sexta-feira, 19 de agosto de 2005

as gajas

Curioso... hoje reparei que a grande maioria dos meus livros gay favoritos foram escritos por mulheres. Não sei o que isto quer dizer, mas é capaz de querer dizer alguma coisa:

"A sombra de Foulcault" - Patricia Duncker
"O jovem persa" - Mary Renault
"Salto Mortal" - Marion Zimmer Bradley
"Cry to heaven" - Anne Rice
"Entrevista com o vampiro" - Anne Rice

terça-feira, 9 de agosto de 2005

a pobreza

Nestas férias na Madeira apercebi-me de uma coisa que sempre me tinha passado um pouco ao lado: a pobreza cultural.
Com isto não estou a falar de populações privadas de cinemas, concertos, museus, etc... mas sim de pessoas que vivem quase como burros de palas nos olhos. E não o fazem por pobreza económica, opressão social, ou seja o que for, mas sim pelo que eu entendo como pura pobreza de espírito.

Passei as férias numa pequena aldeia no meio das montanhas e dei passeios pelo campo e fiz longas viagens de autocarro e uma coisa que prendeu a minha atenção foi como cada casita tinha sempre o seu quintalinho. É uma coisa simpática, mas na Madeira, a esmagadora maioria ocupa os seus quintalinhos com uma plantação de couves. Daquelas galegas, grandes, farfalhudas e que conseguem quase crescer como palmeiras.

Porquê?!

Não consigo perceber, sinceramente. Aquela ilha é abençoada por um clima e uma terra onde se pode plantar tudo o nos passar pela telha que a coisa há-de crescer feliz e sumarenta. Então porquê plantar couves? E porque é que TODA a gente o faz? E porque é que ocupam o quintal TODO com aquilo (estou a falar de 20 a 30 couves por quintal!!!)?

Vejamos:
1- A couve é das coisas mais baratas de comprar num mercado.
2- Uma família com uma dieta equilibrada não precisa de mais de duas ou três couves no quintal.
3- Um quintal familiar não produz couve suficiente para que a sua comercialização seja rentável.
4- Se toda a gente tem couves no jardim, ninguém compra couves.

Ocorreu-me que talvez houvesse um prato típico da Madeira que levasse muita couve. Mas para além do caldo verde não me ocorreu mais nada. Será que aquela gente come caldo verde ou cozido à portuguesa todos os dias?! O mal que isso não deve fazer ao ambiente familiar... Mas é que nem nos restaurantes (naqueles a que fui) se dá bom uso á couve!

Sinceramente, não percebo. Se se tem uns bons metros quadrados atrás da casa capazes de nos abastecer a dispensa com qualquer verdura, do kiwi ao pimento, da hortelã à marijuana, porquê insistir nas couves? Só pode ser pobreza. Cultural.
E é triste, porque não se vê remédio para isto e nem sequer se pode culpar o governo.

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

o que e que a baiana (nao) tem?

Comprei a série "Carnivale - a feira da magia" em DVD por puro impulso consumista. Afinal 12 episódios de uma hora pela módica quantia de 25 euros pareceu-me um bom negócio. E é. A série é bastante interessante e tem uma direcção de arte irrepreensível (e um genérico lindo!). E no entanto...
...no entanto fica-se com aquela sensação de que aquilo é uma espécie de Twin Peaks mal conseguido. É que o David Lynch engana-nos muito melhor e consegue-nos por a achar que por trás de coisas gratuitamente cripticas há uma qualquer verdade profunda. Aqui é mesmo só o verniz. E é transparente.
Ainda assim, infinitamente melhor que ver qualquer dos 4 canais. (eu não tenho cabo).

...ah, e o rapazito do papel principal é um querido e está sempre suado e a lavar-se num alguidar :-)

o regresso

É duro regressar. Depois de duas semanas a olhar para o verde a ouvir os passarinhos a cidade é mesmo um assalto aos sentidos.
Como eu já previa, acabei por não escrever mais do que uma dúzia de linhas. Em compensação li uns bons milhares:

"Harry Potter and the half blood prince" - J. K. Rowling
É mais do mesmo mas continua a saber bem como sempre. Aliás, este é melhor que o anterior.

"The naked civil servant" - Quentin Crisp
Não sei porque é que não li isto antes... é GENIAL!

"Salto mortal" - Marion Zimmer Bradley
Já andava para ler isto há anos mas finalmente aconteceu. 870 páginas em dois dias. Foi como comer algodão doce.

"Thursbitch" - Alan Garner
Não percebi metade mas acho que não perdi muito. Bonito.

"Eleven on top" - Janet Evanovich
Estes também são sempre a mesma coisa mas parto-me sempre a rir. Nem ao 11º volume isto perde a graça.

"Aristoteles and the secrets of life" - Margaret Doody
Estava à espera de melhor. Um policial na grécia antiga com Aristoteles a fazer de Sherlock holmes. "O nome da rosa" cumpre melhor mas ainda assim passou-se bem o tempo.

quarta-feira, 20 de julho de 2005

antes de ir de ferias descansado

alguns fãs (sim, existem!!! e não estou a contar com os amigos!) perguntam se estou a escrever um novo livro.
A resposta é: já está escrito e está nas mãos da editora. Resta saber quando e se será editado. Com um bocadinho de sorte pode ser que saia para o ano. É um livro de contos para adultos.

Todos queremos ser estrelas pop

Aqui há tempos o meu cérebro também foi de férias para parte incerta graças a uma grande gripe. O resultado foi este que podem ouvir:

http://www.icompositions.com/artists/havalina/

Sim, sou eu a cantar...

Correio

Caro Daniel:

Cá estou eu deitado à beira de uma piscina de Piña Colada na mão. Ouvi dizer que tens sentido a minha falta mas sei que os teus planos para as próximas semanas incluem ver os DVDs da season 4 do Will and Grace e ler o novo Harry Potter. Foi por isso que achei que não ias precisar de mim. Sê simpático e chama-me apenas em caso de emergência.

Sem grandes saudades,
o teu Cérebro

Ferias

Eu só vou de férias para a semana mas o meu cérebro já foi. Não sei para onde. Estou à espera que mande um postal...

segunda-feira, 18 de julho de 2005

Obsessao

Hoje já ouvi esta canção mais de 10 vezes:


INTERPOL - Public Pervert

If time is my vessel, then learning to love
Might be my way back to sea
The flying, the medal, the turning above
These are just ways to be seen
We all get paid
Yeah some get faith before they die
But the stars we will navigate
Through the holes in your eyes

How many days will it take to end
How many ways to reach your hand, oh
You and I

Oh, so swoon baby starry nights
May our bodies remain
You move with me, I'll treat you right, baby
May our bodies remain

There is love to be made
So just stay here for this while
Perhaps heart strings resuscitate
The fading sounds of your life

How many days will it take to land
How many ways to reach your hand, ahh
Oh, you and I

So swoon baby starry nights
May our bodies remain
As weak we move, I'll feed you light, baby
May our bodies remain
Oh yeah in history, I'll treat you right, baby
I'm honest that way, hey
Swoon baby starry nights
May our bodies remain

Sonhos

Ontem tive o sonho mais bonito da minha vida. Não acontecia nada de especial: Eu estava numa praia e quando uma onda enorme rebentou contra uns rochedos eu levantei voo e fui planando até ao cimo de umas montanhas de onde vi o nascer do sol. O que foi surpreendente no sonho foi o nível de detalhe. Eu conseguia ver cada gota de água da onda que rebentava nas rochas, a textura da neve das montanhas e tudo era em technicolor.
Foi um daqueles sonhos que nos reconcilia com a vida e parece uma benção que não merecemos.

Quando acordei lembrei-me do livro "Little,big" do John Crowley onde havia uma personagem que estava sempre a dormir porque tinha sonhos tão belos que achava um desperdício estar acordada.

Example

Curiosamente, este livro é também daquelas bençãos que achamos que não merecemos. Como pode alguém escrever qualquer coisa de tão belo? Tenho de o voltar a ler senão qualquer dia julgo que foi apenas um sonho.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

running on empty

Há quase três anos que abri a minha pequenita empresa de design e fiz o voto de trabalhar apenas com clientes da área da cultura. Curiosamente, a coisa tem corrido melhor do que o esperado. Aparecem clientes e o trabalho é interessante.

O problema em trabalhar para clientes destes é que os honorários são necessáriamente baixos. Para além de ter de oferecer à partida preços baixos para não assustar os potenciais clientes, tenho também de regatear cada tostão. ( Uma das minha anedotas de antologia é a da embaixada que me telefona a perguntar o preço para um cartaz e quando eu lhes dou um preço eles respondem: "Mas não pode fazer um desconto? Nós somos um país pobre!!" )

Mas o que é mesmo grave, são os atrasos nos pagamentos. Poucos são os que pagam nos prazos acordados e para ver um pagamento tive sempre de telefonar antes. Os atrasos variam entre os dois meses, os seis meses e um ano (!!!!)
Na teoria, olhando para a facturação/despesas, o negócio vai bem. Na prática, olhando para o saldo bancário, vai sempre mal.

As desculpas para o não pagamento atempado de facturas são lindas. Eis uma pequena antologia:

- o subsidio do governo ainda não chegou.
- a contabilista está de férias/doente.
- a pessoa que trata disso foi tomar café e eu não sei de nada
- o senhor director ainda não assinou os cheques deste mês
- só atendemos às quintas à tarde.
- só lhe sei dizer a data do pagamento para a semana
- o nosso plano de pagamentos está atrasado alguns meses e tenho outros clientes à sua frente
- não temos dinheiro (prémio honestidade desarmante!)

Mas de facto, a única conclusão a que se pode chegar é precisamente essa: Ninguém tem dinheiro! Dá a sensação de que, seja qual for o negócio, está toda a gente a correr sobre o vazio, numa espiral descendente onde o dinheiro que entra vai apenas para tapar os buracos das dívidas.

Teoricamente, parece que a situação economica de Portugal tem safa. Eu, sinceramente, não acredito em teorias. Prefiro acreditar em pronto pagamento.

quinta-feira, 14 de julho de 2005

pequenas coisas

Hoje fiquei de bom humor só de saber que os The White Birch vão ter um novo album em Novembro

http://thewhitebirch.one.no

quarta-feira, 13 de julho de 2005

Teoria da conspiraçao

Tenho a impressão de que a J. K. Rowling anda a sabotar a minha carreira de escritor... Foi a mesma coisa há dois anos. Planeei passar as minhas férias a escrever e ela marca o lançamento do novo livro para dias antes de eu viajar. Como é que é possível escrever seja o que for quando se tem mais de 500 páginas de Harry Potter para ler?!!

terça-feira, 12 de julho de 2005

Update

Finalmente actualizei o site com as minhas pinturas.

http://home.no.net/danielba/galeria

É curioso olhar para elas assim todas de seguida. Vejo perfeitamente o que têm em comum com as coisas que escrevo: personagens anónimas e visão poética a descambar para o kitsch.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Deus vos abençoe

Uma reportagem num jornal norueguês este fim de semana era especialmente interessante:

Devido à enorme quantidade de imigrantes muçulmanos na Noruega (são quase meio milhão e o país tem menos de cinco milhões de habitantes) os principais produtores de carne estão a dar emprego a muçulmanos, não para matar os bichinhos, mas para rezar por eles antes de serem mortos. É que os seguidores do Corão só podem comer carne Halal, ou seja, carne de animais abençoados antes da matança.
A carne só vai marcada como Halal para o mercado de Oslo onde a grande concentração de muçulmanos o justifica, mas como se tornava demasiado complicado destinguir entre animais abençoados e não abençoados, neste momento, toda a Noruega come carne Halal. Só pode fazer bem à saúde!

Outra das grandes inovações de uma famosa marca de congelados norueguesa é a pizza Halal. É exactamente igual às outras, mas garante-se que se rezou pelo porco antes deste se ter transformado em bacon.

Cada matadouro tem entre 4 a 6 empregados a fazer estas rezas. O governo português é que ainda não pensou em tornar isto obrigatório nos matadouros portugueses como medida de combate ao desemprego!!!!

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Livros Infantis

A propósito da conversa que tem tido lugar no blog
http://escreverparaoboneco.blogspot.com/
ocorre-me dizer algumas coisas enquanto designer e escritor:

A sensação que me fica da grande maioria dos livros infantis portugueses é que são coxos. Um livro infantil tem de se apoiar em quatro patas para poder avançar em condições. São elas: escritor, ilustrador, editor, designer.

Destes quatro parece-me que quem anda a fazer pior trabalho são os editores porque são eles que têm de coordenar os outros três. Não me parece correcto andar a dizer aos outros como devem fazer o seu trabalho, mas há coisas que são tão óbvias que não sei como podem ser ignoradas. Pelos vistos alguém de fora tem de as dizer...

1 - OS ESCRITORES

- Os textos de autores estrangeiros publicados em Portugal deviam ter traduções e revisões mais cuidadas. Aparecem erros escabrosos e não são poucos.

- Os textos de autores portugueses que são escolhidos para publicação previligiam autores mais antigos, que, em certos casos, estão tão velhos que quase perderam a noção do público para quem escrevem. Continua-se a publicar quem sempre se publicou sem qualquer apreciação crítica.

- Há poucos (bons) autores novos a surgirem: primeiro porque pouca gente escreve para o público infantil; segundo porque os que escrevem são grandemente ignorados pelas editoras; terceiro porque as editoras não se dão ao trabalho de editar o trabalho dos escritores, com isto quero dizer, sentar-se com o escritor e descobrir maneiras de melhorar um texto com potencialidades. Os editores estão à espera da papa feita e querem a obra prima instantânea. Esquecem-se que os diamantes precisam de ser lapidados para poderem brilhar. Por isso é que poucas joias aparecem e quase tudo parece cascalho.

- Devido a esta (se calhar falsa) falta de escritores para o público infantil muitas editoras julgam que basta pedir a um escritor de ficção consagrado um pequeno conto para crianças. Nem sempre daí resultam boas coisas porque, mais uma vez, há falta de comentário crítico por parte dos editores (desta vez acrescida de reverência bacoca pela obra literária do escritor)

2 - OS ILUSTRADORES

- A escolha de ilustradores pelas editoras parece muitas vezes o Padrinho a arranjar biscates para os afilhados. Não lhes parece óbvio que para terem um bom livro é preciso escolher um ilustrador de acordo com o ambiente do texto de modo a que o universo visual e escrito se complementem??? Será exagero meu pensar que muitas vezes os editores não leram o texto do escritor e não conhecem o trabalho do ilustrador que contratam?

- Algumas editoras vêm o ilustrador como o tipo que é contratado para "fazer uns bonecos". Esquecem-se que em livros ilustrados eles são responsáveis por metade (ou mais) do trabalho. Eles também estão a contar uma história.

- Mais uma vez, não há posição crítica dos editores face ao trabalho dos ilustradores. Poucos percebem como é feito o trabalho do ilustrador e não lhes pedem esboços que deveriam ser discutidos com os escritores e designers. A criação de um livro infantil ilustrado tem de ser um trabalho de grupo. Na maioria das vezes o ilustrador é deixado ao abandono, sem noção do que se pretende. Isto resulta frequentemente em escritores insatisfeitos e ilustradores mutilados pelo design.
Aponte-se tambem o comportamento snob de muitos ilustradores que se julgam "artistas" e como tal impremeáveis a críticas, sugestões e comentários. Frequentemente evitam esforçar-se em melhorar o seu trabalho utilizando frases como "isso é contra o meu universo pictórico / a minha sensibilidade cromática", etc... Esquecem-se que o ilustrador serve o livro e usam o livro como uma ocasião para, de facto, fazerem mais alguns dos "seus bonecos".

3 - OS DESIGNERS

- A grande falha dos editores portugueses. Por questões de custo, a maioria das vezes, os livros infantis vão parar a um "gabinete gráfico" onde um estagiário "põe as letras nos livros". Há que perceber que um designer é a pessoa que coordena visualmente TODO o livro. Por isso tem que entrar no processo de produção praticamente ao mesmo tempo que o ilustrador.
Um designer deve ser um Director de Arte e um Consultor Técnico de produção. Um editor NÂO TEM (nem tem de ter) capacidade e competencia para fazer esse trabalho.

- Confiar numa gráfica para a impressão de um trabalho é o mesmo que achar que o drácula pode ser baby-sitter. Compete ao designer ir para a gráfica ver o trabalho a ser impresso porque ele é a pessoa que deve ser responsável pelo total visual do livro precisamente por ter acompanhado todo o processo da sua criação. Prescindir deste trabalho é estar condenado ao fracasso.

4 - OS EDITORES

- A visão crítica que o Editor deve ter sobre o trabalho do escritor, do ilustrador e do designer, para além de ter de ser óbviamente construtiva (vale de alguma coisa estar a fazer críticas destrutivas?!), tem de ser fundamentada. Para isso é preciso que o Editor tenha um conhecimento básico da função que cada uma das partes tem na criação do livro. Isto não é pedir muito - é pedir que façam o trabalho que lhes compete.

- Um editor tem que saber o catálogo que tem e que tipo de catálogo está a criar. A edição de livros é, e deve ser, lucrativa. Um mau livro é mau para toda a gente. Infelizmente, grande parte das editoras editam livros simplesmente porque sim.

- A primeira noção que um editor deve ter é saber O QUE É UM LIVRO. A maioria não sabe, embora viva rodeado deles.
Cada livro editado devia ser motivo de orgulho para o editor. Infelizmente, o que se vê é editoras a escolherem ao acaso o que publicam e a apressarem toda a gente para cumprir prazos ridiculamente apertados - que simplesmente não se justificam porque assim que o livro fica pronto é quase imediatamente esquecido e a promoção (quando existe!) dura pouco mais de um mês.

- Não adianta estar com orçamentos apertados para se editar livros maus (porque feitos à pressa e sem os devidos recursos). Com livros maus ninguém ganha dinheiro. Dinheiro compra tempo e qualidade - qualidade gera lucro. Isto é muito simples, mas parece que ninguém percebe.


.......

É claro que há mais coisas que eu podia dizer, mas provavelmente iria descambar para a crueldade. Hoje fico-me por aqui.

quarta-feira, 6 de julho de 2005

No DVD - Wives and daughters

Acabei de ver mais uma série da BBC baseada num romance de Elisabeth Gaskel. Mais uma pequena pérola com excelente direcção de arte e bons desempenhos.
O mais curioso é fazer a comparação com a outra série que vi há umas semanas, o "North and South". Nessa, o universo aproximava-se mais de Dickens, em "Wives and daughters" aproxima-se mais de Jane Austen.
É a história da jovem Molly, filha do médico da aldeia, que vê a sua vida virada de pernas para o ar quando o pai resolve casar de novo com uma senhora que traz consigo também uma filha, de idade aproximada à de Molly.
Gaskel explora os choques entre classes sociais com um toque deliciosamente satírico, sem no entanto nunca tomar partido de ninguém. Nunca há personagens a preto e branco. As personagens boazinhas e inteligentes também têm rasgos de malvadez e tiradas estúpidas e vice versa.
Também o universo feminino é retratado com justiça e, passe as convenções sociais da época, as mulheres raramente são fúteis ou submissas.
É muito curioso descobrir assim uma autora que curiosamente tem ficado esquecida nas prateleiras das bibliotecas inglesas. Está na altura de lhe tirar o pó pois a sua premente modernidade o justifica. Palmas à BBC por esse trabalho.

terça-feira, 5 de julho de 2005

coisas comuns

Ontem enquanto preparava uns couscous vagamente marroquinos ocorreu-me que, tal como em marrocos, uma das comidas típicas da noruega é carne de borrego com nabo. De onde vem esta coisa em comum de misturar estes dois sabores não faço idéia, provavelmente é coincidência porque de facto funciona bem, mas é sempre divertido notar que às vezes são mais as coisas que unem os povos do que as que os separam.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Sim, senhor ministro!

Apesar da fuga do fim de semana, ainda estava ao alcance de uma televisão e vi a pequenita reportagem do Telejornal sobre a aprovação dos matrimónios homossexuais em Espanha.
Emocionaram-me as palavras de Zapatero no discurso parlamentar posterior à votação.

Hoy la sociedad española da una respuesta a un grupo de personas que durante años han sido humilladas, cuyos derechos han sido ignorados, cuya dignidad ha sido ofendida, su identidad negada y su libertad reprimida. Hoy la sociedad española les devuelve el respeto que merecen, reconoce sus derechos, restaura su dignidad, afirma su identidad y restituye su libertad.

Es verdad que son tan sólo una minoría; pero su triunfo es el triunfo de todos. También aunque aún lo ignoren, es el triunfo de quienes se oponen a esta ley, porque es el triunfo de la libertad. Su victoria nos hace mejores a todos, hace mejor a nuestra sociedad.


Este homem sim, tem tomates!

Quando se pode abrir o seu processo de beatificação? É que já fez maior bem que os pastorinhos de Fátima!

Lusitanos

Este fim de semana fui para fora cá dentro e dei um pulinho até ao Luso e ao Buçaco.
Nunca lá tinha ido e soube muito bem passar 3 dias num sítio onde não há nada para fazer.

Foi bom passear na mata do Buçaco (estava a precisar de ver àrvores e pirilampos), foi bom comer boa comida (viva a Regueifa e a Barriga de Freira!) e foi bom nadar na piscina municipal que não tem ponta de cloro porque tem água corrente da fonte do Luso (não imagino maior luxo que ter uma piscina destas em casa).

Mas apesar de todos os pontos positivos, há sempre uma pontinha de tristeza que se infiltra quando se repara que a decadente estação de comboios ganhou o 1º prémio das estações floridas em 1954. Hoje uma pessoa pergunta-se se o comboio de facto pára ali no meio das silvas.

E depois, o país real dos domingueiros, que vêm à fonte encher os garrafões de água e estacionar com uma geleira debaixo de um eucalipto na beira da estrada, tentando abafar o ruido dos carros com o mais recente êxito de Kátia Kristina... que é coisa que não me pertubaria se por acaso os domingueiros parecessem felizes, mas quase todos parecem estar ali contrariados, irritados uns com os outros.

No comboio de volta, eu e o meu norueguês conversámos com um australiano em férias. É fácil concluir que os portugueses são um povo triste e que o que faz falta é animar a malta. Mas falta um ânimo que não seja só pão e circo, que é a resposta fácil do governo e das autarquias, mas não é deles que tem de vir o ânimo, é do próprio povo que tem de aprender a gostar de si mesmo e da sua terra.

Eu, da minha parte, gostei muito do Luso e tenho um bocadinho de orgulho das origens lusitanas.

PS- Alguém sabe onde se pode comprar regueifa em Lisboa??!!