quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Dubrovnik





O Vítor recomendou-nos tão vivamente a Croácia que lá fomos nós. E de facto, aquele mar não se explica. Fazendo fintas às hordas de turistas ainda conseguimos uns dias de paraíso.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Musica Gratis


Os gajos da caravana puseram a sua primeira demo disponivel para download gratuito. Como bonus há a capa com uma linda ilustração feita por mim pronta a imprimir,cortar e montar.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

Sim, eu ja li o Harry Potter

Tendo acabado de ler o último Harry Potter (que no fim, casa, tem muitos filhos e vive feliz para sempre) o que me parece mais interessante no livro é o facto de ter uma estrutura completamente diferente dos outros 6 anteriores. Em vez da tradicional sequencia Dursleys/viagem para Hogwarts/ano lectivo/confronto final/adeus até pró ano, este último livro organiza-se num crescendo de ...hum... missões que terminam no grande confronto com vocês-adivinham-quem. A história é uma perfeita sequência de níveis, cada um num cenário diferente, tornando este livro no mais adaptavel a jogo de computador que alguma vez li. Não estou com isto a dizer que seja mau (muito pelo contrário), mas é curioso ver como os livros que mais foram forçados a uma adaptação a outros meios agora absorvem um esqueleto alheio e se atrevem a dançar com ele no próprio funeral.
Um grande Olé para si, senhora Rowling. Fintou o touro e espetou-lhe a bandarilha.

Munique

Não foi intencional, mas os desencontros de horários das companhias aéreas baratuchas fizeram com que, a caminho da Croácia, passasse 4 dias em Munique. Afinal acabou por ser uma excelente oportunidade para conhecer uma cidade rica, linda e simpática e percebi perfeitamente porque é que a revista Monocle (monoclemagazine.com) a elegeu recentemente como a melhor cidade do mundo para viver. Para ser sincero, eu mudava-me já amanhã. E nem precisaria de melhor desculpa que as padarias alemãs...





Foi ocasião para conhecer a fabulosa Pinacoteca que tem quadros mais ao meu gosto que muitos outros grande museus que já visitei. Vi finalmente o "monge à beira mar" de Caspar David Friedrich que é daquelas obras que em qualquer reprodução passa despercebida mas ao vivo nos esmaga com o génio.
Também me empanturrei de boa comida alemã, especialmente no restaurante Pfistermuhle, e no Augustiner biergarten. Grandes dias.

Voltei de ferias


O meu cérebro ainda não está reactivado, mas posso deixar uma foto para a inveja.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Passeio de Domingo


Money, money, money

Não é costume eu pôr-me a citar e comentar notícias aqui no blog porque as minhas opiniões levam muito tempo a formar-se e, na sua maioria, não me parece que deva estar a chatear os outros com elas. Mas esta notícia no DN de hoje chamou-me a atenção:

"As 508 pessoas que apresentaram queixa por abuso sexual contra padres da diocese de Los Angeles vão receber cada uma 1,3 milhões de dólares de indemnização. [...] Para pagar uma indemnização de 774 milhões de dólares (660 milhões acordados agora e 114 milhões que já prometera pagar), a diocese de Los Angeles anunciou que terá de vender parte das suas propriedades. [...] Para David Clohessy, director de uma associação que representa as vítimas de abusos sexuais praticados por padres dos Estados Unidos, o dinheiro não é o objectivo: "As vítimas querem antes prevenção e a responsabilização dos culpados".

Ok, eu sei que a missão da igreja católica na Terra não tem muito a ver com dinheiro, mas, se conseguem reunir este dinheiro todo a mando de um tribunal, não podiam usá-lo para causas beneméritas por espontânea vontade? Aqui em Portugal, por exemplo, não podiam vender qualquer coisa para ajudar os clubes de futebol a pagarem as dívidas à Segurança Social?

sábado, 14 de julho de 2007

Rasputina

A propos aquecimento global e idades do gelo, fica bem destacar a letra de "1816, the year without a summer" a primeira canção do novo album das Rasputina (e quem não sabe quem elas são não tem a veia gótica bem alimentada).

In the Spring of 1315 there began an era of unpredictable weather,
It did not lift until 1851. You remember 1816 as the year without a summer.
June 1816, a sudden snowstorm blankets all the countryside,
So Mary Shelley had to stay inside and she wrote Frankenstein,
Oh, 1816 was the year without a summer.

Grain couldn't ripen under these conditions,
It was brought indoors in urns and pots.
It'd go from ninety-five degrees to freezing within hours,
A brutal struggle for the people and the starving livestock.

During the most severe years of this little ice age
We looked for scapegoats to blame.
Many people tried to blame it all on a vast free-Mason conspiracy,
Or Benjamin Franklin and his experiments with electricity.

The eruption of the volcano Tambora
Blanketed the earth with ash.
That was a real cause discovered by some explorer
Years later, looking back at the past.

I will give you my red colour
To take away your sickly pallor.
For you are so very choleric of complexion,
Please beware the mounting sun and all dejection.

1816 was the year without a summer.

citaçao

In his annual report on 1928, when the regime still looked shaky, [british] Ambassador Barclay wondered “whether the decline of Portugal is an inevitable consequence of racial inferiority”. Citing the prevalence of tuberculosis and syphilis (80 per cent) and high levels of illiteracy (60 per cent), and declaring the Portuguese “almost all incurably emotional, volatile, incapable of sustained effort or logical thought”, he opined that this was all the result of racial mixing and the climate having made the nation “physically, mentally and morally degenerate”.

Pelos vistos, não mudámos muito desde 1928 (tirando a parte da sifilis e tuberculose). Eu pessoalmente sempre fui incuravelmente emocional e incapaz de esforço continuado e pensamento lógico. O Clima parece-me um bode expiatório porreiro (e hoje é um bom exemplo! Só os turistas ingleses é que andam nas ruas a apanhar escaldões). Quanto à minha mistura árabe-judaica-e-sabe-deus-que-mais, funciona bem noutros sítios por isso não me parece que seja daí que vem o bicho.
Resta-nos esperar que, depois do aquecimento global, e quando começar a nova idade do gelo, o território português fique com um clima mais propício ao pensamento lógico.
V império lá para 2050? Ainda pode ser que sim!!

E se nao for um quadrado?


Estou muito contente com aquela corda. Agora é uma história.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

The guys from the caravan

As ilustrações são feitas por mim.



Joias para bibliofilos

Costuma-se ouvir dizer que em Portugal os livros são um artigo de luxo. É uma afirmação verdadeira e falsa ao mesmo tempo. É certo que os idiotas dos editores portugueses nunca conseguiram perceber devidamente o conceito de livro de bolso, mas também nunca perceberam o conceito da edição de luxo. Em geral ficam-se pelo incómodo formato ligeiramente maior que A5 e com capas que nem são moles nem são rijas. Saem caras ao zé povinho e não ficam bem nas estantes de palacetes da Lapa.
Agora está metade do mundo pronto para os eReaders que serão sem dúvida para a edição de livros o que o iPod tem sido para a ediçao de música. É o livro de bolso a tornar-se obsoleto.
Sendo uma Editora digna desse nome, a Penguin, peregrina mundial do formato do livro de bolso, já está a disponibilizar grande parte do seu catálogo em formato digital. Mas, como não são de todo idiotas, o ano passado fizeram a sua primeira experiência no que se prevê vir a ser o outro lado do futuro do livro: a edição de luxo. Convidaram Designers para conceber edições limitadas e numeradas vendidas a preço de ouro (cerca de 180 euros cada exemplar).



Isto sim é perceber a mente de quem gosta de livros. Para um amante de livros só há dois tipos de edição que contam: a Descartável, capaz de ir para todo o lado e a Venerável, capaz de fazer justiça à preciosidade das palavras que contém.

Assim de repente não me lembro de nenhuma editora portuguesa que tenha percebido que a Bíblia é o fenómeno editorial mais digno de ser estudado.

PS - A edição da Penguin de "O idiota" é de génio. Aprendam, editores idiotas!!

Trilha sonora para manha de verao

Eis uma pequena lista de canções que fiz para complementar o espremer de laranjas para o pequeno almoço, o andar descalço e em cuecas pela casa, e o espalhar bronzeador pelo corpo antes de ir para a praia.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Vicio


Estes tipos vão a Madrid em Setembro. Ninguém os traz a Lisboa?

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Vendem-se




Têm um metro de largura.

Pintor de Domingo (2)


Usou-se o fim de semana para fazer isto. Também comi noodles (num restaurante). E fiz um bolo (em casa). O marido limpou o forno depois, bendito seja. Só resmungou um bocadinho.

sábado, 7 de julho de 2007

Obituario inesquecivel

"Count Gottfried von Bismarck, who was found dead on Monday aged 44, was a louche German aristocrat with a multi-faceted history as a pleasure-seeking heroin addict, hell-raising alcoholic, flamboyant waster and a reckless and extravagant host of homosexual orgies."

Assim começa o obituário mais boémio e decadente de todos os tempos, publicado recentemente no The Daily Telegraph. Podem lê-lo todo clicando no link do titulo deste post. É um pedaço de prosa imperdível, acreditem. Oscar Wilde e Bret Easton Ellis não conseguiriam escrever nada melhor.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Sonho de uma tarde no meio do verao


É claro que faltam as cebolas, o alho, os coentros, os jalapeños, o tomate, o azeite e o sumo de lima... mas basicamente, guacamole é isto.

sábado, 30 de junho de 2007

O talento dos amigos


O filme "Seahorses" do meu amigo Rahman Milani, a sua primeira longa metragem, teve direito a uma muito positiva crítica no jornal Variety (link no titulo do post). Rebento de orgulho porque sei o quanto lhe custou fazer o filme. Dedos cruzados para que passe num festival em Portugal.
O filme conta a história de Mina, uma menina que, depois da morte da sua mãe, vai viver com o seu pai biológico Babak (interpretado pelo próprio Rahman) um iraniano gay, e o seu companheiro alemão Paul.

Mata e Esfola em: "Chili Chipotle"

sexta-feira, 29 de junho de 2007

ouvir os Eurythmics

Estas grandes compilações que nos permitem espreitar para os quintais, sotãos, caves e arrecadações de uma banda conseguem por vezes revelar-nos a sua verdadeira grandeza. Eu sempre tinha visto os Eurythmics como uma daquelas bandas em que só interessavam 3 músicas por album. E na verdade são. Mas os seus restos descartados têm um encanto de experimentalismo pop absolutamente surpreendente. Estou fascinado pelas versões de Satellite of love (Lou Reed), Fame (David Bowie), Hello I Love you (Doors), Come together (Beatles), Tous les Garçons et les filles (de gajo françês cujo nome não sei, pardon).
E as versões acústicas ao vivo são prova de que uma grande canção é sempre uma grande canção.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Recorte de Imprensa

Diana Schmertz, uma pintora nova-iorquina que dirige uma pequena revista de artes plásticas (Perfect 8) referiu o meu trabalho num artigo em que se interroga sobre o papel do modelo na interpretação da obra de arte. Podem ler o artigo clicando no título deste post e depois uma visita a www.dianaschmertz.com também é um momento bem passado.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Entre as malhas do sistema


Isto não é de modo nenhum uma queixa, mas algo de estranho se passou... Por motivos burocráticos sou obrigado a usar a loja norueguesa do iTunes em vez da portuguesa. Em termos práticos quer isto dizer que posso comprar mais música escandinava mas que com a história dos câmbios pago 10,4 euros por album em vez dos 9,9 euros que se paga em Portugal (mas podia ser pior - os ingleses pagam 14!). Hoje enquanto abanava a carola ao som de Sweet Dreams, o sempre atento iTunes lembrou-se de me recomendar a colectânea "Boxed" que inclui todos os singles dos excelentíssimos Eurythmics remasterizados, lados b, versões raras, versões ao vivo, remixes e o diabo a quatro. Um total de mais de 120 canções... pelo preço de um album normal!
10 euros por 120 canções - ou algum estagiário fez burrada a inserir o disco na loja ou os Eurythmics são uns tipos muito porreiros, amigos cá da malta.
Uma pesquisa pelas diferentes lojas iTunes mostra-me que esta colectânea não está disponível nem em Portugal nem nos EUA mas que o mesmo "erro" aconteceu por exemplo no UK e na Alemanha (onde aliás a pechincha é maior, a 9,9 euros). Quem gostar de Eurythmics e conseguir acesso às lojas iTunes que vendem esta caixa, aproveite. A caixa "real" na amazon custa cerca de 93 euros.
Oh, como eu gosto de uma pechincha!

UPDATE - ok, foi mesmo erro do sistema, hoje a loja do iTunes já tinha dado pela asneira e o preço foi actualizado de 80 coroas para 480! Já estou mesmo a ver a Annie Lennox a puxar as orelhas a alguém lá na Apple. O mundo é injusto, mas quer-me parecer que esta foi a primeira vez que foi injusto a meu favor. Acho que vou tricotar um cachecol para a Annie em compensação...

E para quem já se esqueceu de como os Eurythmics podiam ser geniais, aqui fica uma das suas grandes canções (e um dos seus videos mais ranhosos, mas enfim...)

The Mary Onettes

É sempre bom saber que houve gente que ouviu muito New Order e Echo and the bunnyman durante os anos 80. Pelo menos eu e os The Mary Onettes.
Soam tanto ao meu verão de 1989!

(link myspace no titulo do post)

segunda-feira, 25 de junho de 2007

ainda sobre Madrid

4 dias de mimo (que eu merecia).

Concerto do Rufus Wainwright - O album novo não me anima especialmente mas o homem está cada vez melhor ao vivo. Final transvestido e translumbrante. (As t-shirts da tourné eram bem giras, mas 25 euros?! O bilhete do concerto custava 20! porque raio tem de ser o recuerdo mais caro que a coisa em si? Ainda se fosse uma colcha ou um atoalhado...)

Cafés Starbucks - muito gosto eu dos frappucinos e dos moccas de chocolate branco. Ainda bem que não existem em Portugal!

Peça da autoria do amigo - ver post anterior

Paella da autoria do amigo - e eu nem gosto de lulas!... Mas calei-me, comi e gostei.

Museu do Prado - Viva a entrada grátis aos domingos. Uma rapidinha para (re)ver Ribera, Goya e Bosch (ou el bosco, para os monoliticos espanhóis que só sabem pôr plaquinhas e textos em castelhano)

Fnac - onde descobri as novas edições super-design de luxo da penguin que vêm dentro de umas caixinhas de acrílico que é para não se tocar na obra de arte. Babei-me todo com a edição de Crime e Castigo em papel kraft.

Esplanadas de sitios xungas - onde me roubaram 6 euros por uma coca-cola e uma água quando o que eu queria era só uma desculpa para usar a casa de banho e descansar as cruzes.

Chueca pride - Onde se atravessa a rua assim:


E um dos meus quadros encontrou um novo lar. Está bem entregue. Adios mi niño!

Porque querem os homens ser pais?


Lá faltei a mais um arraial e marcha, desta vez para ir a Madrid visitar amigos e ainda apanhar as últimas representações da peça escrita por um deles (Gabriel Olivares). "El dia del padre" é uma simples e despertenciosa comédia de situação mas tem a mais valia de pôr debaixo do microscópio (quase literalmente) a competitividade entre homens, o seu instinto paternal e a sua relação com o esperma (e formas de o obter e utilizar). É refrescante ver uma comédia que se debruça exclusivamente sobre o universo masculino e o desejo de paternidade.
Com muito orgulho (embora sem marcha) posso já anunciar que esta peça escrita pelo Gabriel foi comprada por um produtor português e provavelmente terá a sua estreia lisboeta no final deste ano no Teatro (ex-cinema) Mundial. Lembrem-se de ir - é divertimento garantido e nem precisam de deixar o cérebro em casa.

terça-feira, 19 de junho de 2007

Em Dezembro


É claro que o filme não há-de ser melhor que o livro (que é uma obra prima) mas o filme tem o rabo do Daniel Craig que, mesmo só visto de relance por 1/4 de segundo e dentro de umas calças de sarja castanha neste trailer, steals the show por completo. Quem precisa de efeitos especiais?

segunda-feira, 18 de junho de 2007

4 estaçoes

http://www.hahakid.net/forallseasons/forallseasons.html

4 belos momentos de arte do computador. Vale a pena usar uns minutos a mexer nestes ambientes tipográficos.

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Obrigado CML!

Numa altura em que toda a gente só consegue encontrar defeitos e problemas na CML aqui vai um post contra a corrente:

Não sei de quem é a responsabilidade, mas como morador de rua pitoresca em bairro tipico de Lisboa, gostaria de agradecer à CML por hoje às 7 da manhã a minha rua já estar varrida e lavada, sem qualquer rasto da noite de deboche alcoolico que o santo patrocina anualmente. É o primeiro ano em que nem sequer dei pelo mijo, vómito, garrafas partidas e amontoados de copos de plástico que normalmente ficam como lembrança de uma noite bem passada pelos milhares de cidadãos que vêm apreciar o que de melhor esta parte da cidade tem para oferecer.
Voltem sempre! (os senhores do lixo e da mangueira da CML)

PS- Já agora, não querem aproveitar essa pica toda para finalmente desentupirem as sarjetas da rua como deve ser?

segunda-feira, 11 de junho de 2007

A magia das cidades vazias

Lisboa
num fim de semana entre feriados. Sábado de manhã. Apenas os pássaros a gritarem para as pedras das calçadas antigas do bairro do castelo. Uma aragem fresca antes de um dia ardente como quem suspirasse antes de voltar a uma resignação antiga.

Berlim
a altas horas da noite num dia de semana. As largas avenidas mal iluminadas de tão largas que são. A sensação de que talvez nunca ninguém voltará a acordar, nem sequer o sol. E de que isso não importa lá muito.

Oslo
a primeira neve do ano a cobrir os passeios e as ruas, intocada por pneus ou sapatos. A noite transformada num grande segredo branco. O mais precioso e absoluto silêncio.

Oaxaca
o sol implacável do meio dia num rua lateral e proletária que parece não ir terminar nunca nem ter transversais. Seguir os cães na esperança de encontrar gente. Saber que não se pertence mas ser dono de tudo.

...

É bem provavel que só se conheça a verdadeira natureza de uma cidade quando a vemos despida dos seus habitantes.

quinta-feira, 31 de maio de 2007

Woke on a Whaleheart - A Colcha


Inspirado pela capa do disco do Bill Callahan (ver post mais abaixo), eis o esquema cromático para uma colcha.
Que bem que isto ficaria no meu quarto! Esta gente da música devia pensar em merchandising mais criativo. T-shirts e posters são coisas tão adolescentes! Nós trintões somos bem capazes de ir a um concerto do Bill e voltar com uma colcha e um jogo de lençóis. E o dinheirão que ele não faria numa tourné espanhola se vendesse toalhões turcos?

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Por Encomenda

Aqui há tempos recebi um email de William Maltese, um escritor americano de gay pulp fiction. Embora desconhecendo por completo a sua obra de escritor, ele conhecia muito bem a minha de pintor (viva la internet!).
O William não desvenda a sua idade (e educadamente, não se pergunta) mas, tendo entrado numa fase mais nostálgica e endinheirada da sua vida, resolveu pedir a uns quantos artistas que interpretassem visualmente uma fotografia sua tirada nos anos 70. Assim foi que me chegou esta encomenda, "fazer" um William Maltese.
Embora um pouco céptico a principio (eu nunca tinha feito um "retrato") acabei por ficar bastante satisfeito com o resultado e o retratado também.
Voilá!

Acabei com um William de corpo oco, mas com uma energia interior brilhante (no original, a parte do brilho tem uns toques de tinta dourada que tornam os reflexos mais divertidos). O título ficou "Inner Will".

Quem quiser conhecer um pouco melhor o William e a sua obra literária pode carregar no título deste post.
Quem quiser o seu retrato pintado por mim pode enviar-me um email com foto de si nu e pedir orçamento. (quem quiser simplesmente mandar a foto de si nu também está à vontade)

domingo, 20 de maio de 2007

"Well, I could tell you about the river, or we could just get in"

Como diz Bill Callahan logo na primeira canção do album "Woke on a whaleheart": Eu podia falar-te do rio, ou podiamos simplesmente entrar nele. Do mesmo modo, eu podia estar para aqui a gastar palavras acerca desta deliciosa colecção de canções... mas mais vale que vocês as ouçam.

domingo, 13 de maio de 2007

Pintor de Domingo

Imagina que descalcei o sapato e agora não o consigo enfiar

Fui ao teatro a convite da minha vizinha (que entra na peça). Saí de lá cheio de vontade de a recomendar aos amigos e contente por descobrir os textos de Teresa Rita Lopes.

Ide!

Imagina que descalcei o sapato e agora não o consigo enfiar
Quinta a Domingo no Teatro da Comuna - Sala Novas Tendências. Até 10 de Junho.
"IA partir do livro "Coisas de Mulheres... e de Homens!" Uma peça composta por vários monodiálogos, como Teresa Rita Lopes, a sua autora, os define. Reconstruções de momentos um dia qualquer que nasce carregado de projectos que percorrem uma lógica do absurdo e que conduzem normalmente ao desastre ou a novos rumos para a vida. Amor, nostalgia, (com)paixão, poesia do absurdo das coisas de mulheres e de homens que são também e talvez as coisas de cada um de nós. "

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Jeans team

É possível fazer um vídeo mais alemão do que este? Puro amor nerd pela máquina. Pequena banda, grande canção. Pequeno orçamento, grande video.

Edie Brickell


Ontem o meu iPod recordou-me a Edie Brickell e deu-me tantas saudades de 1990 (o ano do album Ghost of a Dog) que resolvi ir saber o que era feito desta senhora de quem não ouvia nada há tanto tempo. Pelo site www.ediebrickell.com ficamos a saber que continua a desenhar (os canitos deste post são dela) e a fazer bonitas canções, algumas das quais podem ser baixadas gratuitamente do site. Vale a visita!

terça-feira, 8 de maio de 2007

Memorias de Istanbul 2


- Polícias patrulhando as ruas de braço dado. Polícias de metralhadora. Polícias quase sempre em grupos de 4 ou mais.

- Gente sempre pronta a sorrir.

- A interminável nuvem de poluição que cobre a cidade como um manto. As plantas verdejantes, milhares de tulipas e amores perfeitos.

- As espantosas semelhanças visuais entre Istanbul e Oslo.

- As casa de madeira de Sultanhamet e ao longo do Bósforo

- Comer Simit ao pequeno almoço (pão em rosca coberto de sementes de sésamo)

- Vendedores ambulantes que vendem de tudo. Os de comida mais exótica que vendiam pepino descascado na hora ou mexilhões com sumo de limão. ("Ora aqui vou eu a andar na rua com fominha, deixa-me lá comer um mexilhão/pepino para me aguentar até ao almoço"...!!!!)

- Pouquíssimos pedites e quase todos estrangeiros. Os locais têm sempre qualquer coisa para vender.

- Uma cidade turbulenta, imprevisível, belíssima, feíssima, que cheira bem, está cheia de pó, cheia de gente, a explodir de vida. Há sítios do mundo onde se aprende a aceitar todos os defeitos da humanidade e a amá-la incondicionalmente.

Rodopio mistico







Memorias de Istanbul


- O momento em que, em todas as mesquitas da cidade, os altifalantes começam a chamar para a oração. Volume no máximo com a qualidade de rádio a pilhas e tudo desincronizados a dar um efeito de fuga ou motete.

- Gatos em todo o lado. Se eu fosse gato queria morar em Istanbul numa loja de tapetes.


- O caos. A mistura de gente e culturas.

- As lojas que vendem joysticks para playstation, leitores de DVDs e pistolas (das verdadeiras)


- Os pescadores na ponte Galata a apanhar um peixinho de vez em quando. Um pescador numa aldeia do Bósforo que tinha vários anzóis na linha e enquanto dava duas passas no cigarro apanhava 6 peixes. Um cigarro deu para cerca de 15 peixes.


- Os dervishes rodopiantes. Alguns são dotados e elegantes, outros têm a graciosidade do Corcunda de Notre-Dame. Quando parados não dá para adivinhar quem rodopia bem ou mal. Há dervishes muito sexy. Toda a cerimónia é de facto religiosa e não tem especial característica de espectáculo. É incómodo observar pessoas em transe.

- Um kebap bem feito pode ser uma obra de arte culinária.

- Fazer compras no bazar das especiarias logo de manhãzinha enquanto os turistas ainda estão a ver museus.


- Compreender que qualquer nacionalidade, quando representada por um grupo excursionista, só tem defeitos e nenhuma virtude.

- O Bazar do livros onde o Corão é vendido entre manuais de linguagens de programação informática


- O tráfego de ferries e barcos no bósforo, quase tão caótico como o das ruas da cidade

- Os milhares de cafés e restaurantes, muitos em terraços com vista

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Relatorio IndieLisboa 6

27 de abril
BIG BANG LOVE, JUVENILE A de Miike Takashi

A banhada do ano. 2 horas da minha vida completamente perdidas.
Enfim, acontece...

- E o senhor, o que vai tomar?
-Era uma amnésia, se faz favor!

Melhor "boca" do IndieLisboa

Ouvido numa sala de cinema antes do filme começar:
"O Electroma dos Daft Punk é assim como que uma mistura do Blade Runner com o "Olhó Robot" da Lena d'àgua"

relatorio IndieLisboa 5

26 de Abril
LA ANTENA de Esteban Sapir

É refrescante quando um filme nos surpreende por conseguir homenagear visualmente dezenas de outros filmes ao mesmo tempo que consegue manter uma unidade visual única, inventiva, e belíssima. Junte-se a isso uma fábula de um onirismo inteligente e de intervenção politica e... que mais se pode pedir de um filme?
É uma homenagem aos clássicos que consegue ser quase um clássico instantâneo por si só. A verdadeira arte é isto: artificialismo total com humanismo tocante e inteligencia provocadora.
Imperdível!
(volta a passar sábado 28 pelas 15h15 no King 3)

quinta-feira, 26 de abril de 2007

relatorio IndieLisboa 4

25 de Abril
THE HOTTEST STATE de Ethan Hawke + ANALOG DAYS de Mike Ott

Uma tarde passada na América profunda. Ethan Hawke a passear-se por Nova Iorque, Texas e México (sim, o México dos Americanos - e eu tenho esta teoria de que o verdadeiro sonho americano é assaltar um banco e fugir para o México...). Mike Ott a fixar o olhar sobre uma cidadezinha cujo nome não me lembro mas também não interessa.
A virtude dos americanos é que conseguem quase sempre fazer filmes competentes sem tédio visual. O seu grande defeito é que tendem quase sempre a deixar-nos uma sensação de inconsequência descartável. Nem Hawke nem Ott nos dizem nada que não soubessemos já acerca da america e dos americanos, ou dos homens e das mulheres, dos adolescentes e das adolescentas.

Hawke pareceu-me apaixonado demais pela sua própria história (é uma adaptação do seu romance) e o filme podia beneficiar bastante de um corte de 15 minutos. Mas tem bons diálogos a balançar entre o pseudo-erudito e a psicologia-farinha-amparo sem nunca se comprometer. E uma luminosa Laura Linney a dar credibilidade a diálogos que podiam ser o calcanhar de Aquiles do filme mas que acabam por se transformar nos seus momentos de maior frescura e luz.
É um filme de gaja (ai a nossa relação, como foi, como é como vai ser. Eu amo-te, tu não me amas, afinal amamo-nos mas não fomos feitos para ficar juntos....aaaaaaaarrrrrgggghhhh!!!), com todos o ingredientes para poder ser um desastre (a banda sonora deve ser um horror ouvida fora de contexto) mas que, milagrosamente, funciona bem. Mas é como aquelas piscinas rasas que parecem muito fundas. Ok para nadar, mas desapontante para quem quiser dar mergulhos.

Quanto a Analog Days, descreve bem a vida de quatro adolescentes angustiados por viverem na America profunda e terem um bocadito de cérebro. Mas o filme não vai a lado nenhum porque as personagens são realisticamente apáticas. Dentro do género, Ghost World conseguia muito mais,embora eu continua a achar que aquele autocarro não devia ter vindo... Nesse aspecto talvez seja mais interessante o final de Analog days, com o seu corte face ao semáforo. Filme morno do princípio ao fim, com boa musica e cores curiosas. Realizador promissor (e muito simpático). O seu semáforo está verde, senhor Ott. Faça favor de avançar.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Relatorio IndieLisboa 3

FAY GRIM, de Hal Hartley - A sessão ajudou para perceber que tenho mesmo uma grande identificação com o senhor Hal Hartley. Se me pedissem para falar a um São Jorge cheio de fãs (e salpicado de artistas) provavelmente também diria apenas meia dúzia de generalidades atrapalhadas com uma tentativa de piada coxa pelo meio.
Quanto ao filme... não é bom. Mas também não é mau. Se fosse de outro autor provavelmente ficaria na total indiferença, assim, serviu apenas para matar saudades. Vá fazer outro filme, senhor Hartley, e depois logo falamos.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

Erik Enocksson - a banda sonora de Falkenberg Farewell

Um filme excelente pode dever bastante a uma excelente banda sonora. É o caso de Falkenberg Farewell. Erik Enockson fez um trabalho musical notável que apetece comprar em http://www.kningdisk.com (apenas 999 cópias feitas à mão)

Prevejo que daqui a uns meses toda a fauna jovem indie deprimida ande a ouvir isto enquanto espera por um novo album dos Sigur Rós. Mas cliquem no titulo deste post para se adiantarem à onda e ajudar ao inevitável hype: o compositor deixa baixar gratuitamente três musiquinhas na sua página do myspace. Bendito seja, ainda há gente a merecer o céu!

Adios!

Tinha 1m de diâmetro. Foi viver para Espanha.
O único consolo de vender os filhos é saber que ficam nas mãos de quem também os ama.

Relatorio IndieLisboa 2

Sessões de domingo 22

A SCANNER DARKLY de Richard Linklater é uma experiencia curiosa de adaptação para cinema de uma novela de Philip K. Dick em que a transformação de imagem real em animação faz todo o sentido. Ainda assim, mesmo sem ter lido o livro, fico com a certeza que só pode ser melhor que o filme.

FALKEBERG FAREWELL, de Jesper Ganslandt, foi a revelação de uma pequena obra-prima. Uma pérola de sensibilidade e ousadia cinematográfica. Por mim, pode já ganhar os prémios todos do festival. Ponham louros na cabeça do realizador, chamem as atiradoras de pétalas de rosa e estendam-lhe a passadeira para o pódium.
Oh, que maravilha de filme!!!

Volta a passar terça 24 às 18h45 no São Jorge. (E, se houver justiça, no dia dos filmes premiados!)

domingo, 22 de abril de 2007

relatorio indie 1

Ao fim do terceiro dia de indie, ainda com pouca coisa vista, posso opinar que:
O filme de abertura, LIFE IN LOOPS, desiludiu-me bastante, talvez porque estava à espera de algo cinematograficamente mais radical. Mas afinal o realizador deixa-se levar pela força emotiva e narrativa das imagens originais de Michael Glawogger e mostra-se incapaz de as "quebrar" para as transformar em algo novo e seu.

a Sessão 1 de curtas metragens do Observatório foi bastante equilibrada na qualidade. Destaque para o delicioso "The saddest boy in the world" e para a perturbação psicológica de "Five more minutes" (dêm dinheiro a estas realizadoras para comprarem um bom equipamento de captação sonora, sff!)

V.O., de William E. Jones foi uma boa surpresa. O filme mistura imagens de filmes porno gay pré 1985 com diálogos de clássicos do cinema e suponho que só pode ser completamente apreciado se se perceber um pouco do submundo da pornografia gay e da história do cinema. Mas ver um tipo saído de um desenho do Tom of Finland, a fazer as malas (com as suas camisas de flanela e poppers) para deixar o seu amante ao som de um monologo tirado de "Amor de Perdição" de Manoel de Oliveira é hilariante, comovente e imperdível. Claro que em vez de uma hora de filme, 30 minutos teriam sido mais que suficientes para um exercício sem dúvida interessante mas com resultados de qualidade muito flutuante.

Angel, de François Ozon foi ao mesmo tempo uma divertida surpresa e uma previsível decepção. É uma pomposa e delicodoce adaptação de um romance escrito por Elisabeth Taylor (não a actriz!) e a sua grande ironia consiste em não ser irónico.
É talvez o equivalente cinematográfico às estátuas de porcelana de Jeff Koons. É raro ver coisas más tão bem feitas.
A maioria dos artistas fascinados pelo kitsch prefere recorrer a um distanciamento cool e fazer uso de material ready-made. Mas quando mergulham na fonte tão decididamente e, a partir do barro primordial da fuleirice, usam as suas talentosas mãos para criar um virtuoso mas absolutamente inútil bibelot biscuit... é assustador!
O filme atira-nos à cara o "feminino" no que pode ter de mais castrador e é capaz de provocar ataques de misoginia ao espectador incauto. Fica-se indeciso se o filme é de romance ou de terror. Um filme destes vindo de outra pessoa que não Ozon seria sem hesitação classificado como "uma grande bosta cor de rosa". Mas o "bom nome" do senhor Ozon leva-nos a pensar que se calhar isto é uma das obras de arte mais brilhantemente fechadas dentro do seu próprio universo, como uma pescadinha (de porcelana) que se comesse a si mesma pelo rabo (enquanto caga em cor-de-rosa).

domingo, 15 de abril de 2007

Aperitivos para o IndieLisboa - 13

Floripes de Miguel Gonçalves Mendes
25 Abril, 22h15, Fórum Lisboa ● 27 Abril, 21h15, Londres 2
Acho que vou ver este filme só para ouvir "olhanense"...
Môços e môças: vaiam a ver este filme que é de almariar!

terça-feira, 10 de abril de 2007

o que ha de gay no indielisboa?

LE DERNIER DES FOUS
Laurent Achard, fic., França, 2006, 96’
20, sexta, 22h00, King 1 • 22, domingo, 17h45, King 3 • 26, quinta, 16h00, King 1
Achard transporta-nos para a vida de uma família na sua quinta em decadência, à semelhança da própria estrutura familiar. Martin, um rapaz de 11 anos, assiste impotente à falência da família. Separada do mundo que a rodeia, a mãe vive fechada no quarto. O irmão mais velho, que ele adora, afoga as mágoas em álcool. O pai, é um espectador impotente do declínio da família. Nenhum dos membros parece “tecnicamente” louco, mas anos de desespero e o vazio existencial levam-nos à verdadeira tragédia da decadência desta família: a sua incapacidade de comunicar. Uma brilhante viagem pelo caminho sem retorno que esta família percorre num trágico e quente Verão.

Competição Curtas 6 89’
24, TERÇA, 18H15, KING 2 • 27, SEXTA, 00H15, KING 2
BUGCRUSH: Ben, que vive numa pequena cidade, começa a descobrir a sexualidade, mas esse não se revela um caminho fácil. Até ao dia em que conhece Grant, um rapaz fascinante que o vai conduzir até um mundo onde a alucinação se mistura com o sexo...

BIG BANG LOVE, JUVENILE A
Miike Takashi, fic., Japão, 2006, 85’
27, Sexta, 19h15, São Jorge 1
Ousado e profundamente emotivo, este filme irá certamente surpreender os fãs do trabalho de Takashi Miike e prender a atenção de todos os que procuram novas e introspectivas formas de contar histórias. Apesar da sua já vasta filmografia, o realizador continua a surpreender-nos. Mais uma vez actores e audiência são guiados através do labirinto da sua filosofia visionária. Enigmático e visualmente hipnotizante, BIG BANG LOVE, JUVENILE A capta a essência do universo moral de Takashi Miike como uma espécie de pedra preciosa rara, que brilha com uma intensidade ofuscante.

SHORTBUS
John Cameron Mitchell, fic., EUA, 2006, 102’
26, Quinta, 21h45, São Jorge 1
Várias personagens com algo em comum: uma vida emocional e sexual insatisfatória. Uma viagem, ao mesmo tempo trágica e cómica, pelos meandros de um bar especial. Uma terapeuta sexual que nunca teve um orgasmo, uma dominadora que não consegue manter relacionamentos, um casal gay que tenta decidir se deve ou não manter uma relação mais liberal, e as pessoas que entram e saem nas suas vidas. John Cameron Mitchell junta-os numa festa semanal chamada Shortbus, uma louca mistura de arte, música, política e de diversos desejos e fantasias sexuais. Um filme que aborda, com uma espantosa frontalidade, as novas formas de conciliar o racional com os prazeres da carne e as necessidades imperativas do coração. Uma interessante e franca abordagem à psique humana das novas gerações, no contexto das grandes cidades.

Observatório Curtas 3 87’
21, Sábado, 21h45, KING 2 • 23, Segunda, 15h30, KING 2
I JUST WANTED TO BE SOMEBODY responde-nos à pergunta: o que é que o direito religioso e o movimento de liberdade gay têm em comum? Ambos foram fortalecidos pelos esforços de uma mulher: Anita Bryant.

DESTRICTED
Sam Taylor-Wood, Richard Prince, Larry Clark, Matthew Barney, Marco Brambilla, Gaspar Noe, Marina Abramovic exp., Reino Unido/EUA, 2006, 115’
20, Sexta, 22h15, Fórum Lisboa • 28, Sábado, 22h15, Fórum Lisboa
Sete notáveis e aclamados artistas foram convidados a realizar curtas-metragens que espelhassem as suas visões sobre sexo e pornografia. O resultado é uma colecção de argumentos estimulantes e provocadores, livres de censura, com humor e apelo sexual. • Sync (Marco Brambilla) mostra um frenético exercício de montagem que alinha imagens de diversos filmes pornográficos, ao ritmo de um solo de bateria. • Death Valley (Sam Taylor-Wood) é a curta aparentemente mais simples, mas a sua crueza convida a diversas reflexões. • House Call (Richard Prince) transporta-nos para os anos dourados dos vídeos pornográficos, numa altura em que a pornografia no cinema ainda era tabu. • Balkan Erotic Epic (Marina Abramovic) relata com um humor desarmante os mitos sobre a fertilidade e a virilidade nos Balcãs. • Hoist (Matthew Barney) começa com um tractor transformado em carro alegórico para o Carnaval da Baía. Debaixo do tractor içado, um homem com o corpo repleto do que parecem ser pinturas tribais “lubrifica” o eixo com o seu próprio pénis. • We Fuck Alone (Gaspar Noé) : uma rapariga e um rapaz, em quartos diferentes, assistem ao mesmo filme pornográfico enquanto se masturbam. A abordagem quase iconoclasta faz com este acto tanto pareça sadio (rapariga) como doentio (rapaz). • Impaled (Larry Clark) faz um relato semi-documental de como o acesso fácil à pornografia determina os desejos da geração dos anos 80. Vários jovens entre os 19 e os 23 anos são convidados a falarem da sua experiência com a pornografia e das suas fantasias sexuais.

VIVA
Anna Biller, fic., EUA, 2007, 120’
21, Sábado, 00h30, KING 1 • 25, Quarta, 21h45, São Jorge 1
Viva conta as aventuras de uma dona de casa entediada que vai viver a revolução sexual que acontece na Califórnia, por volta de 1970. O filme tem muitas qualidades e encantos, que derivam em grande parte da forma exótica como foi pensado, com grande atenção aos detalhes (repare-se nos décors ultra coloridos, nos penteados e roupas). A realizadora passou alguns anos a coleccionar as roupas e adereços mais bizarros que encontrava. Os corpos dos actores fogem aos padrões actuais de beleza, também eles são exuberantes nas formas. Recriando o look dos filmes eróticos dos anos 70, Biller recorre a uma original e divertida forma para nos mostrar como tem sido retratada, ao longo dos últimos quarenta anos, a moralidade sexual e a liberdade feminina, pelos media, pela arte e pelo cinema. Irresistivelmente kitsch e camp, VIVA é merecedor do culto prestado aos mais loucos filmes de Russ Meyer e de John Waters.

V. O.
William E. Jones, exp., EUA, 2006, 59’
21, Sábado, 18h45, São Jorge 3 • 24, Terça, 23h30, São Jorge 3
V.O. combina imagens de filmes pornográficos homossexuais produzidos antes de 1985 com os diálogos de grandes clássicos da história do cinema, tais como “La Chienne” de Jean Renoir, “Los Olvidados” de Luis Buñuel, “Society of Spectacle” de Guy Debord e “Amor de Perdição” de Manoel de Oliveira. As colisões resultantes - por vezes cómicas, normalmente melancólicas - prestam tributo a uma época passada, não apenas da vida “gay”, mas também da cinefilia.

I DON’T WANT TO SLEEP ALONE
Tsai Ming-Liang, fic., Taiwan/França, 2006, 118’
26, Quinta, 19h00, Fórum Lisboa
Tsai Ming-liang, um dos mais conceituados realizadores de Taiwan, filmou este seu último filme na Malásia, país onde estão as suas origens. Rodado em diversos locais de Kuala Lumpur, a história centra-se nas divisões étnicas que existem naquela sociedade. A lembrar um pouco a história do “bom samaritano”, a personagem principal é um emigrante do Bangladesh, que vive miseravelmente mas mesmo assim compadece-se de um chinês que foi espancado e abandonado no meio da rua, e cuida dele. Quando este está praticamente recuperado conhece uma empregada de mesa, e a sua relação com o homem que cuidou dele vai ser posta à prova... Uma história sombria e carregada de desejos perversos que, apesar da sua quase dantesca abordagem, tem como base e fio condutor a emigração e a segregação a que os imigrantes estão sujeitos.

domingo, 1 de abril de 2007

Aperitivos para o IndieLisboa - 12

O trailer da coisa em si

aperitivos para o IndieLisboa - 11

ANGEL, de François Ozon
21 de Abril, Sábado, 21h45, São Jorge 1