sexta-feira, 26 de maio de 2006

Ensopado

Estive a ver o trailer para o "World Trade Center", o novo filme do Oliver Stone.
É claro que um trailer não é um filme, mas enjoei-me logo nos primeiros segundos com o pianinho sentimental que depois se transforma numa sopa de violinos tristes-mas-esperançosos. Duvido que vá ver. (embora o Nicholas Cage esteja com óptimo (péssimo) aspecto.)
Deixou-me a impressão de pílula dourada.
É claro que pílulas douradas há muitas, mas há algumas que me apetece tomar (Brokeback Mountain por ex.) e outras que dispenso.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

O mundo esta cheio de surpresas

E quando se julgava que obras primas da superficialidade musical eram inultrapassáveis...

Ouvir a versão que Patrick & Eugéne fizeram de "Can´t get you out of my head" da Kylie Minogue é a prova de que o glacé do bolo pode sempre levar mais açúcar. Tentem ouvir isto e manter uma cara séria - Impossível.

"Postcard From Summerisle" é o album que anda a contribuir para o meu bom humor primaveril.

terça-feira, 23 de maio de 2006

O Charlie e a Lassie

Hoje, enquanto pesquisava por imagens para fazer a capa de um livro achei uma foto do John Steinbeck com o seu cão Charlie

Provavelmente, so alguém que tenha lido o livro "Viagens com o Charlie" consegue perceber porque é que esta foto me comoveu...

Eu não gosto de caniches (em teoria). O Steinbeck também não tem cara de quem gosta de caniches. Mas o Charlie é o cão que nos resgata dos nossos preconceitos racistas.

Outro dia também me apaixonei por uma Lassie (um collie), que é cão com uma mítica que me irrita. Ia eu na rua quando passo por um jipe mal estacionado, que tinha sido deixado com o motor ligado. A Lassie estava sentada no lugar do condutor, com as patas da frente no volante e abanava-se para a frente e para trás como quem pensa: porque é que esta coisa não anda?.

É por coisas destas que eu devia arranjar um telemovel da nova geração, com câmara de filmar e lindos toques polifónicos...

segunda-feira, 22 de maio de 2006

Summer of love

http://www.tate.org.uk/liverpool/exhibitions/summeroflove/

Um dos melhores momentos das férias foi ver em Viena a exposição "Summer of love". Uma excelente retrospectiva do psicadelismo dos anos 60 a caminho dos 70. Suponho que até foi melhor vê-la em Viena do que na Tate modern em Londres o ano passado, porque tinha um interessantíssimo apêndice dedicado exclusivamente à Austria que de certeza não constava na versão anglocêntrica da Tate.

Também descobri que afinal o Summer of Love foi em 1967 e não em 1969, como sempre julguei. 69 fica-se por ser o "Anné Erotique", suponho... :-)

O meu Summer of Love foi em 1998. E o vosso?

sexta-feira, 19 de maio de 2006

Sir Ian

Numa entrevista recente, Ian McKellen (vulgo Gandalf) diz que não percebe porque é que a Igreja Católica pode ter alguma coisa contra O Código DaVinci porque esta teoria de que Jesus se casou com Maria Madalena e teve filhos é a unica com alguma solidez para provar que Jesus não era homosexual. (Eu adoro o Sir Ian!)



Da minha parte, só tenho a dizer que sempre tive muita dificuldade em perceber um Deus que manda o filho encarnar como homem e só lhe dá a experimentar parte da humanidade. Que nasça numa manjedoura, ok. Que faça milagres que permitem a toda a gente beber vinho e embebedar-se, ok. Que apanhe porrada e morra, ok. Mas e sexo? Nada?! E se sim, com quem? (consigo mesmo não vale!)

Save Deadwood

Hoje enviei este email à HBO:

Dear People of HBO:
Your channel has created some of the best fiction series in the history of television. However, in my opinion, Deadwood outshines all of them for it´s amazing quality in all fields: script, photography, acting, wardrobe, etc... it is an absolute masterpiece. This series is what I would like television to be in general.
It made me very sad to hear that your channel plans to cancel this series.
I am a Portuguese living in Portugal and although I don´t watch your channel, I follow your series like Deadwood, The Wire, Carnivale and Entourage by buying the DVD boxes.
I guess that I don´t enter the count of your ratings but still, I am a willing payer of your high quality product.
It is sad to think that an outstanding piece of work such as Deadwood is might end just because of low number of tv viewers. But do remember that your program can still be profitable in other markets and supports.
Please put your marketing people to work and let the artists that make Deadwood continue to contribute to the world with a piece of art that enriches our contemporary civilization.
thank you for your kind attention,
Daniel

Mais informação em
www.savedeadwood.net

quarta-feira, 17 de maio de 2006

os mandamentos do cliente

10 anos como designer e continua-se a esbarrar com estes dogmas:

- Espaço é vazio que deve ser preenchido
- o branco não é uma cor

há gente que enlouquece por menos

aaaaaaaaaaaaarrrrrrrrrrggggggggggggghhhhhhhhhhhhhh!!!!!!!

sexta-feira, 5 de maio de 2006

A escuta

Depois da BBC, o regresso à HBO.

Esta série é mais uma que se junta a Deadwood, Weeds, Battlestar Galactica e Lost, para me fazer acreditar que ainda vale a pena ver televisão, e que o formato série tem grandes vantagens sobre o formato filme. Há tempo para desenvolver enredos e para definir personagens complexos e realistas. Nesta, destaque para os marginais negros e gays com um erotismo à la Bonnie & Clyde.

Na pista do Jaime

A partir de segunda feira estarei aqui:


Mas é claro que vou ter de imaginar o sitio assim:


Vou ficar no hotel Mozart. O nome parece-me super original. Suponho que é o mesmo onde o António ficou... :-D

terça-feira, 2 de maio de 2006

Bleak House

http://www.bbc.co.uk/drama/bleakhouse/
É absolutamente extraordinária a adaptação para televisão que a BBC fez deste livro de Charles Dickens. Recomenda-se vivamente o DVD.
Gillian Anderson (a dos Ficheiros Secretos) numa interpretação fabulosa junto a um elenco escolhido a dedo.


Imperdível é também esta deliciosa animação em flash sobre a vida de Charles Dickens:

http://www.bbc.co.uk/drama/bleakhouse/animation.shtml

domingo, 30 de abril de 2006

os reis reinaram

Foi muito bonito o concerto dos Kings of Convenience ontem à noite na Aula Magna.
Se nós portugueses temos a patente mundial para a "saudade" então os noruegueses têm a patente do "Kos" (verbo: å kose; adjectivo: koselig)
Kos é algo aconchegante, que nos faz sentir bem, felizes, protegidos. É saber que o mundo é mau, agreste e cruel mas que as pessoas podem criar para si mesmas momentos de calma, descontração e felicidade. Os noruegueses são peritos nisso e o concerto de ontem à noite foi prova disso. Foi muito koselig.
Começou com os dois rapazitos a cantar com as suas guitarrinhas como se estivessem na sala lá de casa e acabou com o público a dançar no palco. Pelo meio trocaram-se declarações de amor e eles provaram como se podem fazer revoluções pacíficas e que não é preciso fazer muito barulho para se exprimir a alegria. Basta estalar os dedos e cantarolar uma canção, mesmo quando não se sabe a letra.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

gudbrandsdalsost

Ó alegria!
Chegou um quilo disto lá a casa.



"Isto" é o famoso queijo castanho da noruega, vulgo "brunost", ou, mais exactamente, "gudbrandsdalsost" (em tradução literal: queijo do vale do fogo de deus). Quem nunca o provou pode tomar nota na rubrica "coisas para fazer antes de morrer".

Mirrormask

Lá fui ao IndieLisboa ver o "Mirrormask" do Dave McKean e Neil Gaiman.

Começou por ser giro ver que a audiência era quase toda composta por pessoal da faculdade de Belas Artes. Senti-me um bocadito velho ao pensar que foi há exactamente 10 anos que saí de lá.

Quanto ao filme, a sensação foi um bocado parecida. É um filme datado. Embora tenha saído o ano passado teria tido muito mais impacto há 10 anos quando o Dave McKean era o rei do mundo da ilustração. Mas é claro, estas coisas levam muito tempo a fazer.

No geral, o filme é bom. Bastante melhor do que eu esperava.Há uma enorme consistência entre a história e o universo visual mas isso é porque o Dave e o Neil são almas gémeas que se auto-estimulam para terem orgasmos sincronizados.
O único problema da coisa é a música, com um saxofone armado em étnico ajudado por umas tablas armadas em jazzy cool que saltaram directamente de 1992 e tentam puxar o filme para o infantil quando é mais que sabido que as crianças que gostam de Dave McKean têm todas mais de 16 anos.

É curioso ver como há coisas que são tão o seu tempo e como o tempo dura cada vez menos. Este filme teria sido genial há 10 anos, mas chegou tarde. De qualquer maneira, ainda bem que chegou. São 2 horas visualmente inspiradas e inspiradoras. Daqui a uns 10 ou 20 anos, quando os anos 90 já estiverem com as fronteiras cronológicas mais diluídas, este filme provavelmente vai ser uma referencia incontornável e já deve ser possível disfrutar dele sem este saborzinho decepcionante de coisa fresca com prazo de validade expirado.

terça-feira, 25 de abril de 2006

cliche x2

Má sorte é apanhar com o mesmo cliché 2 dias de seguida:

"Le temps qui reste" de François Ozon (filme chato e previsível mas com uma boa representação de Melvil Poupaud (que me pareceu um tipo simpático a julgar pelas palavritas que (timidamente) troquei com ele no átrio do Forum Lisboa)
e
Episódio 2 da série 3 de "Nip/Tuck" (série que varia imprevisivelmente entre o bom e o muito mau)

Em ambos, um rapazito insatisfeito com a sua vida rapa o cabelo frente ao espelho da casa de banho.

No filme, o rapazito está na fase terminal do cancro e eu interpretei a cena como sendo demonstração da sua aceitação da morte. Algo como: tosquio-me porque sou um carneirinho que se auto-sacrifica.

Na série, o rapazito acabou de descobrir que durante 20 episódios namorou uma mulher que afinal era um homem e depois para se sentir mais macho foi procurar um travesti, deu-lhe porrada e foi para casa e rapou o cabelo.

O que achei irritante em ambas as cenas foi o seu uso descartável, limitando-se a explorar o factor choque da auto-imolação (que nem é assim tão grande porque a mesma cena já foi usada tantas vezes em tanta coisa).

É que na vida real, deprimente à séria é quando um tipo doente que vive sózinho, depois de lhe ter passado a nóia de rapar o cabelo frente ao espelho do lavatório, percebe que tem de limpar a porcaria que fez. É que aquelas máquinas mandam cabelinhos para todo o lado!!!

Já o outro da série, a mesma coisa. Demonstração de rebeldia era o pai dizer-lhe "limpa já essa porcaria que fizeste no lavatório" e ele responder "Não limpo nada, e quem és tu para me dares ordens?!". Não admira que seja um puto problemático, com pais que deixam para as empregadas domésticas cubanas (a série passa-se em Miami) a resolução dos verdadeiros problemas do dia a dia.

Só me lembro duas vezes em que esta cena da tosquia me tocou devidamente. Foi nos filmes "joana d'arc" de Carl Dryer e no "Alien 3" (onde, mesmo sendo uma referência oblíqua ao primeiro, ainda assim fazia sentido)

Entretanto, dado o avanço assustador das minhas entradas que já não permitem passar um mês sem cortar o cabelo, estou a considerar comprar um maquineta destas. Vou é usá-la na banheira com a cortina fechada e às terças de manhã, que não sou parvo. (A minha empregada doméstica ucraniana vem às terças.)

sexta-feira, 21 de abril de 2006

cliche

Ontem a propósito do filme "Me and You and everyone we know" (muito recomendável, diga-se de passagem) lembrei-me de um pequeno momento da minha vida, de um dia em que me levantei cedíssimo em casa dos meus pais para apanhar um comboio. Enquanto comia o pequeno almoço, o sol levantava-se e pela janela da cozinha entrava uma bonita luz dourada. Nisto, lá fora, um passarinho vem pousar nas roseiras em flor da minha mãe e põe-se a pipilar muito feliz.
Foi a primeira e única vez que assisti a uma cena imortalizada em vários padrões de cortinados, serviços de chá e leques chineses. Ou seja, era um cliché da pirosada ao vivo e a cores.
Serviu esse momento para eu perceber como a representação artistica da realidade pode conspurcar a nossa percepção dessa mesma realidade. Porque, embora eu estivesse consciente da profunda e comovente beleza do passarinho cantor pousado na roseira estava também consciente de que toda uma cultura visual da humanidade me tinha condicionado para achar aquilo uma grande e ridícula pirosada.
Suponho que seja esse um dos grandes males da sociedade moderna, o facto de não se conseguir ter um experiência pura da realidade. Tudo nos chega revisto, reciclado, representado e eu tenho a impressão de que é preciso mais inocência para se enfrentar o mundo e viver como deve ser, caso contrário passa-se a vida prisioneiro do cinismo e da ironia.

quarta-feira, 19 de abril de 2006

Divida de Imaginario

Esta noite sonhei com uma planície e, quando acordei, tentei lembrar-me de onde é que aquela paisagem me era familiar. Só depois de espremer muito o cérebro é que me lembrei que era uma paisagem imaginada por mim num livro dos cinco, mais exactamente, "Os cinco e o comboio fantasma".

Fiquei um bocadito na cama a apreciar o quentinho do édredon, o quentinho do namorado e a desabitual falta de pressa de ir trabalhar e pensei na Enid Blyton. É sem dúvida a escritora de quem li mais livros. Vejamos:

Colecção Os cinco: 21 volumes
Colecção Os sete: 15 (?) volumes
Colecção Mistério: 17 (?) volumes
Colecção A aventura: 7 (?) volumes
Colecção O segredo: 7(?) volumes
Colecção O Mistério (esta é aquela em que um dos meninos tinha uma macaca chamada Miranda): 5 (?) volumes
Colecção o Colégio de Santa Clara: 6 volumes
Colecção o Colégio das 4 torres: 6 volumes
Mais alguns títulos avulso.
Mais os livros do Nodi.

Dá à volta de 70 livros, mais coisa menos coisa. Isto os que eu li.
Acho que devo muito à senhora Enid Blyton. Devia-me lembrar mais vezes dela.
De qualquer maneira, tem o meu respeito e veneração eterna.

PS: Depois de escrever isto fiz o meu Enid Blyton top 5

1- A aventura no Circo
2- O segredo das grutas de Spiggy
3- Os cinco e a Ciganita
4- O segredo do Castelo de Lua
5- O mistério da torre assombrada

...e olhando para este top cinco facilmente concluo que o que me fascina são livros com castelos e/ou passagens secretas. Hummm.....

segunda-feira, 17 de abril de 2006

De volta a vida

Hoje acordei e parecia que era eu de novo.
Durante a manhã até ouvi música
Durante a tarde até me apercebi que vai haver um concerto dos Piano Magic no Santiago Alquimista dia 28 de Abril.
O mundo desabrocha novamente à minha volta e já não estou imerso em formatação de textos.
Outro dia um amigo meu disse-me que estava feliz por já não ser designer. Eu percebi-o perfeitamente.

segunda-feira, 27 de março de 2006

Dave Mckean no IndieLisboa

A primeira coisa que me saltou aos olhos da programação do IndieLisboa - festival de cinema independente de lisboa foi o filme do Dave McKean (Sandman - Mr. Punch - Mirrors - etc...) com argumento do Neil Gaiman e criaturas do workshop do Jim Hanson.
Passa dia 20 de Abril no King3 às 21h30 e no dia 26 de Abril às 18h30 no Forum Lisboa.

Não sei se é bom ou mau mas é certamente um festim para os olhos.

quarta-feira, 22 de março de 2006

mote para as proximas semanas

Não há fome que não dê em fartura.

...isto a propósito da quantidade de trabalho que tenho. Ao que parece em Portugal faz-se tudo de Março a Maio e de Outubro a Novembro. (Pelo meio é o Verão e o Natal.)