos vistos, não mudámos muito desde 1928 (tirando a parte da sifilis e tuberculose). Eu pessoalmente sempre fui incuravelmente emocional e incapaz de esforço continuado e pensamento lógico. O Clima parece-me um bode expiatório porreiro (e hoje é um bom exemplo! Só os turistas ingleses é que andam nas ruas a apanhar escaldões). Quanto à minha mistura árabe-judaica-e-sabe-deus-que-mais, funciona bem noutros sítios por isso não me parece que seja daí que vem o bicho.
Resta-nos esperar que, depois do aquecimento global, e quando começar a nova idade do gelo, o território português fique com um clima mais propício ao pensamento lógico.
V império lá para 2050? Ainda pode ser que sim!!

E se nao for um quadrado?


Estou muito contente com aquela corda. Agora é uma história.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

The guys from the caravan

As ilustrações são feitas por mim.



Joias para bibliofilos

Costuma-se ouvir dizer que em Portugal os livros são um artigo de luxo. É uma afirmação verdadeira e falsa ao mesmo tempo. É certo que os idiotas dos editores portugueses nunca conseguiram perceber devidamente o conceito de livro de bolso, mas também nunca perceberam o conceito da edição de luxo. Em geral ficam-se pelo incómodo formato ligeiramente maior que A5 e com capas que nem são moles nem são rijas. Saem caras ao zé povinho e não ficam bem nas estantes de palacetes da Lapa.
Agora está metade do mundo pronto para os eReaders que serão sem dúvida para a edição de livros o que o iPod tem sido para a ediçao de música. É o livro de bolso a tornar-se obsoleto.
Sendo uma Editora digna desse nome, a Penguin, peregrina mundial do formato do livro de bolso, já está a disponibilizar grande parte do seu catálogo em formato digital. Mas, como não são de todo idiotas, o ano passado fizeram a sua primeira experiência no que se prevê vir a ser o outro lado do futuro do livro: a edição de luxo. Convidaram Designers para conceber edições limitadas e numeradas vendidas a preço de ouro (cerca de 180 euros cada exemplar).



Isto sim é perceber a mente de quem gosta de livros. Para um amante de livros só há dois tipos de edição que contam: a Descartável, capaz de ir para todo o lado e a Venerável, capaz de fazer justiça à preciosidade das palavras que contém.

Assim de repente não me lembro de nenhuma editora portuguesa que tenha percebido que a Bíblia é o fenómeno editorial mais digno de ser estudado.

PS - A edição da Penguin de "O idiota" é de génio. Aprendam, editores idiotas!!

Trilha sonora para manha de verao

Eis uma pequena lista de canções que fiz para complementar o espremer de laranjas para o pequeno almoço, o andar descalço e em cuecas pela casa, e o espalhar bronzeador pelo corpo antes de ir para a praia.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Vicio


Estes tipos vão a Madrid em Setembro. Ninguém os traz a Lisboa?

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Vendem-se




Têm um metro de largura.

Pintor de Domingo (2)


Usou-se o fim de semana para fazer isto. Também comi noodles (num restaurante). E fiz um bolo (em casa). O marido limpou o forno depois, bendito seja. Só resmungou um bocadinho.

sábado, 7 de julho de 2007

Obituario inesquecivel

"Count Gottfried von Bismarck, who was found dead on Monday aged 44, was a louche German aristocrat with a multi-faceted history as a pleasure-seeking heroin addict, hell-raising alcoholic, flamboyant waster and a reckless and extravagant host of homosexual orgies."

Assim começa o obituário mais boémio e decadente de todos os tempos, publicado recentemente no The Daily Telegraph. Podem lê-lo todo clicando no link do titulo deste post. É um pedaço de prosa imperdível, acreditem. Oscar Wilde e Bret Easton Ellis não conseguiriam escrever nada melhor.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sonho de uma tarde no meio do verao


É claro que faltam as cebolas, o alho, os coentros, os jalapeños, o tomate, o azeite e o sumo de lima... mas basicamente, guacamole é isto.

sábado, 30 de junho de 2007

O talento dos amigos


O filme "Seahorses" do meu amigo Rahman Milani, a sua primeira longa metragem, teve direito a uma muito positiva crítica no jornal Variety (link no titulo do post). Rebento de orgulho porque sei o quanto lhe custou fazer o filme. Dedos cruzados para que passe num festival em Portugal.
O filme conta a história de Mina, uma menina que, depois da morte da sua mãe, vai viver com o seu pai biológico Babak (interpretado pelo próprio Rahman) um iraniano gay, e o seu companheiro alemão Paul.

Mata e Esfola em: "Chili Chipotle"