segunda-feira, 12 de setembro de 2005

novos preconceitos

Este fim de semana fui à missa e descobri que me irritam mais os cristãos alegres do que os condenadores e castrantes.

Entra uma pessoa na igreja pronta para ouvir o sermão patético e retrógado de um velhote e afinal apanha com um padre com a mania que é "moderno" (mas stuck in the 70's) e que gosta de cantarolar mal amanhados versos sobre Jesus que se forçam para caber em versões à la escuteiro de canções de Bob Dylan, Rolling Stones e Jesus Christ Superstar. (E aposto que não pagam royalties pelo uso indevido! Porque é que a SPA não inspeciona as igrejas?).

Qual cereja em cima do bolo ainda inventam uma musiquita com coreografia para nos benzermos durante a reza do Pai Nosso como se a missa fosse uma catequese no jardim escola.

Mas o que é isto???!!!

Em condições "normais" já me é difícil levar uma missa a sério, mas coisas destas são um insulto à minha inteligência. É-me mais fácil acreditar num Deus que me queira penitente e me ameaçe com o fogo do inferno do que num que supostamente gosta de me ver a dançar uma benção coreografada ao som de músicas com maus versos e melodias infantis. Deus precisará de se rir?

Esta imposta alegria em louvor a Deus é ainda mais hipócrita que a sisudez a que eu estava habituado. Mas quem raio julga Jesus que é para nos obrigar a sentir-nos felizes e alegres? E que concepção infantilóide é esta da alegria? Vivemos num mundo cão e ainda temos de agradecer e parecer felizes? Não concebo nada de mais tirânico. Estaremos em Cuba e Deus é o Fidel Castro?

Enfim, eu julgava que já tinha enterrado o meu respeito pela religião há muito tempo mas mesmo assim ainda consegue vir alguém espetar mais um prego no caixão enterrado a 70 palmos debaixo da terra.

sexta-feira, 9 de setembro de 2005

Os heteros

Ontem fui ao jantar de despedida de solteiro de um amigo meu. Às tantas estava a dar conselhos sexuais a amigos que são pais de filhos e que começaram a vida sexual aos 15. Eu, que fui virgem até aos 23!!
Foi muito estranho ter uma data de gente que se volta para mim como se eu fosse o consultório da revista Maria, género: "pergunte-me o que sempre quis saber sobre sexo mas nunca ousou perguntar a ninguém".
Enfim, serviu de contrapeso ao chat da tarde com um amigo gay que me elucidava sobre a vida selvagem de um pinhal italiano à beira mar plantado...

quinta-feira, 8 de setembro de 2005

Psicose

Há 2 dias que sou perseguido pela música "Cielito lindo". Todos os músicos pedintes por que passo estão a tocá-la.
Já a ouvi nas seguintes versões:

- Acordeão (por ciganito no metro)
- Voz, guitarra e ferrinhos (por duo de velhotes na Rua do Carmo e o que cantava tinha uma voz excelente, por acaso)
- Violino, acordão e pandeireta (por ensemble romeno na esplanada da pastelaria Suiça)
- Violino e caixa de ritmos (por refugiado de leste no metro)
- Flauta de pã e caixa de ritmos (por agrupamento pseudo-asteca no Rossio)

Pergunto-me se isto será uma mensagem do além, um sinal de Deus ou um erro na Matrix.

Fiz um esforço para decifrar um significado trascendente nesta meta-coincidência mas só me ocorre uma coisa: esta canção faz-me sempre lembrar o casamento de uns amigos no México e o passeio de barco nos canais de Xochimilco onde pagámos uns pesos a um barco atafulhado de mariachis para nos cantarem umas canções. Como tinhamos de pedir as canções por nome acabámos, como bons gringos, por ouvir apenas "La cucaracha" e "Cielito lindo". Mas pronto, Mexico no seu melhor...

Ora estes meus amigos estão há 6 meses á espera que eu acabe uns quadros que me encomendaram. Será isto Deus a lembrar-me que tenho mesmo de acabar a coisa e que já devia ter vergonha na cara? Por outro lado, recuso-me a acreditar que o universo conjure tantos meios para um fim tão prosaico... enfim, a vida é um mistério (ou como diria a outra: "Life is a mistery, everyone must stand alone, etc, etc...")

PS- Juro que não ando a ler Paulo Coelho

quarta-feira, 7 de setembro de 2005

Nacionalismo parte 2

Ontem à noite romei com metade de Lisboa até Belém para ver o concerto da Mariza. Nunca a tinha visto ao vivo e valeu bem a pena. É certo que me atrasei e quando cheguei à zona já o concerto tinha começado, o que quer dizer que fiquei a 3km do palco, mas se calhar foi por bem. O que mais me impressionou no concerto foi o silêncio do povo. Eu estava bem longe do palco e ainda assim ouvia cada suspiro da fadista e cada roçagar de unha na corda da guitarra. Até o vendedores de pomada quase sussurravam quando apregoavam "quem quer vinho?" (Vinho???!!! Só mesmo num concerto de fado!). E depois a Torre de Belém iluminada a cor de rosa, a luz dos holofotes a coar-se pelas copas dos pinheiros, as faces cheias de portuguesissima e nostálgica saudade nos novos e velhos... Quase me faz parafrasear a própria Mariza e dizer: Portugal, tu sabes que eu sou teu...

...felizmente estas febres só me dão de vez em quando e não são sérias....

terça-feira, 6 de setembro de 2005

Esta noite sonhei com o Papa

Os sonhos são norma geral algo surrealistas, mas o que tive esta noite elevou consideravelmente a minha fasquia: sonhei que estava dentro de uma gaveta (!) juntamente com um bispo português que conversava com o Papa. Eu estava encarregado de lhes servir chá mas eles não se calavam e eu não conseguia interrompê-los. Entretanto estava uma rapariga à minha espera num carro porque precisava saber se o filme que eu lhe recomendara era realizado pelo Woody Allen ou pelo Neil Labute e só o Papa me poderia dar a resposta quando eu lhe servisse o chá.

Aposto que não há livro de interpretação de sonhos que me valha para isto...

Nacionalismo

Os idiotas da "juventude" nacionalista enviaram-me um mail a "promover" o blog deles. Só pelos títulos dos artigos achei que não valia a pena lê-los. Há coisas muito mais interessantes para aprender na net, como isto por exemplo:

http://www.pink-triangle.org/

E, num acesso de patriotismo, aqui fica a bandeira do meu país:

segunda-feira, 5 de setembro de 2005

o Katrina

Por ter acontecido nos Estados Unidos, ha duas coisas que tornaram a passagem deste furacão numa desgraça maior do que foi: as armas e as câmaras de filmar.

as criancas 2

Desfolhava eu a revista Visão com o meu sobrinho de 7 anos a espreitar por cima do meu ombro quando encontramos o anúncio do programa "Esquadrão G". Ele tinha estado milagrosamente calado até esse momento em que explode:
"Olha tio! É o anúncio do esquadrão gay! Mas eu não percebo uma coisa: Eles são um número impar e isso quer dizer que há sempre um que não pode fazer amor!"
Eu tentei não me rir às gargalhadas enquanto lhe dizia:
"Pois é, é muito estranho. Cinco é um número impar. Aprendeste isso na escola?"
"Não! Na escola não se aprende nada!"
e chateado com o rumo que a conversa estava a tomar voltou-me as costas e foi pintar o Tom e o Jerry com lápis de cera.

as crianças

Passei o dia de Sábado num parque aquático com os meus sobrinhos. Há uns bons 15 anos que não escorregava numa daquelas condutas. A mais divertida é a que de facto se assemelha a um esgoto porque é completamente coberta e escura e, como se desliza numa bóia, não se fica parado a meio com aquela sensação de o-meu-rabo-está-gordo-e-parece-uma-âncora. E pode-se guinchar como meninas porque está escuro e ninguém nos vê.
Depois, é sempre bom estar com crianças para perceber que a felicidade e a tristeza são puras criações mentais.
Um dia de insustentável leveza do ser (...exceptuando aquelas partes do rabo-âncora).

O som e a visao

Hoje resolvi abrir uma excepção e adicionar um link à barrinha da direita para um site que não é gerido pela familia Skramesto.

Pelos vistos isto dos blogs é tão fácil que até o amigo Galopim finalmente se converteu. Depois do iPod, depois do CD-R, depois do blog que mais poderemos esperar deste recém convertido ao maravilhoso mundo dos bits e pixels...??? Nuno, deixo-te a dica: PodCast!!!

Entretanto visitem o excelente (e digo excelente porque 90% das vezes estou de acordo com as opiniões expressas pelos seus autores):
http://sound--vision.blogspot.com/

quinta-feira, 1 de setembro de 2005

a scanner darkly



http://www.apple.com/trailers/warner_independent_pictures/a_scanner_darkly.html

Keanu Reeves em desenho animado de ficção cientifica! ...mas esta gente andará apostada em satisfazer os meus desejos mais impossíveis?!!! Será que devo esperar por um épico erótico de vampiros com o George Clooney, o Hugh Jackman e o Mark Ruffalo?!!! (nota a eventuais produtores/argumentistas de hollywood que leiam este blog: se não puderem ser vampiros também podem ser lobisomens, desde que tirem a camisa! Auuuuu!)

o navio e o comboio

Hoje ao pequeno almoço o meu namorado comentava o periodo pré-eleitoral da Noruega. Dizia ele que a Noruega lhe faz lembrar o Expresso do Oriente, só tem uma direcção e segue sempre em frente à mesma velocidade. E os políticos são como os criados, pouco importa quem sejam ou que comida sirvam, a comboio segue sempre em frente.

Da minha parte argumentei que, nesse caso, Portugal é o Titanic e os politicos são os músicos do salão. Pouco importa quem são ou que música tocam porque toda a gente sabe que o barco se vai afundar.

(...e devo confessar que ando com uma ENORME vontade de me armar em ratazana...)

quarta-feira, 31 de agosto de 2005

a cambalhota

ontem revi o filme "E a tua mãe também" que tinha visto no cinema há cerca de 4 anos. É curioso como agora percebi o filme de uma maneira diferente.
Na altura irritou-me um pouco a voz off que entrava frequentemente para dar pormenores da vida e dos destinos de personagens que não tinham nada a ver com a história que estávamos a ver. Parecia-me irrelevante.
Agora é que percebi que a história principal é que é quase irrelevante e que o que o filme faz não é um retrato de 3 personagens mas que antes usa essas 3 personagens para fazer um retrato do México enquanto país e sociedade.
Para além dessa voz off e desses comentários, a câmara está sempre a olhar para o lado, para a janela. Muito mais do que para as personagens.
As personagens vivem um momento especial, uma viagem que está quase fora do tempo, das convenções sociais e do próprio espaço. O carro é como uma cápsula que os protege do exterior, e mesmo quando saem daí, o núcleo das 3 personagens está completamente fora do resto do mexico que os rodeia mesmo que interaja com ele, como por exemplo na crucial cena final em que os 3 se embebedam numa mesa longe da outra mesa dos pescadores.
E ao ver o filme desta maneira, o que a principio me tinha parecido uma comédia sexual transformou-se numa tragédia social.
Gosto tanto quando a minha percepção das coisas dá uma cambalhota...

terça-feira, 30 de agosto de 2005

ele e ela

Ontem vi o DVD da Reality Tour do David Bowie.
Foi bom relembrar o concerto que fui ver a Paris para celebrar o meu 30º aniversário (este ano já serão 32!!).
Não é à toa que eu amo aquele homem. Num concerto para milhares de pessoas ele consegue comunicar com cada alminha. E parecer feliz com o que faz.

E anteontem, noutra sessão de DVD perguntava-me: Que raio faz a Madonna num episódio de Will & Grace? É incrivel como não consegue ter graça nem ponta de naturalidade. Será que não desiste de tentar ser actriz?! E não parece estar a envelhecer bem. Demasiado botox. O Bowie au naturel tem muito melhor aspecto que ela.

segunda-feira, 29 de agosto de 2005

sing, sing a song...

Na sexta feira fui ao aniversário de um amigo meu que ofereceu a todos os convidados um CD com a sua banda sonora para 2005. Uma boa idéia (não pensemos na pirataria) já que trazia umas cançõezitas jeitosas que eu não conhecia.
Foi uma boa ocasião para fazer mais uma afinação ao meu iPod que, por ter os seus 10Gb completamente atafulhados, neste momento só aceita canções verdadeiramente boas, capazes de roubar o lugar a outra que já lá esteja dentro.
Apanhando o espírito da playlist, fiz um pequeno "top eleven" com "as canções da minha vida". É um conceito foleiro, mas apeteceu-me partilhar. São algumas das canções que me dão sempre um arrepiozito de prazer e nas quais reconheço resquícios da minha verdadeira identidade. Voilá:

New Order - "Vanishing Point"

Cocteau Twins - "Cherry Coloured Funk"

The White Birch - "Donau Moves"

Lloyd Cole and the Commotions - "Forest Fire"

Red House Painters - "Rollercoaster"

Grant Lee Buffalo - "Fuzzy"

Cowboy Junkies - "Sun comes up it´s tuesday morning"

Pet Shop Boys - "Always"

Propaganda - "Dream within a dream"

Dead Can Dance - "Indoctrination"

Né Ladeiras - "Sedutora"

sexta-feira, 26 de agosto de 2005

os amigos talentosos

Está patente na Casa da Morna em Alcãntara a exposição do meu amigo Francisco. Recomendo que passem por lá que vale a pena.

Da minha parte fiquei eu com pena de não ter uma parede lá em casa onde caiba esta "coisa":



Se calhar está na altura de mudar de casa....
porque no fim de semana, ao visitar o atelier do meu amigo Matthew Stradling ( www.matthewstradling.com ) fiquei completamente fascinado por isto:



que também não é pequenito...

Começo a compreender o problema do senhor Berardo. Tivesse eu o dinheiro que ele tem e também estaria à rasca para não deixar a arte à chuva.

Little sister

Chegou-me finalmente aos ouvidos o CD da Martha Wainwright, a irmãzinha do Rufus.
Eu já a tinha em grande conta desde "year of the dragon", a pérola maior do mui recomendável album "the McGarrigle hour" em que a familia McGarrigle/Wainwright se junta para cantar depois de uns copos.
Comprova-se que não só os filhos dos peixes sabem nadar, mas as irmãs também.
Seja bem vinda ao meu iPod, menina Martha!!

quinta-feira, 25 de agosto de 2005

material girl

Para além de ter dado uns pénis (hihihi!) a um pedinte e ter contribuido significantemente para o enriquecimento da rede de transportes ingleses ainda gastei dinheiro em:

DVDs
Will and Grace - season 5 (20 euros mais barato que na FNAC chiado)
A casa das adagas voadoras
O Regresso
y tu mama tambien
Entrevista com o vampiro
...e mais um filme japonês cujo nome agora não me ocorre... (3 DVD a 17£ na HMV do aeroporto... e eu não resisto a pechinchas)

Livros
"time and the gods" - Lord Dunsany
"Soul of the fire" - terry goodkind
"Guilty pleasures" - Laurel K Hammilton
(3 livros por 18£ no quiosque do aeroporto....e eu não resisto a pechinchas)

ou seja, delicious trash!!!

Curiosamente 90% do meu tempo em livrarias foi passado na secção infantil. (os outros 10% na de FC e Fantasia)

O ponto alto da viagem foi o gigantesco dinossauro de Lego na secção de brinquedos do Harrod's.

A passagem (breve) por Old Compton Street só serviu para confirmar outra vez que não sou "gay profissional". Mas é sempre giro visitar a familia.

Confirmou-se ainda que o Mela em Convent garden continua a ser o melhor restaurante indiano do mundo. Enganei-me no menu e pedi "Jaquinzinhos" pensando que estava a pedir uma posta de peixe branco. Eu ODEIO jaquinzinhos. Mas quem diria que quando são fritos revestidos de cardamomo e servidos com molho de menta se tornam numa iguaria divina?... não há nada como ver os nosso preconceitos a cair por terra. Da próxima vez que lá for tenho de ver se servem mioleira ou tripas...

No final dei por mim a pensar que afinal, se calhar, um dia, até vou conseguir gostar de Londres.

quarta-feira, 24 de agosto de 2005

O truque do cao

A melhor coisa das viagens é o modo como de repente se vê as coisas de outra perspectiva. Depois de um fim de semana em Londres voltei cheio de saudades dos nossos multibancos e das nossas máquinas de venda de bilhetes de metro que dão troco a notas de 10. Também sou da opinião de que todos os países do mundo deviam ter a mesma moeda. É tão demodé ter de estar a fazer cambios. E controle de passaporte está definitivamente out. Afinal para que é que os ingleses estão na comunidade europeia?! Já é mais que tempo de fazer uma directiva europeia que os obrigue a conduzir no lado certo da estrada, a terem tomadas que não pareçam uma central electrica sovietica dos anos 50 e a usarem o sistema métrico e os graus centígrados.

De facto há momentos em que uma pessoa só pode ser a favor da uniformização pela simples razão de que facilita a vida a toda a gente. Mas depois, como não podia deixar de ser, vem o reverso da medalha. O momento em que o mundo se transforma na aldeia global e se percebe que as cidades se estão a tornar todas iguais. Quando um centro comercial em trás os montes tem as mesmas lojas (zara, macdonalds, body shop, benetton) que um em Londres, Berlin ou Badajoz. Quando os motoristas de autocarro de Londres se saem com as mesmas bocas foleiras dos de Lisboa. Quando se repara que o público que vai às sessões da cinemateca de Oslo parece feito de irmãos gémeos dos que vão às sessões da cinemateca de Lisboa...

Mas o que me saltou à vista em Londres foi o truque do cão, ou seja, a quantidade enorme de pedintes que usam um cão para atrair a caridade alheia. Porque comigo funciona! Depois de um treino de décadas a viver em grandes cidades o meu coração tornou-se impremeável a ciganitas descalças, ceguinhos estropiados, imigrantes esfomeados e à miséria humana em geral. Mas há qualquer coisa nos olhos de um cão que me parte o coração. (E deixo ficar a rima porque dá á frase um toque foleiro que é absolutamente genuíno). Por alguma razão chamei ao meu primeiro livro "olhos de cão".

Ao ver que em Londres, tal como em Lisboa, também há pedintes que passam o dia na rua abraçados ao seu cão tornou-se para mim evidente que a coisa é um truque. Uma construção, como a dos pedintes que exibem as suas chagas, feridas e membros decepados. E quando este pensamento me surge sinto-me indignado, ultrajado, enganado. Isto dura 3 segundos porque logo me surge outro pensamento sobre a minha caridade desumana. De como me consigo preocupar mais com um animal do que com um humano. Será isto mau? Bom não é de certeza...

Mas depois penso: O que é que de facto me comove no pedinte com cão?
Em Londres o que me fez puxar da moedinha foi um tipo que, sentado num cartão, indiferente à multidão que jorrava da saída do metro, beijava o seu rafeiro atrás das orelhas enquanto o abraçava. Naquele momento, o cão era a única coisa que importava no mundo para ele. Era o único sitio de onde lhe vinha qualquer coisa parecida com amor.
E quando percebi isso percebi que de facto estava a dar dinheiro áquilo que de facto me parece essencial no ser humano: a capacidade de amar incondicionalmente, que é uma coisa que só nos permitimos mostrar ao mundo através dos animais (porque é um amor asexuado e como tal livre de culpa, vergonha e moral). É esse o truque. E é por isso que vai continuar a enganar-me e a fazer-me procurar pela moedinha. Sempre.

sexta-feira, 19 de agosto de 2005

signs of the times

Há 3 dias que lá em casa se vê os filmes da saga Alien. É extremamente divertido ver como cada filme tem em si as marcas visuais da sua década. A mais hilariante aparece em "Aliens". Na cena mais obscura, quando a menina Weaver se arma de metralhadora e lança chamas e entra no gigeriano ninho dos bichitos, houve alguém que conseguiu incluir no décor uns néons cor de rosa. É possível ser mais anos 80??!!!