quinta-feira, 24 de novembro de 2005

003 - Os Herdeiros

Salzburgo, Dezembro de 2005

Querida Joana:

Acho que esta vai ser a carta mais longa da minha vida. Afinal de contas tenho de te contar a minha vida, para que percebas. Pelo menos para que tenhas uma idéia melhor do que se está a passar. Eu também ainda não percebo bem. E, francamente, cada vez tenho mais medo de perceber…
Cheguei aqui esta manhã e, mal larguei as malas no hotel, saí à procura do Jaime. Tanto quanto sei, não está em nenhum hotel. Mas também só fui a alguns mesmo no centro. A propósito, Salzburgo é uma cidade estupidamente bonita mas, como calculas, não estou com uma disposição de turista. Se estivesse com o Jaime num dos nossos passeios, seríamos verdadeiramente as irmãs Schlegel, como as mamã nos chamava. A meter o nariz em todas as igrejas, museus e bibliotecas. A tomar cafés e chás nas esplanadas. A apreciar as vistas panorâmicas… Mas está frio, um frio de rachar, estou sozinho como a merda e Salzburgo começou a deprimir-me. Ou, para ser mais exacto, a deixar-me mais triste do que preocupado. O tempo estava carregado de nuvens logo quando aterrei e só tem ficado pior. À tarde começou a chover , mas à noite é bem capaz de nevar, com o frio que está. Voltei para o meu hotel e pedi as páginas amarelas na recepção. Passei metade da tarde a ligar para hotéis. Nada.
Enfim… depois desisti e tenho estado aqui às voltas, como um animal na jaula sem saber o que fazer.
Há bocado dei por mim a ter pena de não saber rezar. E depois enfureci-me comigo mesmo por estar a ser tão estúpido e a ter uma recaída cristã. Mas é o desespero, sabes… eu sei que sabes…
Espero que não estejas muito zangada comigo mas, como espero que venhas a perceber depois de leres isto, fiz o que o meu coração mandou. (É tão antiquado, falar assim. Tão novelista e vitoriano… que importãncia tem o meu coração no meio disto tudo?) Mas também sei que, se não tivesse seguido aquele impulso, teria ficado retido em Portugal. De certeza que não me deixavam sair do país.
Espero que a polícia não te esteja a dar muitos problemas. A minha mãe tentou telefonar-me mas eu não estou em condições de falar com ela. Mandei-lhe só um sms a dizer que estou bem, que está tudo bem.
Não está nada bem. Há semanas que nada está bem. Desde que a tia Júlia morreu que tudo se tem estado a desmoronar.
A minha mãe vai-te ajudar, vais ver. Ela tem um espírito prático. Verdadeiramente germânico.
Mas nada…nada, Joana, percebes? Nada me vai fazer deixar de sentir remorsos por te deixar assim, com a casa…não, com a vida, toda coberta de sangue, toda manchada de horror.
A única explicação que há para isso é o meu amor pelo Jaime. E é isso, principalmente, que eu te vou tentar explicar.

quarta-feira, 23 de novembro de 2005

002 - Os Herdeiros

A minha mãe apareceu então e ralhou-me, perguntando-me porque era mau, porque não ficava quieto e dormia como um bom menino e porque fora para ali, o que estava ali a fazer. Ia-me fazendo todas estas perguntas, numa voz sussurrada mas zangada, irritada, enquanto me pegava ao colo e me levava de volta para a festa que, começava eu a perceber, era um velório (se bem que na altura eu lhe chamasse simplesmente funeral, incapaz de distinguir entre as diferentes socializações e burocracias da morte)
Eu achei que precisava de me desculpar e disse:
“Estava a conversar com aquele senhor.” e apontei para o fundo do corredor, para a porta que ela fechara cuidadosamente.
“Não sejas mentiroso!”
“Eu não sou mentiroso!”
“Então não digas disparates. Aquele senhor já não pode falar.”
“Ele falou comigo.”
“Ai, tanto disparate, vamos ter de pôr pimenta nessa língua.”
Isto alegrou-me um bocadito porque pimenta era uma coisa de adultos, que nunca me tinham deixado experimentar mesmo que eu pedisse. Mas não percebi a que propósito vinha isto.
Entrou na festa ainda comigo ao colo e riu-se para a tia Júlia, a avó do Jaime.
“Veja lá este tontinho. Entrou no quarto do Senhor Augusto e disse-me que estava a falar com ele.”
A tia Júlia não se riu. Olhou para mim muito séria e só então é que eu percebi que devia ter feito uma grande asneira.
“Vem cá”, disse ela, e estendeu os braços para que eu passasse do colo da minha mãe para o colo dela. E depois sentou-se logo, que eu já era pesado. Aliás, já começava a ser estranho que me pegassem assim. Há muito tempo que eu não pedia colo e já ninguém mo queria dar. Era difícil perceber se estavam mesmo zangadas comigo, com tanto mimo.
“Então, conta lá, que conversa era essa com o Augusto?”
Eu agora já percebia melhor o que se passava. Era o funeral do senhor Augusto, o avô do Jaime. Eu só o vira uma vez. Era o senhor que ficava sentado num cadeirão, no quarto escuro. A razão porque nunca se podia fazer barulho nos fundos da casa. O motivo porque se tinha de fazer silêncio a certas horas do dia. Não era uma pessoa de quem eu gostasse muito.
Compreendi que era ele quem estava deitado na cama, com os sapatos brilhantes, mesmo que não lhe tivesse visto a cara. E por isso disse:
“Não era com ele que eu estava a falar, era com o outro senhor.”
“Então, o que é isso? Agora pões-te a inventar histórias? O que é que te deu? Estás mesmo a querer levar uma palmada nesse rabiosque!” A minha mãe estava mesmo zangada comigo. Eu tentei começar a chorar, mas não estava lá muito triste por isso só devo ter conseguido fazer uma cara ridícula. A tia Júlia olhava para mim e riu-se um bocadinho.
“E quem era esse senhor, diz lá à tia.”
“Não sei.”
“Como é que ele era?”
“Tinha uma camisa preta.”
“Cabelos brancos?”
“Sim.”
“Um fio de ouro, com uma cruz, por cima da camisa?
Esta pergunta era mais complicada. Fechei os olhos e tentei lembrar-me. Deve ter sido isso, juntamente com todo este interrogatório que impediu que me esquecesse do homem, mesmo tendo passado tanto tempo sem que a memória voltasse a trazer à tona o episódio que só agora, vinte anos depois, faz tanto sentido, explica tanto.
“Sim, o senhor tinha um colar.”
A tia Júlia sorriu um pouco. Voltou-se para a minha mãe.
“Deixa o miúdo, Marta, ele não está a mentir.”
“Mas tia, não estava lá mais ninguém!”
A tia Júlia voltou-se para mim e começou a pentear-me com a mão, que era coisa que me irritava que os adultos fizessem. Mas achei melhor ficar quieto. Eu estava nas boas graças dela e era melhor aproveitar.
“Estava sim, Marta. Mas tu não o podias ver.”
A minha mãe não disse nada. Ficou só a olhar para mim. Eu achei que já devia estar tudo bem por isso disse:
“Posso comer bolo?”
A tia Júlia fazia imensos bolos, fosse qual fosse a ocasião. Estava um em cima da mesa e eu tinha estado o tempo inteiro a olhar para ele.

terça-feira, 22 de novembro de 2005

001 - Os Herdeiros

Isto é o que tenho de começar por te contar. Aconteceu teria eu 5 ou 6 anos. Aconteceu por causa do sangue. Eu tinha sangrado, sabes, por ter batido com a cara numa cadeira. Eu e o Jaime andávamos sempre a correr. E havia uma festa. Eu julguei que era uma festa. Tinhamos vindo a casa do Jaime porque havia uma festa. Foi a explicação que achei para tanta gente em casa deles. Era uma festa de adultos. Mesmo que estivessem todos de negro e não houvesse música.
Eu e o Jaime brincávamos, que os adultos pouco nos interessavam. E, na correria, eu bati numa cadeira e comecei a sangrar do nariz. Sei que fiquei coberto de sangue e lembro-me de chorar, não por estar a sangrar, mas por ter medo que me batessem por me ter sujado.
Levaram-me da sala, limparam-me, assoaram-me tirando o sangue, o ranho e as lágrimas. E depois tentaram deitar-me no quarto do Jaime. Eu fingi dormir para que me deixassem sozinho. E quando fiquei em paz levantei-me para ver os brinquedos do Jaime. Ele tinha um comboio. E carrinhos.
E quando me cansei disso abri a porta do quarto e olhei para o corredor. Estava escuro, e era demasiado comprido, todo portas. Eu ouvia o ruido da festa, as vozes dos adultos, mas ninguém podia saber que eu estava acordado. Experimentei as outras portas. A casa de banho. Um armário. E depois um quarto.
Neste nunca tinha entrado. Pela porta entreaberta espreitei lá para dentro. Estava escuro. Na cama estava deitado um homem vestido e calçado. Fato preto, sapatos engraxados e de negro brilhante. E ao lado dele sentava-se outro, na beira da cama. Estava também vestido de negro, mas apenas de calças e camisa. Camisa negra. Foi isso que eu achei estranho. As camisas eram sempre brancas. Ele olhou para mim. E sorriu. Eu disse:
- Ele está morto.
Não foi uma pergunta. Apenas disse o que percebera nesse momento, que o homem deitado estava morto.
O homem da camisa preta assentiu. E depois disse-me qualquer coisa. E durante vinte anos não me lembrei do que ele me dissera.

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

...(this must be underwater love)...

Cobri-me de lama e deitei-me
no leito do rio,
esperando por ti.
O coração uma pedra, tremendo de frio,
resistindo à corrente,
âncoramor.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

o hinberno

Estou doente há mais de uma semana. Ainda não percebi se é gripe ou constipação, mas uma dessas será. E apesar de me sentir mal à brava há um prazerzito secreto em ter uma desculpa para me enterrar na cama e simular a hibernação.
Quero férias na cama com um bom livro!!! É para isso que serve o inverno, o frio e o mau tempo!!
A chatice é a minha consciência, que me obriga a trabalhar mesmo nos dias em que tenho ficado em casa. Como é que o mundo funcionava antes dos computadores portáteis e da internet??

quarta-feira, 16 de novembro de 2005

truques de luz

Em frente à janela do meu escritório há um prédio banalíssimo, mas esta tarde o sol está a bater numa das varandas e, por momentos, a luz reflectiu-se de lá para cá e fez-me levantar os olhos do écran do computador. Assenti, tal como os ramos do jacarandá, a meio da rua, concordando com a beleza.

Noites selvagens

Um amigo meu foi assaltado e agredido ontem à noite quando saiu sozinho de um bar gay em Zagreb, na Croácia. Ao que parece há por lá um gang que habitualmente espera que alguém saia sozinho desse bar para exercer um pouco de violência, coisa que o meu amigo turista desconhecia e alguém se esqueceu de o avisar...

Há cerca de um mês, outro turista, conhecido de um amigo meu aqui em Lisboa, foi para os copos no bar Portas Largas. O que se passou depois de lá ter entrado é um branco total. Alguém lhe pôs qualquer coisa na bebida e ele acordou no dia seguinte no quarto do seu hotel, mas tinham-lhe roubado tudo. Voltou ao bar para perguntar se se lembravam de o ter visto por lá e ficou a saber que não era o primeiro a quem tal acontecia...

terça-feira, 15 de novembro de 2005

aberraçoes modernas

Uma das maravilhas da tecnologia é pôr na mão do mais comum dos mortais os meios com que concretizar os seus caprichos artísticos. Este fim de semana, graças ao Garageband, criei um "maravilhoso" momento musical a partir de um poema de T.S. Eliot recitado pelo mesmo e uma música pirosérrima de Azis (a superstar (agora cometa) búlgara). A técnica do corta e cola permite estas pequenas aberrações que surpreendem. De alguma maneira isto faz sentido e soa bem. Infelizmente, devido á lei dos direitos de autor, não posso partilhar a coisa sem ser submetido a alguns processos judiciais. ...mas nada me impede de dar a ouvir aos amigos, assim como assim, esses já sabem que às vezes sou dado a estes desvarios...

a espera de Fevereiro



Os criadores do fenomenal jogo de Playstation "Ico" andam há mais de cinco anos à volta de "Shadow of the colossus".
É suposto ser lançado em Fevereiro de 2006 e há quase um ano que rodam trailers pela net que fazem os fãs de "Ico" salivar profusamente. Dizem os críticos sortudos que já meteram a mão na demo que é o mais próximo de uma experiência mística que se pode ter com uma playstation. Eu fui ver o novo site do jogo (http://www.shadowofthecolossus.com/) e também estou todo húmido... ò pessoal, despachem-se lá com isso!!!

quarta-feira, 9 de novembro de 2005

Momentos de grande televisao



De facto, cada vez mais a televisão é um sitio onde passam alguns programas no intervalo dos anuncios. Por ser anormalmente desprovido de tvCabo, a minha glamourosa Bang & Olufsen só apanha os 4 canaizitos da ordem e todos com chuva. Assim sendo, televisão é uma coisa que vejo por alguns minutos, antes de ligar a playstation.
Ontem, calhou-me ver um anuncio no segundo canal: Um gajo podre de bom em cuecas amarelas atravessa um apartamento modernaço e, sem ligar peva a uma miúda com o cio que se espoja num sofa, vai à varanda, coça o rabo (em grande plano), coça os frontais e cospe para o chão.
Isto sim é grande televisão! Fiquei tão atordoado com o gajo podre de bom e o grande plano das suas nádegas dentro de cuecas amarelas que levei uns bons minutos até perceber que era um anuncio anti-tabaco (uma nobre causa). Pensando bem, o anuncio não faz sentido nenhum e é a coisa mais estúpida que vi nos ultimos tempos. A frase pay-off era tão ridícula que nem me lembro dela. Mas estarei eu preocupado com isso?... O anuncio funciona perfeitamente em mim porque me cola ao écrán e podem ter a certeza que não será aos 32 anos que começarei a fumar. Viva a publicidade institucional do segundo canal!!!

PS_ depois de breve pequisa na net: os videos da campanha (afinal são 3!) estão disponíveis aqui:

http://cardiologia.browser.pt/PrimeiraPagina.aspx?ID_Conteudo=127

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Monumentos

Ando obcecado com comida. Uma das minhas alegrias mais recentes foi descobrir umas bolachinhas de água e sal a que a fábrica junta azeite, azeitonas e oregãos. São tão boas que quase apetece escrever uma carta de agradecimento a quem inventou tal receita. Coisas destas podem começar cultos, religiões, impérios, civilizações. Mereciam pelo menos um monumento.

É que se se fazem monumentos para lembrar pessoas deviamos lembrar-nos também da comida que faz a nossa cultura. No Alentejo, por exemplo, bem se podiam fazer uns monumentos ao queijo (em Nisa), ao vinho (em Borba), aos coentros, etc.... Em Belém, já era altura de se erguer algo em louvor ao Pastel de Nata ali no meio dos navegadores e dos vice-reis da ìndia!

Nisto há alturas em que percebo perfeitamente os americanos. Se eu consigo manter uma cintura minimamente apresentável é por felizmente viver num país livre de donuts:

Muda-se o ser, muda-se a confiança

Ontem à noite, lá em casa, estivemos a ver os documentários "making of" da série "Nip/tuck". Para além de ter ficado espantado com a lucidez dos actores, realizador e escritores (não admira que a série seja boa) alguém referiu a certo ponto que os Estados Unidos são um país obcecado com a mudança pessoal e que, sendo tão difícil fazer mudanças no interior, se passou a tentar compensar isso com mudanças corporais, seja simplesmente através de exercício físico ou, mais radicalmente, com cirurgias plásticas.

Isto lembrou-me um comentário que tinha lido há pouco tempo num forum sobre livros em que alguém dizia que os livros que lhe agradavam eram os livros em que as personagens mudavam, alteravam o seu comportamento (sempre para "melhor", refira-se).

E de facto, olhando para uma grande maioria da ficção que consumo, que vem também na sua maior parte do mundo anglófilo, há sempre essa convicção marcada de que as pessoas podem mudar, admitir os seus erros e seguir redimidas pelo caminho do amor, da moral ou da justiça.

É bom acreditar nisso. Até eu gosto de acreditar nisso. Mas a minha visão cínica do mundo leva sempre a melhor. Eu não acho que as pessoas de facto mudem. Acho que há apenas uma adaptação às circunstâncias que é feita sempre com o propósito egoísta de melhorar a sua própria vida (conseguindo mais amor, mais moral e mais justiça).

Neste ponto de vista, olhando para os meus dois livros publicados, percebo perfeitamente porque é que o seu sucesso é tão diferente:

_ No romance para adultos ninguém muda. As personagens são cobardes, fogem à vida porque isso implicaria tomar iniciativa e provocar mudanças internas de personalidade e de valor moral. Escolhem sempre a alternativa fácil. E mesmo que no final não pareça ser assim, o final feliz graças à mudança é uma mera ilusão.

_O livro infantil é, no fundo, exclusivamente sobre mudança, sobre construção de identidade, alteração de comportamentos que trazem harmonia ao mundo. É (literalmente) uma visão arco-íris da humanidade. É aquilo em que queremos acreditar quando ainda somos crianças.

Tendo isto em conta, percebo perfeitamente porque é que o livro infantil, em 4 meses, vendeu quase o dobro do que livro para adultos em 2 anos...

E eu, que balanço pessoal é este entre criança e adulto, cinismo e esperança? ...Até agora, vai bastante equilibrado, julgo eu...

segunda-feira, 7 de novembro de 2005

o novo saramago

E de repente, passa-se numa livraria e lá está um livro novo do Saramago. Onde é que ando para estas coisas me apanharem de surpresa?!
O mais surpreendente foi o livro ter um bonequito na capa e ser fininho (ou pelo menos metade da espessura habitual).
Comecei por ficar intrigado com a a traça/borboleta da capa, com a a caveirinha à lá "Silêncio dos Inocentes". Será o primeiro thriller do nosso nobel? Depois li as primeiras páginas e fiquei com a impressão de que já tinha lido aquele livro. É Saramago igual a si mesmo. Há quem diga que todos os escritores escrevem sempre o mesmo livro... melhor assim, acho que vou ler este para matar saudades. Há uns 7 anos que não leio o senhor e fiquei cheio de inveja do meu namorado o mês passado quando ele leu a "História do cerco de Lisboa" pela primeira vez...
É que não há como a primeira vez...

A musica dos deuses

Ontem de manhã, num zapping ocasional apanhei a transmissão da missa em Fátima, a tempo de ver a Maria Bethania e a Joanna a cantarem em louvor da Virgem Maria.

Nunca deixa de me espantar a má qualidade da música que a nossa contemporâniedade reserva para exaltar as divindades. Ponho-me sempre a pensar como seria viver no tempo de Bach, em que a música não estava presente no quotidiano como está hoje (não se ouvia nos supermercados, nos taxis, nos elevadores,no barbeiro, etc...) Passavam-se os dias com sonoridades estéreis e depois, ao domingo, na igreja, Bach fornecia aos seus paroquianos um bocadito de paraíso e transcendência através da música. Seria overdose? haveria desmaios? Não sei... a única certeza é que, até hoje, o génio daquele humano (e de outros) pode ser entendido como uma prova da existência de Deus.

Mas o que aconteceu à música religiosa? Como é que se transformou num cliché estéril e insonso? Sinceramente, acho que foi o medo do êxtase.

Ontem à noite fui ao concerto dos Young Gods. É certo que o som estava demasiado alto e bastaram os Bizarra Locomotiva na primeira parte para ficar logo com os timpanos fodidos, mas, ainda assim, foi um grande concerto. A minha devoção a estes três músicos suiços passa precisamente pelo êxtase que a musica deles provoca em mim. É uma experiência divina. As catadupas de som com que bombardeiam os corpos de uma plateia convulsionada por pulos e dança fazem com que o individuo saia de si mesmo. E por momentos beijamos mesmo o sol. E ardemos. E estamo-nos nas tintas para que nos estejam a foder os tímpanos porque o que importa mesmo é o orgasmo. A entrega total a algo maior do que nós.

E é precisamente porque todo o êxtase tem um conotação sexual que o catolicismo castrou a música. E a arte em geral, convenhamos (que Bernini hoje se atreveria a fazer uma Santa Teresa daquelas?). Ou seja, tirou a chama ao génio humano, logo, escondeu a face de Deus.

PS: parabéns aos jovens deuses pelo seu aniversário. Que contem muitos (mesmo tendo em conta a imortalidade dos deuses)

quinta-feira, 3 de novembro de 2005

Je suis snob

Na eterna busca da playlist perfeita, adicionei ontem ao meu iPod "je suis snob" cantado pelo Boris Vian (esse mesmo!). Prestando atenção à letra facilmente concluí que sou mais de 50% snob — o que é optimo porque assim me posso identificar com algo tão viciantemente cantarolável! Só é pena eu não conseguir cantar com aquele inimitável e delicioso ar de perfeito enfado...

Carne assada

Os sinos das igrejas de Lisboa tocaram no dia 1 de Novembro pelas vítimas do terramoto de 1755. A missa das 6 encheu (a minha vizinha queixava-se ao marido que já só tinha encontrado lugar num banco lateral atrás duma coluna). Mas aposto que ninguém rezou pelas vítimas do auto-de-fé que a Inquisição fez logo de seguida, aproveitando a oportunidade para assar uns sodomitas, umas bruxas e uns judeus. Disso já ninguém (convenientemente) se lembra.

Nos nosso tempos modernos e civilizados, em que se desculpa os procedimentos da Inquisição e da Igreja Católica com o peso da história, pode parecer uma coisa bárbara, sacrificar humanos para apaziguar a ira divina. Mas a verdade é que ainda hoje os bodes expiatórios são os mesmos, a diferença é que não se assam na praça pública. Experimentem procurar no google por "blame homosexuals hurricane New Orleans": dá qualquer coisa como 268.000 resultados!

Escapa-me verdadeiramente à compreensão como é que alguém é capaz de acreditar num deus que, por se irritar com a intimidade sexual de uma minoria, mata e chateia a grande maioria. Ou deveremos acreditar que todas as vítimas de catástrofes naturais são sodomitas? E que os autos-de-fé eram uma maneira de ajudar deus no seu trabalho mal acabado?

terça-feira, 1 de novembro de 2005

Querido Antony

Foi bom passar mais uma noite na tua companhia. E é bom saber que há pessoas como tu no mundo capazes de redimir a humanidade. Thank youooouooou, thank yooououuuu...

no alentejo

Este fim de semana fomos visitar uma amiga minha que comprou uma casa alentejana, daquelas com paredes de terra caiada, quintal com rafeiro, gatos, galinhas e patos e um poço onde já se suicidaram duas pessoas. Não podia ser mais típico.
Há muito que não me aproximava tanto da ruralidade e é sempre bom fazer destas visitas para ficar sem dúvidas de que, por muito que goste do campo, eu sou um rato da cidade.

segunda-feira, 31 de outubro de 2005

Editora procura-se!

É oficial: não será a editora que publicou o "olhos de cão" a publicar o meu livro de contos. Isto quer dizer que neste momento o meu livro novo está solteiro, orfão e à espera de dono.

É um livro de contos alternados com imagens. O tema balança entre o amor e o sexo, entre o sentimental e o erótico. São 152 páginas de formato 15x16cm já paginadas por designer competente (eu!) e tem capa feita. É um livro para se ler, ver e pegar com as mãos.

Envia-se a editores competentes que gostem de ler e editar livros.

Contactar:
danieljskramesto@yahoo.com

quarta-feira, 26 de outubro de 2005

nipa-me, tucka-me

Eu achava que depois de ter trabalhado para os enfermeiros do Grupo de Tratamento de Feridas Infectadas e ter paginado o livro de cirurgia plástica do doutor Francisco Campos já não havia imagens capazes de me fazer silvar, semicerrar os olhos e crispar os dedos dos pés. Até ontem à noite.

Comprámos os DVDs da série Nip/Tuck e vimos o primeiro episódio. Foi divertidíssimo. Dois homens adultos no sofá agarrados a almofadas, a tapar os olhos com as mãos e a guinchar que nem duas meninas. Isto na nossa sala. No écran, cirurgias descaradamente filmadas, sangue a rodos, muitas seringas a entrar na pele e, nojo dos nojos, um lipo-aspirador descontrolado a espirrar gordurita fresca numa sala de operação. Desde o filme "Re-animator" que não via algo tão gore. Adorámos!!
Além disso, os actores (ver foto), história e diálogos estão num bom nível.
Pena é o estômago não aguentar mais de um episódio por noite.


E sim, eu também snifaria esse tipo... ;-D

terça-feira, 25 de outubro de 2005

Ser quem nao sou

Às vezes ainda se encontram idiotas que julgam que ser homosexual é querer ser mulher. A principio não se percebe como é que alguém pode ser tão estúpido, mas depois, enfim, rebolam-se os olhos para trás do crâneo e a coisa passa... E quando alguém me faz a pergunta: "se fosses uma mulher quem gostarias de ser?" até consigo lembrar-me de três respostas:

Alaska


Roisin Murphy


Bette Midler


Será que tenho de explicar porquê?.... :-D

Poesia Pop

"Hombres" - Fangoria

Hay hombres que se mueven,
hay hombres que se agitan,
hay hombres que no existen,
hay hombres que no gritan,
hay hombres que respiran,
hay hombres que se ahogan,
hay hombres que ocultan la verdad,
hay hombres que roban.

Hay quién apuesta fuerte y decide quererte,
sabiendo lo fácil que resulta perderte,

sabes que siempre estaré cerca de ti.

Hay hombres que te compran,
hay hombres que se venden,
hay hombres que recuerdan,
hay hombres que mienten,
hay hombres que prefieren no hablar,
hay hombres que no entienden.

Hay quién no tiene suerte y prefiere engañarte,
sabiendo lo fácil que resulta ganarte.

Sabes que nunca me iré lejos de ti.

Tienes que aprender a resistir, tienes que vivir,
esto no lo tengo
esto no lo hay,
esto no lo quiero
y esto que me das.

Hay quién apuesta fuerte y decide quererte,
sabiendo lo fácil que resulta perderte,

Sabes que siempre estaré cerca de ti.

Hay quién no tiene suerte y prefiere engañarte,
sabiendo lo fácil qué resulta ganarte.

Sabes que nunca me iré lejos de ti.

Hoy hay luna llena y un hombre camina por ella,
Hoy hay luna llena y un hombre camina por ella.

Os Duplex Longa



Na ida década de 80 houve um grupo português chamado Duplex Longa. Tinham um video giríssimo no PopOff para o tema "Forças Ocultas" que era feito simplesmente com uma câmara montada na frente de um carro a guiar pelas ruas de lisboa de dia e de noite, tudo filmado em velocidade acelerada.
Há coisa de um mês, graças a um amigo que tem praticamente todo o CD que merece ser ouvido, lá consegui fazer uma cópia do único album que eles fizeram. Como continua MP3zado no meu computador tem sido banda sonora de vários dias no emprego. A música é tão boa e ainda tão fresca que me custa e perceber porque é que isto não mereceu mais destaque na altura e porque é que nunca ninguém reeditou isto... e, o que é feito destes músicos?

Os Sigur Ros

Tenho uma relação algo dúbia com os Sigur Rós. A primeira vez que os ouvi foi através de um colega de emprego que punha aquilo a tocar para o povo. Não me desagradava de todo e até julgava que eram os Radiohead, mas irritava-me o rapaz e a sua atitude radiofónica pelo que nunca perguntei o que era aquilo.
Depois vi o filme "Anjos do Universo" e a música arrebatou-me completamente. Durante um ano ouvi-os bastante no recato do lar e chateei o pessoal da Zero até passarem o filme em Lisboa. Até que me comecei a aperceber do "culto" que lhes era dedicado. E eu não tenho paciencia para jovens sensíveis e depressivos que fazem disso um modo de vida...
Foi assim que os Sigur Rós saltaram para a prateleira das bandas cuja música me agrada mas cujos fãs não me permitem disfrutá-la em condições.
Este fim de semana comprei o disco novo (só porque tem uma embalagem simpática e eu sou um totó por coisas dessas) e fiquei surpreendido por ser melhor do que esperava. Por trás daqueles xilofones e guinchinhos à Mum, que eram um bocado dispensáveis, há um punhado de boas canções. A ver que tal me dou no concerto... eu ando tão pouco social...

sexta-feira, 21 de outubro de 2005

o pequeno almoço

O pequeno almoço lá em casa é a refeição mais importante do dia. Isto porque nos sentamos os dois à mesa, levamos algum tempo a comer (porque é preciso pôr o queijo no pão) e conseguimos ter uma conversa inteligente. Ou quase.
Moemos o café antes de o fazer, e, em dias bons, esprememos laranjas e fazemos torradas.
Hoje saí de casa a correr porque tinha uma reunião às 9h e, apesar de nos termos sentado, o pequeno almoço não correu como de costume. Não se consegue desabrochar para o dia sabendo que se tem de estar num sitio a uma hora inumana como as 9h.
Moral da história, estou algo desiquilibrado hoje. Faltou-me a âncora do dia.

quinta-feira, 20 de outubro de 2005

misteriosa chama



Hoje, coincidindo com a minha leitura de "a misteriosa chama da rainha Loana" de Umberto Eco, tive um momento de intensa nostalgia. Acordei com o slogan "Spur sede, spur gosto, spur estilo, spur cola é Canada Dry!!" entranhado na cabeça e ainda não passou. Tive de ir procurar a imagem da garrafa para fins de exorcismo.
É curioso como me lembro perfeitamente da sensação tactil daqueles quadradinhos na base da garrafa...

Ainda as ferias



Ignorando os ocupadíssimos senhores em primeiro plano, eis a vista que se tem do Templo de Júpiter em Terracina, cidade onde passei uns dias felizes.

relatorio

O evento notável das férias foi o facto de eu ter finalmente dado por terminado o meu livro de contos. É certo que já seguiu para a editora ha 5 meses, mas, enquanto anda a ser ignorado por lá, entretive-me a polir-lhe as arestas. Textos revistos, imagens em arte final e paginação completa. Teoricamente poderia seguir para a gráfica amanhã.

- E porque é que não segue? - pergunta o leitor incauto.

- Ah, mas que boa pergunta.. - responde o autor, evasivo.

prazeres do inverno

Ontem coloquei o edredon de inverno na cama. É um edredon de penas norueguês que mal se sente por cima de nós. Dormir nele é como abraçar algodão doce. Há imenso tempo que não dormia tão bem...
Ás vezes bastam estas pequenas coisas para nos preencher a vida.

Agora só falta neve lá fora!

quarta-feira, 19 de outubro de 2005

De volta ao normal

É bom ir de férias como se por uma semana a nossa vida fosse outra.

Esteve-se bem em Itália. Boa comida, overdose cultural e descanso físico e psíquico.

Percebi finalmente que a toda a arte é cópia da cópia. Eu já sabia isso teoricamente, mas vendo as coisas com os próprios olhos assimilam-se os factos como deve ser.
Ao ver os mosaicos romanos de Pompeia (que já eram cópias de pinturas gregas) salta aos olhos que imensos séculos de arte europeia andaram apenas a melhorar técnicas para fazer a mesma coisa.
Mas, por outro lado, porque raio se há-de teimar em ver a História como um movimento evolutivo?
Enfim, visitar um dos berços da civilização deixou-me um pouco abalado. Um dia talvez consiga extrair alguma lógica do tumulto cerebral que isto me causou.

Quanto às trivialidades da vida, é sempre bom voltar para os excelentes multibancos portugueses e para o imaculado metro de lisboa. Mas foi bom comer o melhor mozzarela do mundo, gelados e salami... E ver as ruas de Nápoles cheias de napolitanos!

sexta-feira, 7 de outubro de 2005

sempre o mesmo filme

É sabido! Basta eu anunciar que vou de férias para me assoberbarem de trabalho. Porque é que o trabalho só aparece dois dias antes de se ir de férias???

segunda-feira, 3 de outubro de 2005

eu e a cultura

Tenho de admitir que tenho grandes problemas com a cultura chamada "erudita" contemporânea. Principalmente com a música e as artes plásticas (ah, e o teatro e a dança também de vez em quando, mas como vou menos a esses não me afecta tanto).

Este fim de semana fui a um concerto que eu já sabia que iria ser de pling plóing irritante e incompreensível, mas como um amigo meu ia tocar, lá fui eu dar uma forcinha. As "obras musicais" apresentadas eram bastante recentes e iam dos anos 80 até uma estreia mundial, mas para mim soou-me tudo ao que estas coisas costumam soar: uma flauta que guincha, um piano martelado, um xilofone que se toca com um arco de violino, etc... silêncios incómodos seguidos de barulheira ao máximo e fuga total à menor expressão de frases melódicas ou padrões ritmicos. Curioso é como estas coisas são um cliché de si mesmo.

Sinceramente não vejo relevancia na existencia de coisas destas. Para mim, entre passar uma hora a ouvir um concerto destes ou passar uma hora à espera de uma consulta no dentista é um sacrificio quase igual. Tempo de vida desperdiçado à espera que o pior passe e se possa continuar a vida como ela é.

E quando me ponho a pensar no que o futuro recordará da música das últimas décadas (as da minha vida), não me parece que sejam estas obras desumanas de que, admitamos, ninguém, no seu perfeito juízo, pode gostar. Arte é comunicação, não alienação do espectador.

sexta-feira, 30 de setembro de 2005

grotesco

Hoje, no meu trono de leitura (retrete) entretive-me a ler o guia TimeOut para Roma a fim de preparar a viagem da próxima semana. Assim se aprendeu que a palavra "grotesco" tem a seguinte origem:

Durante a renascença foi descoberto o antigo palácio de Nero e diversos artistas e pintores como Rafael desciam ao que pensavam ser cavernas ou grutas (grotto) para verem os frescos romanos. Inspirado, Rafael pinta um fresco no Vaticano com motivos clássicos pagãos que é apelidado de "grotesco".

É curioso pensar que Nero incendiou Roma, mandou as culpas para os cristãos, andou a chaciná-los no campo onde viria a ser contruído o Vaticano, local onde Rafael viria a pintar o seu fresco inspirado nos frescos da casa de Nero construida no sitio que ficou livre depois do incendio de Roma, fresco esse que iria influenciar toda a arte cristã feita a partir da Renascença.

Caramba, que isto tem piada!!!


Fresco da Domus Aurea, a casinha de Nero.


fresco de Rafael no vaticano

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

sim, senhor primeiro-ministro!

Agora é oficial! O governo norueguês vai mesmo avançar com a lei do casamento que dá direitos absolutamente iguais a casais homo e hetero. Quer dizer heranças, adopção, impostos, etc e tal...
A lei das uniões de facto gay já existia há alguns anos na Noruega mas agora é perfeita igualdade. E devo confessar que me dá vontade de ir com o meu namorado norueguês ali à embaixada da Noruega casar-me só para depois poder chatear toda a gente em Portugal: na repartição de finanças, nos bancos, no centro de saúde, na seguradora, etc. Isto porque em Portugal a nossa medíocre lei das uniões de facto não reconhece uma união entre um português e um estrangeiro!!

Esta lei aparece graças ao primeiro ministro Jens Stoltenberg

que, na sua juventude, já tinha feito o trabalho de bastidores para que a lei das uniões de facto fosse aprovada. Agora que é primeiro-ministro pela segunda vez resolveu terminar a coisa como deve ser.
Estava capaz de lhe dar um beijinho. Até porque, embora seja assustador achar um primeiro ministro sexy, ele até é!

quarta-feira, 28 de setembro de 2005

suspiro



O tenente Crashdown da série Galactica.
Há muito tempo que não me sentia tão adolescente...

terça-feira, 27 de setembro de 2005

santa ignorancia

Tem sido difícil ignorar a campanha para as eleições autárquicas mas acho que estou a conseguir: só hoje é que reparei que vou de férias para fora do país no dia antes, o que quer dizer que, seja como for, não vou votar!
Suponho que irracionalmente eu já sabia que não valia a pena estar a prestar atenção a este circo...

nos Açores

Acrescentei duas imagens novas ao meu site:

http://home.no.net/danielba/galeria

Esta tem lugar algures em São Miguel:



Destroyer - "your blues"

Foi editado o ano passado mas ouvi-o hoje pela primeira vez depois de aterrar que nem um OVNI na minha secretária. Estranhei à primeira mas entranhou-se logo à segunda. É o novo favorito da minha playlist e não sei nada sobre estes tais de Destroyer, mas que importa isso? Quem canta letras como "submarines don´t mind spending their time in the ocean" só pode ter génio pop nas veias. Já ganhei o dia e quase me esqueci da minha smog-burrice.

o escritor

Ontem escrevi dois parágrafos numa história há muito encravada. Vou ali mandar um foguete já volto...

como desperdiçar 36 euros

Hoje estava capaz de me dar um par de estalos. Comprei com bastante antecedencia bilhetes para ir ver o concerto de Smog e não sei porquê convenci-me que o concerto era HOJE. Afinal foi ONTEM!!!!
O meu coração chora amargamente e não se conforma com a minha estupidez.
O meu único consolo é pensar que suportei financeiramente um artista de que gosto e que os fãs inteligentes estiveram à larga.

Fui logo re-verificar as datas dos concertos para os quais já comprei bilhetes:
Antony and the johnsons
Young gods
Depeche mode

mas como ainda demora tanto tempo daqui até lá pode ser que ainda me esqueça das datas destes também...

ai...suspiro...

segunda-feira, 26 de setembro de 2005

Galactica vs 4400


versus



Foi um bom fim de semana passado a aquecer o sofá com o rabo. Na playstation rodaram os DVDs de duas séries encomendadas via amazon. Eis o veredicto:

1- HISTÓRIA
Mais uma vez se comprova que a força de uma narrativa não está tanto no que é contado mas no modo como é contado.
Ambas as séries têm histórias simples e previsiveis mas Galactica dá a volta por cima. Talvez benificie do facto de ser um remake. Os argumentistas e realizador pegaram na matéria bruta já existente e depuraram, expandiram e puseram tudo a funcionar como um mecanismo bem oleado.

Por seu lado 4400 é hesitante, simplista, superficial e inconsequente. Tem um excelente ponto de partida mas não sabe em que direcção seguir e por isso não vai a lado nenhum.

2- EFEITOS ESPECIAIS
Galactica dá baile a qualquer série de FC jamais feita em televisão. Não porque tenha grandes efeitos especiais (que até os tem) mas porque sabe quando não os usar. Cenas como os saltos para o hiperespaço e algumas explosões são exemplos de inteligência narrativa e têm algum do maior impacto emocional pela simples razão de que não se vêem!!! É criado uma tal expectativa e tensão à volta delas que se fossem mostradas visual e literalmente só podiam resultar em decepção. Um realizador que consegue evitar essa armadilha e fazer a ausência resultar melhor que a presença merece um aplauso em pé.

4400 por seu lado está sempre à beira do kitsch. Já se viu aquilo tudo e mais bem feito.

3- ACTORES
Há uma magia qualquer quando os actores verdadeiramente encarnam as personagens. Galactica tem a sorte de ser servida por 3 ou 4 actores estupendos que por sua vez arrastam todos os outros para a excelência. O destaque vai para Edward James Olmos (um fortíssimo capitão adama) mas principalmente para Mary McDonnell, que embora faça o seu papel de sempre (mulher à beira de um ataque de nervos de aço), é um papel que faz muito bem e que dá a toda a série uma dimensão humana quase transcendente. É ela quem carrega a série toda aos ombros.

4400, devido aos seus diálogos simplistas e inconsequentes não deixa ninguém brilhar, mas também não me parece que haja por lá ninguém com esse potencial.

Curiosamente nenhum das duas séries tem gajos giros capazes de tirar a camisola e fazer a coisa valer mesmo a pena, mas a medalha vai outra vez para galactica precisamente pelo elenco de rapazitos secundários que, por serem tão "normais" são deliciosamente apetecíveis. Nesse aspecto 4400 fica-se pelo standard plástico americano que é por demais enjoativo.

4- MÙSICA

Não falaria nisto não fosse o caso de as diferenças serem tão óbvias.
Galactica surpreende com uma banda sonora minimalista e apenas pontual de tambores tribais ou vozes étnicas. Pelos vistos alguém andou a ver ANIME (lembrou-me um pouco a banda sonora de AKIRA) e aprendeu uma lição. As batalhas espaciais com tambores tribais tornam-se incrivelmente viris e a tensão dramática que já existe por si nas outras cenas dispensa de facto música.

4400 é o exemplo de como o kitsch musical pode ajudar a matar qualquer coisa. Afogar todas as cenas tristes em óboés, flautas e pianos electricos é completamente dispensável. É efeito barato.
Há também o momento "magnólia" em que uma canção pop passa na íntegra enquanto vemos múltiplas personagens nos seus dramas pessoais. Mas nem a canção é boa nem o efeito conseguido ou justificável.

VEREDICTO FINAL:

Galactica - 5 estrelinhas e muito entusiasmo
4400 - 2 estrelinhas e grande decepção

sexta-feira, 23 de setembro de 2005

bom fim de semana

Hoje o carteiro trouxe isto:



o que me deixa especialmente contente porque tem isto:



Este fim de semana ninguém me tira do sofá!

quinta-feira, 22 de setembro de 2005

Parabens

Parabéns especiais para o meu amigo Kenneth

que esta semana vendeu a sua série de 6 episódios sobre uma equipa gay de volleyball para as televisões sueca e dinamarquesa. A série estreia este inverno na televisão norueguesa e vai ter uma versão em filme destinada ao mercado internacional.


A série é um documentário sobre a equipa e segue a vida pessoal de alguns dos jogadores dentro e fora do campo.
Depois de uma lesão no joelho que o impediu de continuar a jogar, o Kenneth, que já foi jogador desta equipa, resolveu pegar na câmara e filmar os amigos. O resultado, pelo preview que já vi, é divertido, tocante e verdadeiramente capaz mostrar a vida social e intima de um punhado de homosexuais tirados da realidade. Quero ver! Já!

nuestros amigos Fangoria

E já que hoje sopram ventos de espanha...



http://www.arquitecturaefimera.com

nuestra amiga najwa

Não é que ela seja uma grande actriz, não é que ela cante bem ou componha grandes músicas, não é que ela seja bonita, mas... a Najwa Nimri tem qualquer coisa de je ne sais pas quoi que me faz comprar os discos e ver os filmes...



http://www.najwa.info/

requiem

Ontem à noite vi o filme "O juri" que me espantou por afinal não ser mau como eu temia.
Mas curioso mesmo foi ver um filme cheio de imagens de uma Nova Orleães que simplesmente já não existe... e onde eu já não poderei ir...

um dia a la donnie darko

- fiz um novo amigo
- real ou imaginário?
- ...imaginário...

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Os redimidos

O meu prazer auditivo das últimas semanas tem por base os novos albuns de Sufjan Stevens — "Illinois" e Devendra Banhart — "Cripple Crow" que são tipos a quem eu nunca tinha prestado grande atenção mas que por acaso se saíram agora com grandes discos.


O amigo Devendra tem músicas com refrões com "chubap-chubap" (o que significa sempre grande génio musical). E é impossível ficar mal disposto quando canta "Santa Maria da Feira" no seu portunhol mal amanhado, sussurrado sobre um sambita ingénuo com flauta de bisel e maracas. Nunca estive em Santa Maria da Feira, mas agora que já tenho banda sonora, tenho de lá ir... Depois há a canção "Cripple Crow" que dá nome ao album e me dá arrepios a mim.


Quanto ao amigo Stevens foi desencantar uns xilofones e coros infantis, que são coisa que fica quase sempre bem no rock independente (ver o album "Knock Knock" dos Smog). Cantarolável e épico.

...e também fiquei agradávelmente surpreendido quando pela vi uma foto do rapaz pela primeira vez... fã instantâneo!


Dois albuns muito tra-la-la com um toque de nostalgia naif que só fica bem no inicio do Outono.

x file

Ontem à noite sonhei que a zona da Expo se escangalhava toda num terramoto e a única coisa que ficava em pé era a pala do pavilhão de Portugal.
Acordei para ouvir as notícias da actividade sísmica nos Açores....

terça-feira, 20 de setembro de 2005

salada italiana

A pedido de várias famílias eis a receita da salada que fez sucesso na festa do sábado passado:

ingredientes:
batatinhas, tomatinhos, pesto, presunto, queijo parmesão, basilico fresco, pinhões, vinagre balsamico

1 - Cozem-se as batatinhas

2 - Salteiam-se as batatinhas com o presunto aos quadradinhos e os pinhões (não juntar gordura! A do presunto é mais que suficiente e deve ser escorrida no final)

3 - Assar os tomatinho cherry no forno

4- o queijo parmesão deve ser cortado em raspas grandes e brutas

5- misturar os ingredientes todos numa tijela

6- comer como se não houvesse amanhã

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

popular music 2

Afinal não achei o filme Popular Music — visto no domingo no festival gay e lésbico—nada de especial. Sofre do mesmo que algumas adaptações de livros ("como água para chocolate", "a casa dos espiritos") em que histórias e metáforas que resultam por escrito se perdem completamente e resultam ridículas quando transpostas para o visual de uma maneira demasiado literal.
Ainda assim, teve algumas cenas memoráveis que fizeram dar o tempo por bem entregue.

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Ai Jesus...

A Anne Rice tem um livro novo:



citemos:

"Having completed the two cycles of legend to which she has devoted her career so far, Anne Rice gives us now her most ambitious and courageous book, a novel about the life of of Christ the Lord based on the gospels and on the most respected New Testament scholarship.
The book's power derives from the passion its author brings to the writing, and the way in which she summons up the voice, the presence, the words of Jesus who tells the story."

Eu tremo de medo. É de certeza o livro mais assustador que ela jamais escreveu.
Mas o que é que lhe deu na veneta??!!!

Quão longe estamos disto:



que é um livro verdadeiramente dedicado à paz na terra e amor entre os homens...

Musica popular

A minha curiosidade no Festival Gay e Lésbico vai para o filme POPULAR MUSIC de Reza Bagher (passa Sábado e Domingo)



O livro em que se baseia é uma delícia e é um best-seller internacional (excepto em Portugal onde a literatura escandinava chega sempre com 10 anos de atraso...) e o filme promete fazer-lhe justiça. Lá estarei!

os mortos ao vivo



No passado mês de Março tive o previlégio de ver os Dead Can Dance ao vivo em Berlin (bilhetes comprados com 8 meses de antecedência!). Parece o regresso dos mortos vivos (eles já não gravam albuns há 10 anos) mas eles ainda dançam como sempre dançaram. O concerto foi excelente e eles tocam 7 (muito boas) músicas novas nesta tournée.

Embora continue a fazer figas para que no final da digressão eles sigam para estúdio e gravem um disco novo, a verdade é que já estou bem servido porque alguém teve a feliz idéia de gravar CD´s com os concertos.
Da digressão europeia comprei o concerto de Madrid (o de Berlin que eu vi não foi gravado e os outros já estavam esgotados) e depois, por puro fanatismo (e porque tinha mais 2 canções do que o concerto de Madrid) comprei o best-of da digressão europeia.
A qualidade audio é excelente e a embalagem também. Por isso avisam-se os interessados que a mesma companhia que gravou a digressão europeia vai agora gravar e editar a digressão americana que começa este mês. Ide a:

http://www.dcddiscs.com/

Eu, apesar de já ter dois, estou a considerar seriamente comprar o concerto que calha na data do meu aniversário. É que nestas coisas eu sou um bocadito fetichista...

quarta-feira, 14 de setembro de 2005

no DVD - O regresso

Ontem a noite foi passada a ver o filme russo "O regresso". Gostei, visualmente deslumbrante, algures entre Tarkovski e um anúncio da Peugeot.



Mas a história foi o mesmo que nada. Onde estava a catarse que prometia? No fim o filme afunda-se completa e literalmente. Às vezes a beleza não chega...

Celebridade

Hoje pediram-me um autógrafo. Nunca percebo porque o fazem mas é coisa que me assusta, enternece e afaga o ego. Principalmente quando acontece fora de época e de esquemas de marketing.
Obrigado Joãozito, foi a cereja no bolo do meu dia!

terça-feira, 13 de setembro de 2005

Abracadabra

O Miguel Vale de Almeida no seu blog escreveu um comentário curioso acerca do programa Esquadrão G.
Cito:

"o mais curioso da noite foi isto: nem no programa propriamente dito, nem no stunt publicitário com a presença do Esquadrão no programa de Herman José, logo a seguir, alguma vez se referiu sequer que os rapazes são gay. Isto é, a sua gayness desapareceu depois do anúncio do programa nas últimas semanas. A sua gayness surge apenas confirmada nos sinais exteriores de... gayness - coisa que só pode acontecer se esses sinais forem os de um estereótipo*. Circularidade absoluta. O silêncio foi tal que quase suspeito que fosse combinado."

Essa do silêncio é de facto curiosa. Começa pelo nome do programa que prefere "G" a "Gay" com as letras todas.
Faz-me lembrar o You-know-who, o Voldemort dos livros do Harry Potter. Parece que não chamar as coisas pelos nomes nos protege do mal.

Isto recorda-me também um dos momentos mais divertidos da minha vida, quando fui pela primeira vez aos escritórios da minha editora para falar sobre o livro "Olhos de cão" e discutir o contrato. Em quase duas horas a conversar sobre o que eu tinha escrito nunca ninguém se atreveu a dizer as palavras "gay" ou "homossexual". Falava-se em "público específico", "tema invulgar na literatura portuguesa" mas andava-se ali à volta da coisa como se ao chamá-la pelo nome se conjurasse o diabo.

O mesmo na apresentação dos livros da Ana Zanatti. Falava-se na coragem dela escrever aquele livro mas não se explicava porque é que a coisa implicava coragem. Parece que se prefere viver num mundo de subentendidos...

Curiosamente, na contracapa do meu livro ninguém se atreveu a censurar a palavra "homossexualidade" que eu escarrapachei propositadamente na sinopse. Motivo porque alguns potenciais leitores que pegam no livro nas livrarias acabam depois por o largar apressadamente como se tivesse pegado na peste...

a batata

Ontem cheguei a casa totalmente exausto e dediquei a noite ao que sei fazer melhor que é transformar-me numa batata deitada em cima do sofá da sala. Pus no DVD o "Donnie Darko" que é um filme com três grandes virtudes:

1- Tem o Jake Gylenhaaaalocoiso:



2- Tem uma banda sonora deliciosa

3- Não precisa de cérebro para ser disfrutado porque seja como for aquilo não faz sentido nenhum mesmo que já se tenha visto 10 vezes.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

novos preconceitos

Este fim de semana fui à missa e descobri que me irritam mais os cristãos alegres do que os condenadores e castrantes.

Entra uma pessoa na igreja pronta para ouvir o sermão patético e retrógado de um velhote e afinal apanha com um padre com a mania que é "moderno" (mas stuck in the 70's) e que gosta de cantarolar mal amanhados versos sobre Jesus que se forçam para caber em versões à la escuteiro de canções de Bob Dylan, Rolling Stones e Jesus Christ Superstar. (E aposto que não pagam royalties pelo uso indevido! Porque é que a SPA não inspeciona as igrejas?).

Qual cereja em cima do bolo ainda inventam uma musiquita com coreografia para nos benzermos durante a reza do Pai Nosso como se a missa fosse uma catequese no jardim escola.

Mas o que é isto???!!!

Em condições "normais" já me é difícil levar uma missa a sério, mas coisas destas são um insulto à minha inteligência. É-me mais fácil acreditar num Deus que me queira penitente e me ameaçe com o fogo do inferno do que num que supostamente gosta de me ver a dançar uma benção coreografada ao som de músicas com maus versos e melodias infantis. Deus precisará de se rir?

Esta imposta alegria em louvor a Deus é ainda mais hipócrita que a sisudez a que eu estava habituado. Mas quem raio julga Jesus que é para nos obrigar a sentir-nos felizes e alegres? E que concepção infantilóide é esta da alegria? Vivemos num mundo cão e ainda temos de agradecer e parecer felizes? Não concebo nada de mais tirânico. Estaremos em Cuba e Deus é o Fidel Castro?

Enfim, eu julgava que já tinha enterrado o meu respeito pela religião há muito tempo mas mesmo assim ainda consegue vir alguém espetar mais um prego no caixão enterrado a 70 palmos debaixo da terra.

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Os heteros

Ontem fui ao jantar de despedida de solteiro de um amigo meu. Às tantas estava a dar conselhos sexuais a amigos que são pais de filhos e que começaram a vida sexual aos 15. Eu, que fui virgem até aos 23!!
Foi muito estranho ter uma data de gente que se volta para mim como se eu fosse o consultório da revista Maria, género: "pergunte-me o que sempre quis saber sobre sexo mas nunca ousou perguntar a ninguém".
Enfim, serviu de contrapeso ao chat da tarde com um amigo gay que me elucidava sobre a vida selvagem de um pinhal italiano à beira mar plantado...

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Psicose

Há 2 dias que sou perseguido pela música "Cielito lindo". Todos os músicos pedintes por que passo estão a tocá-la.
Já a ouvi nas seguintes versões:

- Acordeão (por ciganito no metro)
- Voz, guitarra e ferrinhos (por duo de velhotes na Rua do Carmo e o que cantava tinha uma voz excelente, por acaso)
- Violino, acordão e pandeireta (por ensemble romeno na esplanada da pastelaria Suiça)
- Violino e caixa de ritmos (por refugiado de leste no metro)
- Flauta de pã e caixa de ritmos (por agrupamento pseudo-asteca no Rossio)

Pergunto-me se isto será uma mensagem do além, um sinal de Deus ou um erro na Matrix.

Fiz um esforço para decifrar um significado trascendente nesta meta-coincidência mas só me ocorre uma coisa: esta canção faz-me sempre lembrar o casamento de uns amigos no México e o passeio de barco nos canais de Xochimilco onde pagámos uns pesos a um barco atafulhado de mariachis para nos cantarem umas canções. Como tinhamos de pedir as canções por nome acabámos, como bons gringos, por ouvir apenas "La cucaracha" e "Cielito lindo". Mas pronto, Mexico no seu melhor...

Ora estes meus amigos estão há 6 meses á espera que eu acabe uns quadros que me encomendaram. Será isto Deus a lembrar-me que tenho mesmo de acabar a coisa e que já devia ter vergonha na cara? Por outro lado, recuso-me a acreditar que o universo conjure tantos meios para um fim tão prosaico... enfim, a vida é um mistério (ou como diria a outra: "Life is a mistery, everyone must stand alone, etc, etc...")

PS- Juro que não ando a ler Paulo Coelho

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Nacionalismo parte 2

Ontem à noite romei com metade de Lisboa até Belém para ver o concerto da Mariza. Nunca a tinha visto ao vivo e valeu bem a pena. É certo que me atrasei e quando cheguei à zona já o concerto tinha começado, o que quer dizer que fiquei a 3km do palco, mas se calhar foi por bem. O que mais me impressionou no concerto foi o silêncio do povo. Eu estava bem longe do palco e ainda assim ouvia cada suspiro da fadista e cada roçagar de unha na corda da guitarra. Até o vendedores de pomada quase sussurravam quando apregoavam "quem quer vinho?" (Vinho???!!! Só mesmo num concerto de fado!). E depois a Torre de Belém iluminada a cor de rosa, a luz dos holofotes a coar-se pelas copas dos pinheiros, as faces cheias de portuguesissima e nostálgica saudade nos novos e velhos... Quase me faz parafrasear a própria Mariza e dizer: Portugal, tu sabes que eu sou teu...

...felizmente estas febres só me dão de vez em quando e não são sérias....

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Esta noite sonhei com o Papa

Os sonhos são norma geral algo surrealistas, mas o que tive esta noite elevou consideravelmente a minha fasquia: sonhei que estava dentro de uma gaveta (!) juntamente com um bispo português que conversava com o Papa. Eu estava encarregado de lhes servir chá mas eles não se calavam e eu não conseguia interrompê-los. Entretanto estava uma rapariga à minha espera num carro porque precisava saber se o filme que eu lhe recomendara era realizado pelo Woody Allen ou pelo Neil Labute e só o Papa me poderia dar a resposta quando eu lhe servisse o chá.

Aposto que não há livro de interpretação de sonhos que me valha para isto...

Nacionalismo

Os idiotas da "juventude" nacionalista enviaram-me um mail a "promover" o blog deles. Só pelos títulos dos artigos achei que não valia a pena lê-los. Há coisas muito mais interessantes para aprender na net, como isto por exemplo:

http://www.pink-triangle.org/

E, num acesso de patriotismo, aqui fica a bandeira do meu país:

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

o Katrina

Por ter acontecido nos Estados Unidos, ha duas coisas que tornaram a passagem deste furacão numa desgraça maior do que foi: as armas e as câmaras de filmar.

as criancas 2

Desfolhava eu a revista Visão com o meu sobrinho de 7 anos a espreitar por cima do meu ombro quando encontramos o anúncio do programa "Esquadrão G". Ele tinha estado milagrosamente calado até esse momento em que explode:
"Olha tio! É o anúncio do esquadrão gay! Mas eu não percebo uma coisa: Eles são um número impar e isso quer dizer que há sempre um que não pode fazer amor!"
Eu tentei não me rir às gargalhadas enquanto lhe dizia:
"Pois é, é muito estranho. Cinco é um número impar. Aprendeste isso na escola?"
"Não! Na escola não se aprende nada!"
e chateado com o rumo que a conversa estava a tomar voltou-me as costas e foi pintar o Tom e o Jerry com lápis de cera.

as crianças

Passei o dia de Sábado num parque aquático com os meus sobrinhos. Há uns bons 15 anos que não escorregava numa daquelas condutas. A mais divertida é a que de facto se assemelha a um esgoto porque é completamente coberta e escura e, como se desliza numa bóia, não se fica parado a meio com aquela sensação de o-meu-rabo-está-gordo-e-parece-uma-âncora. E pode-se guinchar como meninas porque está escuro e ninguém nos vê.
Depois, é sempre bom estar com crianças para perceber que a felicidade e a tristeza são puras criações mentais.
Um dia de insustentável leveza do ser (...exceptuando aquelas partes do rabo-âncora).

O som e a visao

Hoje resolvi abrir uma excepção e adicionar um link à barrinha da direita para um site que não é gerido pela familia Skramesto.

Pelos vistos isto dos blogs é tão fácil que até o amigo Galopim finalmente se converteu. Depois do iPod, depois do CD-R, depois do blog que mais poderemos esperar deste recém convertido ao maravilhoso mundo dos bits e pixels...??? Nuno, deixo-te a dica: PodCast!!!

Entretanto visitem o excelente (e digo excelente porque 90% das vezes estou de acordo com as opiniões expressas pelos seus autores):
http://sound--vision.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

a scanner darkly



http://www.apple.com/trailers/warner_independent_pictures/a_scanner_darkly.html

Keanu Reeves em desenho animado de ficção cientifica! ...mas esta gente andará apostada em satisfazer os meus desejos mais impossíveis?!!! Será que devo esperar por um épico erótico de vampiros com o George Clooney, o Hugh Jackman e o Mark Ruffalo?!!! (nota a eventuais produtores/argumentistas de hollywood que leiam este blog: se não puderem ser vampiros também podem ser lobisomens, desde que tirem a camisa! Auuuuu!)

o navio e o comboio

Hoje ao pequeno almoço o meu namorado comentava o periodo pré-eleitoral da Noruega. Dizia ele que a Noruega lhe faz lembrar o Expresso do Oriente, só tem uma direcção e segue sempre em frente à mesma velocidade. E os políticos são como os criados, pouco importa quem sejam ou que comida sirvam, a comboio segue sempre em frente.

Da minha parte argumentei que, nesse caso, Portugal é o Titanic e os politicos são os músicos do salão. Pouco importa quem são ou que música tocam porque toda a gente sabe que o barco se vai afundar.

(...e devo confessar que ando com uma ENORME vontade de me armar em ratazana...)

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

a cambalhota

ontem revi o filme "E a tua mãe também" que tinha visto no cinema há cerca de 4 anos. É curioso como agora percebi o filme de uma maneira diferente.
Na altura irritou-me um pouco a voz off que entrava frequentemente para dar pormenores da vida e dos destinos de personagens que não tinham nada a ver com a história que estávamos a ver. Parecia-me irrelevante.
Agora é que percebi que a história principal é que é quase irrelevante e que o que o filme faz não é um retrato de 3 personagens mas que antes usa essas 3 personagens para fazer um retrato do México enquanto país e sociedade.
Para além dessa voz off e desses comentários, a câmara está sempre a olhar para o lado, para a janela. Muito mais do que para as personagens.
As personagens vivem um momento especial, uma viagem que está quase fora do tempo, das convenções sociais e do próprio espaço. O carro é como uma cápsula que os protege do exterior, e mesmo quando saem daí, o núcleo das 3 personagens está completamente fora do resto do mexico que os rodeia mesmo que interaja com ele, como por exemplo na crucial cena final em que os 3 se embebedam numa mesa longe da outra mesa dos pescadores.
E ao ver o filme desta maneira, o que a principio me tinha parecido uma comédia sexual transformou-se numa tragédia social.
Gosto tanto quando a minha percepção das coisas dá uma cambalhota...

terça-feira, 30 de agosto de 2005

ele e ela

Ontem vi o DVD da Reality Tour do David Bowie.
Foi bom relembrar o concerto que fui ver a Paris para celebrar o meu 30º aniversário (este ano já serão 32!!).
Não é à toa que eu amo aquele homem. Num concerto para milhares de pessoas ele consegue comunicar com cada alminha. E parecer feliz com o que faz.

E anteontem, noutra sessão de DVD perguntava-me: Que raio faz a Madonna num episódio de Will & Grace? É incrivel como não consegue ter graça nem ponta de naturalidade. Será que não desiste de tentar ser actriz?! E não parece estar a envelhecer bem. Demasiado botox. O Bowie au naturel tem muito melhor aspecto que ela.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

sing, sing a song...

Na sexta feira fui ao aniversário de um amigo meu que ofereceu a todos os convidados um CD com a sua banda sonora para 2005. Uma boa idéia (não pensemos na pirataria) já que trazia umas cançõezitas jeitosas que eu não conhecia.
Foi uma boa ocasião para fazer mais uma afinação ao meu iPod que, por ter os seus 10Gb completamente atafulhados, neste momento só aceita canções verdadeiramente boas, capazes de roubar o lugar a outra que já lá esteja dentro.
Apanhando o espírito da playlist, fiz um pequeno "top eleven" com "as canções da minha vida". É um conceito foleiro, mas apeteceu-me partilhar. São algumas das canções que me dão sempre um arrepiozito de prazer e nas quais reconheço resquícios da minha verdadeira identidade. Voilá:

New Order - "Vanishing Point"

Cocteau Twins - "Cherry Coloured Funk"

The White Birch - "Donau Moves"

Lloyd Cole and the Commotions - "Forest Fire"

Red House Painters - "Rollercoaster"

Grant Lee Buffalo - "Fuzzy"

Cowboy Junkies - "Sun comes up it´s tuesday morning"

Pet Shop Boys - "Always"

Propaganda - "Dream within a dream"

Dead Can Dance - "Indoctrination"

Né Ladeiras - "Sedutora"

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

os amigos talentosos

Está patente na Casa da Morna em Alcãntara a exposição do meu amigo Francisco. Recomendo que passem por lá que vale a pena.

Da minha parte fiquei eu com pena de não ter uma parede lá em casa onde caiba esta "coisa":



Se calhar está na altura de mudar de casa....
porque no fim de semana, ao visitar o atelier do meu amigo Matthew Stradling ( www.matthewstradling.com ) fiquei completamente fascinado por isto:



que também não é pequenito...

Começo a compreender o problema do senhor Berardo. Tivesse eu o dinheiro que ele tem e também estaria à rasca para não deixar a arte à chuva.

Little sister

Chegou-me finalmente aos ouvidos o CD da Martha Wainwright, a irmãzinha do Rufus.
Eu já a tinha em grande conta desde "year of the dragon", a pérola maior do mui recomendável album "the McGarrigle hour" em que a familia McGarrigle/Wainwright se junta para cantar depois de uns copos.
Comprova-se que não só os filhos dos peixes sabem nadar, mas as irmãs também.
Seja bem vinda ao meu iPod, menina Martha!!

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

material girl

Para além de ter dado uns pénis (hihihi!) a um pedinte e ter contribuido significantemente para o enriquecimento da rede de transportes ingleses ainda gastei dinheiro em:

DVDs
Will and Grace - season 5 (20 euros mais barato que na FNAC chiado)
A casa das adagas voadoras
O Regresso
y tu mama tambien
Entrevista com o vampiro
...e mais um filme japonês cujo nome agora não me ocorre... (3 DVD a 17£ na HMV do aeroporto... e eu não resisto a pechinchas)

Livros
"time and the gods" - Lord Dunsany
"Soul of the fire" - terry goodkind
"Guilty pleasures" - Laurel K Hammilton
(3 livros por 18£ no quiosque do aeroporto....e eu não resisto a pechinchas)

ou seja, delicious trash!!!

Curiosamente 90% do meu tempo em livrarias foi passado na secção infantil. (os outros 10% na de FC e Fantasia)

O ponto alto da viagem foi o gigantesco dinossauro de Lego na secção de brinquedos do Harrod's.

A passagem (breve) por Old Compton Street só serviu para confirmar outra vez que não sou "gay profissional". Mas é sempre giro visitar a familia.

Confirmou-se ainda que o Mela em Convent garden continua a ser o melhor restaurante indiano do mundo. Enganei-me no menu e pedi "Jaquinzinhos" pensando que estava a pedir uma posta de peixe branco. Eu ODEIO jaquinzinhos. Mas quem diria que quando são fritos revestidos de cardamomo e servidos com molho de menta se tornam numa iguaria divina?... não há nada como ver os nosso preconceitos a cair por terra. Da próxima vez que lá for tenho de ver se servem mioleira ou tripas...

No final dei por mim a pensar que afinal, se calhar, um dia, até vou conseguir gostar de Londres.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

O truque do cao

A melhor coisa das viagens é o modo como de repente se vê as coisas de outra perspectiva. Depois de um fim de semana em Londres voltei cheio de saudades dos nossos multibancos e das nossas máquinas de venda de bilhetes de metro que dão troco a notas de 10. Também sou da opinião de que todos os países do mundo deviam ter a mesma moeda. É tão demodé ter de estar a fazer cambios. E controle de passaporte está definitivamente out. Afinal para que é que os ingleses estão na comunidade europeia?! Já é mais que tempo de fazer uma directiva europeia que os obrigue a conduzir no lado certo da estrada, a terem tomadas que não pareçam uma central electrica sovietica dos anos 50 e a usarem o sistema métrico e os graus centígrados.

De facto há momentos em que uma pessoa só pode ser a favor da uniformização pela simples razão de que facilita a vida a toda a gente. Mas depois, como não podia deixar de ser, vem o reverso da medalha. O momento em que o mundo se transforma na aldeia global e se percebe que as cidades se estão a tornar todas iguais. Quando um centro comercial em trás os montes tem as mesmas lojas (zara, macdonalds, body shop, benetton) que um em Londres, Berlin ou Badajoz. Quando os motoristas de autocarro de Londres se saem com as mesmas bocas foleiras dos de Lisboa. Quando se repara que o público que vai às sessões da cinemateca de Oslo parece feito de irmãos gémeos dos que vão às sessões da cinemateca de Lisboa...

Mas o que me saltou à vista em Londres foi o truque do cão, ou seja, a quantidade enorme de pedintes que usam um cão para atrair a caridade alheia. Porque comigo funciona! Depois de um treino de décadas a viver em grandes cidades o meu coração tornou-se impremeável a ciganitas descalças, ceguinhos estropiados, imigrantes esfomeados e à miséria humana em geral. Mas há qualquer coisa nos olhos de um cão que me parte o coração. (E deixo ficar a rima porque dá á frase um toque foleiro que é absolutamente genuíno). Por alguma razão chamei ao meu primeiro livro "olhos de cão".

Ao ver que em Londres, tal como em Lisboa, também há pedintes que passam o dia na rua abraçados ao seu cão tornou-se para mim evidente que a coisa é um truque. Uma construção, como a dos pedintes que exibem as suas chagas, feridas e membros decepados. E quando este pensamento me surge sinto-me indignado, ultrajado, enganado. Isto dura 3 segundos porque logo me surge outro pensamento sobre a minha caridade desumana. De como me consigo preocupar mais com um animal do que com um humano. Será isto mau? Bom não é de certeza...

Mas depois penso: O que é que de facto me comove no pedinte com cão?
Em Londres o que me fez puxar da moedinha foi um tipo que, sentado num cartão, indiferente à multidão que jorrava da saída do metro, beijava o seu rafeiro atrás das orelhas enquanto o abraçava. Naquele momento, o cão era a única coisa que importava no mundo para ele. Era o único sitio de onde lhe vinha qualquer coisa parecida com amor.
E quando percebi isso percebi que de facto estava a dar dinheiro áquilo que de facto me parece essencial no ser humano: a capacidade de amar incondicionalmente, que é uma coisa que só nos permitimos mostrar ao mundo através dos animais (porque é um amor asexuado e como tal livre de culpa, vergonha e moral). É esse o truque. E é por isso que vai continuar a enganar-me e a fazer-me procurar pela moedinha. Sempre.

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

signs of the times

Há 3 dias que lá em casa se vê os filmes da saga Alien. É extremamente divertido ver como cada filme tem em si as marcas visuais da sua década. A mais hilariante aparece em "Aliens". Na cena mais obscura, quando a menina Weaver se arma de metralhadora e lança chamas e entra no gigeriano ninho dos bichitos, houve alguém que conseguiu incluir no décor uns néons cor de rosa. É possível ser mais anos 80??!!!

as gajas

Curioso... hoje reparei que a grande maioria dos meus livros gay favoritos foram escritos por mulheres. Não sei o que isto quer dizer, mas é capaz de querer dizer alguma coisa:

"A sombra de Foulcault" - Patricia Duncker
"O jovem persa" - Mary Renault
"Salto Mortal" - Marion Zimmer Bradley
"Cry to heaven" - Anne Rice
"Entrevista com o vampiro" - Anne Rice

terça-feira, 9 de agosto de 2005

a pobreza

Nestas férias na Madeira apercebi-me de uma coisa que sempre me tinha passado um pouco ao lado: a pobreza cultural.
Com isto não estou a falar de populações privadas de cinemas, concertos, museus, etc... mas sim de pessoas que vivem quase como burros de palas nos olhos. E não o fazem por pobreza económica, opressão social, ou seja o que for, mas sim pelo que eu entendo como pura pobreza de espírito.

Passei as férias numa pequena aldeia no meio das montanhas e dei passeios pelo campo e fiz longas viagens de autocarro e uma coisa que prendeu a minha atenção foi como cada casita tinha sempre o seu quintalinho. É uma coisa simpática, mas na Madeira, a esmagadora maioria ocupa os seus quintalinhos com uma plantação de couves. Daquelas galegas, grandes, farfalhudas e que conseguem quase crescer como palmeiras.

Porquê?!

Não consigo perceber, sinceramente. Aquela ilha é abençoada por um clima e uma terra onde se pode plantar tudo o nos passar pela telha que a coisa há-de crescer feliz e sumarenta. Então porquê plantar couves? E porque é que TODA a gente o faz? E porque é que ocupam o quintal TODO com aquilo (estou a falar de 20 a 30 couves por quintal!!!)?

Vejamos:
1- A couve é das coisas mais baratas de comprar num mercado.
2- Uma família com uma dieta equilibrada não precisa de mais de duas ou três couves no quintal.
3- Um quintal familiar não produz couve suficiente para que a sua comercialização seja rentável.
4- Se toda a gente tem couves no jardim, ninguém compra couves.

Ocorreu-me que talvez houvesse um prato típico da Madeira que levasse muita couve. Mas para além do caldo verde não me ocorreu mais nada. Será que aquela gente come caldo verde ou cozido à portuguesa todos os dias?! O mal que isso não deve fazer ao ambiente familiar... Mas é que nem nos restaurantes (naqueles a que fui) se dá bom uso á couve!

Sinceramente, não percebo. Se se tem uns bons metros quadrados atrás da casa capazes de nos abastecer a dispensa com qualquer verdura, do kiwi ao pimento, da hortelã à marijuana, porquê insistir nas couves? Só pode ser pobreza. Cultural.
E é triste, porque não se vê remédio para isto e nem sequer se pode culpar o governo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

o que e que a baiana (nao) tem?

Comprei a série "Carnivale - a feira da magia" em DVD por puro impulso consumista. Afinal 12 episódios de uma hora pela módica quantia de 25 euros pareceu-me um bom negócio. E é. A série é bastante interessante e tem uma direcção de arte irrepreensível (e um genérico lindo!). E no entanto...
...no entanto fica-se com aquela sensação de que aquilo é uma espécie de Twin Peaks mal conseguido. É que o David Lynch engana-nos muito melhor e consegue-nos por a achar que por trás de coisas gratuitamente cripticas há uma qualquer verdade profunda. Aqui é mesmo só o verniz. E é transparente.
Ainda assim, infinitamente melhor que ver qualquer dos 4 canais. (eu não tenho cabo).

...ah, e o rapazito do papel principal é um querido e está sempre suado e a lavar-se num alguidar :-)

o regresso

É duro regressar. Depois de duas semanas a olhar para o verde a ouvir os passarinhos a cidade é mesmo um assalto aos sentidos.
Como eu já previa, acabei por não escrever mais do que uma dúzia de linhas. Em compensação li uns bons milhares:

"Harry Potter and the half blood prince" - J. K. Rowling
É mais do mesmo mas continua a saber bem como sempre. Aliás, este é melhor que o anterior.

"The naked civil servant" - Quentin Crisp
Não sei porque é que não li isto antes... é GENIAL!

"Salto mortal" - Marion Zimmer Bradley
Já andava para ler isto há anos mas finalmente aconteceu. 870 páginas em dois dias. Foi como comer algodão doce.

"Thursbitch" - Alan Garner
Não percebi metade mas acho que não perdi muito. Bonito.

"Eleven on top" - Janet Evanovich
Estes também são sempre a mesma coisa mas parto-me sempre a rir. Nem ao 11º volume isto perde a graça.

"Aristoteles and the secrets of life" - Margaret Doody
Estava à espera de melhor. Um policial na grécia antiga com Aristoteles a fazer de Sherlock holmes. "O nome da rosa" cumpre melhor mas ainda assim passou-se bem o tempo.

quarta-feira, 20 de julho de 2005

antes de ir de ferias descansado

alguns fãs (sim, existem!!! e não estou a contar com os amigos!) perguntam se estou a escrever um novo livro.
A resposta é: já está escrito e está nas mãos da editora. Resta saber quando e se será editado. Com um bocadinho de sorte pode ser que saia para o ano. É um livro de contos para adultos.

Todos queremos ser estrelas pop

Aqui há tempos o meu cérebro também foi de férias para parte incerta graças a uma grande gripe. O resultado foi este que podem ouvir:

http://www.icompositions.com/artists/havalina/

Sim, sou eu a cantar...

Correio

Caro Daniel:

Cá estou eu deitado à beira de uma piscina de Piña Colada na mão. Ouvi dizer que tens sentido a minha falta mas sei que os teus planos para as próximas semanas incluem ver os DVDs da season 4 do Will and Grace e ler o novo Harry Potter. Foi por isso que achei que não ias precisar de mim. Sê simpático e chama-me apenas em caso de emergência.

Sem grandes saudades,
o teu Cérebro

Ferias

Eu só vou de férias para a semana mas o meu cérebro já foi. Não sei para onde. Estou à espera que mande um postal...

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Obsessao

Hoje já ouvi esta canção mais de 10 vezes:


INTERPOL - Public Pervert

If time is my vessel, then learning to love
Might be my way back to sea
The flying, the medal, the turning above
These are just ways to be seen
We all get paid
Yeah some get faith before they die
But the stars we will navigate
Through the holes in your eyes

How many days will it take to end
How many ways to reach your hand, oh
You and I

Oh, so swoon baby starry nights
May our bodies remain
You move with me, I'll treat you right, baby
May our bodies remain

There is love to be made
So just stay here for this while
Perhaps heart strings resuscitate
The fading sounds of your life

How many days will it take to land
How many ways to reach your hand, ahh
Oh, you and I

So swoon baby starry nights
May our bodies remain
As weak we move, I'll feed you light, baby
May our bodies remain
Oh yeah in history, I'll treat you right, baby
I'm honest that way, hey
Swoon baby starry nights
May our bodies remain

Sonhos

Ontem tive o sonho mais bonito da minha vida. Não acontecia nada de especial: Eu estava numa praia e quando uma onda enorme rebentou contra uns rochedos eu levantei voo e fui planando até ao cimo de umas montanhas de onde vi o nascer do sol. O que foi surpreendente no sonho foi o nível de detalhe. Eu conseguia ver cada gota de água da onda que rebentava nas rochas, a textura da neve das montanhas e tudo era em technicolor.
Foi um daqueles sonhos que nos reconcilia com a vida e parece uma benção que não merecemos.

Quando acordei lembrei-me do livro "Little,big" do John Crowley onde havia uma personagem que estava sempre a dormir porque tinha sonhos tão belos que achava um desperdício estar acordada.

Example

Curiosamente, este livro é também daquelas bençãos que achamos que não merecemos. Como pode alguém escrever qualquer coisa de tão belo? Tenho de o voltar a ler senão qualquer dia julgo que foi apenas um sonho.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

running on empty

Há quase três anos que abri a minha pequenita empresa de design e fiz o voto de trabalhar apenas com clientes da área da cultura. Curiosamente, a coisa tem corrido melhor do que o esperado. Aparecem clientes e o trabalho é interessante.

O problema em trabalhar para clientes destes é que os honorários são necessáriamente baixos. Para além de ter de oferecer à partida preços baixos para não assustar os potenciais clientes, tenho também de regatear cada tostão. ( Uma das minha anedotas de antologia é a da embaixada que me telefona a perguntar o preço para um cartaz e quando eu lhes dou um preço eles respondem: "Mas não pode fazer um desconto? Nós somos um país pobre!!" )

Mas o que é mesmo grave, são os atrasos nos pagamentos. Poucos são os que pagam nos prazos acordados e para ver um pagamento tive sempre de telefonar antes. Os atrasos variam entre os dois meses, os seis meses e um ano (!!!!)
Na teoria, olhando para a facturação/despesas, o negócio vai bem. Na prática, olhando para o saldo bancário, vai sempre mal.

As desculpas para o não pagamento atempado de facturas são lindas. Eis uma pequena antologia:

- o subsidio do governo ainda não chegou.
- a contabilista está de férias/doente.
- a pessoa que trata disso foi tomar café e eu não sei de nada
- o senhor director ainda não assinou os cheques deste mês
- só atendemos às quintas à tarde.
- só lhe sei dizer a data do pagamento para a semana
- o nosso plano de pagamentos está atrasado alguns meses e tenho outros clientes à sua frente
- não temos dinheiro (prémio honestidade desarmante!)

Mas de facto, a única conclusão a que se pode chegar é precisamente essa: Ninguém tem dinheiro! Dá a sensação de que, seja qual for o negócio, está toda a gente a correr sobre o vazio, numa espiral descendente onde o dinheiro que entra vai apenas para tapar os buracos das dívidas.

Teoricamente, parece que a situação economica de Portugal tem safa. Eu, sinceramente, não acredito em teorias. Prefiro acreditar em pronto pagamento.

quinta-feira, 14 de julho de 2005

pequenas coisas

Hoje fiquei de bom humor só de saber que os The White Birch vão ter um novo album em Novembro

http://thewhitebirch.one.no

quarta-feira, 13 de julho de 2005

Teoria da conspiraçao

Tenho a impressão de que a J. K. Rowling anda a sabotar a minha carreira de escritor... Foi a mesma coisa há dois anos. Planeei passar as minhas férias a escrever e ela marca o lançamento do novo livro para dias antes de eu viajar. Como é que é possível escrever seja o que for quando se tem mais de 500 páginas de Harry Potter para ler?!!

terça-feira, 12 de julho de 2005

Update

Finalmente actualizei o site com as minhas pinturas.

http://home.no.net/danielba/galeria

É curioso olhar para elas assim todas de seguida. Vejo perfeitamente o que têm em comum com as coisas que escrevo: personagens anónimas e visão poética a descambar para o kitsch.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Deus vos abençoe

Uma reportagem num jornal norueguês este fim de semana era especialmente interessante:

Devido à enorme quantidade de imigrantes muçulmanos na Noruega (são quase meio milhão e o país tem menos de cinco milhões de habitantes) os principais produtores de carne estão a dar emprego a muçulmanos, não para matar os bichinhos, mas para rezar por eles antes de serem mortos. É que os seguidores do Corão só podem comer carne Halal, ou seja, carne de animais abençoados antes da matança.
A carne só vai marcada como Halal para o mercado de Oslo onde a grande concentração de muçulmanos o justifica, mas como se tornava demasiado complicado destinguir entre animais abençoados e não abençoados, neste momento, toda a Noruega come carne Halal. Só pode fazer bem à saúde!

Outra das grandes inovações de uma famosa marca de congelados norueguesa é a pizza Halal. É exactamente igual às outras, mas garante-se que se rezou pelo porco antes deste se ter transformado em bacon.

Cada matadouro tem entre 4 a 6 empregados a fazer estas rezas. O governo português é que ainda não pensou em tornar isto obrigatório nos matadouros portugueses como medida de combate ao desemprego!!!!

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Livros Infantis

A propósito da conversa que tem tido lugar no blog
http://escreverparaoboneco.blogspot.com/
ocorre-me dizer algumas coisas enquanto designer e escritor:

A sensação que me fica da grande maioria dos livros infantis portugueses é que são coxos. Um livro infantil tem de se apoiar em quatro patas para poder avançar em condições. São elas: escritor, ilustrador, editor, designer.

Destes quatro parece-me que quem anda a fazer pior trabalho são os editores porque são eles que têm de coordenar os outros três. Não me parece correcto andar a dizer aos outros como devem fazer o seu trabalho, mas há coisas que são tão óbvias que não sei como podem ser ignoradas. Pelos vistos alguém de fora tem de as dizer...

1 - OS ESCRITORES

- Os textos de autores estrangeiros publicados em Portugal deviam ter traduções e revisões mais cuidadas. Aparecem erros escabrosos e não são poucos.

- Os textos de autores portugueses que são escolhidos para publicação previligiam autores mais antigos, que, em certos casos, estão tão velhos que quase perderam a noção do público para quem escrevem. Continua-se a publicar quem sempre se publicou sem qualquer apreciação crítica.

- Há poucos (bons) autores novos a surgirem: primeiro porque pouca gente escreve para o público infantil; segundo porque os que escrevem são grandemente ignorados pelas editoras; terceiro porque as editoras não se dão ao trabalho de editar o trabalho dos escritores, com isto quero dizer, sentar-se com o escritor e descobrir maneiras de melhorar um texto com potencialidades. Os editores estão à espera da papa feita e querem a obra prima instantânea. Esquecem-se que os diamantes precisam de ser lapidados para poderem brilhar. Por isso é que poucas joias aparecem e quase tudo parece cascalho.

- Devido a esta (se calhar falsa) falta de escritores para o público infantil muitas editoras julgam que basta pedir a um escritor de ficção consagrado um pequeno conto para crianças. Nem sempre daí resultam boas coisas porque, mais uma vez, há falta de comentário crítico por parte dos editores (desta vez acrescida de reverência bacoca pela obra literária do escritor)

2 - OS ILUSTRADORES

- A escolha de ilustradores pelas editoras parece muitas vezes o Padrinho a arranjar biscates para os afilhados. Não lhes parece óbvio que para terem um bom livro é preciso escolher um ilustrador de acordo com o ambiente do texto de modo a que o universo visual e escrito se complementem??? Será exagero meu pensar que muitas vezes os editores não leram o texto do escritor e não conhecem o trabalho do ilustrador que contratam?

- Algumas editoras vêm o ilustrador como o tipo que é contratado para "fazer uns bonecos". Esquecem-se que em livros ilustrados eles são responsáveis por metade (ou mais) do trabalho. Eles também estão a contar uma história.

- Mais uma vez, não há posição crítica dos editores face ao trabalho dos ilustradores. Poucos percebem como é feito o trabalho do ilustrador e não lhes pedem esboços que deveriam ser discutidos com os escritores e designers. A criação de um livro infantil ilustrado tem de ser um trabalho de grupo. Na maioria das vezes o ilustrador é deixado ao abandono, sem noção do que se pretende. Isto resulta frequentemente em escritores insatisfeitos e ilustradores mutilados pelo design.
Aponte-se tambem o comportamento snob de muitos ilustradores que se julgam "artistas" e como tal impremeáveis a críticas, sugestões e comentários. Frequentemente evitam esforçar-se em melhorar o seu trabalho utilizando frases como "isso é contra o meu universo pictórico / a minha sensibilidade cromática", etc... Esquecem-se que o ilustrador serve o livro e usam o livro como uma ocasião para, de facto, fazerem mais alguns dos "seus bonecos".

3 - OS DESIGNERS

- A grande falha dos editores portugueses. Por questões de custo, a maioria das vezes, os livros infantis vão parar a um "gabinete gráfico" onde um estagiário "põe as letras nos livros". Há que perceber que um designer é a pessoa que coordena visualmente TODO o livro. Por isso tem que entrar no processo de produção praticamente ao mesmo tempo que o ilustrador.
Um designer deve ser um Director de Arte e um Consultor Técnico de produção. Um editor NÂO TEM (nem tem de ter) capacidade e competencia para fazer esse trabalho.

- Confiar numa gráfica para a impressão de um trabalho é o mesmo que achar que o drácula pode ser baby-sitter. Compete ao designer ir para a gráfica ver o trabalho a ser impresso porque ele é a pessoa que deve ser responsável pelo total visual do livro precisamente por ter acompanhado todo o processo da sua criação. Prescindir deste trabalho é estar condenado ao fracasso.

4 - OS EDITORES

- A visão crítica que o Editor deve ter sobre o trabalho do escritor, do ilustrador e do designer, para além de ter de ser óbviamente construtiva (vale de alguma coisa estar a fazer críticas destrutivas?!), tem de ser fundamentada. Para isso é preciso que o Editor tenha um conhecimento básico da função que cada uma das partes tem na criação do livro. Isto não é pedir muito - é pedir que façam o trabalho que lhes compete.

- Um editor tem que saber o catálogo que tem e que tipo de catálogo está a criar. A edição de livros é, e deve ser, lucrativa. Um mau livro é mau para toda a gente. Infelizmente, grande parte das editoras editam livros simplesmente porque sim.

- A primeira noção que um editor deve ter é saber O QUE É UM LIVRO. A maioria não sabe, embora viva rodeado deles.
Cada livro editado devia ser motivo de orgulho para o editor. Infelizmente, o que se vê é editoras a escolherem ao acaso o que publicam e a apressarem toda a gente para cumprir prazos ridiculamente apertados - que simplesmente não se justificam porque assim que o livro fica pronto é quase imediatamente esquecido e a promoção (quando existe!) dura pouco mais de um mês.

- Não adianta estar com orçamentos apertados para se editar livros maus (porque feitos à pressa e sem os devidos recursos). Com livros maus ninguém ganha dinheiro. Dinheiro compra tempo e qualidade - qualidade gera lucro. Isto é muito simples, mas parece que ninguém percebe.


.......

É claro que há mais coisas que eu podia dizer, mas provavelmente iria descambar para a crueldade. Hoje fico-me por aqui.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

No DVD - Wives and daughters

Acabei de ver mais uma série da BBC baseada num romance de Elisabeth Gaskel. Mais uma pequena pérola com excelente direcção de arte e bons desempenhos.
O mais curioso é fazer a comparação com a outra série que vi há umas semanas, o "North and South". Nessa, o universo aproximava-se mais de Dickens, em "Wives and daughters" aproxima-se mais de Jane Austen.
É a história da jovem Molly, filha do médico da aldeia, que vê a sua vida virada de pernas para o ar quando o pai resolve casar de novo com uma senhora que traz consigo também uma filha, de idade aproximada à de Molly.
Gaskel explora os choques entre classes sociais com um toque deliciosamente satírico, sem no entanto nunca tomar partido de ninguém. Nunca há personagens a preto e branco. As personagens boazinhas e inteligentes também têm rasgos de malvadez e tiradas estúpidas e vice versa.
Também o universo feminino é retratado com justiça e, passe as convenções sociais da época, as mulheres raramente são fúteis ou submissas.
É muito curioso descobrir assim uma autora que curiosamente tem ficado esquecida nas prateleiras das bibliotecas inglesas. Está na altura de lhe tirar o pó pois a sua premente modernidade o justifica. Palmas à BBC por esse trabalho.

terça-feira, 5 de julho de 2005

coisas comuns

Ontem enquanto preparava uns couscous vagamente marroquinos ocorreu-me que, tal como em marrocos, uma das comidas típicas da noruega é carne de borrego com nabo. De onde vem esta coisa em comum de misturar estes dois sabores não faço idéia, provavelmente é coincidência porque de facto funciona bem, mas é sempre divertido notar que às vezes são mais as coisas que unem os povos do que as que os separam.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Sim, senhor ministro!

Apesar da fuga do fim de semana, ainda estava ao alcance de uma televisão e vi a pequenita reportagem do Telejornal sobre a aprovação dos matrimónios homossexuais em Espanha.
Emocionaram-me as palavras de Zapatero no discurso parlamentar posterior à votação.

Hoy la sociedad española da una respuesta a un grupo de personas que durante años han sido humilladas, cuyos derechos han sido ignorados, cuya dignidad ha sido ofendida, su identidad negada y su libertad reprimida. Hoy la sociedad española les devuelve el respeto que merecen, reconoce sus derechos, restaura su dignidad, afirma su identidad y restituye su libertad.

Es verdad que son tan sólo una minoría; pero su triunfo es el triunfo de todos. También aunque aún lo ignoren, es el triunfo de quienes se oponen a esta ley, porque es el triunfo de la libertad. Su victoria nos hace mejores a todos, hace mejor a nuestra sociedad.


Este homem sim, tem tomates!

Quando se pode abrir o seu processo de beatificação? É que já fez maior bem que os pastorinhos de Fátima!

Lusitanos

Este fim de semana fui para fora cá dentro e dei um pulinho até ao Luso e ao Buçaco.
Nunca lá tinha ido e soube muito bem passar 3 dias num sítio onde não há nada para fazer.

Foi bom passear na mata do Buçaco (estava a precisar de ver àrvores e pirilampos), foi bom comer boa comida (viva a Regueifa e a Barriga de Freira!) e foi bom nadar na piscina municipal que não tem ponta de cloro porque tem água corrente da fonte do Luso (não imagino maior luxo que ter uma piscina destas em casa).

Mas apesar de todos os pontos positivos, há sempre uma pontinha de tristeza que se infiltra quando se repara que a decadente estação de comboios ganhou o 1º prémio das estações floridas em 1954. Hoje uma pessoa pergunta-se se o comboio de facto pára ali no meio das silvas.

E depois, o país real dos domingueiros, que vêm à fonte encher os garrafões de água e estacionar com uma geleira debaixo de um eucalipto na beira da estrada, tentando abafar o ruido dos carros com o mais recente êxito de Kátia Kristina... que é coisa que não me pertubaria se por acaso os domingueiros parecessem felizes, mas quase todos parecem estar ali contrariados, irritados uns com os outros.

No comboio de volta, eu e o meu norueguês conversámos com um australiano em férias. É fácil concluir que os portugueses são um povo triste e que o que faz falta é animar a malta. Mas falta um ânimo que não seja só pão e circo, que é a resposta fácil do governo e das autarquias, mas não é deles que tem de vir o ânimo, é do próprio povo que tem de aprender a gostar de si mesmo e da sua terra.

Eu, da minha parte, gostei muito do Luso e tenho um bocadinho de orgulho das origens lusitanas.

PS- Alguém sabe onde se pode comprar regueifa em Lisboa??!!

terça-feira, 28 de junho de 2005

Os meus preconceitos

Outro dia dei por mim a dizer que não tenho preconceitos contra ninguém. É mentira. Tenho preconceitos contra estas pessoas:

- taxistas
- funcionários de repartições públicas
- beatas, padres e clero em geral
- empregados de casas de fotocópias
- construtores civis
- fãs de futebol
- fumadores
- jovens alternativos que tocam tambores em locais públicos
- pessoas na sala de espera de um centro de saúde ou hospital
- políticos
- líderes sindicais
- jornalistas

e há mais!!! Mas assim de repente não me lembro...

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Top lagrimas

Filme
- O paciente inglês
Example
(esta cena é das que eu nunca vejo porque nesta altura já estou a chorar baba e ranho)

Livro
- Brokeback Mountain
Example
(este quando for para o cinema também já sei que tenho de levar Kleenexes...)