A minha relação com o gengibre é daquelas coisas que ainda não consegui definir. Às vezes adoro, às vezes enjoa-me profundamente.
Hoje ao pequeno-almoço tinhamos a estrear um doce de gengibre e ruibarbo (a propósito, onde raio se pode comprar ruibarbo fresco em Lisboa? Tenho saudades de fazer uma tarte de ruibarbo e morango!). Teoricamente, seria uma coisa com que eu iria delirar. Mas afinal sabia a remédio.
O gengibre fresco é daquelas coisas que eu acho sempre um desperdício comprar. Raspa-se um bocadinho para dentro de uma mixórdia á lá chinesa e sabe muito bem, mas passado uns dias já aquilo está tudo seco e perdeu a piada. Por isso acabo quase sempre por comprar em pó, o que é o suficiente para iludir o palato nas minhas mixórdias orientais.
Gengibre caramelizado vai muito bem em scones, mas se me querem ver à beira do vómito, deixem-me comer disso sem mais nada.
O gengibre do sushi, também é daquelas coisas que me cai muito bem entre cada posta de peixe cru. Mas no final da refeição, quando sobra daquilo e se vai para encher o papo julgando que vai saber bem, afinal não sabe.
Suponho que é o tempero que exige temperamento. Nem demais nem de menos. Eu é que tenho problemas com isso, com a minha voracidade indomável.
quarta-feira, 22 de junho de 2005
no dvd - Norte e Sul
Os últimos serões lá em casa têm sido passados frente à tv onde, graças à magia do dvd, eu o outro rapazito temos visto a série North and South. É a adaptação da BBC do romance vitoriano escrito por Elisabeth Gaskel (Não confundir com aquela outra série americana com o Patrick Swayze).
É a história de uma família que se muda do idílico e campestre sul de inglaterra para uma cidade escura e industrial do norte. E uma história de amor entre a menina do sul e o menino do norte e as divergencias culturais que têm de enfrentar.
A série é absolutamente excelente e aplica-se aquela história do selo de qualidade BBC, que às vezes é tanga, outras é mesmo verdade.
O que mais me fascina na série, não é tanto a lindissima fotografia ou guarda roupa, mas o excelente trabalho de adaptação do livro ao écran que passa por uma perfeita compreensão da parte dos actores de quem é cada personagem. Mesmo os actores mais secundários parecem ter a perfeita noção de quem são, e mesmo parados e sem dizerem nada SÃO a personagem. Isto é obviamente um excelente trabalho de pré-produção em que quem prepara a série LÊ de facto o livro e sabe informar todos os intrevenientes do que têm a fazer.
Sempre tive pena de que Eça de Queiroz nunca tivesse sido condignamente adaptado aos écrans, mas, vendo adaptações inglesas como esta, percebo que a excelencia de uma adaptação vem toda da capacidade de compreensão do que a história e as personagens são. E infelizmente, isso é uma coisa que não irá acontecer nunca em Portugal porque é um país onde não se sabe ler. Veja-se como se consegue nas escolas transformar um romance divertidíssimo como Os Maias, numa seca descomunal...
Parabéns à BBC por conseguir encher de luz e humor uma história suja e, aparentemente, tristonha.
É a história de uma família que se muda do idílico e campestre sul de inglaterra para uma cidade escura e industrial do norte. E uma história de amor entre a menina do sul e o menino do norte e as divergencias culturais que têm de enfrentar.
A série é absolutamente excelente e aplica-se aquela história do selo de qualidade BBC, que às vezes é tanga, outras é mesmo verdade.
O que mais me fascina na série, não é tanto a lindissima fotografia ou guarda roupa, mas o excelente trabalho de adaptação do livro ao écran que passa por uma perfeita compreensão da parte dos actores de quem é cada personagem. Mesmo os actores mais secundários parecem ter a perfeita noção de quem são, e mesmo parados e sem dizerem nada SÃO a personagem. Isto é obviamente um excelente trabalho de pré-produção em que quem prepara a série LÊ de facto o livro e sabe informar todos os intrevenientes do que têm a fazer.
Sempre tive pena de que Eça de Queiroz nunca tivesse sido condignamente adaptado aos écrans, mas, vendo adaptações inglesas como esta, percebo que a excelencia de uma adaptação vem toda da capacidade de compreensão do que a história e as personagens são. E infelizmente, isso é uma coisa que não irá acontecer nunca em Portugal porque é um país onde não se sabe ler. Veja-se como se consegue nas escolas transformar um romance divertidíssimo como Os Maias, numa seca descomunal...
Parabéns à BBC por conseguir encher de luz e humor uma história suja e, aparentemente, tristonha.
terça-feira, 21 de junho de 2005
ainda a realidade
É sempre um choque quando damos de cara com a realidade que só conheciamos da ficção ou de imagens icónicas:
Lembro-me por exemplo de uma manhã em casa da minha mãe em que acordei cedíssimo e, enquanto tomava o pequeno almoço, à luz dourada do nascer do sol, dois passarinhos pipilavam fora da janela, empoleirados nos ramos de uma roseira obscenamente florida. Era incrivelmente belo. Percebi então como o kitsch nos pode impedir de apreciar a verdadeira beleza e tambem porque é que algumas coisas, de facto, se tornam pirosas porque esterilizam por inépcia e repetição exaustiva algo de único.
Ontem foi outra coisa. Eu já suspeitava, mas confirmei que existem de facto pessoas que são absolutamente más e/ou burras. É o caso de uns vizinhos que tenho. A principio não se quer acreditar que exista alguém tão associal que precise ser posto numa cela escura, afastado do contacto com qualquer ser vivo. Mas depois, tem que se ceder à força do realismo. Foi preciso baterem-me, insultarem-me e ameaçarem-me de morte para eu compreender isto. Espero ter aprendido a lição: não tentar fazer festas a cães raivosos.
Lembro-me por exemplo de uma manhã em casa da minha mãe em que acordei cedíssimo e, enquanto tomava o pequeno almoço, à luz dourada do nascer do sol, dois passarinhos pipilavam fora da janela, empoleirados nos ramos de uma roseira obscenamente florida. Era incrivelmente belo. Percebi então como o kitsch nos pode impedir de apreciar a verdadeira beleza e tambem porque é que algumas coisas, de facto, se tornam pirosas porque esterilizam por inépcia e repetição exaustiva algo de único.
Ontem foi outra coisa. Eu já suspeitava, mas confirmei que existem de facto pessoas que são absolutamente más e/ou burras. É o caso de uns vizinhos que tenho. A principio não se quer acreditar que exista alguém tão associal que precise ser posto numa cela escura, afastado do contacto com qualquer ser vivo. Mas depois, tem que se ceder à força do realismo. Foi preciso baterem-me, insultarem-me e ameaçarem-me de morte para eu compreender isto. Espero ter aprendido a lição: não tentar fazer festas a cães raivosos.
segunda-feira, 20 de junho de 2005
Joy!
Finalmente chegou o CD (duplo) há muito encomendado do concerto de Madrid dos Dead Can Dance.
Happy, happy! Joy, joy!
O alinhamento deve ser quase igual ao concerto que vi (Berlim) 6 canções novas !!!
A canção que encerrou os concertos, "Hymn for the Fallen", é sem dúvida a pérola deste pequeno tesouro de CD. Lisa Gerrard em registo blues.
Se não houver posts nos próximos dias já sabem o que estou a fazer...
http://www.dcddiscs.com/
Happy, happy! Joy, joy!
O alinhamento deve ser quase igual ao concerto que vi (Berlim) 6 canções novas !!!
A canção que encerrou os concertos, "Hymn for the Fallen", é sem dúvida a pérola deste pequeno tesouro de CD. Lisa Gerrard em registo blues.
Se não houver posts nos próximos dias já sabem o que estou a fazer...
http://www.dcddiscs.com/
domingo, 19 de junho de 2005
Ronda domingueira na FNAC
"A linha da beleza" de Alan Hollinghurst foi finalmente publicado em Portugal pela Asa. Na nova mas já tradicional tactica promocional das editoras portuguesas, enchem-se as bancadas das livrarias com muitas cópias do livro como quem diz: "Este é que é o best-seller do momento. Saiu hoje, mas é o best-seller."
Enfim... a ver se pega...
A mim nunca me pegou o Hollinghurst com outros livros dele que me aborreceram ao fim das primeiras páginas, mas com tanto bruaha vou também meter o nariz entre as páginas deste, claro.
A dom Quixote lembrou-se de publicar "A história secreta" de Donna Tart, que é um livro já com uns aninhos em cima mas que foi um best-seller daqueles tipo corredor de fundo, logo, só agora apareceu em português. Pode ser que apanhe a onda das conspirações...
Há por aí mais alguém fartinho de livros sobre templários e Maria Madalena?
Colm Tóibin directamente recambiado para a prateleira gay. Seja bem vindo ao clube...
(Suspeita: O livro do Hollinghurst não tem a palavra homossexual na contra-capa mas o livro do Tóibin tem - Confirmar na próxima visita)
No fim da ronda, saí da FNAC apenas com dois exemplares do livrinho por eles editado sobre discos marcantes da música portuguesa. Desfolhei, achei giro, quis saber o preço. Afinal era grátis. Viva!!! Os dias deviam ter sempre surpresas destas.
Mas percebi o truque. Estive a ler a coisa e fiquei cheio de vontade de comprar discos... Sacanas!!!!
Enfim... a ver se pega...
A mim nunca me pegou o Hollinghurst com outros livros dele que me aborreceram ao fim das primeiras páginas, mas com tanto bruaha vou também meter o nariz entre as páginas deste, claro.
A dom Quixote lembrou-se de publicar "A história secreta" de Donna Tart, que é um livro já com uns aninhos em cima mas que foi um best-seller daqueles tipo corredor de fundo, logo, só agora apareceu em português. Pode ser que apanhe a onda das conspirações...
Há por aí mais alguém fartinho de livros sobre templários e Maria Madalena?
Colm Tóibin directamente recambiado para a prateleira gay. Seja bem vindo ao clube...
(Suspeita: O livro do Hollinghurst não tem a palavra homossexual na contra-capa mas o livro do Tóibin tem - Confirmar na próxima visita)
No fim da ronda, saí da FNAC apenas com dois exemplares do livrinho por eles editado sobre discos marcantes da música portuguesa. Desfolhei, achei giro, quis saber o preço. Afinal era grátis. Viva!!! Os dias deviam ter sempre surpresas destas.
Mas percebi o truque. Estive a ler a coisa e fiquei cheio de vontade de comprar discos... Sacanas!!!!
sexta-feira, 17 de junho de 2005
Noddy!
A internet ainda me surpreende.
Hoje descobri um site onde se pode ouvir a própria Enid Blyton a ler histórias!
Enjoy:
http://www.noddy.info/ebstories.htm
Hoje descobri um site onde se pode ouvir a própria Enid Blyton a ler histórias!
Enjoy:
http://www.noddy.info/ebstories.htm
O poder do icone
Desde já os meus parabéns ao PS. Vi hoje o primeiro cartaz para a campanha das eleições autárquicas (não estou a contar com os do Carrilhe) e parece-me que finalmente contrataram alguém que sabe o que está a fazer.
Dois aspectos são marcantes no novo cartaz:
1 - Não têm a cara de ninguém
2 - Voltaram ao antigo símbolo do punho sobre fundo vermelho.
É curioso a força que aquele simbolo da mão fechada tem. A última vez que vi uma demonstração do seu poder foi há dois dias no funeral de Álvaro Cunhal. Confesso que aquele povaréu todo de punho no ar a cantar é uma coisa que me comove. É tão difícil mover as massas hoje em dia...
À luz disto, torna-se então óbvio que o regresso ao antigo simbolo do punho do povo em luta em detrimento da rosa (que, curiosamente, se assemelha imenso ao símbolo do centro comercial das amoreiras!) é obviamente um desvio à esquerda. Pode ser que roubem uns votos aos que querem votar comunista mas não se atrevem.
É bom ter um partido assim com dois símbolos, duas caras. Num país em que o jogo político é como um jogo de matraquilhos, ou seja, os jogadores estão todos presos e nada anda nem para trás nem para a frente, o PS faz-me lembrar o guarda redes, que é quem tem aquele jogo todo de cintura e se mexe muito bem da esquerda para a direita.
Portanto já se sabe o que esperar: o objectivo não é marcar golos, é defender a baliza desesperadamente mexendo o partido num todo (união das massas, nada de protagonismos) da direita para a esquerda.
PS: Lembrei-me que os canhotos costumam marcar golos com o guarda redes...
Dois aspectos são marcantes no novo cartaz:
1 - Não têm a cara de ninguém
2 - Voltaram ao antigo símbolo do punho sobre fundo vermelho.
É curioso a força que aquele simbolo da mão fechada tem. A última vez que vi uma demonstração do seu poder foi há dois dias no funeral de Álvaro Cunhal. Confesso que aquele povaréu todo de punho no ar a cantar é uma coisa que me comove. É tão difícil mover as massas hoje em dia...
À luz disto, torna-se então óbvio que o regresso ao antigo simbolo do punho do povo em luta em detrimento da rosa (que, curiosamente, se assemelha imenso ao símbolo do centro comercial das amoreiras!) é obviamente um desvio à esquerda. Pode ser que roubem uns votos aos que querem votar comunista mas não se atrevem.
É bom ter um partido assim com dois símbolos, duas caras. Num país em que o jogo político é como um jogo de matraquilhos, ou seja, os jogadores estão todos presos e nada anda nem para trás nem para a frente, o PS faz-me lembrar o guarda redes, que é quem tem aquele jogo todo de cintura e se mexe muito bem da esquerda para a direita.
Portanto já se sabe o que esperar: o objectivo não é marcar golos, é defender a baliza desesperadamente mexendo o partido num todo (união das massas, nada de protagonismos) da direita para a esquerda.
PS: Lembrei-me que os canhotos costumam marcar golos com o guarda redes...
quinta-feira, 16 de junho de 2005
uma outra recusa
Uma história enviada para uma editora pelo verdadeiro Skråmestø (ver menu do lado) regressa a casa com a seguinte nota:
" Uma das fraquezas encontradas é a falta de densidade na personagem principal como quando, por exemplo, ao saber que um amigo foi contaminado com o virus da SIDA, se limita a sentar no sofá e ver televisão, sem comentar ou agir perante isso".
O problema da arte é que, quando imita a vida, parece completamente inverosímil.
" Uma das fraquezas encontradas é a falta de densidade na personagem principal como quando, por exemplo, ao saber que um amigo foi contaminado com o virus da SIDA, se limita a sentar no sofá e ver televisão, sem comentar ou agir perante isso".
O problema da arte é que, quando imita a vida, parece completamente inverosímil.
Esperma recusado
A organização do EuroPride de Oslo tinha um filmezito pronto para a divulgação do evento: em notável animação 3D, um rebanho (ou cardume?) de espermatozoides entra por um longo canal à procura de um óvulo. Depois de andarem frustrados para trás e para a frente, chegam a um zona com luz de onde vem também o som de "I will survive".
A coisa até está bem feita e tem a sua piada, mas, pedida a opinião sobre o anúncio a algumas pessoas, o delegado de saúde de Oslo achou que o anúncio promovia o acto sexual (ainda por cima sem preservativo) e o meu ilustre namorado notou como o anuncio para um evento que é supostamente LGBT se restrigia únicamente ao universo G.
Por isso, ontem o anúncio foi recusado pela organização e não será mostrado publicamente (embora tenha estado disponivel na internet por algum tempo).
Moral da história: quem se lixa é o mexilhão, ou seja a agencia de publicidade que fez o filme. É tão típico. Não me parece condenável que uma agencia de publicidade se saia com uma idéia parola (acontece a todos) o que me irrita é que os clientes (neste caso a organização do EuroPride) aprovem um guião e só depois da coisa produzida é que se lembrem de criticar o seu conteúdo.
A coisa até está bem feita e tem a sua piada, mas, pedida a opinião sobre o anúncio a algumas pessoas, o delegado de saúde de Oslo achou que o anúncio promovia o acto sexual (ainda por cima sem preservativo) e o meu ilustre namorado notou como o anuncio para um evento que é supostamente LGBT se restrigia únicamente ao universo G.
Por isso, ontem o anúncio foi recusado pela organização e não será mostrado publicamente (embora tenha estado disponivel na internet por algum tempo).
Moral da história: quem se lixa é o mexilhão, ou seja a agencia de publicidade que fez o filme. É tão típico. Não me parece condenável que uma agencia de publicidade se saia com uma idéia parola (acontece a todos) o que me irrita é que os clientes (neste caso a organização do EuroPride) aprovem um guião e só depois da coisa produzida é que se lembrem de criticar o seu conteúdo.
O que me faz falta
Hoje, qual epifania, descobri que a única coisa que falta na minha vida é tempo.
Felizmente, o tempo é uma coisa que, quando não se pode comprar, se pode obter gratuitamente com um pouco de egoísmo.
Mas será a criação artistica um acto de egoísmo? Se calhar não, mas isso não evita que ocasionalmente me sinta um porco sortudo e egocêntrico.
Felizmente, o tempo é uma coisa que, quando não se pode comprar, se pode obter gratuitamente com um pouco de egoísmo.
Mas será a criação artistica um acto de egoísmo? Se calhar não, mas isso não evita que ocasionalmente me sinta um porco sortudo e egocêntrico.
quarta-feira, 15 de junho de 2005
o jantar de ontem
atirar para dentro do wok:
- frango
- 1 chile chipotle
- alho francês
- pimento verde e vermelho
- 1 cubo de tempero knorr alho e coentros
fritar e depois juntar:
- tequila
- algumas gotas de sumo de limão
quando a coisa parecer estar pronta, juntar:
- 2 iogurtes
mexer, tirar do lume e servir por cima de arroz branco salpicado com coentros picados
yummy!!
- frango
- 1 chile chipotle
- alho francês
- pimento verde e vermelho
- 1 cubo de tempero knorr alho e coentros
fritar e depois juntar:
- tequila
- algumas gotas de sumo de limão
quando a coisa parecer estar pronta, juntar:
- 2 iogurtes
mexer, tirar do lume e servir por cima de arroz branco salpicado com coentros picados
yummy!!
terça-feira, 14 de junho de 2005
Na Mesa de Cabeceira: O Feiticeiro
Resiste na mesa de cabeceira (que na realidade é um cesto!) "the wizard" de Gene Wolfe.
Está a ser difícil entrar neste novo universo do meu autor favorito, mas há os habituais momentos de puro génio. Suponho que, como de costume, a segunda leitura dos livros (o volume anterior chama-se "The knight") já permitirá olhar a paisagem em vez de andar a empurrar a carroça, que é o que sinto que estou a fazer com esta leitura de solavanco.
Entretanto, na net, um divertidíssimo choque de titãs:
Neil Gaiman entrevista Gene Wolfe
Neil Gaiman: What drives you to keep moving, to explore new genres and ways of storytelling?
Gene Wolfe: Well, I don't see the point in telling the same story over and over. Neither do you, obviously—you could be asked this question every bit as easily, and you'd answer it better. As you know, you can't interest readers unless you're interested yourself. This is the law of the blue bunny rabbit: If the author doesn't care what happens to the blue bunny, the kid won't care what happens to the blue bunny.
Besides, it's far easier to write if you become fascinated by the characters and their story. You know all this, Neil. Why are you asking me? You sit down thinking, "Wow! What happens next!?!" And it's fun. They pay us to do this?
Está a ser difícil entrar neste novo universo do meu autor favorito, mas há os habituais momentos de puro génio. Suponho que, como de costume, a segunda leitura dos livros (o volume anterior chama-se "The knight") já permitirá olhar a paisagem em vez de andar a empurrar a carroça, que é o que sinto que estou a fazer com esta leitura de solavanco.
Entretanto, na net, um divertidíssimo choque de titãs:
Neil Gaiman entrevista Gene Wolfe
Neil Gaiman: What drives you to keep moving, to explore new genres and ways of storytelling?
Gene Wolfe: Well, I don't see the point in telling the same story over and over. Neither do you, obviously—you could be asked this question every bit as easily, and you'd answer it better. As you know, you can't interest readers unless you're interested yourself. This is the law of the blue bunny rabbit: If the author doesn't care what happens to the blue bunny, the kid won't care what happens to the blue bunny.
Besides, it's far easier to write if you become fascinated by the characters and their story. You know all this, Neil. Why are you asking me? You sit down thinking, "Wow! What happens next!?!" And it's fun. They pay us to do this?
Obrigado
Eu sei que vou andar sem paciência para aturar o que te vão fazer nos próximos anos, Eugénio, mas tenho de dizer "obrigado". Vês-me a piscar-te o olho, não vês?
Eugenio de Andrade no clube dos Poetas Mortos
A pedido de várias famílias, um momento de escrita para teatro:
Clube dos poetas mortos, na nuvenzinha cor de rosa que lhes está reservada lá no céu e de onde podem disfrutar do eterno pôr do sol que supostamente tanto lhes agrada:
Sophia:
- Então Genito, onde achas que vão pôr citações dos teus poemas?
Eugénio:
- Os meus poemas são cada pedra, cada folha, cada raiz.
Sophia:
- Não é isso, palerma. Olha, por exemplo, cada turista que vai ao oceanário tem que aturar uns versinhos meus em cada canto. Se sobem ao Castelo de São Jorge a ver a vista, lá está um poemita meu numa plaquinha. Assim, com sorte, os meus quadrinetos vão estar a ganhar anualmente mais dinheiro com a minha obra do que eu ganhei a vida toda.
Teixeira (de Pascoaes):
- Vocês têm sorte, morrerem em tempo de tanta construção nova. A mim só me calhou um banquinho frente à torre de Belém para turistas peidorrentos.
Sophia:
- Então, o que achas que preferes? A Casa da Música, as Estações do Metro ou o Estádio do Dragão? Se calhar o estádio é o melhor, tu deves ter uns versitos sobre a relva, não?
Eugénio:
- Mas isso tem mesmo de ser? Têm mesmo que gravar as minhas palavras em pedra, metal ou acrílico?
Fernando:
- É o único caminho para a imortalidade do poeta. Isso ou uma estátua onde os turistas se possam sentar ao teu colo para tirar fotos.
Eugénio:
- Eu de facto tenho uma ideiazita...
Sophia:
- Então conta lá à malta, Genito. Não te acanhes.
Eugénio:
- Eu a modos que via assim um mega neon circular por cima do Porto todo e depois, em grande letras ao longo da margem do rio, para se ler dos miradouros de Gaia: "Era um burgo feio e sujo, mas gostava tanto de lhe pôr um diadema na cabeça"
Luís (de Camões):
- Parece-me uma boa idéia, mas nas actas do clube já se reservou para um tal de Carlos Tê, o futuro espaço de plaquinha em miradouros de Gaia para pôr a popular citação: "ver-te assim abandonada, nesse timbre pardacento".
...silêncio entre os poetas...
Eugénio:
- ...sim, mas é claro que o neon só ia funcionar durante um mandato camarário!
cai o pano
Clube dos poetas mortos, na nuvenzinha cor de rosa que lhes está reservada lá no céu e de onde podem disfrutar do eterno pôr do sol que supostamente tanto lhes agrada:
Sophia:
- Então Genito, onde achas que vão pôr citações dos teus poemas?
Eugénio:
- Os meus poemas são cada pedra, cada folha, cada raiz.
Sophia:
- Não é isso, palerma. Olha, por exemplo, cada turista que vai ao oceanário tem que aturar uns versinhos meus em cada canto. Se sobem ao Castelo de São Jorge a ver a vista, lá está um poemita meu numa plaquinha. Assim, com sorte, os meus quadrinetos vão estar a ganhar anualmente mais dinheiro com a minha obra do que eu ganhei a vida toda.
Teixeira (de Pascoaes):
- Vocês têm sorte, morrerem em tempo de tanta construção nova. A mim só me calhou um banquinho frente à torre de Belém para turistas peidorrentos.
Sophia:
- Então, o que achas que preferes? A Casa da Música, as Estações do Metro ou o Estádio do Dragão? Se calhar o estádio é o melhor, tu deves ter uns versitos sobre a relva, não?
Eugénio:
- Mas isso tem mesmo de ser? Têm mesmo que gravar as minhas palavras em pedra, metal ou acrílico?
Fernando:
- É o único caminho para a imortalidade do poeta. Isso ou uma estátua onde os turistas se possam sentar ao teu colo para tirar fotos.
Eugénio:
- Eu de facto tenho uma ideiazita...
Sophia:
- Então conta lá à malta, Genito. Não te acanhes.
Eugénio:
- Eu a modos que via assim um mega neon circular por cima do Porto todo e depois, em grande letras ao longo da margem do rio, para se ler dos miradouros de Gaia: "Era um burgo feio e sujo, mas gostava tanto de lhe pôr um diadema na cabeça"
Luís (de Camões):
- Parece-me uma boa idéia, mas nas actas do clube já se reservou para um tal de Carlos Tê, o futuro espaço de plaquinha em miradouros de Gaia para pôr a popular citação: "ver-te assim abandonada, nesse timbre pardacento".
...silêncio entre os poetas...
Eugénio:
- ...sim, mas é claro que o neon só ia funcionar durante um mandato camarário!
cai o pano
Poetas Póstumos
Era inevitável. Esta manhã lá tive de aturar Eugénio de Andrade nos écrans do metro. Uma voz feminina lia porque tinha de ler uma poesia enquanto se mostravam imagens de um pôr do sol. Felizmente, os poetas já estão mortos quando lhes fazem estas coisas. Assim não têm que ter arrepios de vergonha, temos nós por eles.
Fecha-se os olhos e espera-se que passe porque é de bom tom educar assim as massas e impingir-lhes a automaticamente boa poesia de poetas mortos.
Fecha-se os olhos e espera-se que passe porque é de bom tom educar assim as massas e impingir-lhes a automaticamente boa poesia de poetas mortos.
quinta-feira, 9 de junho de 2005
Pausa para Publicidade
Com prazer se divulga o seguinte apelo:
Caros amigos,
estreia hoje a peça que escrevi e co-encenei com a Carlota Gonçalves. O Ângelo Torres e a Sandra Celas são os nossos actores.
É uma comédia sobre os tempos modernos. Nada que interesse o malta do Levanta-te Ri.
E contudo, nós ali estaremos, de pedra e cal, até ao dia 30 de Junho (4a a domingo, 22h). O local é o ESPAÇO ATMOSFERAS/CASA AMARELA, na rua da Boavista (entre o Cais Sodré e Santos), 67.
Como se trata de um espectáculo sem rede, com produção à anos 70 (leia-se, sem dinheiro, de texto numa mão e esfregona na outra...) , pedia que me fizessem o favor de o divulgar nos vossos blogues ou de qualquer outra forma que vos aprouver.
E conto vê-los, entre a assistência, uma noite destas.
Um abraço,
Possidónio Cachapa
Ps: mais informações no blogue da peça acibernetica.blogs.sapo.pt
Lá estarei, uma noite destas.
Caros amigos,
estreia hoje a peça que escrevi e co-encenei com a Carlota Gonçalves. O Ângelo Torres e a Sandra Celas são os nossos actores.
É uma comédia sobre os tempos modernos. Nada que interesse o malta do Levanta-te Ri.
E contudo, nós ali estaremos, de pedra e cal, até ao dia 30 de Junho (4a a domingo, 22h). O local é o ESPAÇO ATMOSFERAS/CASA AMARELA, na rua da Boavista (entre o Cais Sodré e Santos), 67.
Como se trata de um espectáculo sem rede, com produção à anos 70 (leia-se, sem dinheiro, de texto numa mão e esfregona na outra...) , pedia que me fizessem o favor de o divulgar nos vossos blogues ou de qualquer outra forma que vos aprouver.
E conto vê-los, entre a assistência, uma noite destas.
Um abraço,
Possidónio Cachapa
Ps: mais informações no blogue da peça acibernetica.blogs.sapo.pt
Lá estarei, uma noite destas.
Putas
Anteontem reparei que há putas e chulos novos na Praça da Figueira, sítio por onde passo todos os dias.
Ontem no aeroporto reparei nalguns livros na prateleira dos best-sellers:
"300 clientes habituais - 300 dias como prostituta"
"Memórias das minhas Putas tristes"
"Amanhã à mesma hora - não sei quantos dias como strip dancer"
"90 minutos"
Hoje no jornal Metro, reparo num título que diz algo como "Demasiadas demonstrações públicas de afecto". Não li o artigo, mas aparentemente falava na impropriedade que é as pessoas andarem aos beijos em público.
Não me ocorre nenhuma ilação moralista a tirar destes factos, mas apetece-me dizer que também eu daria beijos ao meu namorado em público se não tivesse enraizado em mim o medo de ser espancado por atrasados mentais.
Ontem no aeroporto reparei nalguns livros na prateleira dos best-sellers:
"300 clientes habituais - 300 dias como prostituta"
"Memórias das minhas Putas tristes"
"Amanhã à mesma hora - não sei quantos dias como strip dancer"
"90 minutos"
Hoje no jornal Metro, reparo num título que diz algo como "Demasiadas demonstrações públicas de afecto". Não li o artigo, mas aparentemente falava na impropriedade que é as pessoas andarem aos beijos em público.
Não me ocorre nenhuma ilação moralista a tirar destes factos, mas apetece-me dizer que também eu daria beijos ao meu namorado em público se não tivesse enraizado em mim o medo de ser espancado por atrasados mentais.
Acarinhar os Zombies
Ontem à noite saí com um amigo meu. Esplanada, copos.
Eu já andava com a impressão de que algo estava errado, mas, lentamente as minhas suspeitas confirmaram-se. O meu amigo transformou-se num morto-vivo. Os sintomas são óbvios: total falta de reacção. O motivo: anti-depressivos. A nação prozac está cada vez mais populosa, e tanto quando sei, este é o meu sexto amigo que se muda para esse mítico país de alienados.
O que irrita nisto é que a nação prozac é um sítio muito longínquo onde não há correio, email, telefone, berraria que nos valha para conseguir estabelecer contacto com os que para lá se mudam. É como se o amigo tivesse morrido, porque mesmo com ele à nossa frente, ele não está de facto lá. Não morreu. Mas é um morto vivo. Ausentou-se temporariamente e deixou um melão a substituí-lo, programado para dizer: "boa noite", "obrigado", "sim,sim", "pois,pois", tudo aquilo capaz de simular uma conversa.
Eu sei que o meu amigo está em estado de latencia, que há-de ressuscitar para os vivos como a Branca de Neve mas não sei se chegará o beijo do principe para o acordar. Aliás, a ausência do Principe é uma das causas para a depressão.
Da minha parte, por muito que me custe, sinto pouca empatia pelos zombies. Ao meu amigo tentaria dar carinho. Abraços, conversas, chás, cinemas, o que fosse preciso para o animar, mas pelo zombie sinto muito pouco. Espero que de facto apareça um principe para acordar este amigo. Nem precisa ser bonito, basta que tenha a paciencia necessária para dar um beijo a quem, aparentemente, não precisa dele.
Eu já andava com a impressão de que algo estava errado, mas, lentamente as minhas suspeitas confirmaram-se. O meu amigo transformou-se num morto-vivo. Os sintomas são óbvios: total falta de reacção. O motivo: anti-depressivos. A nação prozac está cada vez mais populosa, e tanto quando sei, este é o meu sexto amigo que se muda para esse mítico país de alienados.
O que irrita nisto é que a nação prozac é um sítio muito longínquo onde não há correio, email, telefone, berraria que nos valha para conseguir estabelecer contacto com os que para lá se mudam. É como se o amigo tivesse morrido, porque mesmo com ele à nossa frente, ele não está de facto lá. Não morreu. Mas é um morto vivo. Ausentou-se temporariamente e deixou um melão a substituí-lo, programado para dizer: "boa noite", "obrigado", "sim,sim", "pois,pois", tudo aquilo capaz de simular uma conversa.
Eu sei que o meu amigo está em estado de latencia, que há-de ressuscitar para os vivos como a Branca de Neve mas não sei se chegará o beijo do principe para o acordar. Aliás, a ausência do Principe é uma das causas para a depressão.
Da minha parte, por muito que me custe, sinto pouca empatia pelos zombies. Ao meu amigo tentaria dar carinho. Abraços, conversas, chás, cinemas, o que fosse preciso para o animar, mas pelo zombie sinto muito pouco. Espero que de facto apareça um principe para acordar este amigo. Nem precisa ser bonito, basta que tenha a paciencia necessária para dar um beijo a quem, aparentemente, não precisa dele.
quarta-feira, 8 de junho de 2005
Os olhos do estrangeiro
É sempre curioso ir buscar amigos estrangeiros ao aeroporto. Na viagem de Taxi para o centro da cidade, tenta-se ver as coisas com novos olhos, imaginamos que os nosso olhos são deles e repara-se na beleza lilás dos jacaradás em flor.
Assaltam-me duas dúvidas:
Saberá o meu amigo americano o que é um jacaradá?
E quanto tempo levará até ele fazer a mais típica pergunta americana, à qual eu nunca sei responder: qual é o edifício mais alto de Lisboa?
Assaltam-me duas dúvidas:
Saberá o meu amigo americano o que é um jacaradá?
E quanto tempo levará até ele fazer a mais típica pergunta americana, à qual eu nunca sei responder: qual é o edifício mais alto de Lisboa?
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