Hoje passei o dia a ouvir Smog enquanto trabalhava. Depois resolvi ser mais indolente e procurar as letras das minhas canções favoritas para incrementar o iPod.
Aqui se recolhem algumas pérolas:
de "Drinking at the dam":
For the first part of my life
I thought women had orange skin
It was the first part of my life
Second is the rest
de "Running the loping":
Oh to live in the country
With a chicken and those other things
de "to be of use":
Most of my fantasies are of
Making someone else come
Most of my fantasies are of
To be of use
de "Strayed":
Well I never thought I'd be
One of those men
With pin-ups on their wall
For all to see
I thought that was just mechanics
de "dress sexy at my funeral":
Dress sexy at my funeral my good wife
And when it comes your turn to speak before the crowd
Tell them about the time we did it
On the beach with fireworks above us
quarta-feira, 26 de julho de 2006
segunda-feira, 24 de julho de 2006
O millet
Hoje fiz um desvio no caminho para o supermercado e entrei no Celeiro para comprar pão. Já eram 6 horas e nas padarias já só havia carcaças (o pão com o nome mais correcto do mundo porque de facto sabe a pão morto mesmo quando acabadinho de sair do forno). Aproveitei para me aventurar numas coisas novas e comprei manteiga de sésamo (ainda não sei se gosto) e comprei millet (O cereal. Eu só conhecia o pintor).
Segundo a internet "Millet is one of the oldest foods known to humans and possibly the first cereal grain to be used for domestic purposes". Curiosamente, eu vivi os meus 32 anos sem saber isto.
Segui as instruções da embalagem, lavei os grãozinhos, dei uma leve fritura e cozi durante 20 minutos. Sabia um pouco a papas de milho e embora a água já tivesse sido toda chupada, achei que aquilo podia ter cozido mais tempo. Para salvar a refeição que aquilo ia acompanhar (uns lombinhos de porco com molho de maçã e rábano) resolvi juntar queijo roquefort às papas de millet. Foi bem pensado e funcionou mas de certeza que tripliquei o nível de colesterol da refeição.
Mais uma vez, segundo a internet, "The Hunzas, a people who live in a remote area of the Himalayan foothills and are known for their excellent health and longevity also enjoy millet as a staple in their diet." Acredito que sim, porque aquilo em estado puro tinha um sabor atrozmente saudável. Por outro lado, suponho que os Hunzas não afogam o seu millet em roquefort...
"research on millet and its food value is in its infancy and its potential vastly untapped." Digo o mesmo porque ainda tenho meio quilo de produto para usar em experiencias... até lá, decididamente gosto mais de roquefort do que de millet.
Segundo a internet "Millet is one of the oldest foods known to humans and possibly the first cereal grain to be used for domestic purposes". Curiosamente, eu vivi os meus 32 anos sem saber isto.
Segui as instruções da embalagem, lavei os grãozinhos, dei uma leve fritura e cozi durante 20 minutos. Sabia um pouco a papas de milho e embora a água já tivesse sido toda chupada, achei que aquilo podia ter cozido mais tempo. Para salvar a refeição que aquilo ia acompanhar (uns lombinhos de porco com molho de maçã e rábano) resolvi juntar queijo roquefort às papas de millet. Foi bem pensado e funcionou mas de certeza que tripliquei o nível de colesterol da refeição.
Mais uma vez, segundo a internet, "The Hunzas, a people who live in a remote area of the Himalayan foothills and are known for their excellent health and longevity also enjoy millet as a staple in their diet." Acredito que sim, porque aquilo em estado puro tinha um sabor atrozmente saudável. Por outro lado, suponho que os Hunzas não afogam o seu millet em roquefort...
"research on millet and its food value is in its infancy and its potential vastly untapped." Digo o mesmo porque ainda tenho meio quilo de produto para usar em experiencias... até lá, decididamente gosto mais de roquefort do que de millet.
mulheres a beira
Ontem aluguei o filme "Flightplan" só porque me estava a apetecer ver a Jodie Foster. Valeu a pena. A senhora tem mais uma excelente variação de actuação no modelo "estou-aqui-à-beira-do-colapso-nervoso-mas-estou-me-a-aguentar-dentro-do-possível".
(A propósito, quem também é muito boa nisso é a Mary McDonnell, se bem que se especializa mais no "se-me-tocares-com-um-dedo-desato-a-chorar" (ver Donnie Darko e Battlestar Galactica) enquanto que a Jodie é melhor no "se-me-tocares-com-um-dedo-eu-mordo" (ver Contacto e Panic Room))
Ainda me dei ao trabalho de ver os extras do DVD só para concluir que há muita gente a trabalhar (e bem!) em filmes que são uma grande pepinada. Mas recomenda-se, apesar de tudo. Só na ultima meia-hora é que o filme, que se estava a aguentar muito bem, se rende e admite que não sabe descalçar a bota onde enfiou (com bastante convicção e graciosidade) o pé. O final roça o patético.
O que, curiosamente, é o total oposto de outra boa pepinada da Jodie que é o "Nell". Que é patético desde o início mas que depois se sai com um grande final capaz de redimir duas horas de sentimentalismo barato.
Eu gosto da Jodie e da Mary.
(A propósito, quem também é muito boa nisso é a Mary McDonnell, se bem que se especializa mais no "se-me-tocares-com-um-dedo-desato-a-chorar" (ver Donnie Darko e Battlestar Galactica) enquanto que a Jodie é melhor no "se-me-tocares-com-um-dedo-eu-mordo" (ver Contacto e Panic Room))
Ainda me dei ao trabalho de ver os extras do DVD só para concluir que há muita gente a trabalhar (e bem!) em filmes que são uma grande pepinada. Mas recomenda-se, apesar de tudo. Só na ultima meia-hora é que o filme, que se estava a aguentar muito bem, se rende e admite que não sabe descalçar a bota onde enfiou (com bastante convicção e graciosidade) o pé. O final roça o patético.
O que, curiosamente, é o total oposto de outra boa pepinada da Jodie que é o "Nell". Que é patético desde o início mas que depois se sai com um grande final capaz de redimir duas horas de sentimentalismo barato.
Eu gosto da Jodie e da Mary.
domingo, 23 de julho de 2006
adulto
Já sou um homenzinho. De agora em diante passo a ter barba. Comprei finalmente uma daquelas maquinetas de cortar cabelo. Há mais de uma década que sofria com uma barba miserável e mal semeada que não se podia mostrar crescida e que quando usava a gillette me dava borbulhas para vários dias. Mas finalmente posso ter a barba sempre com este aspecto másculo (I want to believe) dos pelinhos uniformemente aparados a 3mm. O meu bigode quase se une ao resto da barba e quase consigo ter patilhas. Isto vai no bom caminho. Já era tempo de deixar de invejar o meu primo que começou logo a fazer a barba aos 11 anos e que, embora a faça todas as manhãs, ao meio-dia já consegue lixar a tinta das paredes.
São curiosas estas mudanças fisiológicas no corpo que envelhece. Felizmente, por enquanto só as vou notando ao nível piloso (de pêlo). As minhas entradas, que se começaram a manifestar logo aos 30, já vão por aqui adentro, criando uma linda península de cabelo ao cimo da testa que se ameaça tornar numa ilhota. É o meu maior terror. Eu não me importava de ser careca. Não tenho nada contra. Até acho sexy nos outros. Mas estes tufos que vão ficando para nos lembrar que a maré está irremediavelmente a descer são ridículos. Daí eu achar que a compra da maquineta de cortar cabelo foi um investimento para o futuro. As ilhotas só se safam com as palmeiras cortadas. No futuro, vejo-me com a barba a ligar ao cabelo nuns uniformes 3mm. A orla marítima é que é capaz de ter um desenho complexo.
Entretanto, parece que a falta de cabelo nas têmporas se deve à sua emigração para outro lado. Nomeadamente para as narinas, orelhas, peito, ombros e costas. Exacto! Aí mesmo onde faz imensa falta. Mas tudo bem, pinça eu já tinha para impedir as sobrancelhas de andarem de mãos dadas.
E depois... os cabelos brancos! São fascinantes e cheios de personalidade. Não lhes basta terem uma cor diferente do outros. Mesmo depois de dois esfreganços com gel na cabeleira, continuam em pé só para chamarem a atenção. Coitadinhos. Por enquanto ainda se sentem muito isolados. Um aqui, outro ali. É por isso que ainda faço uns desvios com a pinça no caminho entre a sobrancelha e a orelha.
É muito cansativo, isto de ser adulto.
Mas podia ser pior. Eu podia ser um wookie.

Moral da história: Olhar sempre para o lado luminoso da vida e continuar a brilhar como um diamante maluco.
São curiosas estas mudanças fisiológicas no corpo que envelhece. Felizmente, por enquanto só as vou notando ao nível piloso (de pêlo). As minhas entradas, que se começaram a manifestar logo aos 30, já vão por aqui adentro, criando uma linda península de cabelo ao cimo da testa que se ameaça tornar numa ilhota. É o meu maior terror. Eu não me importava de ser careca. Não tenho nada contra. Até acho sexy nos outros. Mas estes tufos que vão ficando para nos lembrar que a maré está irremediavelmente a descer são ridículos. Daí eu achar que a compra da maquineta de cortar cabelo foi um investimento para o futuro. As ilhotas só se safam com as palmeiras cortadas. No futuro, vejo-me com a barba a ligar ao cabelo nuns uniformes 3mm. A orla marítima é que é capaz de ter um desenho complexo.
Entretanto, parece que a falta de cabelo nas têmporas se deve à sua emigração para outro lado. Nomeadamente para as narinas, orelhas, peito, ombros e costas. Exacto! Aí mesmo onde faz imensa falta. Mas tudo bem, pinça eu já tinha para impedir as sobrancelhas de andarem de mãos dadas.
E depois... os cabelos brancos! São fascinantes e cheios de personalidade. Não lhes basta terem uma cor diferente do outros. Mesmo depois de dois esfreganços com gel na cabeleira, continuam em pé só para chamarem a atenção. Coitadinhos. Por enquanto ainda se sentem muito isolados. Um aqui, outro ali. É por isso que ainda faço uns desvios com a pinça no caminho entre a sobrancelha e a orelha.
É muito cansativo, isto de ser adulto.
Mas podia ser pior. Eu podia ser um wookie.

Moral da história: Olhar sempre para o lado luminoso da vida e continuar a brilhar como um diamante maluco.
quinta-feira, 20 de julho de 2006
123456789
Hoje fiz o meu primeiro sudoku.
Finalmente percebo o fascínio da coisa.
Eu tenho um problema com números. Até hoje continuo sem saber a tabuada de cor (claro que sei a dos 2 e dos 5, mas dos 6 prá frente só contando pelos dedos e fazendo umas adições complicadas.)
Tenho uma amiga minha que durante anos sonhou com uma espiral de números e acordava sempre aterrorizada por se ir aproximando do número no centro da espiral. Curou-se com sessões intensas de psicoterapia e um bocadito de hipnose, mas nunca chegou a saber qual era o número que a aterrorizava.
Eu da minha parte também tenho um sonho recorrente. Sempre que estou nervoso com um prazo de entrega, ou me sinto ansioso em relação á minha competência com qualquer coisa, sonho que alguém descobriu que durante o liceu faltei a todas as aulas de matemática, ou que passei a faculdade toda sem saber que o curso de belas-artes afinal tinha aulas de matemática e que tenho de as fazer para não me invalidarem o diploma.
Isto é tão comum e tão patético que até enquanto estou a ter estes sonhos já estou consciente do que querem dizer.
Foi por isso que demorei tanto tempo até me decidir a experimentar o sudoku. Mas hoje na casa de banho havia um jornal e uma caneta e acabei por ficar lá mais tempo do que o estritamente necessário. Aquilo dá mesmo pica. Há um momento mágico em que os numeros começam todos a encaixar e vai tudo a bater certo de enfiada. Melhor só rebentar bolhinhas nos plásticos das mudanças.
Ou borbulhas.
Com muito pus.
Finalmente percebo o fascínio da coisa.
Eu tenho um problema com números. Até hoje continuo sem saber a tabuada de cor (claro que sei a dos 2 e dos 5, mas dos 6 prá frente só contando pelos dedos e fazendo umas adições complicadas.)
Tenho uma amiga minha que durante anos sonhou com uma espiral de números e acordava sempre aterrorizada por se ir aproximando do número no centro da espiral. Curou-se com sessões intensas de psicoterapia e um bocadito de hipnose, mas nunca chegou a saber qual era o número que a aterrorizava.
Eu da minha parte também tenho um sonho recorrente. Sempre que estou nervoso com um prazo de entrega, ou me sinto ansioso em relação á minha competência com qualquer coisa, sonho que alguém descobriu que durante o liceu faltei a todas as aulas de matemática, ou que passei a faculdade toda sem saber que o curso de belas-artes afinal tinha aulas de matemática e que tenho de as fazer para não me invalidarem o diploma.
Isto é tão comum e tão patético que até enquanto estou a ter estes sonhos já estou consciente do que querem dizer.
Foi por isso que demorei tanto tempo até me decidir a experimentar o sudoku. Mas hoje na casa de banho havia um jornal e uma caneta e acabei por ficar lá mais tempo do que o estritamente necessário. Aquilo dá mesmo pica. Há um momento mágico em que os numeros começam todos a encaixar e vai tudo a bater certo de enfiada. Melhor só rebentar bolhinhas nos plásticos das mudanças.
Ou borbulhas.
Com muito pus.
quarta-feira, 19 de julho de 2006
os nomes dos bois
Uma das coisas mais tristes e divertidas que me foi acontecendo no ano em que o livro "Olhos de cão" foi editado, foi o modo como muita gente se sentiu à vontade para me falar sobre os escritores homossexuais portugueses.
É claro que isto aconteceu porque eu pus a palavra "homossexual" no texto da contracapa e não fiz mistério nenhum a explicar que Skråmestø é o sobrenome do meu namorado. Ou seja, como se costuma dizer, chamei os bois pelos nomes. Não sei se fui corajoso ou ingénuo. Ao que parece, é uma coisa que "não se faz". Na editora, nas primeiras reuniões, só vagamente se aludia à "temática especial" do livro. Depois lá acabaram por perceber que eu não sou exactamente um "jovem sensível" e passou a haver conversas mais "normais".
Entre 2003 e 2004 andei divertido a dar alguns autógrafos e entrevistas e a tomar pela primeira vez contacto com distribuidores, livreiros, jornalistas e até outros escritores. E o que acontecia invariavelmente era estes aproveitarem-se dos meus pacientes ouvidos para me porem a par do "quem é o quê" no panorama literário português. E, de repente, apercebi-me de que afinal Portugal tem uma data de escritores homossexuais. Até mesmo daqueles bons e famosos.
Mas, sem grande surpresa, no meio literário português acontece o mesmo que entre actores, cantores, políticos, desportistas e figuras públicas em geral. Estão todos no armário. Ou melhor, vão estando. Aparentemente toda a gente sabe que eles são mas como eles não dizem que são, então "oficialmente" não são.
Eu compreendo que, por exemplo, um ministro da defesa ou um primeiro ministro, tenham medo de não serem levados a sério por admitirem que preferem carinho masculino. Mas no caso de artistas criadores, isso deixa-me um bocadinho triste.
É claro que lá por um escritor ser homossexual não tem obrigatoriamente que escrever sobre isso, mas, acreditem, estar dentro do armário literário é o mesmo que estar no armário da vida. Quem não consegue viver a 100% também não consegue escrever a 100%. É escrever sempre à defesa.
Assim de repente, lembro-me de pelo menos dois livros de dois escritores desta ceifa que tinham tudo para serem excelentes livros e não são. Precisamente porque aludem vagamente a tendencias homossexuais nas suas personagens principais e depois acabam por sacudir a coisa como se fosse irrelevante. No final, a sensação que fica é que o escritor não é honesto nem para com o leitor nem para com as suas personagens (o que é mais grave!).
Se isto ficasse por aqui, seriam apenas histórias tristes de pessoas tristes (mesmo que satisfeitas com prémios da APE). É mais chato quando aparecem nos jornais a dizer que "literatura gay e lésbica" não existe ou que é um rótulo e todos os rótulos são maus (embora este seja pior que os outros, claro).
É claro que isto aconteceu porque eu pus a palavra "homossexual" no texto da contracapa e não fiz mistério nenhum a explicar que Skråmestø é o sobrenome do meu namorado. Ou seja, como se costuma dizer, chamei os bois pelos nomes. Não sei se fui corajoso ou ingénuo. Ao que parece, é uma coisa que "não se faz". Na editora, nas primeiras reuniões, só vagamente se aludia à "temática especial" do livro. Depois lá acabaram por perceber que eu não sou exactamente um "jovem sensível" e passou a haver conversas mais "normais".
Entre 2003 e 2004 andei divertido a dar alguns autógrafos e entrevistas e a tomar pela primeira vez contacto com distribuidores, livreiros, jornalistas e até outros escritores. E o que acontecia invariavelmente era estes aproveitarem-se dos meus pacientes ouvidos para me porem a par do "quem é o quê" no panorama literário português. E, de repente, apercebi-me de que afinal Portugal tem uma data de escritores homossexuais. Até mesmo daqueles bons e famosos.
Mas, sem grande surpresa, no meio literário português acontece o mesmo que entre actores, cantores, políticos, desportistas e figuras públicas em geral. Estão todos no armário. Ou melhor, vão estando. Aparentemente toda a gente sabe que eles são mas como eles não dizem que são, então "oficialmente" não são.
Eu compreendo que, por exemplo, um ministro da defesa ou um primeiro ministro, tenham medo de não serem levados a sério por admitirem que preferem carinho masculino. Mas no caso de artistas criadores, isso deixa-me um bocadinho triste.
É claro que lá por um escritor ser homossexual não tem obrigatoriamente que escrever sobre isso, mas, acreditem, estar dentro do armário literário é o mesmo que estar no armário da vida. Quem não consegue viver a 100% também não consegue escrever a 100%. É escrever sempre à defesa.
Assim de repente, lembro-me de pelo menos dois livros de dois escritores desta ceifa que tinham tudo para serem excelentes livros e não são. Precisamente porque aludem vagamente a tendencias homossexuais nas suas personagens principais e depois acabam por sacudir a coisa como se fosse irrelevante. No final, a sensação que fica é que o escritor não é honesto nem para com o leitor nem para com as suas personagens (o que é mais grave!).
Se isto ficasse por aqui, seriam apenas histórias tristes de pessoas tristes (mesmo que satisfeitas com prémios da APE). É mais chato quando aparecem nos jornais a dizer que "literatura gay e lésbica" não existe ou que é um rótulo e todos os rótulos são maus (embora este seja pior que os outros, claro).
terça-feira, 18 de julho de 2006
o meu top series de televisao
Alguem que leia este blog já deve ter reparado que eu sou um bocadinho (eufemismo) viciado em séries de televisão.
Hoje fica aqui a lista de séries que vejo (ou vi recentemente), por ordem de preferência e divididas em Drama, Comédia e Mini Séries.
DRAMA
Deadwood
Battlestar Galactica
The Wire
Weeds
Lost
Huff
Rescue Me
Entourage
Carnivale
Nip/Tuck (a primeira temporada sozinha poderia por a série mais acima na tabela, mas as seguintes mandaram-na cá para o fundo)
Queer as Folk (americana)
COMEDIA
Will & Grace
The Office (inglesa e americana)
Scrubs
MINI SERIES
Bleak House
Tales of the city
North and South (BBC)
Band of Brothers
Hoje fica aqui a lista de séries que vejo (ou vi recentemente), por ordem de preferência e divididas em Drama, Comédia e Mini Séries.
DRAMA
Deadwood
Battlestar Galactica
The Wire
Weeds
Lost
Huff
Rescue Me
Entourage
Carnivale
Nip/Tuck (a primeira temporada sozinha poderia por a série mais acima na tabela, mas as seguintes mandaram-na cá para o fundo)
Queer as Folk (americana)
COMEDIA
Will & Grace
The Office (inglesa e americana)
Scrubs
MINI SERIES
Bleak House
Tales of the city
North and South (BBC)
Band of Brothers
segunda-feira, 17 de julho de 2006
projecto para esta semana

Fazer isto com 1m de diâmetro.
Entrei numa fase megalómana. Não mais quadrinhos de 30 cm. Agora é ao metro!
sábado, 15 de julho de 2006
A minha cançao do ano
Achei a minha canção do ano: "Province" dos Tv on the Radio.
Hoje já a ouvi umas 20 vezes.
E depois rezei para que o David Bowie (que canta no coro!) convoque esta gente para lhe produzir o próximo album...
Lema para os próximos meses 4AD IS NOT DEAD!

Artist: TV On The Radio
Album: Return To Cookie Mountain
Year: 2006
Title: Province
Suddenly, all your history's ablaze
Try to breath, as the world desintegrates
Just like autumn leaves, we're in for change
Holding tenderly to what remains
And all your memories, are as precious as gold
And all the honey, and the fire which you stole
Have you running through all your red cheeked days
Shaking loose these songs from their sacred hiding space
Hold your heart courageously
as we walk into this dark place
Stand steadfast erect and see
that love is the province of the brave
Push under this expanse of bursting stars
Let this burning brightly illumintate where we are
Build this hallow that lovers voices occupy
Let it follow That we let it free, let it fly
Breaking open the walls of this cage
Intoxicated, oh so amazed
Much like falcons tumbling from the heights ablaze
conjoined, talons engaged
Hold your heart courageously
as we walk into this dark place
Stand steadfast erect and see
that love is the province of the brave
Hoje já a ouvi umas 20 vezes.
E depois rezei para que o David Bowie (que canta no coro!) convoque esta gente para lhe produzir o próximo album...
Lema para os próximos meses 4AD IS NOT DEAD!

Artist: TV On The Radio
Album: Return To Cookie Mountain
Year: 2006
Title: Province
Suddenly, all your history's ablaze
Try to breath, as the world desintegrates
Just like autumn leaves, we're in for change
Holding tenderly to what remains
And all your memories, are as precious as gold
And all the honey, and the fire which you stole
Have you running through all your red cheeked days
Shaking loose these songs from their sacred hiding space
Hold your heart courageously
as we walk into this dark place
Stand steadfast erect and see
that love is the province of the brave
Push under this expanse of bursting stars
Let this burning brightly illumintate where we are
Build this hallow that lovers voices occupy
Let it follow That we let it free, let it fly
Breaking open the walls of this cage
Intoxicated, oh so amazed
Much like falcons tumbling from the heights ablaze
conjoined, talons engaged
Hold your heart courageously
as we walk into this dark place
Stand steadfast erect and see
that love is the province of the brave
quinta-feira, 13 de julho de 2006
Quase Nada
Há uma coisa que irrita: as embalagens do fiambre.
Que raio quer dizer "Fiambre da perna extra"? Eu já nem me preocupo em saber de que animal vem o fiambre mas é perturbante o desplante com que eles nos dizem que é tirado de uma perna extra, que talvez o animal não tivesse em circunstâncias normais.
Também não percebo como é que tiveram a idéia das "Fatias finíssimas". Não era mais honesto chamar áquilo "Aglomerado de fiambre desfeito em fanicos"? Já alguém alguma vez consegui descolar uma daquelas "fatias" inteira e intacta? Não vejo onde está o suposto glamour da coisa quando se tem de chafurdar com as dedongas para sacar uma lasca de aglomerado.
Isto para não falar no grande eufemismo da embalagens que se orgulham de ter uma "Abertura fácil". Não há cola mais forte que aquela. E é melhor afiar a faca antes de atacar aquele fabuloso plástico super resistente.
A minha desculpa para este post? Passa da meia-noite, está um calor do caraças e estive a beber sangria.
Que raio quer dizer "Fiambre da perna extra"? Eu já nem me preocupo em saber de que animal vem o fiambre mas é perturbante o desplante com que eles nos dizem que é tirado de uma perna extra, que talvez o animal não tivesse em circunstâncias normais.
Também não percebo como é que tiveram a idéia das "Fatias finíssimas". Não era mais honesto chamar áquilo "Aglomerado de fiambre desfeito em fanicos"? Já alguém alguma vez consegui descolar uma daquelas "fatias" inteira e intacta? Não vejo onde está o suposto glamour da coisa quando se tem de chafurdar com as dedongas para sacar uma lasca de aglomerado.
Isto para não falar no grande eufemismo da embalagens que se orgulham de ter uma "Abertura fácil". Não há cola mais forte que aquela. E é melhor afiar a faca antes de atacar aquele fabuloso plástico super resistente.
A minha desculpa para este post? Passa da meia-noite, está um calor do caraças e estive a beber sangria.
segunda-feira, 10 de julho de 2006
no DVD
Depois dos advogados, dos médicos, dos polícias, dos cowboys e dos agentes funerários, eis que chega a vez dos Psiquiatras e dos Bombeiros terem direito a duas excelentes séries dramáticas (com uma pitada de comédia). Ambas são bastante recomendáveis, ambas têm actores (muito justamente) nomeados para os Emmys, ambas têm uma pontinha gay (parece que é moderno). Foram duas semanas bem passadas a aumentar a mossa no sofá. Encomendando as duas juntas na amazon.uk dá um desconto simpático.
Huff

Rescue Me

Descobri ontem que o "Rescue Me" estreia sexta-feira na SIC. Em português chama-se "Socorro"
Entretanto, Battlestar Galactica Season 2 só sai no fim de Agosto. Mas eu quero! Agora! Já!
Huff

Rescue Me

Descobri ontem que o "Rescue Me" estreia sexta-feira na SIC. Em português chama-se "Socorro"
Entretanto, Battlestar Galactica Season 2 só sai no fim de Agosto. Mas eu quero! Agora! Já!
domingo, 2 de julho de 2006
o interruptor
Na sexta-feira saí à noite em Lisboa.
Um verdadeiro evento, tendo em conta que a minha frequeencia de bares e discotecas poder-se-ia dizer limitada aos aniversários do rei. Mas, como estava com antigos colegas de faculdade e extremamente bem disposto (e convenientemente perto de casa), lá estava eu, ainda acordado à 3 da manhã, a dar um (minusculo) pézinho de dança.
Depois de restaurante e bar, o nosso heterogéneo grupo foi acabar a noite numa festarola que decorria num bar/sítio que nunca associei a nada gay, mas, assim que lá entrámos, o meu gaydar disparou e desatou a apitar em todas as direcções. A princípio, julguei que era o sistema avariado, resultado de muito tempo passado dentro casa e falta de exposição a menores de 30 anos. Mas, uma avaliação fria e racional acabou por me confirmar que o gaydar raramente falha ou avaria.
Quando chegámos abanava-se a anca com umas "inofensivas" Bangles e Katrina and the Waves, mas o que parecia um ocasional êxito dos Wham ou um toque portuga com António Variações, encarreirou com os Communards, meteu-se pela Donna Summer e para o resto da noite já não conseguiu sair de uma areia movediça de Chic, BonneyM e semelhantes lantejoulas musicas do anos 70. Suava-se em bica, e quem não dançava era maricas. Ou seja, a noite foi peneirando os heteros para fora da pista de dança e rapazitos e rapazitas, que inicialmente pareciam apenas felizes, às tantas não hesitavam em demonstrar publicamente o seu afecto. Era bonito. Era simples e táva-se bem. E eu nunca tinha estado num bar ou discoteca gay português que fosse assim, tão à vontade, tão descomprometido.
E hoje pus-me a pensar. Será que aquele evento se tornou “gay” precisamente porque não era suposto ser gay? E, se fosse suposto ser, teria alguma vez conseguido atingir com tanta facilidade aquele saudável nível de bem estar e convívio social entre heteros e homos? (E alguém consegue ler esta frase anterior sem se sentir com prisão de ventre?)
Num post que li recentemente no blog do Miguel Vale de Almeida, ele comentava a fraca adesão à marcha e arraial gay (aos quais eu não fui com uma muito boa desculpa (possivel variante do mesmo alibi de todos os que não foram mas acham que deveriam ter ido)). Dizia ele algo que digeri assim: Se calhar estes modelos de marcha e festa de orgulho gay têm pouca adesão porque são um modelo importado que não se aplica bem ao nosso tecido social.
Parece-me que isto aponta numa boa direcção. Nós somos um povo que se caracteriza pela fraca adesão, passividade (no sentido normal da palavra) e falta de espontâniedade.
Veja-se as taxas de abstenção nas eleições.
Veja-se a duração da nossa ditadura.
Veja-se a mínima quantidade de tiros e sangue na revolução de 25 de Abril.
Veja-se os nossos desfiles de carnaval
E no entanto...
Veja-se o que acontece quando a selecção ou um dos três principais clubes de futebol ganham um jogo/campeonato.
Veja-se o funeral da Amália, do Àlvaro Cunhal e daquele miúdo dos Morangos com Açúcar
Veja-se o Coliseu a esgotar com o Tony Carreira e as longas temporadas dos musicais do LaFéria.
Hummm...
Faz de facto falta animar a malta, nisto do activismo, solidariedade e visibilidade gay em Portugal. Mas a malta não se anima apenas gritando "animem-se!". É preciso descobrir o interruptor que ligue a espontãniedade de todos os rabetas, fufas e travecas portugueses. Principalmente o interruptor daqueles que permanecem ainda mais desligados quando acham que esse interruptor vai mostrar apenas rabetas, fufas e travecas e não a simples verdade: pessoas. Um grupo socialmente muito diversificado de pessoas.
Estas comemorações do orgulho gay junino têm origem na carga de porrada que rabetas, fufas e travecas americanos deram aos polícias que faziam uma rusga num bar na noite da morte da Judy Garland. Fizeram muito bem e pessoalmente não tenho o menor problema em acenar uma bandeirola multicolorida nesse dia para o comemorar, mas, pensando bem, que grande estímulo é afinal esse para um simples portuguesinho?
Na sexta-feira à noite, a malta à minha volta estava de facto animada. Espontâneamente. Sem precisar de bandeirola para demarcar território ou de uma data especial para socializar e se misturar no mundo. E se alguém tivesse ido lá chatear tinha de certeza apanhado uma carga de porrada. E tenho a certeza de que se isto aconteceu à minha frente na sexta-feira pode acontecer noutros dias.
Agora, onde raio fica este interruptor da naturalidade e espontâniedade dos homossexuais portugueses? E como se liga?
Alguém vá lá saber, sff.
Um verdadeiro evento, tendo em conta que a minha frequeencia de bares e discotecas poder-se-ia dizer limitada aos aniversários do rei. Mas, como estava com antigos colegas de faculdade e extremamente bem disposto (e convenientemente perto de casa), lá estava eu, ainda acordado à 3 da manhã, a dar um (minusculo) pézinho de dança.
Depois de restaurante e bar, o nosso heterogéneo grupo foi acabar a noite numa festarola que decorria num bar/sítio que nunca associei a nada gay, mas, assim que lá entrámos, o meu gaydar disparou e desatou a apitar em todas as direcções. A princípio, julguei que era o sistema avariado, resultado de muito tempo passado dentro casa e falta de exposição a menores de 30 anos. Mas, uma avaliação fria e racional acabou por me confirmar que o gaydar raramente falha ou avaria.
Quando chegámos abanava-se a anca com umas "inofensivas" Bangles e Katrina and the Waves, mas o que parecia um ocasional êxito dos Wham ou um toque portuga com António Variações, encarreirou com os Communards, meteu-se pela Donna Summer e para o resto da noite já não conseguiu sair de uma areia movediça de Chic, BonneyM e semelhantes lantejoulas musicas do anos 70. Suava-se em bica, e quem não dançava era maricas. Ou seja, a noite foi peneirando os heteros para fora da pista de dança e rapazitos e rapazitas, que inicialmente pareciam apenas felizes, às tantas não hesitavam em demonstrar publicamente o seu afecto. Era bonito. Era simples e táva-se bem. E eu nunca tinha estado num bar ou discoteca gay português que fosse assim, tão à vontade, tão descomprometido.
E hoje pus-me a pensar. Será que aquele evento se tornou “gay” precisamente porque não era suposto ser gay? E, se fosse suposto ser, teria alguma vez conseguido atingir com tanta facilidade aquele saudável nível de bem estar e convívio social entre heteros e homos? (E alguém consegue ler esta frase anterior sem se sentir com prisão de ventre?)
Num post que li recentemente no blog do Miguel Vale de Almeida, ele comentava a fraca adesão à marcha e arraial gay (aos quais eu não fui com uma muito boa desculpa (possivel variante do mesmo alibi de todos os que não foram mas acham que deveriam ter ido)). Dizia ele algo que digeri assim: Se calhar estes modelos de marcha e festa de orgulho gay têm pouca adesão porque são um modelo importado que não se aplica bem ao nosso tecido social.
Parece-me que isto aponta numa boa direcção. Nós somos um povo que se caracteriza pela fraca adesão, passividade (no sentido normal da palavra) e falta de espontâniedade.
Veja-se as taxas de abstenção nas eleições.
Veja-se a duração da nossa ditadura.
Veja-se a mínima quantidade de tiros e sangue na revolução de 25 de Abril.
Veja-se os nossos desfiles de carnaval
E no entanto...
Veja-se o que acontece quando a selecção ou um dos três principais clubes de futebol ganham um jogo/campeonato.
Veja-se o funeral da Amália, do Àlvaro Cunhal e daquele miúdo dos Morangos com Açúcar
Veja-se o Coliseu a esgotar com o Tony Carreira e as longas temporadas dos musicais do LaFéria.
Hummm...
Faz de facto falta animar a malta, nisto do activismo, solidariedade e visibilidade gay em Portugal. Mas a malta não se anima apenas gritando "animem-se!". É preciso descobrir o interruptor que ligue a espontãniedade de todos os rabetas, fufas e travecas portugueses. Principalmente o interruptor daqueles que permanecem ainda mais desligados quando acham que esse interruptor vai mostrar apenas rabetas, fufas e travecas e não a simples verdade: pessoas. Um grupo socialmente muito diversificado de pessoas.
Estas comemorações do orgulho gay junino têm origem na carga de porrada que rabetas, fufas e travecas americanos deram aos polícias que faziam uma rusga num bar na noite da morte da Judy Garland. Fizeram muito bem e pessoalmente não tenho o menor problema em acenar uma bandeirola multicolorida nesse dia para o comemorar, mas, pensando bem, que grande estímulo é afinal esse para um simples portuguesinho?
Na sexta-feira à noite, a malta à minha volta estava de facto animada. Espontâneamente. Sem precisar de bandeirola para demarcar território ou de uma data especial para socializar e se misturar no mundo. E se alguém tivesse ido lá chatear tinha de certeza apanhado uma carga de porrada. E tenho a certeza de que se isto aconteceu à minha frente na sexta-feira pode acontecer noutros dias.
Agora, onde raio fica este interruptor da naturalidade e espontâniedade dos homossexuais portugueses? E como se liga?
Alguém vá lá saber, sff.
quarta-feira, 28 de junho de 2006
A discriminaçao
As palavras que nos saem da boca têm tendencia a surpreender-nos. Outro dia dei por mim a dizer a alguém que nunca me tinha sentido discriminado enquanto homossexual.
Mas que grande eufemismo!
Passado uns minutos de ter dito esta barbaridade dei por mim a pensar se de facto tinha motivos para poder dizer isto.
A verdade é que a minha vida é muito sossegada, confortável e feliz e tem dias deliciosamente burgueses (que incluem férias em países estrangeiros e compras despreocupadas em sites de internet). Tenho a grande sorte de estar bem acasalado (amantizado também é uma palavra que me agrada) há uma data de anos. Quase desde a altura em que pus o pé fora do armário. Aos 24 anos... !!!!!
Ou seja, sou homossexual oficial, muito feliz e com muito orgulho há menos de uma década. A estupidez alheia passa-me ao lado ou faz ricochete na carapaça da minha felicidade. Como naquela vez em que o meu vizinho "beato" disse aos pedreiros que trabalhavam em minha casa que era uma vergonha estarem a trabalhar para paneleiros. Graças ao Deus dele, isto deu-me mais vontade de rir do que de lhe partir as trombas. Porque felizmente, vivo numa época, num país e numa sociedade onde tal comentário pode ganhar toda a irrelevância que merece. Não só os pedreiros não se foram embora horrorizados, como ficaram mais tempo que o previsto (ou seja, tudo normal).
Olhando para a minha vidinha em perspectiva, há de facto um ponto charneira nesta coisa da discriminação. Foi aquela altura em que resolvi sair do armário e percebi que ser um grande panilas não era uma coisa que me metia medo e que até tinha bastante piada. Claro que podia ter acontecido mais cedo mas, je ne regrette rien.
Daí que a minha conclusão simplista poderia ser: só somos afectados por aquilo que deixamos que nos afecte. Os cães ladram e a caravana passa, etc..
A minha tirada eufemistica sobre a discriminação saiu naquele contexto de "conselhos aos gays mais jovens" (mesmo quando os mais jovens têm 45 anos e são casados com 2 filhos). Mas, pensando bem, quem sou eu para dar conselhos a alguém sobre discriminação? Sou um jovem homem branco, não sou gordo, não sou feio e, se estiver calado, até passo por hetero. Ou seja, não fosse este pequeno acidente da (des)orientação sexual se calhar não tinha motivos para me queixar de nada, o mundo seria a minha ostra e minha vida um tédio. De todos os "males" de que poderia padecer, sou suficientemente sortudo para me ter calhado este d' "o amor que não se atreve a dizer o seu nome", que se pode mostrar ou esconder à sociedade, nutrir em casulo o tempo que se quiser até a borboleta estar pronta para abrir as asas.
No meu voo de borboleta, nos meus 9 anos de paneleirice aberta ao mundo, tenho de facto tido a sorte de nunca me ter sentido verdadeiramente discriminado enquanto homossexual. Não perdi amigos, não me recusaram empregos, não me deserdaram, não me cuspiram em cima, não me apedrejaram, não me atiraram para dentro de um poço, não me enforcaram numa ponte.
Claro que há pessoas que sentem mais aquela coisa inglesa do “paus e pedras podem partir-me os ossos, mas só as palavras me magoam” mas ainda por cima, eu nem sou uma delas. Estou-me um bocado nas tintas para conversas de taxistas, vizinhas beatas e treinadores de futebol.
Por várias vezes me têm chegado às mãos alguns inquéritos sobre a vida dos homossexuais que, depois de preenchidos eu acabo por não entregar para não estragar as estatísticas. É deprimente olhar para eles e constatar que nunca tive nenhum problema sério por ser gay.
Que fazer então com esta minha vida aparentemente atípica? Se calhar o melhor é mesmo reduzi-la a um eufemismo. Aproveitar para dizer, sem mentir por aí além, que “nunca me senti discriminado enquanto homossexual” e incitar algumas almas atromentadas a procurar um pouco de verdade nas suas vidas.
Mas que grande eufemismo!
Passado uns minutos de ter dito esta barbaridade dei por mim a pensar se de facto tinha motivos para poder dizer isto.
A verdade é que a minha vida é muito sossegada, confortável e feliz e tem dias deliciosamente burgueses (que incluem férias em países estrangeiros e compras despreocupadas em sites de internet). Tenho a grande sorte de estar bem acasalado (amantizado também é uma palavra que me agrada) há uma data de anos. Quase desde a altura em que pus o pé fora do armário. Aos 24 anos... !!!!!
Ou seja, sou homossexual oficial, muito feliz e com muito orgulho há menos de uma década. A estupidez alheia passa-me ao lado ou faz ricochete na carapaça da minha felicidade. Como naquela vez em que o meu vizinho "beato" disse aos pedreiros que trabalhavam em minha casa que era uma vergonha estarem a trabalhar para paneleiros. Graças ao Deus dele, isto deu-me mais vontade de rir do que de lhe partir as trombas. Porque felizmente, vivo numa época, num país e numa sociedade onde tal comentário pode ganhar toda a irrelevância que merece. Não só os pedreiros não se foram embora horrorizados, como ficaram mais tempo que o previsto (ou seja, tudo normal).
Olhando para a minha vidinha em perspectiva, há de facto um ponto charneira nesta coisa da discriminação. Foi aquela altura em que resolvi sair do armário e percebi que ser um grande panilas não era uma coisa que me metia medo e que até tinha bastante piada. Claro que podia ter acontecido mais cedo mas, je ne regrette rien.
Daí que a minha conclusão simplista poderia ser: só somos afectados por aquilo que deixamos que nos afecte. Os cães ladram e a caravana passa, etc..
A minha tirada eufemistica sobre a discriminação saiu naquele contexto de "conselhos aos gays mais jovens" (mesmo quando os mais jovens têm 45 anos e são casados com 2 filhos). Mas, pensando bem, quem sou eu para dar conselhos a alguém sobre discriminação? Sou um jovem homem branco, não sou gordo, não sou feio e, se estiver calado, até passo por hetero. Ou seja, não fosse este pequeno acidente da (des)orientação sexual se calhar não tinha motivos para me queixar de nada, o mundo seria a minha ostra e minha vida um tédio. De todos os "males" de que poderia padecer, sou suficientemente sortudo para me ter calhado este d' "o amor que não se atreve a dizer o seu nome", que se pode mostrar ou esconder à sociedade, nutrir em casulo o tempo que se quiser até a borboleta estar pronta para abrir as asas.
No meu voo de borboleta, nos meus 9 anos de paneleirice aberta ao mundo, tenho de facto tido a sorte de nunca me ter sentido verdadeiramente discriminado enquanto homossexual. Não perdi amigos, não me recusaram empregos, não me deserdaram, não me cuspiram em cima, não me apedrejaram, não me atiraram para dentro de um poço, não me enforcaram numa ponte.
Claro que há pessoas que sentem mais aquela coisa inglesa do “paus e pedras podem partir-me os ossos, mas só as palavras me magoam” mas ainda por cima, eu nem sou uma delas. Estou-me um bocado nas tintas para conversas de taxistas, vizinhas beatas e treinadores de futebol.
Por várias vezes me têm chegado às mãos alguns inquéritos sobre a vida dos homossexuais que, depois de preenchidos eu acabo por não entregar para não estragar as estatísticas. É deprimente olhar para eles e constatar que nunca tive nenhum problema sério por ser gay.
Que fazer então com esta minha vida aparentemente atípica? Se calhar o melhor é mesmo reduzi-la a um eufemismo. Aproveitar para dizer, sem mentir por aí além, que “nunca me senti discriminado enquanto homossexual” e incitar algumas almas atromentadas a procurar um pouco de verdade nas suas vidas.
sexta-feira, 23 de junho de 2006
citaçao para o fim de semana
"I may love Judy Garland, but ultimately what makes me a gay man is that I want a big one down my hunger chute"
Marcus O'Donnell
em "the little book of gay love", Penguin
Marcus O'Donnell
em "the little book of gay love", Penguin
quarta-feira, 21 de junho de 2006
Jesus Cristo e' o senhor

Confesso que estava muito céptico. Sendo um fã dos livros de vampiros e bruxas da Anne Rice, quando soube que o próximo livro dela seria uma "auto-biografia" de Jesus, fiquei de pé atrás. Aliás, com os dois pés bem lá para trás. Os últimos livros da senhora já se podiam definir como "derrapanço literário" por isso tudo levava a crer que agora é que era o bater no fundo do poço.
Afinal não.
É certo que os vampiros e as bruxas já tinham dado o que tinham para dar (e os fantasmas e as múmias também) e que a viragem é um bocadito para o inesperado, mas se calhar faz bastante sentido. Jesus é daquelas coisas em que, tal como os vampiros e as bruxas, há quem acredite neles, mas nunca nos afectam directamente no dia a dia.
Como sempre achei Jesus uma personagem interessante, embora mal compreendida (principalmente pela igreja católica), dei o benefício da dúvida e lá comecei a ler o livro.
Tiro o chapéu à senhora Rice. Um livro escrito do ponto de vista de Jesus aos 7 anos de Idade não era um desafio fácil e ela sai-se airosamente e com direito a medalhas. Fico ansiosamente à espera dos próximos volumes. E isto sim é um feito, tendo em conta que é um história em que toda a gente sabe que o herói morre no fim (e ressuscita para a sequela).
Mas por enquanto: Viva o menino Jesus!
PS - Entretanto fiquei contente de saber que "Cry to heaven", o livro de Anne Rice sobre cantores castrados na Itália do séc. XVIII com um gosto particular em entupir a garganta com o instrumento do parceiro, vai ser finalmente adaptado ao cinema.
Depois de "Entrevista com o vampiro" no ter proporcionado umas beijocas Brad Pitt - Tom Cruise e Brad Pitt - António Banderas, aguarda-se com espectativa o anúncio do elenco para mais um devaneio apaneleirado com muita renda, cetim e ópera.
terça-feira, 20 de junho de 2006
segunda-feira, 19 de junho de 2006
directamente da gaveta
Sei que ela gosta de gatos, de flores, de coisas bonitas.
Sei que tem os caracóis de um anjo de Botticelli que brilham especialmente ao sol.
Sei que tem uma inocência limpa nos olhos e que um dia será capaz de amar para lá do razoável.
Soube que me tinha amado quando, sentados no miradouro, eu lhe disse que te amava. Vi-lhe nos olhos.
Sei também que antes de ela nascer, a mãe dela, doente, tinha decidido nunca mais ter filhos. E que uma cigana a tinha parado na rua e dito, estás grávida. E que ela se assustou porque não sabia. E que a cigana acrescentou, não temas porque tudo vai correr bem, para além do filho que já tens vai-te nascer uma filha que será como tua mãe, que vai cuidar de ti e que te vai dar amor quando precisares e que crescerá para além da sombra da tua vida e desabrochará quando o sol dela vier.
E sei que assim foi.
É isto que sei. Que mais queres saber?
Sei que tem os caracóis de um anjo de Botticelli que brilham especialmente ao sol.
Sei que tem uma inocência limpa nos olhos e que um dia será capaz de amar para lá do razoável.
Soube que me tinha amado quando, sentados no miradouro, eu lhe disse que te amava. Vi-lhe nos olhos.
Sei também que antes de ela nascer, a mãe dela, doente, tinha decidido nunca mais ter filhos. E que uma cigana a tinha parado na rua e dito, estás grávida. E que ela se assustou porque não sabia. E que a cigana acrescentou, não temas porque tudo vai correr bem, para além do filho que já tens vai-te nascer uma filha que será como tua mãe, que vai cuidar de ti e que te vai dar amor quando precisares e que crescerá para além da sombra da tua vida e desabrochará quando o sol dela vier.
E sei que assim foi.
É isto que sei. Que mais queres saber?
quarta-feira, 14 de junho de 2006
Na realidade
Foi divertido assistir à trovoada de ontem à noite em Lisboa (e que hoje está de regresso). Sempre julgara que tempestades dessas, com relâmpagos à frequencia de luzes estroboscópicas só existiam em filmes de terror de série B. Afinal podem ser verdade.
Por muito tempo também julguei que o sabor a morango extremamente intenso das pastilhas elásticas era uma coisa exclusivamente artificial, até ao dia em que provei morangos silvestres numa floresta norueguesa.
Para além disso...
Ontem, depois de ver 5 episódios de Queer as folk (versão americana) e rever um de O sexo e a cidade (sim, dia de ronha e coma cerebral) também concluí que provavelmente os argumentistas da maior parte das séries e filmes americanos nunca amaram ninguém (porque dá muito trabalho!).
Entretanto...
Estou a trabalhar como designer num projecto intitulado "Os grandes amores da história de Portugal". Ao que parece, para o mundo da arte e da ficção, um amor só é verdadeiramente "grande" quando é breve, difícil e/ou impossível. Isto aparentemente dá logo à partida uma grande vantagem artística a qualquer relação homosexual.
Entretanto...
O "Brokeback mountain" saiu em DVD. Não vou comprar. Basta-me ouvir a musiquita do filme para os meus sacos lacrimais entrarem em actividade.
Por muito tempo também julguei que o sabor a morango extremamente intenso das pastilhas elásticas era uma coisa exclusivamente artificial, até ao dia em que provei morangos silvestres numa floresta norueguesa.
Para além disso...
Ontem, depois de ver 5 episódios de Queer as folk (versão americana) e rever um de O sexo e a cidade (sim, dia de ronha e coma cerebral) também concluí que provavelmente os argumentistas da maior parte das séries e filmes americanos nunca amaram ninguém (porque dá muito trabalho!).
Entretanto...
Estou a trabalhar como designer num projecto intitulado "Os grandes amores da história de Portugal". Ao que parece, para o mundo da arte e da ficção, um amor só é verdadeiramente "grande" quando é breve, difícil e/ou impossível. Isto aparentemente dá logo à partida uma grande vantagem artística a qualquer relação homosexual.
Entretanto...
O "Brokeback mountain" saiu em DVD. Não vou comprar. Basta-me ouvir a musiquita do filme para os meus sacos lacrimais entrarem em actividade.
domingo, 11 de junho de 2006
A Noruega no seu melhor - a Kira e o Jack
As manchetes dos Jornais noruegueses por vezes ultrapassam-se a si mesmas.
A minha favorita de sempre, e um clássico frequeentemente recordado cá em casa, foi o "Kira jaget Bjørnen" (Kira ladrou ao urso).
Em 2004, a cadela Kira (7 anos) , ladrando, conseguiu enxotar um urso que aparecera no quintal do dono. Este, fotografou e filmou a sua cadelinha (video disponível em http://www.aftenposten.no/dyr/article783657.ece), o que permitiu ao jornal publicar esta linda foto do anus da Kira na primeira página:

Este fim de semana, o jornal Dagbladet retoma finalmente um tema capaz de ofuscar a situação no Iraque ou o mundial de futebol.
Desta vez foi o gato Jack (americano, idade desconhecida mas pesa 7 quilos) que bufou a um urso:

Infelizmente, por o caso se ter passado nos Estados Unidos e não na Noruega, embora tenha tido direito a página inteira, não foi o destaque da capa.
...as saudades que eu tenho da Noruega!
A minha favorita de sempre, e um clássico frequeentemente recordado cá em casa, foi o "Kira jaget Bjørnen" (Kira ladrou ao urso).
Em 2004, a cadela Kira (7 anos) , ladrando, conseguiu enxotar um urso que aparecera no quintal do dono. Este, fotografou e filmou a sua cadelinha (video disponível em http://www.aftenposten.no/dyr/article783657.ece), o que permitiu ao jornal publicar esta linda foto do anus da Kira na primeira página:

Este fim de semana, o jornal Dagbladet retoma finalmente um tema capaz de ofuscar a situação no Iraque ou o mundial de futebol.
Desta vez foi o gato Jack (americano, idade desconhecida mas pesa 7 quilos) que bufou a um urso:

Infelizmente, por o caso se ter passado nos Estados Unidos e não na Noruega, embora tenha tido direito a página inteira, não foi o destaque da capa.
...as saudades que eu tenho da Noruega!
sexta-feira, 9 de junho de 2006
balanço primeiro semestre
A pedido de várias famílias (isto é para ti, Celso!) aqui fica a minha lista de músicas mais ouvidas nos ultimos seis meses.
Olhando para ela concluí que este ano, so far, tem sido um bocadito xocho. Nesta lista ninguém apanhou 5 estrelitas. A Marisa Monte tem 3 entradas!! Ou eu ando a ouvir as coisas erradas ou isto anda mesmo por baixo.
The First Song-Band of Horses
The Funeral -Band of Horses
Pink Love -Blonde redhead
Newsweek -Bombay 1
Superafim -Cansei de Ser Sexy
Home On Ice -Clap Your Hands Say Yeah!
Over and Over Again (Lost & Found) -Clap Your Hands Say Yeah!
True Skool -Coldcut
Where Is The Time -Constantin Veis
Heart Like A Demon -DK7
A Love That Will Never Grow Old -Emmylou Harris
Crazy -Gnarls Barkley
Boomerang 2005 [Comme Un Boomerang] -Gonzales, Feist & Dani
Miss Pilling -Half Cousin
Marble House -The Knife
Super Zero -Linda Draper
A Thousand Roads -Lisa Gerrard And Jeff Rona
Infinito Particular -Marisa Monte
Vilarejo -Marisa Monte
Universo Ao Meu Redor -Marisa Monte
An Envoy To The Open Fields -Mew
Beneath The Rose -Micah P. Hinson
Off the Record My Morning Jacket
Track 04(do album mish maoul) -natacha atlas
Track 06(do album mish maoul) -natacha atlas
No Yes No -PET
Whip my blue chips -PET
Lígia -Ramón Leal
Beautifulheart -Richard Swift
World Citizen -Ryuichi Sakamoto
Sweetmeat -Scarlet´s Well
These Things -She Wants Revenge
She Falls In Love With Machines -Spleen United
Tiny Cities Made of Ashes -Sun Kil Moon
Jesus Christ Was An Only Child -Sun Kil Moon
Good To Be Free -Swan Dive
Cymbal Rush -Thom Yorke
All Over This Town -The Upper Room
Combination -The Upper Room
Olhando para ela concluí que este ano, so far, tem sido um bocadito xocho. Nesta lista ninguém apanhou 5 estrelitas. A Marisa Monte tem 3 entradas!! Ou eu ando a ouvir as coisas erradas ou isto anda mesmo por baixo.
The First Song-Band of Horses
The Funeral -Band of Horses
Pink Love -Blonde redhead
Newsweek -Bombay 1
Superafim -Cansei de Ser Sexy
Home On Ice -Clap Your Hands Say Yeah!
Over and Over Again (Lost & Found) -Clap Your Hands Say Yeah!
True Skool -Coldcut
Where Is The Time -Constantin Veis
Heart Like A Demon -DK7
A Love That Will Never Grow Old -Emmylou Harris
Crazy -Gnarls Barkley
Boomerang 2005 [Comme Un Boomerang] -Gonzales, Feist & Dani
Miss Pilling -Half Cousin
Marble House -The Knife
Super Zero -Linda Draper
A Thousand Roads -Lisa Gerrard And Jeff Rona
Infinito Particular -Marisa Monte
Vilarejo -Marisa Monte
Universo Ao Meu Redor -Marisa Monte
An Envoy To The Open Fields -Mew
Beneath The Rose -Micah P. Hinson
Off the Record My Morning Jacket
Track 04(do album mish maoul) -natacha atlas
Track 06(do album mish maoul) -natacha atlas
No Yes No -PET
Whip my blue chips -PET
Lígia -Ramón Leal
Beautifulheart -Richard Swift
World Citizen -Ryuichi Sakamoto
Sweetmeat -Scarlet´s Well
These Things -She Wants Revenge
She Falls In Love With Machines -Spleen United
Tiny Cities Made of Ashes -Sun Kil Moon
Jesus Christ Was An Only Child -Sun Kil Moon
Good To Be Free -Swan Dive
Cymbal Rush -Thom Yorke
All Over This Town -The Upper Room
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